{"id":16758,"date":"2013-10-18T12:50:08","date_gmt":"2013-10-18T12:50:08","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=100939"},"modified":"2013-10-18T12:50:08","modified_gmt":"2013-10-18T12:50:08","slug":"na-corda-bamba-e-sem-rede-de-protecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/na-corda-bamba-e-sem-rede-de-protecao\/","title":{"rendered":"Na corda bamba e sem rede de prote\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100940\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bangladeshstreetkid640-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-100940  \" alt=\"bangladeshstreetkid640 629x472 Na corda bamba e sem rede de prote\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bangladeshstreetkid640-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Na corda bamba e sem rede de prote\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A falta de educa\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o condena muitos jovens de Bangladesh, bem como de outros pa\u00edses, a viverem na pobreza. Foto: Naimul Haq\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 18\/10\/2013 \u2013 O 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o mundial possui 40% dos bens do planeta, e a metade mais pobre fica com apenas 1% desses ativos. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, apesar do crescimento econ\u00f4mico, esse desequil\u00edbrio ficou mais profundo na maioria dos pa\u00edses e quase em cada regi\u00e3o do mundo. Essa desigualdade \u00e9, cada vez mais, reconhecida como um persistente obst\u00e1culo para o desenvolvimento. O problema toma v\u00e1rias formas, desde brechas na renda at\u00e9 acesso desigual \u00e0 pol\u00edtica, e \u00e9 alimentado por diferentes fatores, como g\u00eanero, etnia, defici\u00eancias, situa\u00e7\u00e3o legal, casta, cor da pele, l\u00edngua e <i>status<\/i> econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Yoke King Chee, especialista da Rede do Terceiro Mundo, acredita que a desigualdade n\u00e3o se agrava apenas dentro dos pa\u00edses ricos e industrializados que integram a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento (OCDE), mas tamb\u00e9m em na\u00e7\u00f5es do Sul que est\u00e3o experimentando um r\u00e1pido crescimento. Os desequil\u00edbrios e falhas do com\u00e9rcio e das finan\u00e7as internacionais s\u00e3o a causa principal, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cAs respostas pol\u00edticas e regulat\u00f3rias inadequadas \u00e0 \u00faltima s\u00e9rie de crises financeiras revelam uma debilidade sist\u00eamica que continua fazendo com que os pa\u00edses sejam vulner\u00e1veis a uma maior instabilidade\u201d, disse Chee \u00e0 IPS. Os pa\u00edses em desenvolvimento que adotaram reformas financeiras, mas dependem das exporta\u00e7\u00f5es, foram igualmente vulner\u00e1veis \u00e0 crise de 2008, e os que mais sofreram foram os trabalhadores dos setores que vendem para o exterior, acrescentou a especialista.<\/p>\n<p>Um grupo de 17 especialistas em direitos humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) assinalou, em maio, que a desigualdade muitas vezes desata problemas sociais que prejudicam ainda mais grupos j\u00e1 atrasados e marginalizados. Al\u00e9m disso, o acesso desigual \u00e0 riqueza permite que os mais acomodados esgotem os recursos, agravando a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, fen\u00f4menos que, por sua vez, atingem especialmente os mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esse grupo disse que o aprofundamento da desigualdade afetou severamente muitos avan\u00e7os obtidos com grande esfor\u00e7o para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio (ODM). E recomendaram que a\u00a0 agenda de desenvolvimento posterior a 2015 deve incluir metas espec\u00edficas e mensur\u00e1veis para eliminar a desigualdade. Um Grupo de Trabalho Aberto, integrado por pa\u00edses-membros da ONU, come\u00e7ar\u00e1 a discutir em maio de 2014 quais ser\u00e3o os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), que suceder\u00e3o os ODM quando vencer o prazo para seu cumprimento, em 2015.