{"id":16683,"date":"2013-10-03T12:37:20","date_gmt":"2013-10-03T12:37:20","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99835"},"modified":"2013-10-03T12:37:20","modified_gmt":"2013-10-03T12:37:20","slug":"mal-estar-egipcio-volta-as-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/mal-estar-egipcio-volta-as-redes-sociais\/","title":{"rendered":"Mal-estar eg\u00edpcio volta \u00e0s redes sociais"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99836\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/egipto2_640.jpg\"><img class=\" wp-image-99836 \" alt=\"egipto2 640 Mal estar eg\u00edpcio volta \u00e0s redes sociais\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/egipto2_640.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Mal estar eg\u00edpcio volta \u00e0s redes sociais\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A Irmandade Mu\u00e7ulmana tem seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito de jovens, que n\u00e3o ser\u00e1 derrotado facilmente. Foto: Hisham Allam\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Berkeley, Estados Unidos, 3\/10\/2013 \u2013 As sangrentas imagens que das redes sociais acompanharam a chegada de jihadistas \u00e0 S\u00edria, h\u00e1 18 meses, est\u00e3o de volta. Contudo, desta vez procedem do Egito. Fotografias no Facebook e no Twitter mostram dezenas de cad\u00e1veres em mortalhas brancas, alinhados em necrot\u00e9rios, hospitais e at\u00e9 em corredores de mesquitas. Outras mostram corpos carbonizados, com os c\u00e9rebros das v\u00edtimas \u00e0 vista. A maioria das imagens est\u00e1 acompanhada da palavra justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cNosso autocontrole n\u00e3o se deve ao medo, mas ao respeito pelo sangue humano e pela seguran\u00e7a de nosso pa\u00eds\u201d, diz uma publica\u00e7\u00e3o em uma conta no Facebook. \u201cSe nos pressionarem muito, e nos colocarem contra a parede, nos defenderemos\u201d, acrescenta. Tr\u00eas meses depois do golpe de Estado, que em 3 de julho derrubou o primeiro governo democraticamente eleito no Egito, de Mohammad Morsi, morreram centenas de ativistas, h\u00e1 milhares de feridos e muitos mais, principalmente isl\u00e2micos, est\u00e3o presos sem acusa\u00e7\u00e3o nem julgamento. Os \u00eaxitos e fracassos de dois anos e meio de liberdade praticamente foram apagados.<\/p>\n<p>A Anistia Internacional estima que, entre 14 e 18 de agosto, foram assassinadas 1.089 pessoas na repress\u00e3o \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es contra o golpe nas pra\u00e7as Rabaa e Al Nahda, no Cairo. A organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch considera que se tratou da maior matan\u00e7a na hist\u00f3ria moderna do Egito. Semanas mais tarde, a ofensiva militar persiste e a quantidade de v\u00edtimas aumenta de maneira constante, enquanto aumentam os chamados de autodefesa entre os isl\u00e2micos que s\u00e3o alvo da repress\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideologia da viol\u00eancia como \u00fanica via para a mudan\u00e7a, seguida pela rede extremista Al Qaeda, perdera vigor com as reformas pac\u00edficas que a Primavera \u00c1rabe levou ao Egito. Mas agora est\u00e1 de volta como op\u00e7\u00e3o, afirmam observadores de movimentos pol\u00edticos isl\u00e2micos. \u201cSeguimos ao p\u00e9 da letra as prescri\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas do Ocidente, mas basta um mu\u00e7ulmano chegar ao poder e o mundo vira o rosto para o outro lado. Ningu\u00e9m respeita realmente a democracia\u201d, diz a p\u00e1gina de um isl\u00e2mico no Facebook.<\/p>\n<p>A urg\u00eancia de resistir \u00e0 investida \u00e9 sentida mais intensamente entre os jovens. Em discuss\u00f5es privadas, muitos expressam frustra\u00e7\u00e3o com seus dirigentes, especialmente da Irmandade Mu\u00e7ulmana, por pregarem uma mudan\u00e7a gradual em lugar de \u201crevolucion\u00e1ria\u201d. Para alguns ativistas, o Conselho Consultivo (Shura), que governa a Irmandade Mu\u00e7ulmana n\u00e3o passa de um grupo de derviches (religioso mu\u00e7ulmano que segue vida de pobreza e austeridade), m\u00edsticos errantes alheios \u00e0 realidade. \u201cO modelo da revolu\u00e7\u00e3o iraniana talvez n\u00e3o seja t\u00e3o ruim\u201d, disse um ativista.