{"id":16706,"date":"2013-10-08T13:40:09","date_gmt":"2013-10-08T13:40:09","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100246"},"modified":"2013-10-08T13:40:09","modified_gmt":"2013-10-08T13:40:09","slug":"mulheres-ugandenses-golpe-a-golpe-com-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/mulheres-ugandenses-golpe-a-golpe-com-a-vida\/","title":{"rendered":"Mulheres ugandenses golpe a golpe com a vida"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100247\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/boxers-bigger-3-629x419-1.jpg\"><img class=\" wp-image-100247 \" alt=\"boxers bigger 3 629x419 1 Mulheres ugandenses golpe a golpe com a vida\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/boxers-bigger-3-629x419-1.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Mulheres ugandenses golpe a golpe com a vida\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Diana Yulyanabo (esquerda) e sua meia-irm\u00e3, Helen Baleke, no Clube de Boxe Rinoceronte, em Katanga. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 8\/10\/2013 \u2013 Helen Baleke come\u00e7ou a lutar boxe aos 16 anos, depois de ser atacada por um homem no bairro de Katanga, na capital de Uganda. Agora, \u00e9 uma das mais experientes das amadoras desse esporte em seu pa\u00eds. \u201cMe bateu tanto que comecei a chorar e sangrar pelo nariz\u201d, contou \u00e0 IPS por meio de um int\u00e9rprete da l\u00edngua local, luganda. Baleke, agora com 24 anos, vive com outros 23 familiares em uma cho\u00e7a de barro. \u201cVim da minha aldeia (no distrito de Kayunga) para Kampala com meu orgulho, e acreditando que nenhum homem poderia me bater\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Essa jovem sempre gostou de lutar, \u201cmesmo quando estava na escola\u201d. Depois de ser atacada, o Clube de Boxe Rinoceronte, em Katanga, a liberou do pagamento da mensalidade de US$ 8 para que pudesse treinar. Baleke passou tr\u00eas semanas aprendendo boxe e depois foi procurar seu atacante. Quando o encontrou, se vingou. \u201cBusquei esse homem para mostrar que realmente podia me defender\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Hoje, Baleke j\u00e1 conta com tr\u00eas medalhas ganhas em 14 lutas realizadas em Uganda e no Qu\u00eania. Ela e sua meia-irm\u00e3, Diana Tulyanabo, de 20 anos, treinam todos os dias em Rinoceronte, acompanhadas de Lydia Nantale, 17 anos, e Maureen Nakilyowa, de 23, que tamb\u00e9m vivem no assentamento. V\u00e1rias outras ugandenses se mostram promissoras no quadril\u00e1tero. Agnes Adong, Hawa Daku, Eva Zalwango e Fiona Tugume, al\u00e9m de Baleke e Tulyanabo, apresentaram pedidos para serem as primeiras mulheres integrantes da Comiss\u00e3o de Boxe Profissional de Uganda.<\/p>\n<p>O vice-presidente desse \u00f3rg\u00e3o, Salim Saad Uhuru, est\u00e1 convencido de que as mulheres podem obter grandes \u00eaxitos nesse esporte se tiverem mais apoio. \u201cPodemos enviar uma mulher representando Uganda aos Jogos Ol\u00edmpicos, sem d\u00favida. Vamos trein\u00e1-las para serem as melhores\u201d, afirmou. Contudo, Uhuru, que tamb\u00e9m \u00e9 vice-presidente para o Distrito de Kampala Central do governante Movimento de Resist\u00eancia Nacional, disse que a corrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 prejudicando o potencial das atletas.<\/p>\n<p>\u201cCulpo o Minist\u00e9rio de Esportes. Nos abandonou completamente, os funcion\u00e1rios que foram aos \u00faltimos Jogos Ol\u00edmpicos eram mais numerosos do que os atletas. Isso \u00e9 um absurdo\u201d, ressaltou Uhuru. Uganda levou 16 desportistas aos Jogos Ol\u00edmpicos de Londres no ano passado, dos quais 12 participavam pela primeira vez nesse n\u00edvel de disputa. Por\u00e9m, as mulheres de Katanga, bairro onde se estima viverem cerca de 20 mil pessoas, enfrentam outras dificuldades al\u00e9m da corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os casamentos e a gravidez precoces, al\u00e9m dos ataques sexuais, s\u00e3o problemas de todos os dias, contou Juliet Segujja, diretora do Clube de Crian\u00e7as de Kampala, a \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que trabalha em Katanga, onde tamb\u00e9m reside. \u201cA maioria das mulheres jovens simplesmente sai \u00e0s ruas para conseguir dinheiro dos homens\u201d, acrescentou Segujja, de 23 anos.