{"id":16748,"date":"2013-10-16T12:11:02","date_gmt":"2013-10-16T12:11:02","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100733"},"modified":"2013-10-16T12:11:02","modified_gmt":"2013-10-16T12:11:02","slug":"zimbabue-vive-um-novo-exodo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/zimbabue-vive-um-novo-exodo\/","title":{"rendered":"Zimb\u00e1bue vive um novo \u00eaxodo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_100735\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/zimbabwe640.jpg\"><img class=\" wp-image-100735 \" alt=\"zimbabwe640 Zimb\u00e1bue vive um novo \u00eaxodo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/zimbabwe640.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Zimb\u00e1bue vive um novo \u00eaxodo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>Em Rodeport, o terminal de \u00f4nibus transfronteiri\u00e7os de Harare, os zimbabuenses se preparam para partir em busca de pastagens \u201cmais verdes\u201d. Foto: Jeffrey Moyo\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Harare, Zimb\u00e1bue, 16\/10\/2013 \u2013 Admire Gumbo, de 26 anos, detesta a ideia de deixar o Zimb\u00e1bue e ir para Botsuana. Por\u00e9m, v\u00ea que n\u00e3o tem op\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser voltar ao pa\u00eds vizinho, onde trabalhou tr\u00eas anos como oper\u00e1rio. \u201cMe formei eletricista, tenho um diploma nacional. Em Botsuana nunca tive trabalho decente, mas me arranjei com empregos tempor\u00e1rios, geralmente como ajudante de obras de constru\u00e7\u00e3o, onde ganhava 60 pulas (US$ 7) por dia\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cAgora tomei a dif\u00edcil decis\u00e3o de voltar, porque n\u00e3o consigo trabalho aqui\u201d, acrescentou Gumbo, do populoso sub\u00farbio de Mbvuku, na capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apenas dois meses ap\u00f3s as pol\u00eamicas elei\u00e7\u00f5es de 31 de julho, que garantiram ao presidente Robert Mugabe novo mandato, os zimbabuenses, convencidos de que n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma mudan\u00e7a nesse pa\u00eds, o abandonam em grande propor\u00e7\u00e3o. Edwin Gandari, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Transportadores Transfronteiri\u00e7os do Zimb\u00e1bue, disse \u00e0 IPS que o tr\u00e1fego chegou ao seu cl\u00edmax depois das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o est\u00e1vamos seguros do neg\u00f3cio, at\u00e9 que, um m\u00eas depois das elei\u00e7\u00f5es, gente em busca de melhores oportunidades come\u00e7ou a solicitar nossos servi\u00e7os em grande quantidade\u201d, disse Gandari. Muitos emigrantes sem documenta\u00e7\u00e3o escolhem viajar por esse meio. \u201cEm m\u00e9dia, nossa associa\u00e7\u00e3o registra 1.200 emigrantes por dia, que decidem cruzar a fronteira para pa\u00edses lim\u00edtrofes, como \u00c1frica do Sul, Mo\u00e7ambique e Botsuana\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Um funcion\u00e1rio sul-africano da fronteira, que n\u00e3o quis se identificar, acredita que quase duplicou a quantidade de zimbabuenses que entram em seu pa\u00eds. \u201cNosso governo saudou o resultado eleitoral no Zimb\u00e1bue, mas, para nossa surpresa, pouco mais de dois meses depois, estamos registrando diariamente mais de 700 zimbabuenses que atravessam a fronteira para a \u00c1frica do Sul\u201d, afirmou, lembrando que antes da elei\u00e7\u00e3o o fluxo di\u00e1rio era de 400 imigrantes zimbabuenses.