{"id":16713,"date":"2013-10-09T18:23:41","date_gmt":"2013-10-09T18:23:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100334"},"modified":"2013-10-09T18:23:41","modified_gmt":"2013-10-09T18:23:41","slug":"voce-esta-a-1-de-ser-um-simio-bonobo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/voce-esta-a-1-de-ser-um-simio-bonobo\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea est\u00e1 a 1% de ser um s\u00edmio bonobo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100335\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"width: 235px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Deni-headshot400-225x300.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-100335\" alt=\"Deni headshot400 225x300 Voc\u00ea est\u00e1 a 1% de ser um s\u00edmio bonobo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Deni-headshot400-225x300.jpg\" width=\"225\" height=\"300\" title=\"Voc\u00ea est\u00e1 a 1% de ser um s\u00edmio bonobo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Deni B\u00e9chard. Foto: Cortesia do entrevistado<\/p><\/div>\n<p>Nova York, Estados Unidos, 9\/10\/2013 \u2013 Quando o canadense Deni B\u00e9chard descobriu que os s\u00edmios bonobos compartilham quase 99% de seu c\u00f3digo gen\u00e9tico com os seres humanos e baseiam suas rela\u00e7\u00f5es na coopera\u00e7\u00e3o, soube que precisava escrever sobre eles. B\u00e9chard ficou fascinado ao comprovar que essa esp\u00e9cie de grandes primatas \u00e9 a \u00fanica na qual seus membros n\u00e3o se matam entre si. Ent\u00e3o, quis entender como uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental inovadora poderia aproveit\u00e1-los como s\u00edmbolo de quest\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o mais amplas, e descobriu que salv\u00e1-los da extin\u00e7\u00e3o era de extrema import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>No livro que acaba de publicar, <em>Empty Hands, Open Arms: The Race to Save Bonobos in the Congo and Make Conservation Go Viral<\/em> (M\u00e3os Vazias, Bra\u00e7os Abertos: A Corrida Para Salvar os Bonobos na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e Fazer Com Que a Conserva\u00e7\u00e3o se Torne Viral), pela Milkweed Editions, descreve um variado conjunto de conservacionistas congolenses que sobreviveram \u00e0 guerra, mas perderam tudo o que lhes importava. Apesar de tudo e com poucos recursos, continuam comprometidos com a salva\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>B\u00e9char documenta os heroicos esfor\u00e7os da Iniciativa para a Conserva\u00e7\u00e3o do Bonobo, uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que trabalha com comunidades congolenses para mitigar a pobreza e o desemprego que levam \u00e0 ca\u00e7a destes animais. Um de seus objetivos \u00e9 mostrar como as decis\u00f5es de nossos governantes e os apetites consumistas afetam esse pa\u00eds. E o faz. E tamb\u00e9m relata hist\u00f3rias muito humanas e v\u00edvidas sobre a cultura e a hist\u00f3ria da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<p>A IPS conversou com Deni B\u00e9char antes de sua viagem de divulga\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p><b>IPS: Como que aprender sobre os bonobos mudou sua vis\u00e3o da humanidade?<\/b><\/p>\n<p><b>DENI B\u00c9CHARD: <\/b>Como seres humanos nos custa ver as fronteiras de nossa cultura ou conceber as maneiras como podemos mudar radicalmente. Conhecer os bonobos, especialmente o famoso Kanzi, no Santu\u00e1rio para a Aprendizagem de Primatas de Iowa, que podem entender ingl\u00eas e se comunicar com as pessoas mediante lexigramas, me fez entender o dinamismo com o qual os grandes s\u00edmios podem mudar seus ambientes e suas culturas. Kanzi ilustra o poder da cultura para modificar muitas caracter\u00edsticas que associamos a uma esp\u00e9cie. Em um aspecto mais dram\u00e1tico, a estrutura matriarcal e n\u00e3o violenta da sociedade dos bonobos e as circunst\u00e2ncias evolutivas que podem t\u00ea-la criado me levaram a considerar at\u00e9 que grau os humanos s\u00e3o produto de nosso meio ambiente. A abund\u00e2ncia de recursos e a relativa falta de competi\u00e7\u00e3o resultante podem ter permitido que os bonobos desenvolvessem sociedades mais est\u00e1veis e pac\u00edficas nas quais todos os jovens s\u00e3o valorizados. As sociedades humanas possuem tal riqueza de recursos para que nenhuma crian\u00e7a tivesse mais privil\u00e9gio que outra. Pergunto com qual velocidade nossa cultura mudaria se nossa prioridade fosse usar nossos recursos em benef\u00edcio dos jovens, para sua educa\u00e7\u00e3o, sua sa\u00fade e seu bem-estar social. Depois de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es investirem sua riqueza nacional nos jovens, de que maneira nos ver\u00edamos como ra\u00e7a? Penso que brilhar\u00edamos de um modo drasticamente diferente. Para n\u00f3s, \u00e9 essencial recordar quanto controle temos realmente sobre nosso meio ambiente e nossa cultura, as formas como podemos us\u00e1-lo para mudar nossa ra\u00e7a e melhorar a velocidade com que ver\u00edamos os resultados.