{"id":16727,"date":"2013-10-14T12:57:37","date_gmt":"2013-10-14T12:57:37","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100549"},"modified":"2013-10-14T12:57:37","modified_gmt":"2013-10-14T12:57:37","slug":"mongolia-se-lanca-no-arriscado-negocio-petroleiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/mongolia-se-lanca-no-arriscado-negocio-petroleiro\/","title":{"rendered":"Mong\u00f3lia se lan\u00e7a no arriscado neg\u00f3cio petroleiro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100550\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Mongolia-small-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-100550 \" alt=\"Mongolia small 629x419 Mong\u00f3lia se lan\u00e7a no arriscado neg\u00f3cio petroleiro\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Mongolia-small-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Mong\u00f3lia se lan\u00e7a no arriscado neg\u00f3cio petroleiro\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As estepes centrais da Mong\u00f3lia, a parte do pa\u00eds onde se prospecta petr\u00f3leo de xisto. Foto: Michele Tolson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Prov\u00edncia de Tov, Mong\u00f3lia, 14\/10\/2013 \u2013 A Mong\u00f3lia, que compra da R\u00fassia 90% do combust\u00edvel e \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel \u00e0s altas de pre\u00e7os, busca explorar seus dep\u00f3sitos de petr\u00f3leo de xisto, estimado em pelo menos 800 bilh\u00f5es de toneladas. O pa\u00eds firmou um acordo de cinco anos com a empresa norte-americana Genie Energy para cuidar da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O petr\u00f3leo de xisto, ou querog\u00eanio, est\u00e1 solidificado e preso nas rochas. Para extra\u00ed-lo s\u00e3o usados processos como a pir\u00f3lise (decomposi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica por meio do calor e em aus\u00eancia de oxig\u00eanio), hidrogena\u00e7\u00e3o ou dissolu\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica, diferente do g\u00e1s de xisto, que \u00e9 extra\u00eddo mediante fratura hidr\u00e1ulica (<i>fracking<\/i>). Embora os Estados Unidos tenham algumas das maiores reservas de petr\u00f3leo de xisto do mundo, estas ainda n\u00e3o s\u00e3o comercializ\u00e1veis, explicou Jason Bane, diretor de comunica\u00e7\u00f5es da Western Resources Advocates, uma organiza\u00e7\u00e3o ambiental com sede no Estado do Colorado.<\/p>\n<p>\u201cNa Est\u00f4nia se queima petr\u00f3leo de xisto para obter energia como se se queimasse carv\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 muito complicado. Contudo, extrair o querog\u00eanio (material fossilizado na rocha que desprende betume ao ser aquecido) \u00e9 uma ideia totalmente diferente. Se produz pequenas quantidades de combust\u00edvel em diferentes lugares, mas transportar isso para um processo comercial no momento \u00e9 s\u00f3 teoria\u201d, disse Bane \u00e0 IPS. \u201cSe fosse poss\u00edvel, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo de xisto seria incrivelmente danosa para o meio ambiente, pela contamina\u00e7\u00e3o a\u00e9rea e pelo uso intensivo de \u00e1gua\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo especialistas, a Mong\u00f3lia \u00e9 especialmente vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Esse pa\u00eds da \u00c1sia central sem sa\u00edda para o mar j\u00e1 sofre escassez de \u00e1gua no deserto de Gobi, o que reduz a vaz\u00e3o de rios e lagos, e tamb\u00e9m desertifica\u00e7\u00e3o propriamente dita. \u201cA maioria das tentativas de obter combust\u00edvel l\u00edquido desse recurso fracassou do ponto de vista financeiro. Tem menor densidade energ\u00e9tica que o carv\u00e3o e piores impactos ambientais. Isso ser\u00e1 um desastre para a Mong\u00f3lia\u201d, destacou \u00e0 IPS Richard Heinberg, do Post Carbon Institute.<\/p>\n<p>Entretanto, Jeremy Boak, diretor do Centro para a Tecnologia e a Pesquisa do Petr\u00f3leo de Xisto, da Escola de Minera\u00e7\u00e3o do Colorado, acredita que o procedimento esteja se desenvolvendo rapidamente e que \u00e9 promissor no \u00e2mbito comercial. \u201cOs que se op\u00f5em est\u00e3o citando dados de d\u00e9cadas passadas\u201d, afirmou \u00e0 IPS. As organiza\u00e7\u00e3o ambientalistas costumam se referir a um informe do Escrit\u00f3rio de Presta\u00e7\u00e3o de Contas do governo dos Estados Unidos que \u201csimplesmente avaliou todos os dados hist\u00f3ricos e concluiu que, em m\u00e9dia, seriam usados cinco barris de \u00e1gua para cada barril de petr\u00f3leo produzido, e que se poderia chegar at\u00e9 a 12\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Boak argumentou que, ainda que seja experimental, a tecnologia foi testada. \u201cA Shell tem experi\u00eancia no Colorado. Agora usa-se em torno de um barril de \u00e1gua para cada barril de petr\u00f3leo produzido\u201d, explicou. Esse experimento foi conduzido pelo especialista em energia n\u00e3o convencional Harold Vinegar, cientista da Genie Energy, que antes trabalhou para a Shell. Vinegar fez testes-piloto com a tecnologia usada na extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo de xisto, mas se retirou quando a Shell interrompeu a pesquisa. Depois, uniu-se \u00e0 Genie. \u201cN\u00e3o se pode equiparar os potenciais impactos ambientais com certa cat\u00e1strofe ambiental, como tendem a fazer algumas organiza\u00e7\u00f5es\u201d, argumentou Boak.