{"id":16673,"date":"2013-10-02T12:55:27","date_gmt":"2013-10-02T12:55:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99736"},"modified":"2013-10-02T12:55:27","modified_gmt":"2013-10-02T12:55:27","slug":"guine-bissau-esta-perigosamente-perto-de-ser-um-estado-fracassado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/guine-bissau-esta-perigosamente-perto-de-ser-um-estado-fracassado\/","title":{"rendered":"\u201cGuin\u00e9-Bissau est\u00e1 perigosamente perto de ser um Estado fracassado\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99737\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Jonet+Ramos-Horta-077-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-99737 \" alt=\"Jonet+Ramos Horta 077 629x472 \u201cGuin\u00e9 Bissau est\u00e1 perigosamente perto de ser um Estado fracassado\u201d\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Jonet+Ramos-Horta-077-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"\u201cGuin\u00e9 Bissau est\u00e1 perigosamente perto de ser um Estado fracassado\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">\u201cN\u00e3o \u00e9 nada realista pretender que haja um equil\u00edbrio \u00e9tnico nas for\u00e7as armadas da Guin\u00e9-Bissau\u201d, disse Jos\u00e9 Manuel Ramos-Horta. Foto: Katalin Muharay\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lisboa, Portugal, 2\/10\/2013 \u2013 A Guin\u00e9-Bissau est\u00e1 \u201cperto de ser um Estado fracassado\u201d, mas isso n\u00e3o \u00e9 culpa da viol\u00eancia \u00e9tnica nem religiosa, que jamais existiu nesse pequeno pa\u00eds da \u00c1frica ocidental, afirma o pr\u00eamio Nobel da Paz e enviado da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Jos\u00e9 Manuel Ramos-Horta.<\/p>\n<p>A \u201cdire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds jamais conseguiu ter boas rela\u00e7\u00f5es com os militares e vice-versa. E pode-se dizer que hoje a Guin\u00e9-Bissau est\u00e1 perigosamente pr\u00f3xima de se converter em um Estado fracassado\u201d, disse o ex-presidente, ex-primeiro-ministro e ex-chanceler de Timor Leste em entrevista \u00e0 IPS durante sua passagem por Lisboa.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, nomeou Ramos-Horta seu representante para negociar a democratiza\u00e7\u00e3o da Guin\u00e9-Bissau, que viveu seu \u00faltimo golpe de Estado em abril de 2012, levando em conta suas credenciais pessoais e pol\u00edticas na Comunidade de Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP).<\/p>\n<p>Mas o cronograma inicial para que esse pa\u00eds retome o caminho democr\u00e1tico, que previa elei\u00e7\u00f5es em 24 de novembro, n\u00e3o poder\u00e1 ser cumprido por problemas pol\u00edticos e de organiza\u00e7\u00e3o, reconheceram em setembro os chanceleres de sete dos oito pa\u00edses da CPLP (Angola, Brasil, Cabo Verde, Mo\u00e7ambique, Portugal, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Timor Leste), que n\u00e3o dialoga com o regime da Guin\u00e9-Bissau.<\/p>\n<p><b>IPS: Existe uma possibilidade real de paz nesse pa\u00eds?<\/b><\/p>\n<p><b>JOS\u00c9 MANUEL RAMOS-HORTA: <\/b>Sou realista e otimista. Ao contr\u00e1rio do ocorrido em outras partes do mundo, a Europa inclu\u00edda, na Guin\u00e9-Bissau nunca existiu viol\u00eancia \u00e9tnica ou religiosa. Jamais foram incendiadas ou destru\u00eddas igrejas e mesquitas ou cemit\u00e9rios foram profanados, como acontece at\u00e9 na Uni\u00e3o Europeia (UE). Para garantir a paz e assentar a democracia, o que se necessita urgentemente \u00e9 que os pol\u00edticos e os militares n\u00e3o pressionem demasiadamente o povo.<\/p>\n<p><b>IPS: Parece que o \u00faltimo golpe foi a gota que fez transbordar a paci\u00eancia da comunidade internacional.<\/b><\/p>\n<p><b>JMRH: <\/b>\u00c9 verdade. Esse \u00faltimo golpe n\u00e3o tinha a menor explica\u00e7\u00e3o, exceto esta responsabilidade das duas elites, pol\u00edtica e pol\u00edtico-militar, nesta sequ\u00eancia de viol\u00eancia iniciada por Jo\u00e3o Bernardo \u201cNi\u00f1o\u201d Vieira em 1980, quando derrubou o presidente Lu\u00eds Cabral, anulando seis anos de sucesso na Guin\u00e9-Bissau ap\u00f3s a independ\u00eancia de Portugal. H\u00e1 20 ou 30 anos, os golpes na \u00c1frica eram cotidianos. Hoje, a Uni\u00e3o Africana (UA) tem posturas at\u00e9 mais radicais do que a UE sobre a defesa da democracia. Entretanto, \u00e9 preciso dialogar com quem tem as armas, pragmaticamente. Se n\u00e3o h\u00e1 di\u00e1logo, para que serve a democracia? Justamente para contar com canais de entendimento foi que o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas me nomeou seu representante e j\u00e1 foram registrados resultados.<\/p>\n<p><b>IPS: Pouco depois do golpe, a UA, a CPLP, a UE, os Estados Unidos e a ONU consideraram que a Comunidade Econ\u00f4mica de Estados da \u00c1frica Ocidental (Cedeao) tivera uma atitude vacilante diante da a\u00e7\u00e3o militar. Ap\u00f3s nove meses de miss\u00e3o, com v\u00ea isso?