{"id":16674,"date":"2013-10-02T12:47:58","date_gmt":"2013-10-02T12:47:58","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99732"},"modified":"2013-10-02T12:47:58","modified_gmt":"2013-10-02T12:47:58","slug":"a-fome-retrocede-mas-de-forma-desigual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/a-fome-retrocede-mas-de-forma-desigual\/","title":{"rendered":"A fome retrocede, mas de forma desigual"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99733\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Mexico.jpg\"><img class=\" wp-image-99733 \" alt=\"Mexico A fome retrocede, mas de forma desigual\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Mexico.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"A fome retrocede, mas de forma desigual\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Distribui\u00e7\u00e3o de alimentos em Tabasco, M\u00e9xico. Foto: Maur\u00edcio Ramos\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 2\/10\/2013 \u2013 Ainda h\u00e1 842 milh\u00f5es de pessoas sofrendo fome cr\u00f4nica, segundo o documento <em>O Estado da Inseguran\u00e7a Alimentar no Mundo 2013<\/em>, divulgado no dia 1\u00ba por tr\u00eas ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) com sede em Roma, It\u00e1lia. S\u00e3o muitas, mas 842 milh\u00f5es deve ser considerado um n\u00famero bem melhor do que o do ano passado: 868 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre as raz\u00f5es do progresso est\u00e1 o crescimento econ\u00f4mico dos pa\u00edses em desenvolvimento, que melhorou a renda e o acesso aos alimentos, a eleva\u00e7\u00e3o da produtividade agr\u00edcola, e o aumento dos investimentos p\u00fablicos e privados no setor rural. As remessas dos migrantes tamb\u00e9m tiveram papel importante na redu\u00e7\u00e3o da pobreza, segundo o informe das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>A vasta maioria dos que passam fome vive em regi\u00f5es em desenvolvimento, enquanto 15,7 milh\u00f5es habitam pa\u00edses industrializados. Apesar dos progressos detectados em todo o mundo, persistem fortes desigualdades na redu\u00e7\u00e3o da fome. A \u00c1frica subsaariana fez modestos progressos nos \u00faltimos anos, e continua sendo a regi\u00e3o com maior desnutri\u00e7\u00e3o. Estima-se que um em cada quatro de seus habitantes (24,8%) passa fome.<\/p>\n<p>N\u00e3o foram observados avan\u00e7os na \u00c1sia ocidental, enquanto na \u00c1sia meridional e no norte da \u00c1frica houve \u201clentos progressos\u201d. As redu\u00e7\u00f5es mais substanciais, tanto no n\u00famero de famintos como na taxa de desnutri\u00e7\u00e3o, foram registradas em muitos pa\u00edses da \u00c1sia oriental, do sudeste asi\u00e1tico e na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o da d\u00e9cada de 1990, o n\u00famero total de desnutridos nos pa\u00edses em desenvolvimento caiu 17%, passando de 995,5 milh\u00f5es para 826,6 milh\u00f5es. A ambiciosa meta estabelecida em 1996 pela C\u00fapula Mundial sobre a Alimenta\u00e7\u00e3o (CMA), de reduzir pela metade a quantidade de pessoas com fome at\u00e9 2015, continua fora do alcance como objetivo mundial, ainda que 22 pa\u00edses a tenham cumprido no final de 2012.<\/p>\n<p>Os dirigentes da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agr\u00edcola (Fida) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) pediram uma interven\u00e7\u00e3o na agricultura e nos sistemas alimentares para fomentar a nutri\u00e7\u00e3o, bem como na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, com \u00eanfase especial nas mulheres.<\/p>\n<p>O informe que a ONU produziu no ano passado recebeu uma detalhada cr\u00edtica de um grupo de pesquisadores encabe\u00e7ados por Frances Moore Lapp\u00e9, que fizeram recomenda\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia do trabalho e \u00e0 maneira como apresentava as estimativas da fome.<\/p>\n<p>Os pesquisadores destacaram que as medi\u00e7\u00f5es para determinar a inseguran\u00e7a alimentar de fato subestimavam a realidade, pois se baseavam em uma disponibilidade de alimentos e uma necessidade cal\u00f3rica para satisfazer um \u201cestilo de vida sedent\u00e1rio\u201d. Uma estimativa mais ampla levaria a quantidade de famintos no mundo para 1,33 bilh\u00e3o, e n\u00e3o aos 868 milh\u00f5es como calculava o informe de 2012, segundo os especialistas.