{"id":16692,"date":"2013-10-04T13:08:51","date_gmt":"2013-10-04T13:08:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=99938"},"modified":"2013-10-04T13:08:51","modified_gmt":"2013-10-04T13:08:51","slug":"africa-vende-apenas-petroleo-e-vestuario-para-os-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/africa-vende-apenas-petroleo-e-vestuario-para-os-estados-unidos\/","title":{"rendered":"\u00c1frica vende apenas petr\u00f3leo e vestu\u00e1rio para os Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_99939\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/industria.jpg\"><img class=\" wp-image-99939 \" alt=\"industria \u00c1frica vende apenas petr\u00f3leo e vestu\u00e1rio para os Estados Unidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/industria.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"\u00c1frica vende apenas petr\u00f3leo e vestu\u00e1rio para os Estados Unidos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A ind\u00fastria t\u00eaxtil \u00e9 um dos poucos setores que se beneficiam da Lei de Crescimento e Oportunidades para a \u00c1frica. Foto: Kristin Palitza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 4\/10\/2013 \u2013 O contexto legal que pauta as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre Estados Unidos e \u00c1frica est\u00e1 cheio de problemas que deixam \u00e0 intemp\u00e9rie muitas empresas africanas. A Lei de Crescimento e Oportunidades para a \u00c1frica (Agoa) foi aprovada em 2000 para fomentar a exporta\u00e7\u00e3o para o mercado norte-americano de produtos de pequenas e m\u00e9dias empresas africanas.<\/p>\n<p>Atualmente, funcion\u00e1rios, legisladores e ativistas dos Estados Unidos insistem que essa lei n\u00e3o funciona como deveria, especialmente para as comunidades mais pobres, e duvidam que possa ser reformulada antes de 2015, ano em que expira, embora todo mundo esteja prevendo que ser\u00e1 prorrogada.<\/p>\n<p>\u201cA Agoa teve sucesso, mas s\u00f3 dentro de seus par\u00e2metros limitados\u201d, disse Kimberly Elliott, do Centro para o Desenvolvimento Global, um grupo de especialistas com sede em Washington. \u201cFoi relativamente efetiva para eliminar barreiras norte-americanas ao com\u00e9rcio africano, mas n\u00e3o abordou a quest\u00e3o fundamental da competitividade na \u00c1frica\u201d, acrescentou essa especialista em pol\u00edticas comerciais e globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o Departamento de Estado norte-americano, \u201cno contexto da Agoa, as exporta\u00e7\u00f5es africanas aumentaram mais de quatro vezes desde a cria\u00e7\u00e3o do programa. Em 2012, os pa\u00edses aptos segundo a Agoa exportaram quase US$ 35 bilh\u00f5es em produtos livres de tarifas\u201d. E, segundo o embaixador Michael Froman, representante comercial dos Estados Unidos, no \u201ccontinente africano foram criados apenas 1,3 milh\u00e3o de empregos desde a aprova\u00e7\u00e3o da Agoa\u201d. Por outro lado, as vendas norte-americanas para a \u00c1frica triplicaram na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Uma das limita\u00e7\u00f5es da Agoa \u00e9 que abrange apenas alguns setores da economia, entre eles o petr\u00f3leo, em detrimento de itens com maior peso nos segmentos mais pobres da sociedade, como a agricultura, o mais importante para as comunidades africanas. \u201cAl\u00e9m do vestu\u00e1rio e de outros poucos setores, as tarifas alfandeg\u00e1rias dos Estados Unidos j\u00e1 eram bem baixas antes da Agoa. O maior desafio \u00e9 que produtos b\u00e1sicos mais importantes, como a\u00e7\u00facar e cacau, tenham acesso ao mercado norte-americano\u201d, ressaltou Elliott.