<\/b><\/p>\n<p><b>JMRH: <\/b>As posturas dessas institui\u00e7\u00f5es e desses pa\u00edses eram totalmente corretas, mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio destacar que a Cedeao interveio com pragmatismo para evitar que a situa\u00e7\u00e3o se agravasse mais e impediu a dissolu\u00e7\u00e3o do parlamento e a elimina\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o. Eles investiram muito dinheiro, mas esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel. O importante nesta etapa e realizar elei\u00e7\u00f5es o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, espero que no prazo de cinco a seis meses, para restabelecer a ordem democr\u00e1tica e uma estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p><b>IPS: Quem dialoga hoje com o regime guineense?<\/b><\/p>\n<p><b>JMRH: <\/b>N\u00e3o houve reconhecimento de governos ou organiza\u00e7\u00f5es importantes, mas existe uma rela\u00e7\u00e3o do dia a dia com Estados Unidos e Gr\u00e3-Bretanha, que dialogam com o regime. A Espanha manteve seu embaixador e a Fran\u00e7a sempre est\u00e1 ativa atrav\u00e9s de um encarregado de neg\u00f3cios. A UE imp\u00f4s algumas san\u00e7\u00f5es, mas manteve todos os programas sociais e humanit\u00e1rios. Portugal realiza uma coopera\u00e7\u00e3o por meio de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e igrejas. Esta postura portuguesa se deve a algo muito simples: a rela\u00e7\u00e3o secular com o povo guineense, que est\u00e1 ali e continuar\u00e1 estando, independente do regime.<\/p>\n<p><b>IPS: Al\u00e9m da grande fragilidade do Estado, quais os principais problemas da Guin\u00e9-Bissau?<\/b><\/p>\n<p><b>JMRH: <\/b>A pobreza extrema, com baix\u00edssimos indicadores sociais, a instabilidade pol\u00edtica persistente, as debilidades e rachas do ex\u00e9rcito, a interven\u00e7\u00e3o frequente dos militares na pol\u00edtica, e, nos \u00faltimos anos, a penetra\u00e7\u00e3o dos cart\u00e9is latino-americanos da droga, tanto na Guin\u00e9-Bissau como em muitos outros Estados da regi\u00e3o, o que exacerba as dificuldades desses pa\u00edses com o surgimento de novas \u00e1reas de delinqu\u00eancia, tens\u00f5es e perigos.<\/p>\n<p><b>IPS: Sobre este \u00faltimo problema, se diz que a Guin\u00e9-Bissau est\u00e1 se convertendo em um \u201cnarcoEstado\u201d.<\/b><\/p>\n<p><b>JMRH: <\/b>Isso \u00e9 um disparate de alguns acad\u00eamicos que escrevem estudos pouco assentados na realidade, repetidos por meios de comunica\u00e7\u00e3o sem o menor rigor. Um acad\u00eamico faz uma an\u00e1lise, uma ag\u00eancia de not\u00edcias de um grande pa\u00eds do Norte a divulga e depois todos os jornais v\u00e3o \u00e0 mesma fonte, que pode ou n\u00e3o ser objetiva e imparcial, j\u00e1 que ningu\u00e9m fez uma investiga\u00e7\u00e3o exaustiva. A Guin\u00e9-Bissau \u00e9 apenas um pequeno pa\u00eds v\u00edtima dos cart\u00e9is da droga da Am\u00e9rica Latina e das m\u00e1fias da UE e da R\u00fassia. Esses s\u00e3o os verdadeiros respons\u00e1veis. Como representante do secret\u00e1rio-geral da ONU, n\u00e3o posso mencionar cidades que s\u00e3o verdadeiros centros de lavagem de dinheiro da droga, onde \u00e9 evidente uma grande opul\u00eancia, com mans\u00f5es, pr\u00e9dios e autom\u00f3veis de luxo, enquanto em Bissau (capital) o que se v\u00ea nas ruas s\u00e3o ruas com cabras e vacas.<\/p>\n<p><b>IPS: Outro problema mencionado com frequ\u00eancia s\u00e3o as \u201ccotas \u00e9tnicas\u201d dentro das for\u00e7as armadas, com clara predomin\u00e2ncia dos balantas nas c\u00fapulas.<\/b><\/p>\n<p><b>JMRH: <\/b>Quando se levanta falsos problemas criam-se grandes dificuldades. A Guin\u00e9-Bissau \u00e9 multi\u00e9tnica, multicultural e com v\u00e1rias religi\u00f5es. Esta \u00e9 uma riqueza, e n\u00e3o uma desvantagem. Os balantas historicamente se dedicaram \u00e0 agricultura e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o um povo de grande tradi\u00e7\u00e3o guerreira, que se afirma como combatente, o que faz parte de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. H\u00e1 outros grupos que n\u00e3o gostam das armas, mas do com\u00e9rcio, e outros que preferem ser funcion\u00e1rios do Estado. Por\u00e9m, muitas vezes especialistas ocidentais, sem conhecerem a realidade, afirmam que \u00e9 preciso ter equil\u00edbrio \u00e9tnico nas for\u00e7as armadas. Isto n\u00e3o \u00e9 nada realista, porque n\u00e3o se pode exigir de um comerciante que seja militar. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lisboa, Portugal, 2\/10\/2013 &ndash; A Guin&eacute;-Bissau est&aacute; &ldquo;perto de ser um Estado fracassado&rdquo;, mas isso n&atilde;o &eacute; culpa da viol&ecirc;ncia &eacute;tnica nem religiosa, que jamais existiu nesse pequeno pa&iacute;s da &Aacute;frica ocidental, afirma o pr&ecirc;mio Nobel da Paz e enviado da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), Jos&eacute; Manuel Ramos-Horta. 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