{"id":16752,"date":"2013-10-17T12:25:08","date_gmt":"2013-10-17T12:25:08","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100837"},"modified":"2013-10-17T12:25:08","modified_gmt":"2013-10-17T12:25:08","slug":"fukushima-reiniciando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/fukushima-reiniciando\/","title":{"rendered":"Fukushima: reiniciando"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100839\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Japan-photo-1-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-100839 \" alt=\"Japan photo 1 629x472 Fukushima: reiniciando\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Japan-photo-1-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Fukushima: reiniciando\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ativistas japoneses est\u00e3o decididos a impedir o plano do governo de reativar os reatores nucleares. Foto: Suvendrini Kakuchi<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 17\/10\/2013 \u2013 A vida da japonesa Ayako Oga mudou dramaticamente quando o terremoto e o tsunami afetaram quatro reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi, h\u00e1 dois anos e meio. Ela e seu marido foram obrigados a abandonar a aldeia de Ookuma Machi. Hoje, com 30 anos, essa agricultora se converteu em uma destacada ativista do movimento antinuclear japon\u00eas, e lidera centenas de pessoas afetadas pela trag\u00e9dia de 11 de mar\u00e7o de 2011, que protestam contra a inten\u00e7\u00e3o do governo de reativar esses reatores.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro, Shinzo Abe, que impulsiona a todo custo uma agenda econ\u00f4mica, conhecida popularmente como Abeconomia, disse no m\u00eas passado que \u201creativaremos as usinas de energia nuclear seguindo os padr\u00f5es de seguran\u00e7a mais r\u00edgidos do mundo\u201d. Assim, Oga, alojada com outras centenas de evacuados a cem quil\u00f4metros da usina, na localidade de Aizu Wakamatsu, v\u00ea seus piores temores se tornarem realidade. Contudo, est\u00e1 determinada a impedir os planos do governo. \u201cTenho que apresentar a evid\u00eancia do lado escuro da energia at\u00f4mica\u201d, declarou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o aos reatores nucleares chegou ao seu momento mais alto ap\u00f3s a trag\u00e9dia de Fukushima. Em uma pesquisa feita em julho de 2012 pelo jornal <i>Tokyo Simbun<\/i>, 80% dos tr\u00eas mil entrevistados se manifestavam contra o desenvolvimento econ\u00f4mico. Isso n\u00e3o surpreende, considerando que o desastre deixou 85 mil desabrigados, contaminou v\u00e1rias \u00e1reas de terra e afetou a renda de agricultores e pescadores.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Oga e outros ativistas poder\u00e3o perder a batalha diante da forte press\u00e3o do governante Partido Liberal Democr\u00e1tico e das grandes corpora\u00e7\u00f5es, que desejam reativar os reatores, com o argumento de que eles s\u00e3o necess\u00e1rios para enfrentar a crise energ\u00e9tica e manter a economia. Os 50 reatores at\u00f4micos japoneses, que fornecem 30% das necessidades energ\u00e9ticas do pa\u00eds, est\u00e3o fechados por diversas raz\u00f5es, incluindo inspe\u00e7\u00f5es de rotina. O Jap\u00e3o, terceira maior economia do mundo, com produto interno bruto de US$ 5,96 trilh\u00f5es, importa quase 90% de sua energia e por isso tem d\u00e9ficit comercial de US$ 10,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para ganhar apoio pol\u00edtico, o governo anuncia as medidas de seguran\u00e7a que aplicar\u00e1 para reiniciar a produ\u00e7\u00e3o at\u00f4mica. Em setembro de 2012, foi criada a Autoridade de Regula\u00e7\u00e3o Nuclear, de car\u00e1ter independente, formada por cientistas e especialistas em seguran\u00e7a. \u00c9 presidida pelo cientista Shunichi Tanaka, natural de Fukushima, que disse em certo momento que o governo e a Companhia de Eletricidade de T\u00f3quio (Tepco), que operava a usina, estavam \u201ctateando na escurid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As novas disposi\u00e7\u00f5es da Autoridade entraram em vigor em julho e se baseiam no princ\u00edpio de \u201cdefesa em profundidade\u201d, que exige fortalecer os n\u00edveis de seguran\u00e7a tr\u00eas e quatro e criar um sistema de preven\u00e7\u00e3o diante de uma perda simult\u00e2nea de todas as fun\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o em caso de terremoto, tsunami e outros impactos externos. Tamb\u00e9m exige dos operadores que constatem se h\u00e1 falhas s\u00edsmicas antes de constru\u00edrem reatores, e que instalem muralhas de prote\u00e7\u00e3o contra tsunamis mais altas e salas de controle adicionais.