{"id":16751,"date":"2013-10-17T12:40:34","date_gmt":"2013-10-17T12:40:34","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100849"},"modified":"2013-10-17T12:40:34","modified_gmt":"2013-10-17T12:40:34","slug":"o-sinai-sob-misteriosos-ataques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/o-sinai-sob-misteriosos-ataques\/","title":{"rendered":"O Sinai sob misteriosos ataques"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100850\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Sinai.jpg\"><img class=\" wp-image-100850 \" alt=\"Sinai O Sinai sob misteriosos ataques\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Sinai.jpg\" width=\"529\" height=\"254\" title=\"O Sinai sob misteriosos ataques\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A pen\u00ednsula do Sinai, no nordeste do Egito, \u00e9 palco de ataques quase di\u00e1rios a policiais e militares desde a derrubada de Mohammad Morsi. Foto: Adam Morrow\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cairo, Egito, 17\/10\/2013 \u2013 O tempo transcorrido desde a derrubada de Mohammad Morsi no Egito est\u00e1 pautado por a\u00e7\u00f5es quase di\u00e1rias contra pessoal de seguran\u00e7a, especialmente na tensa pen\u00ednsula do Sinai. A identidade dos atacantes \u00e9 um mist\u00e9rio. \u201cOs grupos armados no Sinai n\u00e3o recrutam seus membros entre fam\u00edlias ou tribos locais\u201d, disse \u00e0 IPS o jornalista Hatem al Bulk, radicado ali. \u201cCostumam estar mascarados, atacam seus objetivos e desaparecem nas montanhas. A popula\u00e7\u00e3o local n\u00e3o tem ideia de quem s\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No dia 7 deste m\u00eas, tr\u00eas policiais foram mortos e dezenas ficaram feridos quando um carro-bomba explodiu perto da sede de seguran\u00e7a regional do sul do Sinai. Seis soldados morreram no mesmo dia por disparos feitos a partir de um ve\u00edculo pr\u00f3ximo ao Canal de Suez, enquanto um lan\u00e7a-granadas atingiu um grande transmissor via sat\u00e9lite no sul do Cairo. Foi o primeiro atentado desse tipo cometido na capital. Essa viol\u00eancia aparece em um cen\u00e1rio de polariza\u00e7\u00e3o sem precedentes ap\u00f3s a derrubada de Morsi, em 3 de julho.<\/p>\n<p>Um dia antes dos ataques do dia 7, mais de 50 manifestantes favor\u00e1veis a Morsi foram assassinados por for\u00e7as de seguran\u00e7a em diferentes partes do pa\u00eds. Ap\u00f3s um ano no poder, Morsi \u2013 primeiro chefe de Estado eleito livremente no Egito \u2013 foi tirado da Presid\u00eancia e preso pelas for\u00e7as armadas ap\u00f3s manifesta\u00e7\u00f5es maci\u00e7as contra seu governo. Os novos governantes, apoiados pelos militares, mant\u00eam detido o ex-presidente em local n\u00e3o revelado.<\/p>\n<p>Os opositores de Morsi dizem que sua derrubada foi a \u201csegunda revolu\u00e7\u00e3o\u201d, depois do levante de janeiro de 2011, que acabou com 30 anos de poder do presidente autocr\u00e1tico Hosni Mubarak. Por outro lado, quem apoia Morsi se refere a um \u201cgolpe militar\u201d contra um presidente democraticamente eleito. Em pouco mais de tr\u00eas meses desde sua derrubada h\u00e1 manifesta\u00e7\u00f5es di\u00e1rias em todo o pa\u00eds, a grande maioria pac\u00edfica, pedindo a volta de Morsi ao poder. Mas tamb\u00e9m s\u00e3o cada vez mais frequentes os ataques contra policiais e militares.<\/p>\n<p>Em meados de agosto, 25 policiais morreram em um \u00fanico ataque no norte do Sinai. O incidente aconteceu cinco dias depois do massacre de centenas de manifestantes pac\u00edficos favor\u00e1veis a Morsi. At\u00e9 agora, a viol\u00eancia no Sinai est\u00e1 confinada ao nordeste da pen\u00ednsula, perto das fronteiras do Egito com Israel e a Faixa de Gaza. O ataque do dia 7 contra a dire\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a foi o primeiro realizado no sul. As for\u00e7as armadas decidiram lan\u00e7ar uma opera\u00e7\u00e3o em toda a pen\u00ednsula para erradicar a \u201cinsurg\u00eancia\u201d. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o estatais e privados promovem a campanha do ex\u00e9rcito, retratando-a como uma \u201cguerra contra o terrorismo\u201d, ao estilo dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas as for\u00e7as armadas demoliram casas no nordeste do Sinai, argumentando que pertenciam a l\u00edderes da insurg\u00eancia. Tamb\u00e9m destru\u00edram quase completamente a rede de t\u00faneis que ligavam Egito com a sitiada Faixa de Gaza, e mataram dezenas de \u201cinsurgentes e elementos criminosos\u201d. Segundo porta-vozes do ex\u00e9rcito, na opera\u00e7\u00e3o morreram mais de cem soldados.