{"id":16701,"date":"2013-10-07T13:22:23","date_gmt":"2013-10-07T13:22:23","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100078"},"modified":"2013-10-07T13:22:23","modified_gmt":"2013-10-07T13:22:23","slug":"africa-com-dores-de-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/africa-com-dores-de-crescimento\/","title":{"rendered":"\u00c1frica com dores de crescimento"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100080\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Bosena-629x421.jpg\"><img class=\" wp-image-100080 \" alt=\"Bosena 629x421 \u00c1frica com dores de crescimento\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Bosena-629x421.jpg\" width=\"529\" height=\"321\" title=\"\u00c1frica com dores de crescimento\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Bosena mendiga nas ruas de Adis Abeba com seu beb\u00ea nos bra\u00e7os. Foto: Jacey Fortin\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 7\/10\/2013 \u2013 N\u00e3o longe da sede da Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a \u00c1frica (Cepa), na capital da Eti\u00f3pia, uma mulher de 25 anos chamada Bosena est\u00e1 sentada em uma rua movimentada com seu beb\u00ea nos bra\u00e7os. Com dois filhos, e toda sua renda, cerca de US$ 1,58 por dia, obtida mendigando, ela chegou \u00e0 cidade procedente do campo, com a esperan\u00e7a de garantir boa educa\u00e7\u00e3o a eles. \u201cMas, se n\u00e3o consigo dinheiro suficiente, n\u00e3o poder\u00e3o ir \u00e0 escola\u201d, lamentou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Virando a esquina, na sede da Cepa, uma ag\u00eancia especializada da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), eram discutidos os problemas que afetam Bosena, como urbaniza\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia, pobreza e educa\u00e7\u00e3o. O encontro foi a Confer\u00eancia Regional sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento para Depois de 2014, que come\u00e7ou no dia 30 de setembro e terminou em 4 de outubro.<\/p>\n<p>A \u00faltima de uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es regionais em todo o mundo foi dedicada a avaliar os progressos alcan\u00e7ados desde 1994, quando a primeira Confer\u00eancia Internacional sobre Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento adotou, no Cairo, um Plano de A\u00e7\u00e3o perante as mudan\u00e7as demogr\u00e1ficas que o planeta experimentava. Muitas coisas mudaram nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica experimenta um incr\u00edvel crescimento: a cada ano s\u00e3o mais 21 milh\u00f5es de pessoas e logo chegar\u00e1 a 1,2 bilh\u00e3o. Um informe da ONU,divulgado em setembro, indicava que at\u00e9 o final deste s\u00e9culo esse n\u00famero poder\u00e1 triplicar. Isso colocar\u00e1 uma enorme carga sobre os governos de todo o continente, que j\u00e1 devem enfrentar a pobreza e o subdesenvolvimento.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o se ouviu apenas not\u00edcias ruins na Confer\u00eancia. A \u00c1frica tem algumas das economias de mais r\u00e1pido crescimento do planeta. O Fundo Monet\u00e1rio Internacional previu este ano que o crescimento do produto interno bruto (PIB) da \u00c1frica subsaariana chegar\u00e1 a 6,1% em 2014, superando de longe a m\u00e9dia mundial, estimado em 4%. As cidades est\u00e3o se transformando em centros de atividade econ\u00f4mica, por isso n\u00e3o surpreende que o auge populacional se concentre nas cidades.<\/p>\n<p>O continente ostenta o maior ritmo de urbaniza\u00e7\u00e3o: em 1950, apenas 14,4% de seus habitantes viviam em cidades. Em 2011, a propor\u00e7\u00e3o passou para 39,6%. Se for mantido o atual desenvolvimento econ\u00f4mico, o crescimento demogr\u00e1fico poder\u00e1 representar uma grande oportunidade. Mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o do continente tem menos de 30 anos, e estes jovens poderiam gerar uma incr\u00edvel produtividade no futuro.