{"id":16681,"date":"2013-10-03T12:45:08","date_gmt":"2013-10-03T12:45:08","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99845"},"modified":"2013-10-03T12:45:08","modified_gmt":"2013-10-03T12:45:08","slug":"ladaj-aposta-na-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/ladaj-aposta-na-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"Ladaj aposta na sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99846\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ladaj640.jpg\"><img class=\" wp-image-99846 \" alt=\"ladaj640 Ladaj aposta na sustentabilidade\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/ladaj640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Ladaj aposta na sustentabilidade\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O turismo se soma \u00e0 press\u00e3o sobre os recursos naturais em Leh. Foto: Athar Parvaiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ladaj, \u00cdndia, 3\/10\/2013 \u2013 O Ladaj de hoje \u00e9 totalmente diferente daquele que Skarma Namgiyal tem na mem\u00f3ria. Em sua inf\u00e2ncia havia a impactante beleza de sua paisagem, a pureza do ar frio da montanha e o doce de suas \u00e1guas. Hoje, aos 47 anos, este morador da aldeia de Tukcha no distrito de Leh, norte da Caxemira, n\u00e3o pode crer que seja preciso cavar po\u00e7os para obter \u00e1gua. E, menos ainda, para encher as caixas d\u2019\u00e1gua de seus banheiros em lugar de usar as latrinas secas com as quais estava acostumado, al\u00e9m de precisar enfrentar os res\u00edduos l\u00edquidos que fluem direto at\u00e9 suas casas.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a clim\u00e1tica, o auge do turismo e as pr\u00e1ticas modernas est\u00e3o semeando o caos neste deserto frio e elevado, localizado no Estado indiano de Jammu e Caxemira. A altitude m\u00e9dia em Ladaj \u00e9 de 3,4 quil\u00f4metros, e as temperaturas oscilam entre 35 graus negativos no inverno e 35 graus no ver\u00e3o. As chuvas anuais na regi\u00e3o est\u00e3o em torno de cem mil\u00edmetros.<\/p>\n<p>Antes, a \u00e1gua derivada do derretimento de geleiras bastava para atender as necessidades da popula\u00e7\u00e3o local, contou Namgiyal \u00e0 IPS. Contudo, por cair menos neve e com ver\u00f5es mais quentes, algumas das geleiras desapareceram, enquanto outras devem ter a mesma sorte. \u201cVeja Jardongla. Era uma geleira enorme. Agora n\u00e3o existe mais\u201d, pontuou Tsering Kushu, vizinho de Namgiyal.<\/p>\n<p>O escrit\u00f3rio indiano da Geres, uma organiza\u00e7\u00e3o ambientalista com sede central na Fran\u00e7a, fez em 2009 um levantamento em Ladaj, com base em uma an\u00e1lise de dados meteorol\u00f3gicos obtidos entre 1973 e 2008 e em entrevistas com moradores mais velhos. Seus resultados indicaram uma redu\u00e7\u00e3o das geleiras em todo Ladaj, principalmente Jardongla e Stok Kangri, a primeira ao norte de Leh e a segunda no sudeste.<\/p>\n<p>\u201cUm exame de tend\u00eancias indicou claramente aumento de quase um grau para todos os meses de inverno\u201d, segundo o estudo. \u201cAs nevadas e as chuvas tamb\u00e9m apresentaram uma tend\u00eancia decrescente no per\u00edodo estudado\u201d, detalhou \u00e0 IPS Tundup Angmo, sob cuja dire\u00e7\u00e3o foi feito o levantamento. Kushu tem outra maneira para medir at\u00e9 que ponto os ver\u00f5es s\u00e3o mais quentes. \u201cAgora pode-se ver pessoas usando ar-condicionado e ventilador de teto em suas casas\u201d, observou.<\/p>\n<p>Ladaj tem 280 mil habitantes, segundo o censo de 2011. Al\u00e9m disso, a chegada de visitantes aumentou amplamente. Quando, em 1974, o governo indiano abriu a regi\u00e3o ao turismo, a quantidade era \u00ednfima. Segundo o Departamento de Turismo do Estado, no final de agosto, Leh havia recebido 100.179 visitantes. \u201cA quantidade de chegadas est\u00e1 menor este ano devido ao encarecimento da passagem a\u00e9rea\u201d, explicou \u00e0 IPS Mehboob Ali, diretor-adjunto de Turismo na regi\u00e3o de Ladaj.<\/p>\n<p>Para atender a demanda de visitantes, Leh tem 511 hot\u00e9is e pousadas. \u201cCresce muito rapidamente\u201d, disse Lobzang Sultim, diretor-executivo da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Grupo de Desenvolvimento Ecol\u00f3gico de Ladaj (LEDeG). Essa organiza\u00e7\u00e3o realiza o estudo Projeto Urbano de Sa\u00fade H\u00eddrica, iniciado em outubro de 2012 e que terminar\u00e1 em mar\u00e7o pr\u00f3ximo. Segundo suas conclus\u00f5es iniciais, 375 hot\u00e9is da localidade extraem 852 mil litros de \u00e1gua por dia.