{"id":16715,"date":"2013-10-09T13:57:02","date_gmt":"2013-10-09T13:57:02","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100327"},"modified":"2013-10-09T13:57:02","modified_gmt":"2013-10-09T13:57:02","slug":"operarios-bengalis-pelo-sonho-dos-us-100","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/operarios-bengalis-pelo-sonho-dos-us-100\/","title":{"rendered":"Oper\u00e1rios bengalis pelo sonho dos US$ 100"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100328\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/indios-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-100328 \" alt=\"indios 629x472 Oper\u00e1rios bengalis pelo sonho dos US$ 100\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/indios-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Oper\u00e1rios bengalis pelo sonho dos US$ 100\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Monumento instalado pelo Partido Comunista de Bangladesh na f\u00e1brica Rana Plaza, em Daca, onde 1.133 oper\u00e1rios morreram em abril. Foto: Robert Stefanicki\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Daca, Bangladesh, 9\/10\/2013 \u2013 Na zona industrial dos arredores de Daca, capital de Bangladesh, milhares de oper\u00e1rios t\u00eaxteis ocupam as ruas exigindo aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo. H\u00e1 alguns dias, os manifestantes bloquearam vias, tentaram incendiar f\u00e1bricas e enfrentaram a pol\u00edcia, que respondeu com balas de borracha e g\u00e1s lacrimog\u00eaneo. Cerca de 200 f\u00e1bricas, que produzem para algumas das mais importantes redes de varejo internacionais, como H&amp;M e Carrefour, fecharam por uma semana.<\/p>\n<p>A \u00faltima vez que o governo aumentou o sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal para o setor do vestu\u00e1rio foi em 2010. Agora os oper\u00e1rios pedem aumento de tr\u00eas mil takas (US$ 38) para 8.114 takas (US$ 100), mais ou menos o pre\u00e7o pelo qual uma cal\u00e7a jeans feita no pa\u00eds \u00e9 vendida em um centro comercial de Vars\u00f3via ou Berlim. Os empregadores aceitaram dar aumento de apenas 20%, elevando o sal\u00e1rio para US$ 46.<\/p>\n<p>A maioria dos analistas concorda que o \u00ednfimo aumento \u00e9 uma ofensa para os trabalhadores e foi o que desencadeou os protestos. Bangladesh tem um sal\u00e1rio m\u00ednimo independente para cada setor. As diferen\u00e7as s\u00e3o substanciais: no transporte e no com\u00e9rcio, os empregados ganham o dobro do que recebem os tr\u00eas milh\u00f5es de oper\u00e1rios t\u00eaxteis. Esses \u00faltimos est\u00e3o no fim da lista, n\u00e3o s\u00f3 em n\u00edvel nacional, mas internacional.<\/p>\n<p>Um estudo da Organiza\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Jap\u00e3o, divulgado em dezembro, indica que somente na Birm\u00e2nia os trabalhadores do setor t\u00eaxtil ganham menos que os bengalis. Os da \u00cdndia recebem o dobro de seus colegas de Bangladesh, e os da China cinco vezes mais. Todos fazem horas extras. A IPS entrevistou algumas operadoras de m\u00e1quinas de costura, que disseram ganhar entre US$ 102 e US$ 115, sendo que para isso precisam trabalhar entre 11 e 12 horas.<\/p>\n<p>Segundo o l\u00edder sindical Masood Rana, as demandas salariais s\u00e3o, em parte, resultado de maior conscientiza\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores, que come\u00e7aram a prestar mais aten\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o pago pelos consumidores ocidentais pelas roupas feitas com suas m\u00e3os, depois da como\u00e7\u00e3o causada pelo desmoronamento da f\u00e1brica de Rana Plaza em abril, quando morreram 1.133 funcion\u00e1rios. No entanto, por que as manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o violentas? \u201cIsto se deve ao fato de serem espont\u00e2neas. N\u00e3o t\u00eam lideran\u00e7a\u201d, explicou Rana \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Entretanto, Reaz bin Mahmood, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Fabricantes e Exportadores de Vestu\u00e1rio de Bangladesh (BGMEA), tem uma teoria diferente: os protestos s\u00e3o estimulados por instigadores pol\u00edticos. Por\u00e9m, n\u00e3o quis dar detalhes a respeito. \u201cEsse problema n\u00e3o pode ser solucionado nas ruas\u201d, acrescentou. H\u00e1 um grupo governamental trabalhando em um novo sal\u00e1rio m\u00ednimo, que se espera seja anunciado em novembro. Por\u00e9m, temo que isso n\u00e3o acontecer\u00e1 se os protestos continuarem\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Foram identificados v\u00e1rios modelos para fixar o sal\u00e1rio m\u00ednimo. \u201cRealizamos uma an\u00e1lise econ\u00f4mica do custo de vida de um trabalhador t\u00eaxtil, partindo da base de que seu sal\u00e1rio deve cobrir o consumo de toda sua fam\u00edlia, e detectamos tr\u00eas op\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia\u201d, explicou \u00e0 IPS o diretor de pesquisas do Centro de Di\u00e1logo Pol\u00edtico, Khondaker Moazzem.