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o pode ser um ativo\u201d, disse \u00e0 IPS o economista-chefe do Banco Mundial para a regi\u00e3o africana, Abdo Yazbeck. \u201cAs economias est\u00e3o crescendo para permitir a absor\u00e7\u00e3o desse aumento (demogr\u00e1fico), que gera mais renda e mais impostos, e isso reduz a pobreza\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Yazbeck, \u201cenquanto esses novos habitantes se diplomam e come\u00e7am a trabalhar, os pa\u00edses precisam de um sistema banc\u00e1rio que funcione para que os trabalhadores possam economizar e sejam gerados recursos para investir\u201d. Mas tirar proveito deste \u201cb\u00f4nus demogr\u00e1fico\u201d n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Trata-se de um fen\u00f4meno com in\u00fameras causas e efeitos, e abord\u00e1-lo implica um esfor\u00e7o em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNa \u00faltima inst\u00e2ncia, s\u00f3 o que funciona \u00e9 o enfoque de direitos humanos, e \u00e9 por isso que n\u00e3o estamos falando de controle da natalidade\u201d, disse \u00e0 IPS a subdiretora-executiva do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), Anne-Birgitte Albrectsen. O UNFPA \u00e9 a entidade encarregada da implanta\u00e7\u00e3o mundial do Plano de A\u00e7\u00e3o do Cairo. \u201cA elevada fertilidade representar\u00e1 um desafio \u00e0 capacidade dos pa\u00edses para criar um desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d, alertou Albrectsen.<\/p>\n<p>Os direitos das mulheres foram tema central na confer\u00eancia. O UNFPA destinou a maior parte de seus esfor\u00e7os nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas a promover o planejamento familiar e a educa\u00e7\u00e3o sexual e a combater a mortalidade materna e o casamento precoce. Ainda h\u00e1 muitos problemas: a ONU estima que 29% das adolescentes da \u00c1frica subsaariana est\u00e3o casadas, e que a cada ano h\u00e1 2,2 milh\u00f5es de gravidezes n\u00e3o desejadas. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade informou que mais de seis milh\u00f5es de mulheres ao ano se submetem a abortos inseguros e \u00e0s vezes fatais.<\/p>\n<p>Mas o UNFPA e seus s\u00f3cios, governos nacionais, Banco Mundial e doadores privados, podem se alegrar por v\u00e1rios progressos. Um programa para combater a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina contribuiu para que dez mil comunidades da \u00c1frica ocidental e oriental rejeitassem a pr\u00e1tica. As mortes maternas ca\u00edram 41%. Em todo o continente foram abertos v\u00e1rios abrigos para v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Os homens n\u00e3o est\u00e3o marginalizados dessas iniciativas. Programas de promo\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o inspiraram l\u00edderes comunit\u00e1rios a explicar que o empoderamento das mulheres beneficia todas as fam\u00edlias. Essas mudan\u00e7as s\u00e3o mais importantes do que se concentrar no controle da natalidade, afirmam analistas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem sentido ver os n\u00fameros de popula\u00e7\u00e3o isoladamente e tirar conclus\u00f5es sobre suas poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es\u201d, advertiu Julia Sch\u00fcnemann, pesquisadora do africano Instituto para Estudos de Seguran\u00e7a. \u201cNo positivo, o aumento da popula\u00e7\u00e3o na \u00c1frica provavelmente implique maior b\u00f4nus demogr\u00e1fico, que impulsione o PIB, porque haver\u00e1 mais pessoas economicamente ativas\u201d, afirmou. Agora, \u201ccomo se traduzir isto em melhor e mais equitativo desenvolvimento humano depender\u00e1 obviamente de muitos fatores estruturais e medidas pol\u00edticas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser for\u00e7adas. Devem come\u00e7ar debaixo, um aspecto no qual o UNFPA vem trabalhando desde 1994. Hoje, as comunidades e os governos do continente se dedicam cada vez mais aos assuntos mais controversos, e isso \u00e9 promissor para as pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, afirmou Sch\u00fcnemann. \u201cO que estamos vivendo na \u00c1frica \u00e9 uma maior vontade pol\u00edtica dos governos. H\u00e1 grande disposi\u00e7\u00e3o em falar de temas tabus, como a viol\u00eancia de g\u00eanero, mutila\u00e7\u00e3o genital feminina e identidade sexual\u201d, destacou Sch\u00fcnemann. \u201cTamb\u00e9m vimos nesta Confer\u00eancia que os pol\u00edticos querem ir al\u00e9m da agenda existente. Isso \u00e9 muito bom\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 7\/10\/2013 &ndash; N&atilde;o longe da sede da Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a &Aacute;frica (Cepa), na capital da Eti&oacute;pia, uma mulher de 25 anos chamada Bosena est&aacute; sentada em uma rua movimentada com seu beb&ecirc; nos bra&ccedil;os. 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