{"id":16700,"date":"2013-10-07T13:26:04","date_gmt":"2013-10-07T13:26:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100082"},"modified":"2013-10-07T13:26:04","modified_gmt":"2013-10-07T13:26:04","slug":"rohingyas-temem-desaparecer-do-mapa-birmanes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/rohingyas-temem-desaparecer-do-mapa-birmanes\/","title":{"rendered":"Rohingyas temem desaparecer do mapa birman\u00eas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100083\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Rohingya-small.jpg\"><img class=\" wp-image-100083 \" alt=\"Rohingya small Rohingyas temem desaparecer do mapa birman\u00eas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Rohingya-small.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Rohingyas temem desaparecer do mapa birman\u00eas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Guardas fronteiri\u00e7os em Bangladesh negam a entrada para refugiados rohingyas da Birm\u00e2nia, em novembro de 2012. Foto: Anurup Titu\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Bangcoc, Tail\u00e2ndia, 7\/10\/2013 \u2013 O primeiro censo a ser realizado na Birm\u00e2nia em 30 anos pode fazer desaparecer \u201ctoda refer\u00eancia\u201d \u00e0 minoria mu\u00e7ulmana rohingya, perseguida pelo regime, o que equivaleria a um etnoc\u00eddio, alerta de Londres um l\u00edder exilado dessa comunidade. Nurul Islam, presidente da Organiza\u00e7\u00e3o Nacional Rohingya Arakana, disse em entrevista \u00e0 IPS que sua campanha objetiva chamar a aten\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e dos governos europeus.<\/span><\/p>\n<p>\u201cQueremos pressionar o governo da Birm\u00e2nia para que conte os rohingyas no censo, de modo a revelar os n\u00fameros reais de sua popula\u00e7\u00e3o\u201d, disse Islam. A organiza\u00e7\u00e3o Human Rights Watch (HRW) expressou preocupa\u00e7\u00e3o similar sobre este grupo \u00e9tnico sem Estado, que vive ao longo da fronteira ocidental da Birm\u00e2nia.<\/p>\n<p>O censo, que ser\u00e1 realizado durante 12 dias em mar\u00e7o de 2014, custar\u00e1 US$ 58,5 milh\u00f5es, confirmou o ministro de Imigra\u00e7\u00e3o e Popula\u00e7\u00e3o, Jin Yi, em entrevista coletiva concedida em setembro em Naypidaw, a capital administrativa da Birm\u00e2nia, que prometeu colocar US$ 15 milh\u00f5es, enquanto espera que a ajuda da ONU cubra outros US$ 5 milh\u00f5es. Se prev\u00ea que os governos do Ocidente entrem com o restante: US$ 16 milh\u00f5es da Gr\u00e3-Bretanha, e US$ 2,8 milh\u00f5es da Austr\u00e1lia, enquanto Noruega e Su\u00ed\u00e7a tamb\u00e9m assumiram compromissos.<\/p>\n<p>Os rohingyas h\u00e1 d\u00e9cadas s\u00e3o v\u00edtimas de pol\u00edticas discriminat\u00f3rias. Algumas, como os trabalhos for\u00e7ados, constituem viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, e tamb\u00e9m atingem outras minorias. Outras pol\u00edticas afetam apenas os rohingyas: a muitos \u00e9 negada uma adequada aten\u00e7\u00e3o quanto a sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o impedidos de sair de suas aldeias e at\u00e9 de se casar, porque as autoridades locais n\u00e3o d\u00e3o sua aprova\u00e7\u00e3o. Os l\u00edderes locais dizem que dezenas de milhares de beb\u00eas da etnia n\u00e3o foram registrados.<\/p>\n<p>Os rohingyas n\u00e3o s\u00e3o oficialmente identificados como um dos 135 grupos \u00e9tnicos reconhecidos do pa\u00eds. A \u00faltima contagem, de 1983, situou a popula\u00e7\u00e3o nacional em 35,4 milh\u00f5es, enquanto a popula\u00e7\u00e3o registrada no censo anterior, de 1973, era de 28,9 milh\u00f5es. Esses dois censos, feitos quando o pa\u00eds estava sob um opressivo regime militar, n\u00e3o reconheceram os rohingyas como parte de sua popula\u00e7\u00e3o. As declara\u00e7\u00f5es oficiais e os meios de comunica\u00e7\u00e3o costumam se referir aos 800 mil rohingyas que se estima existem no pa\u00eds como \u201cbengalis\u201d (quem nasce em Bangladesh).