{"id":16770,"date":"2013-10-21T12:12:28","date_gmt":"2013-10-21T12:12:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101020"},"modified":"2013-10-21T12:12:28","modified_gmt":"2013-10-21T12:12:28","slug":"terramerica-especie-em-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/terramerica-especie-em-extincao\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 Jornalismo Cient\u00edfico: esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101021\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/LagoMichigan.jpg\"><img class=\" wp-image-101021 \" alt=\"LagoMichigan TERRAM\u00c9RICA   Jornalismo Cient\u00edfico: esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/LagoMichigan.jpg\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Jornalismo Cient\u00edfico: esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cientistas a bordo do navio Lake Guardian se preparam para retirar amostras da \u00e1gua do Lago Michigan. Foto: Adrianne Appel\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>As novas iniciativas de informa\u00e7\u00e3o ambiental, muitas sem fins lucrativos, n\u00e3o bastam para preencher a lacuna que deixa o desmantelamento do jornalismo cient\u00edfico nos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais dos Estados Unidos.<\/em><\/p>\n<p>Chattanooga, Estados Unidos, 21 de outubro de 2013 (Terram\u00e9rica).- As not\u00edcias do jornalismo ambiental nos Estados Unidos s\u00e3o deprimentes, e os progn\u00f3sticos piores ainda. Em 1989, havia 85 se\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia nos jornais norte-americanos. Em 2012, sobreviviam apenas 19. O jornal The New York Times anunciou, no dia 1\u00ba de mar\u00e7o, que punha fim ao seu Green Blog, com informa\u00e7\u00e3o e not\u00edcias ambientais e de energia. Antes j\u00e1 havia desmantelado, em janeiro, sua equipe de meio ambiente, que tinha tr\u00eas anos de vida.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m este ano, a Universidade Johns Hopkins retirou seu programa de reda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, com tr\u00eas d\u00e9cadas de atividade, seguindo os passos da Universidade de Col\u00fambia, que em 2009 encerrou seu programa de jornalismo sobre ci\u00eancias da terra e meio ambiente, pelo escasso interesse que despertava. A extin\u00e7\u00e3o do jornalismo cient\u00edfico \u00e9 uma trag\u00e9dia em pleno desenvolvimento, afirmam jornalistas especializados dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em um tempo em que a conversa\u00e7\u00e3o p\u00fablica deveria girar em torno de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, energia, recursos naturais e desenvolvimento sustent\u00e1vel, o espa\u00e7o que os meios de comunica\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds dedicam \u00e0 reportagem ambiental diminui cada vez mais. O primeiro volume do Quinto Informe de Avalia\u00e7\u00e3o do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica afirma que agora j\u00e1 s\u00e3o esmagadoras as evid\u00eancias de que a esp\u00e9cie humana \u00e9 o fator principal do aquecimento global.<\/p>\n<p>Entretanto, \u201cna medida em que o jornalismo ambiental diminui, abre-se uma brecha de conhecimento\u201d, apontou ao Terram\u00e9rica o jornalista Samuel Fromartz, editor-chefe do Food &amp; Environment Reporting Network, um meio de comunica\u00e7\u00e3o na Internet sem fins lucrativos. \u201cO p\u00fablico aprende menos sobre problemas ambientais e seus efeitos na sa\u00fade, podendo ser presa f\u00e1cil de afirma\u00e7\u00f5es infundadas e sem base cient\u00edfica que frequentemente se v\u00ea na internet\u201d, acrescentou o jornalista, em um aparte da 23\u00aa confer\u00eancia anual da Sociedade de Jornalistas Ambientais (SEJ), realizada de 2 a 6 deste m\u00eas em Chattanooga, Tennessee, centro-leste dos Estados Unidos. \u201cSem jornalistas para revelar not\u00edcias e falar com fontes autorizadas, quem perde \u00e9 o p\u00fablico\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Scott Dodd, editor de On Earth.org, publica\u00e7\u00e3o na internet do Conselho para a Defesa dos Recursos Naturais, considera que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 \u201ca not\u00edcia mais urgente de nossa era\u201d. Mas os problemas ambientais s\u00e3o \u201csistematicamente ignorados\u201d, disse ao Terram\u00e9rica. O meio ambiente deve ocupar, mais ou menos, 25% dos temas que um rep\u00f3rter deve cobrir\u201d, sugeriu Dodd. \u201cPedem a eles que cubram prefeitura, pol\u00edcia, comiss\u00e3o de planejamento e, entre uma coisa e outra, consigam alguma not\u00edcia ambiental\u201d, observou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Dodd acrescentou que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a energia \u201ctendem a ser complexas, se desenvolvem em longos per\u00edodos e exigem um grau de conhecimento que talvez n\u00e3o tenha o rep\u00f3rter comum\u201d, com o qual ele se identifica. \u201cNa informa\u00e7\u00e3o de longo prazo, como mudan\u00e7a