{"id":16768,"date":"2013-10-21T12:20:14","date_gmt":"2013-10-21T12:20:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101026"},"modified":"2013-10-21T12:20:14","modified_gmt":"2013-10-21T12:20:14","slug":"refugiadas-sirias-nao-tem-nada-para-festejar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/refugiadas-sirias-nao-tem-nada-para-festejar\/","title":{"rendered":"Refugiadas s\u00edrias n\u00e3o t\u00eam nada para festejar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101027\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Refugee-camp-629x446.jpg\"><img class=\" wp-image-101027 \" alt=\"Refugee camp 629x446 Refugiadas s\u00edrias n\u00e3o t\u00eam nada para festejar\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Refugee-camp-629x446.jpg\" width=\"529\" height=\"346\" title=\"Refugiadas s\u00edrias n\u00e3o t\u00eam nada para festejar\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As mulheres s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis nos acampamentos para refugiados. Foto: Rebecca Murray\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sidon, L\u00edbano, 21\/10\/2013 \u2013 O mundo isl\u00e2mico realizou esta semana uma de suas festividades mais sagradas, a Eid al Adha (Festa do Sacrif\u00edcio), que inclui grandes reuni\u00f5es familiares, comida abundante e troca de presentes. Nessa solenidade, na qual se recorda a disposi\u00e7\u00e3o de Ibrahim (na B\u00edblia, Abra\u00e3o) de imolar seu filho Ismael em honra de Al\u00e1, s\u00e3o sacrificados cordeiros e reses, e sua carne \u00e9 doada aos pobres. A festa aconteceu entre os dias 15 e 17 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Contudo, enquanto a maioria dos mu\u00e7ulmanos festejava, o desespero era palp\u00e1vel entre as refugiadas s\u00edrias do acampamento de Ein al Helwih, na localidade costeira libanesa de Sidon. Ali funciona um centro comunit\u00e1rio, dirigido pelo Conselho Dinamarqu\u00eas para os Refugiados, onde essas mulheres recebem apoio psicol\u00f3gico. \u201cN\u00e3o quero sair de casa\u201d, dizia entre solu\u00e7os Fatima, de 32 anos e m\u00e3e de quatro filhos, que fugiu da cidade s\u00edria de Aleppo depois que v\u00e1rios membros de sua fam\u00edlia morreram na guerra civil, que tamb\u00e9m destruiu o neg\u00f3cio de seu marido h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>Fatima agora est\u00e1 alojada com outras fam\u00edlias em uma escola do acampamento, o maior do L\u00edbano, criado h\u00e1 mais de 60 anos para abrigar originalmente palestinos. Por\u00e9m, a fam\u00edlia de Fatima tampouco encontrou tranquilidade nesse lugar, cen\u00e1rio em junho de um enfrentamento entre o ex\u00e9rcito liban\u00eas e os partid\u00e1rios de um cl\u00e9rigo sunita agitado. Vivem em um ambiente hostil e congestionado, e devem passar por numerosos postos de vigil\u00e2ncia para irem de um lugar a outro.<\/p>\n<p>\u201cTenho pena dos palestinos, porque vivem em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, e sei o que sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior\u201d, afirmou Fatima, que acaba de vender dois cobertores por US$ 15, uma decis\u00e3o que lamenta devido \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o do inverno boreal. Mas, n\u00e3o teve op\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que estava desesperada por dinheiro. \u201cMeus filhos n\u00e3o t\u00eam sapatos, e n\u00e3o posso comprar. Seus professores dizem que devem usar sapatos decentes. Meu filho est\u00e1 psicologicamente destro\u00e7ado. Senta-se sozinho na escola enquanto as outras crian\u00e7as brincam juntas. Antes, n\u00e3o era assim\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Fatima