{"id":16718,"date":"2013-10-10T12:50:04","date_gmt":"2013-10-10T12:50:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100360"},"modified":"2013-10-10T12:50:04","modified_gmt":"2013-10-10T12:50:04","slug":"egito-paga-o-alto-custo-da-mao-de-obra-barata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/egito-paga-o-alto-custo-da-mao-de-obra-barata\/","title":{"rendered":"Egito paga o alto custo da m\u00e3o de obra barata"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100363\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/egipcios-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-100363 \" alt=\"egipcios 629x472 Egito paga o alto custo da m\u00e3o de obra barata\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/egipcios-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Egito paga o alto custo da m\u00e3o de obra barata\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os sal\u00e1rios n\u00e3o acompanham o crescente custo de vida no Egito. Foto: Cam McGrath\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cairo, Egito, 10\/10\/2013 \u2013 Os trabalhadores eg\u00edpcios que participaram do levante social de 2011, que derrubou o regime de Hosni Mubarak, aproveitaram os dois \u00faltimos anos e meio para organizar sindicatos, pressionar por reformas e fazer greve por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rios. Por\u00e9m, ainda travam dura batalha contra um Estado que continua restringindo seus direitos e promovendo o pa\u00eds como um para\u00edso de m\u00e3o de obra barata atraente para as grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNada mudou\u201d, disse o jornalista e militante sindical Adel Zakaria. \u201cO governo ainda n\u00e3o est\u00e1 disposto a reconhecer os direitos dos trabalhadores e faz vista grossa para viola\u00e7\u00f5es trabalhistas, com o pretexto de atrair investimentos\u201d. O regime autorit\u00e1rio de Mubarak (1981-2011) manteve sob r\u00edgido controle a for\u00e7a de trabalho, monopolizando a organiza\u00e7\u00e3o sindical, impedindo a\u00e7\u00f5es coletivas e obrigando os trabalhadores a apoiarem o partido do governo.<\/p>\n<p>O Estado ignorou de maneira flagrante seus compromissos internacionais, negando direitos b\u00e1sicos e reprimindo. Segundo o economista Amr Adly, as pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais e o impopular programa de privatiza\u00e7\u00f5es do governo eram do agrado do Banco Mundial e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, mas causaram desemprego e ampliaram a brecha entre ricos e pobres. \u201cA economia cresceu rapidamente, mas a riqueza se concentrou em cima, sem repartir nada. A maioria ficou exclu\u00edda do crescimento econ\u00f4mico\u201d, disse Adly \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em 2011, antes da queda de Mubarak, quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o vivia na pobreza e milh\u00f5es de pessoas participavam de uma enorme economia paralela onde a seguran\u00e7a trabalhista era inexistente. Quase dois milh\u00f5es de eg\u00edpcios recebiam sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal de 35 libras eg\u00edpcias, cerca de US$ 5, segundo o c\u00e2mbio atual. Na realidade, sobreviviam gra\u00e7as a outros benef\u00edcios e bonifica\u00e7\u00f5es, que seus empregadores muitas vezes retinham como forma de press\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos do governo de Mubarak, multiplicaram-se as greves reclamando benef\u00edcios atrasados e aumentos salariais. \u201cOs protestos trabalhistas foram parte do descontentamento social e econ\u00f4mico que levou \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou Adly. Os sucessores de Mubarak, tanto os militares como a Irmandade Mu\u00e7ulmana, mantiveram as mesmas pol\u00edticas econ\u00f4micas e se limitaram a conter o mal-estar dos trabalhadores, em lugar de atender suas causas.