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o dos militares \u00e9 t\u00e3o discriminada que se tornou um assunto pessoal e cotidiano para muitos jovens, especialmente os isl\u00e2micos. Praticamente, todos t\u00eam algu\u00e9m que foi morto, preso ou torturado, um pai, um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3, desde o golpe, contou o ativista. Se os jovens decidirem pegar em armas, n\u00e3o ser\u00e3o dois ou tr\u00eas. Salah Sultan, importante dirigente da Irmandade Mu\u00e7ulmana, estimou \u2013 antes de ser detido esta semana \u2013 que a organiza\u00e7\u00e3o tem entre 800 mil e um milh\u00e3o de membros ativos, sem contar suas fam\u00edlias e simpatizantes.<\/p>\n<p>A press\u00e3o sobre os isl\u00e2micos para que peguem em armas tamb\u00e9m chega do exterior. O grupo armado somaliano Al Shabab, que fora advertido pela Irmandade Mu\u00e7ulmana de que a viol\u00eancia era contraproducente, n\u00e3o perdeu a chance de uma revanche. Em agosto, o Al Shabab se expressou em termos duros sobre a Irmandade Mu\u00e7ulmana e lhe deu um prazo para condenar a democracia, enquanto o mundo via pela televis\u00e3o a matan\u00e7a de civis que se manifestavam contra o golpe no Cairo.<\/p>\n<p>\u201cCom sua insist\u00eancia na democracia, voc\u00eas est\u00e3o conduzindo os mu\u00e7ulmanos ao exterm\u00ednio\u201d, declarou a organiza\u00e7\u00e3o. A press\u00e3o sobre a envelhecida dire\u00e7\u00e3o da Irmandade Mu\u00e7ulmana foi t\u00e3o forte que Essam Erian, l\u00edder da maioria parlamentar antes do golpe, teve que divulgar v\u00e1rias mensagens gravadas pedindo urg\u00eancia na continuidade dos \u201cprotestos pac\u00edficos\u201d.<\/p>\n<p>No dia 25 de setembro, a Irmandade Mu\u00e7ulmana divulgou um comunicado insistindo na \u201cresist\u00eancia pac\u00edfica\u201d. Segundo esta organiza\u00e7\u00e3o, \u201ctodos dever\u00edamos resistir ao golpe e \u00e0 opress\u00e3o pacificamente e sem viol\u00eancia, de um modo civilizado. Os dirigentes golpistas e os opressores querem criar ondas de viol\u00eancia para usar como fachada para suas pr\u00e1ticas policiais assassinas, nas quais se sobressaem\u201d. Os isl\u00e2micos mais velhos justificam seu pacifismo alegando que se trata de advert\u00eancias religiosas contra o derramamento de sangue.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pol\u00edtico, ir contra as for\u00e7as armadas, apoiadas e armadas pelos Estados Unidos, e contra as mil\u00edcias pr\u00f3-governamentais arrastar\u00e1 o pa\u00eds para uma guerra civil que s\u00f3 fortalecer\u00e1 a hegemonia norte-americana e israelense, afirmam os mais velhos. Dificilmente serve de modelo a empobrecida e devastada Som\u00e1lia, acrescentam.<\/p>\n<p>Para o especialista em movimentos isl\u00e2micos do Oriente M\u00e9dio, Sami al Dalaal, \u201ca democracia ainda \u00e9 a principal op\u00e7\u00e3o para a maioria dos isl\u00e2micos. H\u00e1 um medo v\u00e1lido de que alguns possam recorrer \u00e0 viol\u00eancia, sem esperan\u00e7as na democracia, como meio para uma mudan\u00e7a significativa\u201d. Excluir grupos pol\u00edticos pela for\u00e7a costuma levar \u00e0 viol\u00eancia, acrescentou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 precedentes. Quando os militares liquidaram a democracia na Arg\u00e9lia, para evitar entregar o poder aos isl\u00e2micos, estes n\u00e3o tiveram outra escolha a n\u00e3o ser iniciar uma revolu\u00e7\u00e3o armada\u201d, contou Dalaal, se referindo \u00e0 sangrenta guerra civil que come\u00e7ou em 1992 na Arg\u00e9lia, quando os militares anularam as elei\u00e7\u00f5es, diante da evidente vit\u00f3ria que teriam partidos isl\u00e2micos. Pelo menos cem mil pessoas morreram nesse conflito que terminou em 2002.<\/p>\n<p>Os protestos pr\u00f3-democracia na S\u00edria tamb\u00e9m come\u00e7aram pacificamente, at\u00e9 que o presidente Bashar al Assad reagiu com viol\u00eancia e as imagens de fatos sangrentos se tornaram virais nas redes sociais, iniciando outra guerra civil. No Egito, onde as for\u00e7as armadas n\u00e3o d\u00e3o sinais de abandonar o uso excessivo da for\u00e7a, alguns jovens decidirem pegar em armas para se defender pode ser apenas quest\u00e3o de tempo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Berkeley, Estados Unidos, 3\/10\/2013 &ndash; As sangrentas imagens que das redes sociais acompanharam a chegada de jihadistas &agrave; S&iacute;ria, h&aacute; 18 meses, est&atilde;o de volta. Contudo, desta vez procedem do Egito. Fotografias no Facebook e no Twitter mostram dezenas de cad&aacute;veres em mortalhas brancas, alinhados em necrot&eacute;rios, hospitais e at&eacute; em corredores de mesquitas. 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