<\/p>\n<p>Mas os produtos agr\u00edcolas continuam exclu\u00eddos da Agoa pelas prote\u00e7\u00f5es internas norte-americanas. Este parece ser o maior obst\u00e1culo para reduzir a pobreza na \u00c1frica. \u201cAl\u00e9m do t\u00eaxtil, n\u00e3o h\u00e1 muito setores se beneficiando da Agoa\u201d, indicou \u00e0 IPS Zania Lewis, analista de desenvolvimento econ\u00f4mico na \u00c1frica da Brookings Institution. \u201cE, lamentavelmente, o item que recebeu a maior parte dos benef\u00edcios foi a ind\u00fastria do petr\u00f3leo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Estimativas recentes indicam que as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo representam quase 90% das mercadorias que deixam as costas africanas. Ao mesmo tempo, a Agoa conseguiu abrir o mercado norte-americano \u00e0 crescente ind\u00fastria t\u00eaxtil africana. O auge das exporta\u00e7\u00f5es quenianas para empresas dos Estados Unidos como Victoria\u2019s Secret e Macy\u2019s \u00e9 um resultado positivo da Agoa.<\/p>\n<p>As \u00faltimas estimativas mostram que o Qu\u00eania foi o 103\u00ba maior fornecedor dos Estados Unidos em 2011, com exporta\u00e7\u00f5es de US$ 382 milh\u00f5es, o que representa alta de quase 23% em rela\u00e7\u00e3o a 2010. \u201cAt\u00e9 agora, este \u00e9 o melhor resultado da Agoa para os segmentos mais pobres dos produtores africanos\u201d, apontou Elliott.<\/p>\n<p>Para Shari Berenbach, presidente da ag\u00eancia federal Funda\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos para o Desenvolvimento da \u00c1frica, \u201c\u00e9 importante reconhecer que um dos p\u00fablicos mais importantes da Agoa s\u00e3o as pequenas comunidades locais e marginalizadas\u201d. E acrescentou \u00e0 IPS que sua entidade \u201capoiou muito essa lei e o com\u00e9rcio, porque um quarto dos produtores que apoiamos s\u00e3o pequenos grupos locais que agora participam a fundo nas exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o oferece fundos para o desenvolvimento de pequenas empresas africanas que buscam ter acesso ao mercado dos Estados Unidos. Berenbach garante que essas oportunidades podem ter um impacto direto na pobreza. \u201cA maior parte de nosso trabalho na \u00c1frica \u00e9 dedicado \u00e0 parte mais fraca da economia africana, as comunidades pobres\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Como a Agoa expirar\u00e1 em 2015, o olhar est\u00e1 voltado para sua renova\u00e7\u00e3o e em como reform\u00e1-la. Suas fraquezas, segundo os cr\u00edticos, talvez n\u00e3o sejam apenas pelas barreiras comerciais ocultas. \u201cA Agoa n\u00e3o pode chegar a muitas comunidades africanas que n\u00e3o participam do processo produtivo, simplesmente por restri\u00e7\u00f5es internas e falta de infraestrutura adequada\u201d, explicou \u00e0 IPS Mwangi S. Kimenyi, diretor da Iniciativa para o Crescimento da \u00c1frica na Brookings Institution.<\/p>\n<p>Pesquisa da consultoria independente Afrobarometer concluiu que quase metade dos africanos entrevistados ainda se veem como pobres. Com base em pesquisas feitas em 34 pa\u00edses, o estudo mostra que pelo menos 20% dos africanos ainda sofrem as priva\u00e7\u00f5es mais b\u00e1sicas, como de alimentos, \u00e1gua e rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Para atender esse problema alguns sugerem que a pr\u00f3xima vers\u00e3o da Agoa deveria prever a assist\u00eancia aos pequenos produtores africanos para que adquiram habilidades e conhecimentos sobre as exig\u00eancias do interc\u00e2mbio internacional. Berenbach a define como \u201cdesenvolvimento de capacidade comercial\u201d. Isto \u201cpermitir\u00e1 inclusive que os produtores menores sejam mais produtivos e comercializem de modo efetivo. Assim, poderemos usar realmente o com\u00e9rcio para obter desenvolvimento\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Outro aspecto que deveria mudar \u00e9 a escassa promo\u00e7\u00e3o que cont\u00e9m a Agoa para investimentos de empresas norte-americanas na \u00c1frica, segundo Kimenyi, acrescentando que, por essa raz\u00e3o, muitos interesses corporativos tamb\u00e9m estar\u00e3o pendentes do debate para prorrogar a lei. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 4\/10\/2013 &ndash; O contexto legal que pauta as rela&ccedil;&otilde;es comerciais entre Estados Unidos e &Aacute;frica est&aacute; cheio de problemas que deixam &agrave; intemp&eacute;rie muitas empresas africanas. 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