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o japonesa parece estar aceitando essas promessas de seguran\u00e7a refor\u00e7ada. Outra pesquisa, feita pelo jornal <i>Asahi Shimbun<\/i> em julho, revela uma grande queda da rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 energia nuclear: 40% dos mil entrevistados disseram apoiar a reativa\u00e7\u00e3o dos reatores, contra 37% registrados em fevereiro. O cientista Mitsuhiko Tanaka, que trabalhou por anos no projeto de reatores, comparou a campanha antinuclear com a luta entre David e Golias.<\/p>\n<p>\u201cOs ativistas enfrentam um governo poderoso e corpora\u00e7\u00f5es ricas que procuram justificar a energia nuclear, e com a influ\u00eancia necess\u00e1ria na opini\u00e3o p\u00fablica japonesa, para a qual o que importa \u00e9 o ganho econ\u00f4mico\u201d, opinou Tanaka \u00e0 IPS. O especialista criticou a campanha do governo para reativar os reatores. \u201cAl\u00e9m da falta de transpar\u00eancia no procedimento, um ponto fundamental \u00e9 que as autoridades ainda n\u00e3o revelaram cientificamente qual foi a causa real do acidente em Fukushima\u201d, afirmou Tanaka.<\/p>\n<p>Muitos cientistas criticam a explica\u00e7\u00e3o oficial de que o tsunami, com ondas entre 13 e 15 metros de altura, bastou para danificar os reatores, e exigem evid\u00eancias mais s\u00f3lidas. O professor Hiromitsu Ino, especialista em seguran\u00e7a at\u00f4mica e agora presidente da Comiss\u00e3o Cidad\u00e3 sobre Energia Nuclear, \u00e9 um desses cr\u00edticos. \u201cN\u00e3o estou satisfeito com as atuais regula\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a porque n\u00e3o incluem o interesse p\u00fablico nem os aspectos \u00e9ticos\u201d, disse Ino \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Esse tipo de disposi\u00e7\u00f5es \u201cs\u00f3 pode ser adotado ap\u00f3s intensas consultas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, e isso exige tempo\u201d, acrescentou Ino, que tamb\u00e9m acredita que as novas medidas n\u00e3o s\u00e3o suficientemente r\u00edgidas. Por exemplo, aponta, concedem aos operadores de energia um per\u00edodo de car\u00eancia indefinido para instalarem filtros nos reatores de \u00e1gua em ebuli\u00e7\u00e3o, elemento crucial para reduzir o impacto t\u00f3xico de uma eventual explos\u00e3o de hidrog\u00eanio.<\/p>\n<p>O desastre de Fukushima foi o pior desde Chernobil, na Ucr\u00e2nia, em 1986. O governo japon\u00eas ainda tenta conter os vazamentos de \u00e1gua altamente contaminada, que corre para o oceano e terrenos vizinhos. No dia 10, a Tepco informou que foram detectadas altas concentra\u00e7\u00f5es de c\u00e9sio radioativo na \u00e1gua marinha perto dos reatores.<\/p>\n<p>Em agosto a municipalidade de Fukushima apresentou um novo estudo que analisou o estado da gl\u00e2ndula tireoide de quase 200 mil crian\u00e7as e adolescentes da \u00e1rea. Seus resultados indicam que em 44 foram diagnosticadas doen\u00e7as da tireoide ou se suspeita que as estejam desenvolvendo. Quando ocorreu o acidente elas tinham entre seis e 18 anos de idade.<\/p>\n<p>Oga contou que seu marido voltou \u00e0 sua casa em Fukushima em agosto, como parte de uma visita organizada pelo governo para que os desabrigados pudessem recuperar documentos e outros pertences. \u201cN\u00e3o fui com ele, embora quisesse ver minha antiga casa. Mas quis evitar a radia\u00e7\u00e3o, porque quero ter um filho no futuro. Os jovens em nossa situa\u00e7\u00e3o nos demos conta de que n\u00e3o temos outro apoio do que n\u00f3s mesmos para seguir adiante, e mudar o mundo\u201d, ressaltou Oga \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 17\/10\/2013 &ndash; A vida da japonesa Ayako Oga mudou dramaticamente quando o terremoto e o tsunami afetaram quatro reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi, h&aacute; dois anos e meio. Ela e seu marido foram obrigados a abandonar a aldeia de Ookuma Machi. 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