<\/p>\n<p>Estima-se que mais de tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas deixaram o pa\u00eds depois de 2000, no momento mais duro da crise econ\u00f4mica. Entre 2003 e 2009, o Zimb\u00e1bue viveu uma das piores ondas de hiperinfla\u00e7\u00e3o do mundo. Em 2008, a infla\u00e7\u00e3o anual chegou a mais de 231.000.000%. Os que sa\u00edam como refugiados foram tantos que, em 2009, o Departamento de Assuntos Internos da \u00c1frica do Sul suspendeu as deporta\u00e7\u00f5es e autorizou a perman\u00eancia dessas pessoas, concedendo-lhes autoriza\u00e7\u00f5es de trabalho e estudo.<\/p>\n<p>Muitos zimbabuenses, como Jason Mandundu, de 31 anos, que regressou da \u00c1frica do Sul no come\u00e7o deste ano, esperavam que essa disposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o fosse necess\u00e1ria, e que uma nova era pol\u00edtica em seu pa\u00eds permitiria que ficassem definitivamente. \u201cEsper\u00e1vamos um novo Zimb\u00e1bue sob um novo governo que n\u00e3o estivesse liderado por Mugabe. Mas agora n\u00e3o temos nenhuma esperan\u00e7a econ\u00f4mica. Sem d\u00favida, para pessoas como eu, s\u00f3 resta mendigar na \u00c1frica do Sul\u201d, destacou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas partem porque o pa\u00eds demonstrou que n\u00e3o pode oferecer meios de sobreviv\u00eancia aos desempregados\u201d, declarou \u00e0 IPS Okay Machisa, diretor da Associa\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos. V\u00e1rios economistas concordam que o renovado \u00eaxodo ocorre porque a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o melhora. Culpa-se o colapso das pol\u00edticas de Mugabe, entre elas a controvertida reforma agr\u00e1ria iniciada em 2000, pela qual mais de 300 mil pessoas ocuparam \u00e0 for\u00e7a terras que antes eram propriedade de aproximadamente quatro mil agricultores comerciais de ra\u00e7a branca.<\/p>\n<p>Antes, a agricultura fornecia emprego para 60% a 70% da popula\u00e7\u00e3o, e contribu\u00eda entre 15% e 19% com o produto interno bruto anual. \u201cAqui n\u00e3o acontece realmente nada de destaque. Pelo contr\u00e1rio, a vida est\u00e1 se tornando mais dif\u00edcil e cara dia a dia, desde que a Uni\u00e3o Africana do Zimb\u00e1bue-Frente Patri\u00f3tica (Zanu-PF) obteve uma pol\u00eamica vit\u00f3ria. Os zimbabuenses que voltaram para casa agora se dirigem aos pa\u00edses vizinhos\u201d, ressaltou \u00e0 IPS o economista independente Kingston Nyakurukwa.<\/p>\n<p>Prosper Chitambara, economista do Instituto de Pesquisa sobre Trabalho e Desenvolvimento Econ\u00f4mico do Zimb\u00e1bue, um grupo de especialistas independentes, acredita que \u201ch\u00e1 muitas incertezas e perguntas sem respostas quanto ao curso que a economia est\u00e1 tomando\u201d. John Robertson, diretor da Servi\u00e7os Robertson de Informa\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica, enfatizou \u00e0 IPS que, \u201cao verem que n\u00e3o ter\u00e3o emprego aqui, os que aguardavam uma mudan\u00e7a agora buscam oportunidades al\u00e9m fronteiras. Eles tamb\u00e9m sofrem os efeitos do desrespeito ao direito \u00e0 propriedade por parte do governo da Zanu-PF.<\/p>\n<p>A Lei de Indigeniza\u00e7\u00e3o e Empoderamento Econ\u00f4mico, de 2007, estabelece que as empresas de capitais estrangeiros devem vender 51% de suas a\u00e7\u00f5es a cidad\u00e3os do pa\u00eds, para estimular o crescimento econ\u00f4mico. Em uma entrevista anterior \u00e0 IPS, Robertson indicou que tal pol\u00edtica afugentava os investidores e conduzia ao fechamento de v\u00e1rias empresas, ap\u00f3s ter passado para m\u00e3os de zimbabuenses. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Harare, Zimb&aacute;bue, 16\/10\/2013 &ndash; Admire Gumbo, de 26 anos, detesta a ideia de deixar o Zimb&aacute;bue e ir para Botsuana. 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