<\/p>\n<p>Nenhuma organiza\u00e7\u00e3o assumiu a responsabilidade pelos ataques, com umas poucas exce\u00e7\u00f5es recentes, como o do sul do Sinai, reivindicado pela pouco conhecida organiza\u00e7\u00e3o Ansar Beit al-Maqdis, que opera na pen\u00ednsula. As autoridades dizem que os atentados s\u00e3o obra de \u201cterroristas\u201d ligados \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana, a organiza\u00e7\u00e3o de Morsi. Centenas de integrantes da Irmandade Mu\u00e7ulmana de alto e m\u00e9dio escal\u00e3o foram detidos por \u201cincitar \u00e0 viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A Irmandade, por sua vez, nega toda liga\u00e7\u00e3o com a viol\u00eancia no Sinai, e diz estar comprometida com o protesto pac\u00edfico para restabelecer a \u201clegitimidade constitucional\u201d. Segundo o jornalista Al Bulk, que trabalha na cidade de Al Arish, norte do Sinai, os insurgentes n\u00e3o passam de dois mil no total. \u201cN\u00e3o t\u00eam uma dire\u00e7\u00e3o unificada, nem uma denomina\u00e7\u00e3o comum\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Durante seu governo, Morsi tentou \u201cchegar a acordos\u201d com alguns desses grupos, acrescentou. \u201cEm troca de n\u00e3o atacarem as for\u00e7as de seguran\u00e7a nem os gasodutos, deram relativa liberdade de movimento a eles\u201d, ressaltou. No entanto, Al Bulk despreza as acusa\u00e7\u00f5es de apoio ou financiamento da Irmandade Mu\u00e7ulmana. Por outro lado, n\u00e3o descarta que \u201cpelo menos alguns destes grupos sejam controlados, ou influenciados, por ag\u00eancias de intelig\u00eancia estrangeiras com interesses no Sinai\u201d.<\/p>\n<p>A pen\u00ednsula \u00e9 habitada por tribos bedu\u00ednas com uma rela\u00e7\u00e3o tradicionalmente dif\u00edcil com o governo do Egito. A \u00faltima d\u00e9cada da era Mubarak foi marcada por ataques ocasionais na \u00e1rea, tamb\u00e9m de \u201celementos n\u00e3o identificados\u201d, aos quais sempre se seguiam pris\u00f5es indiscriminadas de milhares de moradores. Seif Abdel-Fattah, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica na Universidade do Cairo e ex-assessor de Morsi (renunciou ao cargo em novembro de 2012), apontou que h\u00e1 \u201cv\u00e1rias partes\u201d interessadas em uma escalada da viol\u00eancia no Sinai.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m dos grupos isl\u00e2micos rebeldes existem os que se interessam por manter a hist\u00f3rica posi\u00e7\u00e3o do Sinai como rota importante do contrabando de armas e drogas, sem mencionar outras a\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, explicou Fattah \u00e0 IPS. Todas essas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o preparadas para usar a viol\u00eancia e atacar as for\u00e7as de seguran\u00e7a \u201cquando se ajustar aos seus prop\u00f3sitos\u201d, acrescentou. Fattah tamb\u00e9m descarta v\u00ednculos diretos entre a Irmandade Mu\u00e7ulmana e a viol\u00eancia no Sinai.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um assunto de a\u00e7\u00e3o, rea\u00e7\u00e3o e contrarrea\u00e7\u00e3o. Cada vez que as for\u00e7as de seguran\u00e7a buscam sufocar essas organiza\u00e7\u00f5es insurgentes no Sinai, elas respondem desferindo um golpe\u201d, afirmou Fattah. No dia 9 deste m\u00eas, um alto comandante do ex\u00e9rcito e tr\u00eas soldados ficaram feridos em um ataque no centro da pen\u00ednsula. No mesmo dia, houve outros atentados. O professor atribui o caos no Sinai ao \u201cvazio de seguran\u00e7a regional\u201d criado pelos termos do acordo de paz de Camp David, que o Egito assinou com Israel em 1978.<\/p>\n<p>Pelo tratado, o Egito n\u00e3o pode fazer nenhum movimento militar importante no Sinai sem autoriza\u00e7\u00e3o de Israel. Assim, at\u00e9 a \u00faltima opera\u00e7\u00e3o (\u00e0 qual o Estado judeu deu seu apoio t\u00e1cito), a pen\u00ednsula carecia de uma efetiva presen\u00e7a de for\u00e7as de seguran\u00e7a. Em agosto, um aparente ataque de Israel com \u201cdrones\u201d (avi\u00f5es teledirigidos) no norte do Sinai incentivou intensas especula\u00e7\u00f5es de uma maior coordena\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a entre os dois pa\u00edses. O acordo de \u201cCamp David estipula certo grau de coopera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a no Sinai. A coordena\u00e7\u00e3o se manteve sob o governo de Mubarak, continuou durante o de Morsi e tamb\u00e9m agora\u201d, afirmou Al Bulk. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cairo, Egito, 17\/10\/2013 &ndash; O tempo transcorrido desde a derrubada de Mohammad Morsi no Egito est&aacute; pautado por a&ccedil;&otilde;es quase di&aacute;rias contra pessoal de seguran&ccedil;a, especialmente na tensa pen&iacute;nsula do Sinai. 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