<\/p>\n<p>Um estudo de 2009 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho concluiu que os sal\u00e1rios no Egito estavam entre os menores de 72 pa\u00edses estudados. O sal\u00e1rio mensal m\u00e9dio equivale a US$ 542, semelhante aos do M\u00e9xico e da Tail\u00e2ndia e um ter\u00e7o do da Turquia. As condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que mudaram com a revolu\u00e7\u00e3o, seguiram sua deteriora\u00e7\u00e3o, reduzindo os sal\u00e1rios. No ano passado, a pobreza afetava 25,2% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A instabilidade pol\u00edtica afugentou os investidores e devastou o setor tur\u00edstico, antes a maior fonte de divisas do pa\u00eds. Dados do governo mostram que o desemprego passou de 9%, antes do levante de 2011, para mais de 13%, e que mais de um quarto dos jovens est\u00e1 sem trabalho. A infla\u00e7\u00e3o chega a 10%, e o elevado custo de vida agrava a press\u00e3o sobre os menos favorecidos. \u201cN\u00e3o se procurou vincular a evolu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio ao custo de vida\u201d, disse Zakaraia. \u201cA maioria dos eg\u00edpcios est\u00e1 pior agora do que antes da revolu\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O levante de 2011 ajudou a conscientizar sobre os direitos na massa trabalhadora. Durante a ca\u00f3tica transi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a queda de Mubarak, foram organizados milhares de sindicatos independentes, desafinado o controle estatal. Essas organiza\u00e7\u00f5es independentes, que se estima representam quase tr\u00eas milh\u00f5es de trabalhadores nesse pa\u00eds de 85 milh\u00f5es de habitantes, estiveram na vanguarda da \u00faltima onda de protestos.<\/p>\n<p>Zakaraia acredita que este movimento sindical emergente empoderou os trabalhadores. No ano passado, houve um recorde de duas mil a\u00e7\u00f5es coletivas para exigir melhores sal\u00e1rios, pagamento de benef\u00edcios pendentes e reintegra\u00e7\u00e3o de demitidos. Trabalhadores e trabalhadoras tamb\u00e9m exigem que o governo elimine as leis herdadas da era Mubarak e estabele\u00e7a controles para os sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cNem todas as greves tiveram \u00eaxito. Na verdade, muitas fracassaram\u201d, disse Zakaria \u00e0 IPS. \u201cContudo, desde a revolu\u00e7\u00e3o, governo e empregadores est\u00e3o mais dispostos a negociar com os trabalhadores, em lugar de bater neles para serem submissos, embora ainda continuem apanhando\u201d, acrescentou. Em outubro de 2011, o governo cedeu \u00e0s press\u00f5es e reviu o sal\u00e1rio m\u00ednimo pela primeira vez em 25 anos.<\/p>\n<p>Mas foi uma vit\u00f3ria parcial, j\u00e1 que o aumentou o elevou para 700 libras eg\u00edpcias (US$ 102), menos da metade do que pedia o movimento sindical. O governo atual prometeu elevar o sal\u00e1rio m\u00ednimo que recebem seis milh\u00f5es de trabalhadores do setor p\u00fablico para 1.200 libras eg\u00edpcias (US$ 174), mas rejeitou os pedidos para estender o benef\u00edcio aos 19 milh\u00f5es do setor privado.<\/p>\n<p>Fatma Ramadan, da Federa\u00e7\u00e3o Eg\u00edpcia de Sindicatos Independentes, afirma que o governo continua avaliando a explora\u00e7\u00e3o no setor privado, pois teme afugentar os investidores se fizer concess\u00f5es aos trabalhadores. Segundo a Ag\u00eancia Central para a Mobiliza\u00e7\u00e3o P\u00fablica e Estat\u00edsticas, o sal\u00e1rio m\u00e9dio dos trabalhadores p\u00fablicos aumentou 29% este ano e \u00e9 de US$ 124 por semana. Os sal\u00e1rios no setor privado praticamente permaneceram inalterados.<\/p>\n<p>\u201cOs militares e os \u2018feloul\u2019 (fi\u00e9is ao antigo regime) interv\u00eam para impedir que os trabalhadores gozem de seus direitos, como se organizar em sindicatos e realizar greves\u201d, alertou Ramadan. \u201cEles argumentam que as paralisa\u00e7\u00f5es afetam a economia. Mas os trabalhadores n\u00e3o devem abandonar seus direitos para proteger os interesses dos magnatas dos neg\u00f3cios\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cairo, Egito, 10\/10\/2013 &ndash; Os trabalhadores eg&iacute;pcios que participaram do levante social de 2011, que derrubou o regime de Hosni Mubarak, aproveitaram os dois &uacute;ltimos anos e meio para organizar sindicatos, pressionar por reformas e fazer greve por melhores condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e sal&aacute;rios. 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