{"id":16720,"date":"2013-10-10T12:30:05","date_gmt":"2013-10-10T12:30:05","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100343"},"modified":"2013-10-10T12:30:05","modified_gmt":"2013-10-10T12:30:05","slug":"como-barquinhos-de-papel-na-tempestade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/como-barquinhos-de-papel-na-tempestade\/","title":{"rendered":"Como barquinhos de papel na tempestade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100345\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/retos640.jpg\"><img class=\" wp-image-100345 \" alt=\"retos640 Como barquinhos de papel na tempestade\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/retos640.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"Como barquinhos de papel na tempestade\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma vendedora oferece seus produtos em um mercado de Dominica. Foto: Desmond Brown\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Castries, Santa L\u00facia, 10\/10\/2013 \u2013 Malcolm Wallace sempre soube qual seria seu destino. Aos 19 anos construiu sua pr\u00f3pria estufa na propriedade de seu pai, em Dominica, e ali plantou alface, piment\u00e3o, tomate e pepino. \u201cEra uma atividade muito lucrativa e realmente ganhei dinheiro\u201d, contou Wallace, hoje cientista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Agr\u00edcola do Caribe, com sede em Trinidad e Tobago. \u201cA motiva\u00e7\u00e3o era financeira. As pessoas fazem coisas e veem que realmente conseguem dinheiro, e s\u00e3o capazes de manter sua fam\u00edlia e se divertir um pouco. Que jovem n\u00e3o quer isso?\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os governos caribenhos tentam atrair os jovens para a agricultura h\u00e1 tempos. A Organiza\u00e7\u00e3o de Estados do Caribe (OECS) declarou os setores agr\u00edcola e tur\u00edstico como \u201cpilares do desenvolvimento da regi\u00e3o\u201d. Antiga e Barbuda, Dominica, Granada, Montserrat, S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e Neves, Santa L\u00facia e S\u00e3o Vicente e Granadinas s\u00e3o os nove membros ativos da OECS. Anguila e as brit\u00e2nicas Ilhas Virgens s\u00e3o pa\u00edses associados.<\/p>\n<p>A OECS d\u00e1 \u00eanfase nesses setores para criar uma base econ\u00f4mica s\u00f3lida, melhorar a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, gerar emprego e reduzir a pobreza, explicou Samuel Carrette, secret\u00e1rio permanente do Minist\u00e9rio de Meio Ambiente e Recursos Naturais de Dominica. No entanto, \u00e9 lament\u00e1vel que, tanto a agricultura quanto o turismo, estejam seriamente amea\u00e7ados pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, ressaltou. \u201cH\u00e1 muitas estufas afetadas, arrasadas por furac\u00f5es ou ventos fortes. Tamb\u00e9m temos planta\u00e7\u00f5es inundadas e o acesso \u00e0s estradas bloqueado ou inexistente\u201d, detalhou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Quanto ao turismo, \u201ca variabilidade meteorol\u00f3gica nos apresenta um desafio muito s\u00e9rio para programar atividades\u201d, acrescentou Carrette. Em 2011, Dominica experimentou as piores inunda\u00e7\u00f5es de sua hist\u00f3ria, ap\u00f3s quase um ano de seca, entre 2009 e 2010, que afetou muito o setor agr\u00edcola. Em 2008, o furac\u00e3o Omar destruiu a ind\u00fastria pesqueira da ilha. \u201cO governo teve que conseguir fundos para reconstruir esse setor e entregar aos pescadores equipamentos de pesca que necessitavam\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses do bloco t\u00eam recursos naturais, f\u00edsicos e financeiros muito limitados e economias e mercados pequenos. Ignatius Jean, representante do Instituto Interamericano de Coopera\u00e7\u00e3o para a Agricultura (IICA), na Jamaica, e ex-ministro da Agricultura de Santa L\u00facia, afirmou \u00e0 IPS que \u201ca seguran\u00e7a alimentar \u00e9 a seguran\u00e7a nacional\u201d. Parte do mandato do IICA \u00e9 apoiar os Estados membros no manejo dos recursos naturais e na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Tamb\u00e9m se trabalha para tornar vis\u00edveis os v\u00ednculos entre agricultura e turismo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual exige \u201cum enfoque multidisciplinar\u201d para avaliar os impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o, observou Jean. \u201cN\u00e3o podemos escapar de nosso territ\u00f3rio. Temos que aprender a viver nele. \u00c9 disso que trata a adapta\u00e7\u00e3o\u201d, destacou. O IICA executa programas para que as estrat\u00e9gias de desenvolvimento agr\u00edcola de Jamaica, S\u00e3o Vicente e Granadinas, Dominica e Rep\u00fablica Dominicana sejam \u00e0 prova de clima.