{"id":16707,"date":"2013-10-08T13:35:25","date_gmt":"2013-10-08T13:35:25","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100243"},"modified":"2013-10-08T13:35:25","modified_gmt":"2013-10-08T13:35:25","slug":"somalia-radicaliza-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/somalia-radicaliza-a-educacao\/","title":{"rendered":"Som\u00e1lia radicaliza a educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100244\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/somalia640.jpg\"><img class=\" wp-image-100244 \" alt=\"somalia640 Som\u00e1lia radicaliza a educa\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/somalia640.jpg\" width=\"529\" height=\"318\" title=\"Som\u00e1lia radicaliza a educa\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O programa de estudos isl\u00e2micos usado nas escolas da Som\u00e1lia est\u00e1 pautado por uma forma radical do Isl\u00e3 que, segundo analistas, contribui para o aumento da insurg\u00eancia entre os jovens do pa\u00eds. Foto: Ahmed Osman\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mogad\u00edscio, Som\u00e1lia, 8\/10\/2013 \u2013 H\u00e1 uma d\u00e9cada, Mujatar Yama d\u00e1 aula em uma escola secund\u00e1ria de Mogad\u00edscio. A educa\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 parte fundamental do programa escolar na Som\u00e1lia, mas, segundo Yama, a maioria dos pais n\u00e3o sabem exatamente o que \u00e9 ensinado aos seus filhos: uma forma radical do Isl\u00e3. \u201cO programa de estudos isl\u00e2micos (que se implanta) \u00e9 o wahabismo puro, exportado da Ar\u00e1bia Saudita, que ensina \u00e0s crian\u00e7as que todos os que n\u00e3o s\u00e3o wahabis n\u00e3o s\u00e3o crentes, incluindo os pais das crian\u00e7as, e que \u00e9 certo matar pessoas que n\u00e3o sejam mu\u00e7ulmanas\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Embora faltem estat\u00edsticas sobre quantas escolas existem na Som\u00e1lia, sabe-se que a maioria segue o programa saudita, que promove e inculca o wahabismo. Essa \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o muito mais radical do Isl\u00e3 do que a moderada escola sufi, \u00e0 qual adere a gera\u00e7\u00e3o de somalianos mais velhos. A radicaliza\u00e7\u00e3o dos jovens j\u00e1 come\u00e7ou a ultrapassar as fronteiras desse pa\u00eds devastado pela guerra, estendendo-se para os vizinhos e influenciando na fr\u00e1gil situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Arraigou-se no solo da Som\u00e1lia e do Qu\u00eania, mas tamb\u00e9m em toda a sub-regi\u00e3o, disse \u00e0 IPS Omar Yusuf, analista radicado em Mogad\u00edscio. \u201cOs fatos ocorridos em Westgate (centro comercial queniano que sofreu um atentado terrorista em setembro) talvez sejam um dos muitos chamados para que os governos da regi\u00e3o despertem, no sentido de enfrentarem a crescente radicaliza\u00e7\u00e3o, e constituem o passo l\u00f3gico seguinte da insurg\u00eancia mortal dos jovens da regi\u00e3o\u201d, destacou.<\/p>\n<p>O ataque de 21 de setembro em Westgate, em Nair\u00f3bi, cometido pela organiza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica somaliana Al Shabab, deixou mais de 70 mortos e dezenas de feridos. Essa organiza\u00e7\u00e3o, vinculada \u00e0 rede extremista Al Qaeda, manifestara reiteradamente que tomaria o Qu\u00eania por alvo depois que soldados desse pa\u00eds cruzaram a fronteira, em 2011, e desalojaram combatentes do Al Shabab de \u00e1reas estrat\u00e9gicas do sul da Som\u00e1lia, inclu\u00edda Kismayo.<\/p>\n<p>A Al Shabab promove a cria\u00e7\u00e3o de um Estado isl\u00e2mico n\u00e3o apenas na Som\u00e1lia, mas em toda a \u00c1frica oriental, e \u00e9 adepto da fundamentalista escola wahabi. A ideologia da organiza\u00e7\u00e3o parece estar ganhando terreno na Som\u00e1lia por v\u00e1rios motivos. \u201cPensemos: as escolas na Som\u00e1lia atribuem \u00e0 Al Shabab os ensinamentos ideol\u00f3gicos radicais para os jovens, e quando estes se formam s\u00f3 \u00e9 preciso lhes dar treinamento militar, e ent\u00e3o se tem um combatente qualificado da Al Shabab\u201d, explicou Yusuf.<\/p>\n<p>Tanto pais como professores parecem divididos sobre o que se ensina nas escolas somalianas. Alguns o aceitam com parte da educa\u00e7\u00e3o religiosa dos filhos, e outros se preocupam por serem doutrinados para serem wahabis sem seu consentimento. \u201cFiquei sabendo que na escola doutrinam meu filho com pontos de vista extremistas. Tive que mud\u00e1-lo de escola v\u00e1rias vezes, mas todas as escolas em Mogad\u00edscio usam os mesmos livros wahabis que temos na Ar\u00e1bia Saudita. Em pouco tempo todo o pa\u00eds ter\u00e1 se convertido ao wahabismo\u201d, disse \u00e0 IPS um pai que pediu para n\u00e3o ser identificado.