<\/p>\n<p>Por fim, considera-se que os membros da comunidade s\u00e3o \u201cforasteiros\u201d procedentes da vizinha Bangladesh. \u201cO termo bengali tem conota\u00e7\u00e3o de estrangeiro\u201d, observou Chris Lewa, diretor do Projeto Arakana, uma organiza\u00e7\u00e3o independente que se dedica a investigar a situa\u00e7\u00e3o dos rohingyas. \u201cPortanto, institucionalizar o termo bengali vai muito al\u00e9m de simplesmente rejeitar o termo rohingya, e \u00e9 uma nega\u00e7\u00e3o de seus direitos como cidad\u00e3os\u201d da Birm\u00e2nia, acrescentou.<\/p>\n<p>Janet Jackson, diretora do escrit\u00f3rio do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) na Birm\u00e2nia, disse \u00e0 IPS que \u201co censo n\u00e3o afetar\u00e1 o status de cidadania dos rohingyas. N\u00e3o se deve permitir que a controv\u00e9rsia que cerca esse assunto seja obst\u00e1culo para uma contagem completa da popula\u00e7\u00e3o, e a realiza\u00e7\u00e3o do censo n\u00e3o deveria agravar as tens\u00f5es relacionadas ao tema\u201d.<\/p>\n<p>O governo garantiu ao UNFPA que o censo acontecer\u00e1 \u201cem linha com os padr\u00f5es internacionais\u201d nessa \u00e1rea e segundo os quais \u201ccada pessoa ser\u00e1 contada, independente de sua cidadania ou condi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica\u201d. Jackson espera que o perfil da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, estimada em 60 milh\u00f5es de habitantes, abrace a \u201cinclus\u00e3o\u201d. Essas palavras destoam da realidade no terreno, pois no ano passado estourou na Birm\u00e2nia a viol\u00eancia sect\u00e1ria entre os budistas arakaneses e os rohingyas.<\/p>\n<p>Em outubro de 2012 e junho deste ano, ataques contra rohingyas que mataram quase 200 pessoas e deixaram 140 mil refugiados despertaram certa empatia pelos membros dessa etnia. A HRW os descreveu como v\u00edtimas de \u201climpeza \u00e9tnica\u201d em um informe divulgado em abril deste ano. Essa funesta situa\u00e7\u00e3o piorou. O Projeto Sentinela para a Preven\u00e7\u00e3o do Genoc\u00eddio descreve a Birm\u00e2nia como \u201cum caso de manual\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e1quina do genoc\u00eddio \u2013 o processo complexo e sistem\u00e1tico projetado para eliminar os rohingyas \u2013 j\u00e1 opera na Birm\u00e2nia e levou a limpeza \u00e9tnica e o isolamento ao seu ponto atual\u201d, diz o informe intitulado <i>Alto Risco de Genoc\u00eddio na Birm\u00e2nia<\/i>, que a organiza\u00e7\u00e3o divulgou no come\u00e7o de setembro.<\/p>\n<p>\u201cCada vez mais evid\u00eancias apoiam as den\u00fancias de que atualmente ocorre um genoc\u00eddio na Birm\u00e2nia, e pode ser meramente quest\u00e3o de escala\u201d, afirma o documento. \u201cEntre os principais indicadores de tentativa genocida est\u00e1 o registro for\u00e7ado de rohingyas sob uma identidade \u00e9tnica \u2018estrangeira\u2019, tentando apresentar uma nega\u00e7\u00e3o documental da exist\u00eancia do grupo\u201d, acrescenta. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Bangcoc, Tail&acirc;ndia, 7\/10\/2013 &ndash; O primeiro censo a ser realizado na Birm&acirc;nia em 30 anos pode fazer desaparecer &ldquo;toda refer&ecirc;ncia&rdquo; &agrave; minoria mu&ccedil;ulmana rohingya, perseguida pelo regime, o que equivaleria a um etnoc&iacute;dio, alerta de Londres um l&iacute;der exilado dessa comunidade. 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