<\/p>\n<p>O geocientista David Hughes, do Post Carbon Institute, tem conhecimento do trabalho de Vinegar na Shell. \u201cO aquecimento subterr\u00e2neo para extrair o petr\u00f3leo dura at\u00e9 tr\u00eas ou quatro horas\u201d, detalhou \u00e0 IPS. \u201cO muro de congelamento (desenvolvido quando Vinegar trabalhava na Shell) \u00e9 para impedir que a \u00e1gua subterr\u00e2nea interfira no processo de aquecimento. A Shell encerrou o processo, mas declarou que esse muro \u00e9 um sucesso. Ter\u00e3o que ser feitos muitos testes-piloto, e falamos de anos e anos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Talvez porque o processo ainda esteja em fase de testes, falta transpar\u00eancia. Sujgerel Dugersuren, diretora da Oyu Tolgoi Watch, uma organiza\u00e7\u00e3o ambientalista da Mong\u00f3lia, n\u00e3o sabia do acordo com a Genie at\u00e9 que Macdonald Stainsby, ativista canadense contra as areias de alcatr\u00e3o e o petr\u00f3leo de xisto, entrou em contato com ela pouco depois do an\u00fancio. Sujgerel marcou uma reuni\u00e3o para que organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas mong\u00f3is come\u00e7assem a monitorar essas iniciativas. \u201cS\u00f3 veio uma pessoa, com a qual falei pessoalmente\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cContudo, de todo modo, isso foi \u00fatil, porque ela representa os profissionais que fazem avalia\u00e7\u00f5es de impacto ambiental. Tenho muitas esperan\u00e7as de que divulgue a not\u00edcia entre as empresas de avalia\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou Sujgerel. Ela e Stainsby tamb\u00e9m ficaram sabendo que outra empresa, a MAK, da Mong\u00f3lia, trabalha em projetos de querog\u00eanio perto do deserto de Gobi. \u201cNem eu nem Sujgerel conseguimos determinar onde ficar\u00e1 a unidade da Genie; isso n\u00e3o foi divulgado. O governo n\u00e3o mencionou nenhum dos dois lugares (da MAK e da Genie), nem deu suas coordenadas\u201d, pontuou Staisnby \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Eles apenas souberam que a Genie realizava prospec\u00e7\u00f5es na prov\u00edncia de Tov, perto de Ulaanbaatar, quando o parlamento divulgou a informa\u00e7\u00e3o, no final da primavera boreal. Apenas um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o estrangeiro informou que a Genie possu\u00eda licen\u00e7as na prov\u00edncia de Tov, perto do rio Tuul. Comunidades de pastores Tuul abaixo, perto da desembocadura no rio Orj\u00f3n, falaram \u00e0 IPS sobre a presen\u00e7a da Genie.<\/p>\n<p>\u201cQuatro ou cinco fam\u00edlias novas chegaram aqui porque tiveram que deixar o lugar onde ficam as obras da Genie\u201d, contou Dashdavaa, uma pastora de aproximadamente 60 anos. \u201cAgora, n\u00e3o tem pastagem suficiente e nem \u00e1gua para todas essas fam\u00edlias\u201d, acrescentou. Sua vizinha, Tsetseghkorol, que viveu 40 anos junto ao rio, disse n\u00e3o saber muito a respeito do projeto da Genie, s\u00f3 que est\u00e3o procurando petr\u00f3leo e que, possivelmente, queiram construir uma petroleira.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Meio Ambiente e Desenvolvimento Verde n\u00e3o respondeu a nenhum dos v\u00e1rios pedidos de informa\u00e7\u00e3o feitos pela IPS. A Mong\u00f3lia \u00e9 parte da Iniciativa para a Transpar\u00eancia das Ind\u00fastrias Extrativistas, que divulga informa\u00e7\u00e3o sobre licen\u00e7as, impostos e <i>royalties<\/i> que estes setores pagam aos governos. A IPS contatou um porta-voz que disse ainda n\u00e3o ter informa\u00e7\u00e3o sobre o acordo Mong\u00f3lia-Genie. A IPS tamb\u00e9m se comunicou v\u00e1rias vezes com a sede central da Genie nos Estados Unidos, por telefone e e-mail, mas n\u00e3o recebeu nenhuma resposta oficial.<\/p>\n<p>A Mong\u00f3lia est\u00e1 \u00e1vida por investimentos. Embora seja uma das economias de mais r\u00e1pido crescimento no mundo, este ano os investimentos estrangeiros ca\u00edram 42% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. O ministro da Minera\u00e7\u00e3o, D. Gajuyag, v\u00ea o petr\u00f3leo de xisto como uma nova e positiva oportunidade de investimento.<\/p>\n<p>\u201cO governo da Mong\u00f3lia sempre tentou conseguir o equil\u00edbrio entre o desenvolvimento econ\u00f4mico e a conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e da cultura, dos quais est\u00e1 justificadamente orgulhoso\u201d, ressaltou Rebecca Watters, diretora do Mongolian Wolverine Project, que estuda o impacto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no habitat das esp\u00e9cies amea\u00e7adas. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio muito mais tempo para pensar nos impactos clim\u00e1ticos do que em um projeto de extra\u00e7\u00e3o de 50 anos. Espero que, de todo modo, considerem estes assuntos\u201d, afirmou \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Prov&iacute;ncia de Tov, Mong&oacute;lia, 14\/10\/2013 &ndash; A Mong&oacute;lia, que compra da R&uacute;ssia 90% do combust&iacute;vel e &eacute; particularmente vulner&aacute;vel &agrave;s altas de pre&ccedil;os, busca explorar seus dep&oacute;sitos de petr&oacute;leo de xisto, estimado em pelo menos 800 bilh&otilde;es de toneladas. 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