<\/p>\n<p>Keith Nicholls, especialista do Centro de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica da Comunidade do Caribe, acredita que o aquecimento global prejudicar\u00e1 os nichos do mercado tur\u00edstico da regi\u00e3o. Por exemplo, o aumento das ondas afeta a pr\u00e1tica do mergulho, em particular nos arrecifes coralinos, disse \u00e0 IPS. \u201cDefinitivamente, se os corais sofrem, a perda de biodiversidade representa uma redu\u00e7\u00e3o das vantagens competitivas do turismo\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>A severidade cada vez maior das tempestades e dos furac\u00f5es tamb\u00e9m afugentar\u00e1 os visitantes, opinou Nicholls. Os turistas n\u00e3o viajam para uma regi\u00e3o considerada insegura, sobretudo considerando o quanto s\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0s ondas os centros hoteleiros nas praias. \u201cOs turistas v\u00eam aqui em busca de sol e mar. Essas propriedades perdem seu atrativo pela eros\u00e3o da costa\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cA seca extrema determina que n\u00e3o tenhamos \u00e1gua, e a ind\u00fastria tur\u00edstica depende em grande parte dos recursos h\u00eddricos. Se os turistas n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua em seus pa\u00edses, v\u00e3o busc\u00e1-la em outra parte\u201d, ponderou Nicholls, que n\u00e3o se preocupa apenas com a falta de \u00e1gua, mas tamb\u00e9m com sua abund\u00e2ncia. \u201cSe chove na temporada seca e o tempo todo, tampouco os viajantes desejar\u00e3o ir a semelhante lugar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Carrette disse que seu pa\u00eds, Dominica, sofre com um clima \u201cmuito err\u00e1tico\u201d. O pa\u00eds \u201cfica exatamente na roda dos furac\u00f5es, exposto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis dos sistemas de ventos tropicais\u201d, explicou. A maioria das Ilhas de Barlavento est\u00e1 abandonando sua depend\u00eancia da ind\u00fastria bananeira e tentando diversificar suas economias, mas as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas s\u00e3o obst\u00e1culos maiores para conseguirem isso, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cComo pequenos Estados insulares em desenvolvimento, com cada passo que damos \u00e0 frente, provavelmente damos muitos para tr\u00e1s, porque o tempo todo temos que reconstruir estradas e muros de conten\u00e7\u00e3o do mar, refazer estradas secund\u00e1rias para a agricultura e reprogramar atividades tur\u00edsticas\u201d, enfatizou Carrette. \u201cDevemos entender que o dinheiro para a reabilita\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o do sustento humano n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel aqui, em nosso pr\u00f3prio or\u00e7amento, e n\u00e3o temos reservas suficientes para utilizar\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 preciso pedir emprestado. Randolph Cato, diretor de assuntos econ\u00f4micos da secretaria da OECS, estima que o custo total da mudan\u00e7a clim\u00e1tica para a ind\u00fastria tur\u00edstica do bloco pode chegar a US$ 12 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos 40 anos. \u201cDevemos fazer algo a respeito. Nos adaptarmos \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica custar\u00e1 menos do que pagar seus danos potenciais\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Castries, Santa L&uacute;cia, 10\/10\/2013 &ndash; Malcolm Wallace sempre soube qual seria seu destino. 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