<\/p>\n<p>Outro fator de preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 o enfoque do informe na fome mundial, o que de alguma maneira mascara as realidades e diferen\u00e7as entre as regi\u00f5es. Na verdade, apenas os progressos na China e no Vietn\u00e3 respondem por mais de 905 da queda no n\u00famero de famintos no mundo. Os casos de \u00eaxitos nacionais, como os de Brasil e Gana, \u201cse perdem nas estimativas mundiais, bem como os pa\u00edses e as regi\u00f5es em crise\u201d, apontaram os cr\u00edticos.<\/p>\n<p>\u201cO informe deste ano introduz importantes inova\u00e7\u00f5es. Vamos al\u00e9m do tradicional indicador da FAO sobre preval\u00eancia da desnutri\u00e7\u00e3o, e procuramos medir as diferentes dimens\u00f5es da inseguran\u00e7a alimentar, em particular suas consequ\u00eancias nutricionais\u201d, destacou ontem Pietro Gennari, diretor da Divis\u00e3o de Estat\u00edstica do Desenvolvimento Agr\u00edcola desta ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Gennari se referia \u00e0 disponibilidade, ao acesso, \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 estabilidade dos alimentos. Estas dimens\u00f5es \u201cpodem ser medidas por meio de diferentes indicadores, e embora na maioria dos casos estes coincidam com as tend\u00eancias de preval\u00eancia de desnutri\u00e7\u00e3o, nem sempre \u00e9 assim\u201d, explicou. \u201cEstudamos pa\u00edses espec\u00edficos para entender o motivo de termos essas diverg\u00eancias e para saber quais pol\u00edticas podem ser adotadas para abord\u00e1-las\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O documento destaca que o crescimento econ\u00f4mico \u00e9 crucial para reduzir a fome. \u201cMas n\u00e3o \u00e9 suficiente. S\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas espec\u00edficas e programas sociais para conseguir a meta de erradicar a fome em todo o mundo\u201d, pontuou Gennari. Alguns especialistas questionam a \u00eanfase no crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>\u201cO informe oferece elementos \u00fateis, alguns deles inclu\u00eddos no novo \u00edndice, e informa\u00e7\u00e3o mais sistem\u00e1tica sobre a inseguran\u00e7a alimentar\u201d, reconheceu Antonio Onorati, do Comit\u00ea Internacional de Planejamento para a Soberania Alimentar, uma rede internacional de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e associa\u00e7\u00f5es de agricultores pequenos e m\u00e9dios, pescadores, trabalhadores agr\u00edcolas e povos ind\u00edgenas. \u201cContudo, em mat\u00e9ria de solu\u00e7\u00f5es, prop\u00f5e receitas velhas e ineficazes\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Por exemplo, \u201ca ideia de que os 600 milh\u00f5es de pequenos agricultores que sofrem inseguran\u00e7a alimentar s\u00f3 precisam aumentar sua produtividade para colocar seu excedente no mercado. Como se o mercado local fosse funcional \u00e0 pequena agricultura e \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, quando n\u00e3o o \u00e9\u201d, ressaltou Onorati.<\/p>\n<p>Segundo Onorati, os mercados locais s\u00e3o apenas uma reprodu\u00e7\u00e3o do mercado global, \u201cque gera crise e inclusive causa a morte de pequenos agricultores, e que \u00e9, em definitivo, um componente fundamental da inseguran\u00e7a alimentar\u201d. E, lamentou, \u201cesper\u00e1vamos uma an\u00e1lise mais profunda do papel dos mercados locais\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados deste informe ser\u00e3o discutidos por representantes de governos, da sociedade civil e do setor privado na reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Seguran\u00e7a Alimentar Mundial, que acontecer\u00e1 em Roma entre os dias 7 e 11 deste m\u00eas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 2\/10\/2013 &ndash; Ainda h&aacute; 842 milh&otilde;es de pessoas sofrendo fome cr&ocirc;nica, segundo o documento O Estado da Inseguran&ccedil;a Alimentar no Mundo 2013, divulgado no dia 1&ordm; por tr&ecirc;s ag&ecirc;ncias da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) com sede em Roma, It&aacute;lia. 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