<\/p>\n<p>A vida tem complica\u00e7\u00f5es a mais para as mulheres que querem praticar boxe. Nakilyowa, tamb\u00e9m de 23 anos, \u00e9 m\u00e3e solteira de quatro filhos. Para treinar precisa fazer malabarismos com seus hor\u00e1rios. Baleke e sua irm\u00e3 se dedicam a coletar casca de banana, que sua m\u00e3e vende na beira da estrada perto de Katanga como alimento animal por um d\u00f3lar o pacote.<\/p>\n<p>Contudo, apesar das dificuldades, elas sonham com a gl\u00f3ria ol\u00edmpica. V\u00e1rios pugilistas ugandenses masculinos tiveram sucesso em n\u00edvel mundial. Kassim Ouma \u00e9 um ex-campe\u00e3o j\u00fanior dos pesos m\u00e9dios da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Boxe, e Joseph Lubega foi medalha de prata nos Jogos da Commonwealth. John \u201cA Besta\u201d Mugabi e Eridad Mukwanga ganharam medalhas de prata em competi\u00e7\u00f5es ol\u00edmpicas, enquanto Leo Rwabwogo conseguiu a de bronze.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nenhuma boxeadora ugandense jamais foi aos Jogos Ol\u00edmpicos. E Natalie \u201cSugar\u201d Brown, pugilista canadense peso super leve, que nunca visitou a \u00c1frica nem conheceu suas colegas ugandenses, gostaria de mudar essa realidade. A esportista pensa em viajar a Uganda no final deste ano para se converter na mentora de Baleke e Tulyanabo, como parte do Projeto de Mulheres Boxeadoras de Kampala.<\/p>\n<p>Trata-se de uma iniciativa de longo prazo lan\u00e7ada por Lori Steinhorst, presidente da Bad Girls Boxing e Classic Women Warriors, duas organiza\u00e7\u00f5es com sede em Washington que aproximam boxeadoras amadoras de Uganda e pugilistas profissionais norte-americanas, com a finalidade de preparar as primeiras para os Jogos Ol\u00edmpicos de 2016, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cGostaria de ajudar as boxeadoras de Uganda, transmitindo minha experi\u00eancia e meus conhecimentos, para que aprendam o esporte e ganhem todos os benef\u00edcios dentro e fora do ringue\u201d, declarou Brown \u00e0 IPS. Ela e Steinhorst, juntamente com Mary \u201cDesapiedada\u201d McGee, ex-campe\u00e3 norte-americana peso leve, viajar\u00e3o a Uganda para selecionar as atletas com as quais trabalhar\u00e3o. As tr\u00eas contam com a colabora\u00e7\u00e3o \u201cnos bastidores\u201d da aposentada campe\u00e3 mundial Laila Ali, filha da lenda do boxe mundial, Mohammad Ali.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos ideia se elas (Baleke e Tulyanabo) s\u00e3o atletas de elite com potencial para o n\u00edvel ol\u00edmpico. Isso vamos constatar. Mas pode haver outras boxeadoras que tamb\u00e9m estejam trabalhando para essa meta. Neste momento, nada sabemos\u201d, afirmou Steinhorst \u00e0 IPS. Se algumas atletas cumprirem os requisitos para os Jogos, suas mentoras iniciar\u00e3o uma campanha de coleta de fundos para lev\u00e1-las aos Estados Unidos, onde as condi\u00e7\u00f5es de treinamentos ser\u00e3o muito diferentes das que est\u00e3o acostumadas.<\/p>\n<p>Baleke, Tulyanabo, Nantale e Nakilyowa receberam doa\u00e7\u00f5es para adquirir seu equipamento nos \u00faltimos anos. No entanto, ainda praticam regularmente com apenas um par de luvas para todas. Geralmente, devem se limitar ao boxe de sombra por falta de acess\u00f3rios adequados para treinar. Tamb\u00e9m enfrentam outro grande problema que amea\u00e7a atrasar seu desenvolvimento profissional: a falta de competi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o temos advers\u00e1rios confi\u00e1veis\u201d, explicou Baleke, que n\u00e3o participou de nenhuma luta em 2012 e agora busca dinheiro para competir em Mombasse, no Qu\u00eania, no final deste ano. \u201cQuando tem luta marcada, o oponente n\u00e3o aparece. Pode ser muito desanimador. Queremos lutas s\u00e9rias, profissionais. Quero descobrir se realmente tenho talento. Posso ser derrotada ou sou uma campe\u00e3?\u201d, se pergunta. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kampala, Uganda, 8\/10\/2013 &ndash; Helen Baleke come&ccedil;ou a lutar boxe aos 16 anos, depois de ser atacada por um homem no bairro de Katanga, na capital de Uganda. 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