{"id":16769,"date":"2013-10-21T12:16:39","date_gmt":"2013-10-21T12:16:39","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101023"},"modified":"2013-10-21T12:16:39","modified_gmt":"2013-10-21T12:16:39","slug":"espelho-espelho-quem-e-essa-mulher-na-teve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/espelho-espelho-quem-e-essa-mulher-na-teve\/","title":{"rendered":"Espelho, espelho, quem \u00e9 essa mulher na tev\u00ea?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101024\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/mulher1.jpg\"><img class=\" wp-image-101024 \" alt=\"mulher1 Espelho, espelho, quem \u00e9 essa mulher na tev\u00ea?\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/mulher1.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Espelho, espelho, quem \u00e9 essa mulher na tev\u00ea?\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma jovem mulata vende acaraj\u00e9, comida t\u00edpica baiana, em Salvador, Bahia. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, Brasil, 21\/10\/2013 \u2013 Carla Vilas Boas \u00e9 mulata, com ra\u00edzes africanas, ind\u00edgenas e europeias, como a maioria da popula\u00e7\u00e3o do Brasil. Mas dedica muito tempo a alisar seu cabelo, for\u00e7ada a olhar-se no espelho da televis\u00e3o, onde as loiras de olhos claros s\u00e3o o modelo da mulher brasileira. Carla, trabalhadora dom\u00e9stica de 32 anos, reconhece que as populares telenovelas est\u00e3o come\u00e7ando a apresentar alguns personagens como ela, que trabalham muitas horas por dia e vivem em favelas. Ainda assim, sente que isso n\u00e3o \u00e9 o que ela v\u00ea em seu espelho diariamente.<\/p>\n<p>Na publicidade \u201cs\u00e3o umas poucas morenas entre muitas loiras de olhos azuis. E alguma pode se perguntar: ser\u00e1 que se comprar o mesmo xampu teria cabelo igual?\u201d, disse Carla \u00e0 IPS. Contudo, nem com o novo xampu nem indo ao cabeleireiro \u201cfica igual\u201d, e Carla concorda que isso a faz \u201csentir-se mal\u201d. Mais da metade das mulheres desse pa\u00eds n\u00e3o se identifica com a imagem que lhes devolve o suposto espelho da televis\u00e3o. E assim, por preconceitos que prevalecem sobre a vis\u00e3o comercial, as empresas anunciantes perdem um importante setor de consumidoras.<\/p>\n<p>As opini\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o feminina foram sistematizadas em um estudo do instituto de pesquisa Data Popular e do feminista Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o (IPG), para o qual foram ouvidos 1.501 mulheres e homens maiores de 18 anos em cem munic\u00edpios de todas as regi\u00f5es desse pa\u00eds com quase 200 milh\u00f5es de habitantes. O informe <i>Representa\u00e7\u00f5es das Mulheres na Publicidade de TV<\/i> revelou que 56% das pessoas entrevistadas consideram que os an\u00fancios n\u00e3o mostram as brasileiras reais. Para 65%, o modelo de beleza da publicidade na televis\u00e3o est\u00e1 muito longe da realidade das brasileiras, e 60% consideram que as mulheres se frustram quando n\u00e3o se veem refletidas.<\/p>\n<p>A maioria dessas pe\u00e7as publicit\u00e1rias segue o prot\u00f3tipo europeu de mulheres \u201cjovens, brancas, magras, loiras, com cabelo liso e de classe alta\u201d, afirma a pesquisa. Aos 17 anos, Karina Lopes se sente insegura como mulher. Seu corpo est\u00e1 mudando, mas n\u00e3o para as formas que se v\u00ea na publicidade que lhe oferece roupa, maquiagem e iogurtes diet\u00e9ticos. \u201cPor mais que coma esse iogurte todos os dias, nunca serei magra com essa mulher que o vende. Uma mulher pode se sentir mal porque essa imagem \u00e9 muito diferente da real. As mulheres normais n\u00e3o est\u00e3o na televis\u00e3o\u201d, afirmou a adolescente \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para Mara Vidal, vice-diretora do IPG, \u201csomos uma pluralidade de diferentes tonalidades e formas. N\u00e3o somos estere\u00f3tipos. \u00c9 o que est\u00e1 dizendo a popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 coisa de