<\/p>\n<p>Outro pai, Omar Kulmiye, n\u00e3o acredita que seus filhos estejam sendo radicalizados por este tipo de ensinamento. \u201cN\u00e3o sei muito de religi\u00e3o, mas o que aprendem sobre o Isl\u00e3 para mim est\u00e1 bem, e n\u00e3o percebi nada diferente em meus filhos desde que come\u00e7aram na escola, h\u00e1 cinco anos\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Zakia Hussen, pesquisadora do Heritage Institute for Policy Studies, com sede em Mogad\u00edsicio, explicou que \u201cn\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 causa, mas v\u00e1rios fatores que levam ao recrutamento de jovens somalianos para a insurg\u00eancia\u201d. Em particular, Hussen mencionou tr\u00eas fatores que contribu\u00edram para a radicaliza\u00e7\u00e3o e a insurg\u00eancia entre os jovens somalianos: falta de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, de emprego e de oportunidades educacionais. \u201cA busca por uma \u2018segunda fam\u00edlia\u2019 e o sentido de pertin\u00eancia, que os grupos insurgentes oferecem, atraem muitos jovens\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>\u201cAos jovens recrutas s\u00e3o oferecidos um grupo ao qual pertencer, um trabalho com sal\u00e1rio e tamb\u00e9m casamento, coisas que de outro modo seriam dif\u00edceis de conseguir na sociedade somaliana\u201d, acrescentou Hussen. O desemprego entre os jovens na faixa dos 14 aos 29 anos \u00e9 de 67%, um dos maiores do mundo. Segundo a edi\u00e7\u00e3o de 2012 do Informe de Desenvolvimento Humano da Som\u00e1lia, do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), 70% dos 10,2 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds t\u00eam menos de 30 anos.<\/p>\n<p>O ataque em Westgate n\u00e3o foi uma surpresa, pois a Al Shabab vem estendendo seus tent\u00e1culos de radicaliza\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o, disse \u00e0 IPS o especialista em seguran\u00e7a local, Muhumed Abdi. \u201cEssa crise foi fermentando durante anos. Os grupos radicais descobriram que n\u00e3o s\u00f3 a Som\u00e1lia mas tamb\u00e9m os pa\u00edses vizinhos eram terreno f\u00e9rtil para se expandir e recrutar, j\u00e1 que os governos da regi\u00e3o aparentemente n\u00e3o estavam em alerta\u201d, afirmou Abdi.<\/p>\n<p>No entanto, o governo da Som\u00e1lia, junto com o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) e s\u00f3cios internacionais, tenta atualmente implantar uma iniciativa ambiciosa para que um milh\u00e3o de crian\u00e7as se matriculem nas escolas. Por meio da mesma, o governo tamb\u00e9m prop\u00f4s mudan\u00e7as no programa, com a esperan\u00e7a de que isso ajude a combater o radicalismo. Segundo o Unicef, a taxa de matr\u00edculas na Som\u00e1lia est\u00e1 entre as menores do mundo: apenas quatro em dez crian\u00e7as v\u00e3o \u00e0 escola.<\/p>\n<p>O governo enfrenta uma enorme resist\u00eancia por parte dos administradores de escolas privadas e de pais que temem que as mudan\u00e7as impliquem uma educa\u00e7\u00e3o vazia de ensinamentos morais religiosos para os jovens. organiza\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas condenaram a campanha por consider\u00e1-la uma tentativa governamental de ocidentalizar a educa\u00e7\u00e3o somaliana e marginalizar os estudos religiosos. A IPS telefonou v\u00e1rias vezes para o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o da Som\u00e1lia, mas n\u00e3o obteve resposta, enquanto um funcion\u00e1rio se negou a dar declara\u00e7\u00f5es sobre as den\u00fancias de que as escolas s\u00e3o usadas como celeiro de insurgentes.<\/p>\n<p>Entretanto, Hussen indicou que o governo reconhece que os jovens s\u00e3o \u201co futuro da Som\u00e1lia\u201d e precisam de empoderamento. De todo modo, \u201co governo n\u00e3o foi de muita ajuda na implanta\u00e7\u00e3o disso, j\u00e1 que os jovens ainda est\u00e3o muito marginalizados da arena pol\u00edtica\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Yusuf concorda, mas diz que o enfoque tem de ser muito mais radical e que se deve come\u00e7ar olhando criticamente o tipo de educa\u00e7\u00e3o que as crian\u00e7as somalianas recebem nas escolas. \u201c\u00c9 preciso abordar de modo integral os problemas dos jovens na Som\u00e1lia, porque a Al Shabab, que significa \u2018juventude\u2019 em \u00e1rabe, se deu conta do potencial desse setor da popula\u00e7\u00e3o e trabalha em nossas escolas para capitaliz\u00e1-lo. Temos que mudar isso\u201d, opinou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mogad&iacute;scio, Som&aacute;lia, 8\/10\/2013 &ndash; H&aacute; uma d&eacute;cada, Mujatar Yama d&aacute; aula em uma escola secund&aacute;ria de Mogad&iacute;scio. 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