<\/p>\n<p><b>IPS: Quais as semelhan\u00e7as e quais as diferen\u00e7as entre os bonobos e os seres humanos?<\/b><\/p>\n<p><b>DB: <\/b>Os bonobos compartilham muitas caracter\u00edsticas com os humanos: empatia, imagina\u00e7\u00e3o, lealdade, d\u00f3, esperan\u00e7a e amor. S\u00f3 o que nos diferencia, at\u00e9 onde sei, \u00e9 que sua experi\u00eancia vital parece ser muito mais forte. Os seres humanos tendem a enterrar suas experi\u00eancias no significado. Contamos hist\u00f3rias a n\u00f3s mesmos, idealizando e dramatizando, ou tentando desesperadamente dar maior significado aos nossos amores e \u00e0s nossas lutas: s\u00e3o as narrativas de nossas vidas. Aprender sobre os bonobos fez com que me despojasse de muitas dessas coisas, recordando at\u00e9 que ponto somos grandes s\u00edmios em uma longa linhagem evolutiva e que, frequentemente, quando sobrecarregamos nossas vidas com significado, perdemos contato com os simples impulsos animais que nos guiam e que n\u00e3o s\u00e3o menos reais ou belos por serem animais. Em todo caso, como sugere o especialista em primatas Frans de Waal, o que vemos como nossos valores \u00e9ticos mais elevados est\u00e1 codificado em nossa biologia.<\/p>\n<p><b>IPS: Quais pol\u00edticas poderiam fazer com que a conserva\u00e7\u00e3o se tornasse \u201cviral\u201d?<\/b><\/p>\n<p><b>DB: <\/b>O que faz um sistema de conserva\u00e7\u00e3o replicar a si mesmo ou se tornar \u201cviral\u201d \u00e9 adapt\u00e1-lo o mais estreitamente poss\u00edvel \u00e0 cultura e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do lugar. O pessoal da Iniciativa para a Conserva\u00e7\u00e3o do Bonobo, sobre a qual escrevi, se re\u00fane com v\u00e1rios grupos sociais em uma futura \u00e1rea protegida. Dessa forma t\u00eam uma ideia de como os dirigentes locais avaliar\u00e3o as florestas e a natureza, quais podem ser os projetos de conserva\u00e7\u00e3o e o que fazem os diferentes integrantes das comunidades. Quando chega o momento de estabelecer o projeto, o pessoal da Iniciativa apoia um l\u00edder da \u00e1rea que ser\u00e1 transformada em reserva, algu\u00e9m que entenda os valores das pessoas que vivem ali, e encaixa a conserva\u00e7\u00e3o nas tradi\u00e7\u00f5es espirituais das comunidades. O resultado final \u00e9 que as pessoas adquirem um profundo senso de propriedade sobre os projetos. Seus \u00eaxitos s\u00e3o celebrados, e os conservacionistas que v\u00eam de fora se subordinam ao seu conhecimento. A popula\u00e7\u00e3o local se compromete tanto com a conserva\u00e7\u00e3o, que as comunidades vizinhas veem os benef\u00edcios e come\u00e7am a estudar a biodiversidade amea\u00e7ada em suas pr\u00f3prias regi\u00f5es e a criar suas pr\u00f3prias \u00e1reas protegidas com um apoio externo relativamente pequeno.<\/p>\n<p><b>IPS: O senhor \u00e9 otimista sobre o futuro da conserva\u00e7\u00e3o na \u00c1frica?<\/b><\/p>\n<p><b>DB: <\/b>Vejo casos para otimismo e para pessimismo. Conhe\u00e7o cada vez mais gente de diferentes partes do mundo para as quais importam seu meio ambiente e a preserva\u00e7\u00e3o de sua riqueza natural. Se podemos passar para um modelo de conserva\u00e7\u00e3o que seja mais \u00edntimo e integrador, vendo as pessoas como a solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o como o problema, ent\u00e3o temos potencial para fazer muito bem. No momento, a arrog\u00e2ncia dos que possuem a riqueza planet\u00e1ria \u00e9 um dos principais obst\u00e1culos. O Ocidente tem pouco respeito pelo conhecimento, pela vis\u00e3o e paix\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es pobres nos pa\u00edses em desenvolvimento. O sentido que temos de nossos direitos e, sobretudo, de nossa excepcionalidade, nos leva a condutas racistas e a agir sem ter aprendido qual \u00e9 a a\u00e7\u00e3o mais efetiva. Mas isso est\u00e1 mudando gradualmente e estamos aprendendo a ouvir mais do que antes. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 9\/10\/2013 &ndash; Quando o canadense Deni B&eacute;chard descobriu que os s&iacute;mios bonobos compartilham quase 99% de seu c&oacute;digo gen&eacute;tico com os seres humanos e baseiam suas rela&ccedil;&otilde;es na coopera&ccedil;&atilde;o, soube que precisava escrever sobre eles. 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