<\/p>\n<p>Sultim tamb\u00e9m informou que quase 60% das 20 mil fam\u00edlias de Leh usam po\u00e7os para obter \u00e1gua. \u201cN\u00e3o temos op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja retirar \u00e1gua dos po\u00e7os, j\u00e1 que o fornecimento h\u00eddrico encanado est\u00e1 dispon\u00edvel apenas por uma hora pela manh\u00e3\u201d, contou \u00e0 IPS Manav Thakur, gerente-geral do hotel Lingzi. Tudo isso est\u00e1 pressionando os j\u00e1 escassos recursos h\u00eddricos de Ladaj, e, por n\u00e3o ter meios para recuper\u00e1-los, a camada fre\u00e1tica diminui rapidamente.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 estamos conscientes de que as precipita\u00e7\u00f5es em Leh s\u00e3o bem nominais\u201d, disse Sultim. \u201cE com o menor derretimento das geleiras, a descarga de correntes tamb\u00e9m diminui, o que dificulta muito o reabastecimento do len\u00e7ol fre\u00e1tico\u201d, acrescentou. O LEDeG trabalha para encontrar maneiras de conservar a \u00e1gua e regenerar os recursos subterr\u00e2neos. \u201cTemos um projeto para desviar parte da \u00e1gua superficial e permitir que viaje lentamente, para garantir que chegue \u00e0 camada fre\u00e1tica\u201d, explicou Sultim.<\/p>\n<p>Outra tend\u00eancia negativa que pressiona os recursos h\u00eddricos de Ladaj \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o dos tradicionais vasos sanit\u00e1rios secos por outros com caixa d\u2019\u00e1gua. Agora, todos os hot\u00e9is e pousadas de Leh t\u00eam estes \u00faltimos, embora uns poucos ainda possuam dos secos. Algumas casas tamb\u00e9m instalaram os mais modernos.<\/p>\n<p>Dechen Chosto, dona de casa em Leh, n\u00e3o \u00e9 uma delas. Sua fam\u00edlia est\u00e1 feliz usando um vaso sanit\u00e1rio seco. \u201cN\u00e3o precisam de \u00e1gua, n\u00e3o cheiram mal e a compostagem (adubo org\u00e2nico) pode ser usada em nossas terras agr\u00edcolas\u201d, disse \u00e0 IPS. As latrinas secas, de fato, se adaptam de modo ideal ao clima frio de Ladaj, ressaltou Sultim. \u201cS\u00e3o f\u00e1ceis de usar no inverno daqui, quando tudo congela, menos o sangue no corpo\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos nos dar o luxo de ter latrinas com caixa d\u2019\u00e1gua\u201d, opinou Tashi Tundup, do Departamento de Engenharia de Sa\u00fade P\u00fablica em Leh. \u201cEmbora seja totalmente a favor da mudan\u00e7a e queira que a popula\u00e7\u00e3o se beneficie de instala\u00e7\u00f5es modernas, sou firme defensor de continuar com as latrinas secas em Leh\u201d, declarou \u00e0 IPS. At\u00e9 agora Leh n\u00e3o sentiu a necessidade de um sistema de saneamento. No entanto, com a crescente quantidade de hot\u00e9is e pousadas, o esgoto e outros dejetos desses estabelecimentos fluem direto para os quintais das casas, e inclusive a corrente de Leh, que atravessa o povoado.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o causam apenas problemas para as pessoas que vivem nas partes baixas, mas tamb\u00e9m contaminam nossa \u00e1gua. Est\u00e1vamos melhor com nossas latrinas secas\u201d, disse Rigzin Dorge, morador de Sheynam, aldeia da regi\u00e3o. O LEDeG pede que a popula\u00e7\u00e3o se volte com urg\u00eancia para m\u00e9todos amig\u00e1veis com o meio ambiente. \u201cEm nossas intera\u00e7\u00f5es com estrangeiros, descobrimos que alguns deles realmente haviam usado vaso sanit\u00e1rio seco. Isto nos fez ver que nossos h\u00f3spedes respeitar\u00e3o nossas tradi\u00e7\u00f5es se n\u00f3s as mantivermos\u201d, contou Sultim. A organiza\u00e7\u00e3o agora pretende espalhar cartazes e folhetos para conscientizar sobre a import\u00e2ncia de continuar com as pr\u00e1ticas tradicionais. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ladaj, &Iacute;ndia, 3\/10\/2013 &ndash; O Ladaj de hoje &eacute; totalmente diferente daquele que Skarma Namgiyal tem na mem&oacute;ria. Em sua inf&acirc;ncia havia a impactante beleza de sua paisagem, a pureza do ar frio da montanha e o doce de suas &aacute;guas. 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