organiza\u00e7\u00f5es feministas nem de estudos acad\u00eamicos\u201d. Mara tamb\u00e9m sofreu no passado. Mulata e de cabelo ruivo, quando menina n\u00e3o queria ir \u00e0 escola porque a chamavam de \u201cnegra cabelo de escova\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cS\u00f3 comecei a gostar do meu cabelo na universidade, e deixei de alis\u00e1-lo. Minha gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha a consci\u00eancia de hoje. A imagem de \u2018boa apar\u00eancia\u2019 n\u00e3o correspondia \u00e0 de nosso cabelo e cor\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>No estudo, 51% dos entrevistados disseram que gostariam de ver mais mulheres negras na publicidade, e 64% mais mulheres de classes populares. A televis\u00e3o brasileira e suas telenovelas foram aos poucos superando esses preconceitos, e hoje seus personagens negros ou mulatos est\u00e3o menos limitados aos tradicionais pap\u00e9is discriminat\u00f3rios de empregada dom\u00e9stica, motorista da fam\u00edlia ou bandido. Algumas, inclusive, tiveram negras e mulatas como protagonistas.<\/p>\n<p>Entretanto, a publicidade, a menos que esteja dirigida especificamente a esse grupo \u00e9tnico, ainda n\u00e3o representa a popula\u00e7\u00e3o negra. \u201cEm uma propaganda de margarina n\u00e3o vemos mulheres negras ou fam\u00edlias negras felizes. J\u00e1 no setor de cosm\u00e9ticos come\u00e7a a haver uma rea\u00e7\u00e3o\u201d, observou Mara. Por exemplo, aparecem produtos concebidos para as caracter\u00edsticas da pele das mulheres mesti\u00e7as e linhas especiais de xampu para \u201ccabelos ondulados\u201d ou \u201cescuros\u201d.<\/p>\n<p>A publicidade do governo e de empresas estatais incorpora cada vez mais a imagem \u201cpoliticamente correta\u201d da diversidade \u00e9tnica nacional. Por\u00e9m, \u201cn\u00e3o h\u00e1 ainda o volume desejado. O Brasil, por sua tradi\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o dos negros, ainda n\u00e3o se atreve a mostrar plenamente essa realidade\u201d, opinou Mara. Renato Meirelles, diretor do Data Popular, afirma que essa exclus\u00e3o se volta contra os pr\u00f3prios anunciantes. Segundo a consultoria, as mulheres no Brasil representam uma massa de renda de US$ 500 bilh\u00f5es por ano e determinam 85% do consumo das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de um \u201cnicho\u201d, mas do \u201cprincipal mercado consumidor\u201d ao qual os publicit\u00e1rios \u201cn\u00e3o sabem como se dirigir\u201d, disse Renato \u00e0 IPS. Essa ideia de que \u201ca aspira\u00e7\u00e3o da mulher brasileira \u00e9 ser como a europeia\u201d \u00e9 velha, afirmou, acrescentando que \u201cagora h\u00e1 um orgulho por essa nova identidade\u201d. As leis contra o racismo adotadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas e a ascens\u00e3o de 30 milh\u00f5es de pobres aos setores m\u00e9dios s\u00e3o alguns dos fatores que incidem nesta nova autoestima.<\/p>\n<p>Segundo Renato, \u201co grande problema dos anunciantes e das ag\u00eancias de publicidade \u00e9 que pertencem \u00e0 elite e que decidem com uma l\u00f3gica de elite. Por isso acabam n\u00e3o entendendo que surgiu um novo mercado consumidor\u201d. \u201cO medo que t\u00eam \u00e9 que a mulher branca n\u00e3o compre se a mo\u00e7a da publicidade for negra. Poucos se preocupam que a mulher negra n\u00e3o compre porque a modelo do an\u00fancio \u00e9 branca\u201d, afirmou. Para ele, \u201cos velhos fatores de aspira\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o substitu\u00eddos por outros \u201cde inspira\u00e7\u00e3o\u201d, nos quais os modelos s\u00e3o mulheres negras de sucesso. \u201cAs empresas deveriam entender esse processo de conquista que vivemos\u201d, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rio de Janeiro, Brasil, 21\/10\/2013 &ndash; Carla Vilas Boas &eacute; mulata, com ra&iacute;zes africanas, ind&iacute;genas e europeias, como a maioria da popula&ccedil;&atilde;o do Brasil. 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