n\u00e3o celebrou Eid. \u201cAntes t\u00ednhamos o costume de nos presentearmos com muitas coisas. Por isso que agora n\u00e3o penso em sair\u201d para festejar, disse entre suspiros de resigna\u00e7\u00e3o. \u201cSer refugiada de nosso pa\u00eds nos envelheceu\u201d, afirmou. O Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur) informou que h\u00e1 quase 790 mil s\u00edrios nestas condi\u00e7\u00f5es no L\u00edbano. No entanto, Beirute assegura que o n\u00famero real supera o milh\u00e3o, o que representaria um quarto da popula\u00e7\u00e3o libanesa.<\/p>\n<p>As mulheres, como as que v\u00e3o ao centro comunit\u00e1rio, s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis. A assistente social Almaza Elchami tenta dar-lhes um pouco de consolo quando as visita. \u201cH\u00e1 algumas semanas come\u00e7ou a chover e as mulheres se puseram a chorar\u201d, contou Elchami. \u201cSe deram conta de que o inverno se aproximava, com frio e chuvas. Seus filhos n\u00e3o t\u00eam o que vestir. Em geral, suas casas n\u00e3o t\u00eam portas nem janelas. A chuva foi uma lembran\u00e7a do que dever\u00e3o enfrentar\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Para mulheres com Asma, m\u00e3e adolescente que fugiu dos bombardeios de Damasco, viver em um acampamento para refugiado significa uma grande press\u00e3o emocional. Seu marido ainda n\u00e3o encontrou trabalho, e ela deve cuidar do filho de um ano. Quarenta fam\u00edlias dividem dois vasos sanit\u00e1rios e dois chuveiros. Os homens imp\u00f5em r\u00edgidas regras de privacidade em meio a esse ambiente ca\u00f3tico. \u201cTemos muitas brigas por causa dessa situa\u00e7\u00e3o. Os homens querem controlar cada lugar que vamos\u201d, contou Asma.<\/p>\n<p>Hillary Margolis, especialista em direitos das mulheres na organiza\u00e7\u00e3o internacional Human Rights Watch, disse que essas condi\u00e7\u00f5es aumentam as probabilidades de as refugiadas sofrerem viol\u00eancia. \u201cH\u00e1 um verdadeiro sentimento de frustra\u00e7\u00e3o e tristeza porque perderam suas vidas e suas casas. N\u00e3o h\u00e1 muitas oportunidades de emprego ou de educa\u00e7\u00e3o, por isso n\u00e3o t\u00eam muito que fazer. Tudo isso ajuda para que haja mais viol\u00eancia\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A pobreza obriga algumas refugiadas a mendigar. Outras oferecem sexo em troca de produtos ou servi\u00e7os. Tudo isso faz com que se espalhe no L\u00edbano o estere\u00f3tipo que vincula as mulheres s\u00edrias com a prostitui\u00e7\u00e3o. Margolis ressaltou que quase todas as mulheres com as quais falou t\u00eam medo de sair de suas casas e serem assediadas \u201cpor seus empregadores, pelos donos de suas terras ou publicamente nas ruas\u201d. Com ela concordou Elchami. \u201cEst\u00e3o sofrendo muito ass\u00e9dio\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Na semana passada, as mulheres do acampamento se reuniram no centro comunit\u00e1rio para discutir como celebrar Eid, mas n\u00e3o encontraram muitas alternativas. \u201cMeus filhos n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola esse Eid, e n\u00e3o temos para onde ir\u201d, lamentou Fatima. \u201cEsses s\u00e3o momentos para estar em casa com a fam\u00edlia. Por isso, para mim, essa data representa uma ferida aberta, e d\u00f3i uma e outra vez\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Sidon, L&iacute;bano, 21\/10\/2013 &ndash; O mundo isl&acirc;mico realizou esta semana uma de suas festividades mais sagradas, a Eid al Adha (Festa do Sacrif&iacute;cio), que inclui grandes reuni&otilde;es familiares, comida abundante e troca de presentes. 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