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 a linha de pobreza, que estabeleceria o sal\u00e1rio m\u00ednimo no equivalente a US$ 80. O Centro disse que isso seria inaceit\u00e1vel. A segunda \u00e9 o \u201cn\u00edvel aspiracional\u201d, isto \u00e9, a renda que permitiria aos trabalhadores levar uma vida folgada. Nesse caso, o sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal deveria subir para US$ 200. O Centro tamb\u00e9m rejeitou essa op\u00e7\u00e3o, pois considerou que o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o pode ser superior \u00e0 m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>A terceira op\u00e7\u00e3o \u00e9 considerar o atual n\u00edvel de gasto dos oper\u00e1rios. Esse indicador fixaria o m\u00ednimo em pouco mais de US$ 100, que \u00e9 exatamente o que est\u00e3o exigindo. \u201cDepois que enviamos essa recomenda\u00e7\u00e3o ao governo, recebi in\u00fameros telefonemas dos industriais\u201d, contou sorrindo Moazzem. \u201cMe disseram estarem dispostos a me dar algumas f\u00e1bricas para que provasse a eles que podiam ter lucro pagando esses sal\u00e1rios\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cOs custos de produ\u00e7\u00e3o aumentam 13% ao ano\u201d, disse Mahmood, do BGMEA. \u201cBangladesh tem de importar algod\u00e3o, enquanto a \u00cdndia tem o seu pr\u00f3prio. As moedas da \u00cdndia, Indon\u00e9sia e Turquia perdem seu valor, enquanto o taka bengali segue forte, por isso perdemos competitividade\u201d, explicou. \u201cO governo n\u00e3o nos apoia. H\u00e1 cortes frequentes de energia, e viajar de Daca ao porto de Chittagong deveria demorar seis horas, n\u00e3o 26\u201d, queixou-se Moazzem. A essa lista de dificuldades devem ser acrescentados o alto custo dos cr\u00e9ditos, as dificuldades para comprar terras nas quais investir e a instabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Entretanto, as f\u00e1bricas t\u00eaxteis n\u00e3o perdem t\u00e3o facilmente a competitividade como lamentam os empres\u00e1rios. Os pre\u00e7os das roupas caem e os custos aumentam, mas esse se v\u00ea compensado por uma efici\u00eancia maior. \u201cReconhe\u00e7o que meus trabalhadores deveriam ganhar mais, mas os varejistas tamb\u00e9m deveriam me pagar mais\u201d, argumentou Mahmood, explicando que o pre\u00e7o dos produtos \u00e9 decisivo. \u201cOs consumidores ocidentais s\u00e3o, em parte, respons\u00e1veis pelos baixos sal\u00e1rios em Bangladesh\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Os varejistas ficam com 55% a 65% dos ganhos do vestu\u00e1rio bengali. Os custos dos materiais consomem cerca de 25% e o restante \u00e9 dividido de forma igual entre empres\u00e1rios e trabalhadores, detalhou Moazzem. Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro se os trabalhadores receber\u00e3o o que exigem. O ministro dos Transportes, Shahjahan Jan, apoiou pubicamente suas demandas, mas acredita-se que, na realidade, o governo apoia os industriais. \u00c9 que ningu\u00e9m quer prejudicar a galinha dos ovos de ouro.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria do vestu\u00e1rio contribui com 80% da renda com exporta\u00e7\u00e3o de Bangladesh, cerca de US$ 22 bilh\u00f5es ao ano. Al\u00e9m disso, 30% dos parlamentares bengalis s\u00e3o empres\u00e1rios, a maioria do setor t\u00eaxtil, e pertencem aos partidos majorit\u00e1rios. Depois de se reunirem com l\u00edderes de mais de 40 sindicatos, os empres\u00e1rios se comprometeram a aceitar um novo sal\u00e1rio m\u00ednimo fixado verticalmente pelo governo, sem negocia\u00e7\u00e3o das partes. Mas a maioria dos analistas coincide que o novo m\u00ednimo s\u00f3 ser\u00e1 definido mediante um acordo m\u00fatuo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Daca, Bangladesh, 9\/10\/2013 &ndash; Na zona industrial dos arredores de Daca, capital de Bangladesh, milhares de oper&aacute;rios t&ecirc;xteis ocupam as ruas exigindo aumento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo. H&aacute; alguns dias, os manifestantes bloquearam vias, tentaram incendiar f&aacute;bricas e enfrentaram a pol&iacute;cia, que respondeu com balas de borracha e g&aacute;s lacrimog&ecirc;neo. 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