<\/p>\n<p>Os especialistas dizem que, se for definido como eixo a luta contra a desigualdade, cada nova meta dever\u00e1 abordar as injusti\u00e7as sist\u00eamicas que a causam, desde a discrimina\u00e7\u00e3o institucional contra minorias at\u00e9 os desequil\u00edbrios nos investimentos sociais. Al\u00e9m disso, a prote\u00e7\u00e3o social \u00e9 \u201cuma parte indispens\u00e1vel das pol\u00edticas para acabar com as desigualdades e assegurar que a agenda p\u00f3s-2015 n\u00e3o deixe fora nenhum grupo, nem comunidade, nem regi\u00e3o\u201d, destacou o grupo de especialistas.<\/p>\n<p>De todas fam\u00edlias do mundo, 80% carecem de prote\u00e7\u00e3o social, apesar da evid\u00eancia de que contribui significativamente para reduzir a pobreza, a coes\u00e3o social e o respeito aos direitos humanos, al\u00e9m de servir de resguardo diante de impactos como a carestia de alimentos, afirmaram os especialistas. Na opini\u00e3o desse grupo, a agenda p\u00f3s-2015 deve incluir a recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) de fixar n\u00edveis m\u00ednimos de prote\u00e7\u00e3o social, ajudando a criar mecanismos de financiamento para os pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>A equipe est\u00e1 integrada por Verene Sheperd, do Grupo de Trabalho de Especialistas sobre Pessoas Afrodescendentes, Alfred de Zayas, especialista independente para a Promo\u00e7\u00e3o de uma Ordem Democr\u00e1tica e Equitativa, Magdalena Sep\u00falveda, relatora especial sobre Pobreza Extrema e Direitos Humanos, e Olivier De Schutter, relator especial sobre o Direito \u00e0 Alimenta\u00e7\u00e3o, entre outros.<\/p>\n<p>Em uma coluna publicada no jornal <i>The New York Times<\/i> no come\u00e7o desta semana, Joseph Stiglitz, pr\u00eamio Nobel de Economia, recordou que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a desigualdade disparou na maioria dos pa\u00edses ricos, sobretudo nos Estados Unidos. Mas o que estar\u00e1 acontecendo no resto do mundo?, perguntou. Fecha-se a brecha entre os pa\u00edses, enquanto pot\u00eancias emergentes como China e \u00cdndia tiram centenas de milh\u00f5es de seus habitantes da pobreza? E o que ocorre nos pa\u00edses pobres e de renda m\u00e9dia? A situa\u00e7\u00e3o se agrava ou melhora?<\/p>\n<p>Segundo Robert Bissio, diretor da rede internacional de organiza\u00e7\u00f5es contra a pobreza Social Watch, as estat\u00edsticas positivas podem, \u00e0s vezes, ocultar realidades mais complexas. O Banco Mundial assegurava, em 2010, que j\u00e1 havia sido cumprida de forma antecipada a meta 1A dos ODM: reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas com renda inferior a um d\u00f3lar por dia, apontou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Entre 1990 e 2010 as exporta\u00e7\u00f5es mundiais totais aumentaram quase cinco vezes, passando de US$ 781 bilh\u00f5es para US$ 3,7 trilh\u00f5es. E, no mesmo per\u00edodo, a renda individual m\u00e9dia mundial quase duplicou, de US$ 4.080 anuais, em 1990, para US$ 9.120, em 2010. Esse aumento no com\u00e9rcio e na riqueza n\u00e3o se refletiu na evolu\u00e7\u00e3o dos indicadores sociais, concluiu Bissio.<\/p>\n<p>Chee disse \u00e0 IPS que os pa\u00edses em desenvolvimento ainda perdem uma parte significativa dos benef\u00edcios dos investimentos diretos e do valor agregado. Aquelas na\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o exportadoras de mat\u00e9rias-primas aliment\u00edcias sofrem ainda a especula\u00e7\u00e3o como uma vulnerabilidade adicional. Pa\u00edses que dependem da minera\u00e7\u00e3o controlada por corpora\u00e7\u00f5es transnacionais sofrem uma grande destrui\u00e7\u00e3o ambiental e problemas sociais, e t\u00eam sistemas tribut\u00e1rios regressivos, apropriados para essas ind\u00fastrias.<\/p>\n<p>\u201cTudo isso contribui para a desigualdade\u201d, afirmou Chee. Segundo essa especialista, \u201cas pol\u00edticas de austeridade que muitos governos europeus est\u00e3o impondo agora, e que t\u00eam impacto nos setores de renda baixa e at\u00e9 m\u00e9dia, s\u00e3o uma r\u00e9plica do que sofreram os pa\u00edses do Sul pelas condi\u00e7\u00f5es impostas durante d\u00e9cadas pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 18\/10\/2013 &ndash; O 1% mais rico da popula&ccedil;&atilde;o mundial possui 40% dos bens do planeta, e a metade mais pobre fica com apenas 1% desses ativos. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, apesar do crescimento econ&ocirc;mico, esse desequil&iacute;brio ficou mais profundo na maioria dos pa&iacute;ses e quase em cada regi&atilde;o do mundo. 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