clim\u00e1tica, na qual as not\u00edcias de hoje n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes das apresentadas na semana passada, ou no ano passado, \u00e9 dif\u00edcil sem conhecimento encontrar um \u00e2ngulo novo e convencer o editor de que deve ser o tema da manchete\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>Os membros da SEJ, fundada em 1990 por um pequeno grupo de rep\u00f3rteres e editores, \u00e9 muito eloquente sobre esta redu\u00e7\u00e3o. De seus atuais 1.300 associados, a vasta maioria \u00e9 de <i>freelancer<\/i> (sem v\u00ednculo empregat\u00edcio), muitos deles \u00e0 for\u00e7a, explicou a diretora-executiva da organiza\u00e7\u00e3o, Beth Parke. Para ser justo, embora o jornalismo ambiental puro tenha diminu\u00eddo, ainda se pode apreciar algo de \u201cfertiliza\u00e7\u00e3o cruzada\u201d com outros temas da agenda noticiosa. \u201cEm geral, os editores entendem que n\u00e3o podem cobrir sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o, bens de raiz, transporte, pol\u00edtica, energia e consumo sem incluir, de um modo ou de outro, quest\u00f5es ambientais\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Enquanto o jornalismo ambiental vai acabando nos Estados Unidos, o mesmo n\u00e3o acontece do outro lado do Atl\u00e2ntico, disse Adam Vaughan, editor do site de meio ambiente do jornal <i>The Guardian<\/i>. Esse ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o ainda tem quatro rep\u00f3rteres, dois editores, dois subeditores e um editor de fotografia dedicados a esse tema. Este ano, pela primeira vez, o jornal contratou um correspondente ambiental na Austr\u00e1lia. Outro jornal brit\u00e2nico, <i>The Times<\/i>, transferiu h\u00e1 pouco tempo um de seus melhores jornalistas, Ben Webster, para a se\u00e7\u00e3o ambiental, afirmou Vaughan.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por que o jornalismo ambiental perdeu sua gl\u00f3ria nos Estados Unidos?<\/p>\n<p>Segundo Parke, \u201cos esc\u00e2ndalos, as celebridades e os esportes, praticamente tudo que n\u00e3o seja reportagem investigativa e rigorosa, \u00e9 favorecido como oposto a um jornalismo de explica\u00e7\u00e3o e de servi\u00e7o p\u00fablico\u201d. Os meios comerciais est\u00e3o \u201csob dura press\u00e3o\u201d para cobrir temas que elevem suas vendas, audi\u00eancias e leitores online, destacou. Contudo, nem tudo est\u00e1 perdido. Esse tremor fez aflorar o crescente jornalismo sem fins lucrativos.<\/p>\n<p>\u201cVejo que surgem mais sites online especializados, com o InsideClimate, que h\u00e1 pouco ganhou um pr\u00eamio Pulitzer, e o Climate Central\u201d, indicou Vaughan. \u201cH\u00e1 um fen\u00f4meno em alta, as iniciativas financiadas por filantropos (como Carbon Brief, China Dialogue e The Energy Desk), bem como not\u00edcias de interesse p\u00fablico e distribui\u00e7\u00e3o gratuita, produzidas por jornalistas veteranos sob o guarda-chuva da Climate News Network, que est\u00e3o fazendo parte da melhor reportagem sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>\u201cVeja os temas premiados\u201d, apontou Parke. \u201cS\u00e3o not\u00edcias sobre vazamento de petr\u00f3leo, a sa\u00fade dos oceanos, alimentos contaminados, mudan\u00e7a clim\u00e1tica. H\u00e1 um grande n\u00famero de trabalhos excelentes fora da estrutura dos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais\u201d, acrescentou. No entanto, nesse universo tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7o para os equ\u00edvocos. \u201cVejo blogs e revistas de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que s\u00e3o como uma extens\u00e3o de seu trabalho de promo\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o o que deveria ser reconhecido como jornalismo profissional e independente. \u00c9 uma texto com agenda, por mais imparcial que pretenda ser\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>De outra perspectiva, Dodd se preocupa com que \u201cpouqu\u00edssimas pessoas vejam as not\u00edcias relevantes que esses novos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o produzindo\u201d, porque seu alcance \u00e9 pequeno, de nicho, sem os recursos nem a audi\u00eancia que alguma vez dominaram os jornais nacionais ou os programas noturnos das redes de televis\u00e3o. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LINKS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ips\/inter-press-service-reportagens\/brasil-contramao\/\" >O Brasil na contram\u00e3o<\/a><\/p>\n<p><a style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\" href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/ipcc-sustenta-aquecimento-global-inequivoco\/\" >IPCC sustenta que aquecimento global \u00e9 inequ\u00edvoco<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As novas iniciativas de informa&ccedil;&atilde;o ambiental, muitas sem fins lucrativos, n&atilde;o bastam para preencher a lacuna que deixa o desmantelamento do jornalismo cient&iacute;fico nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o tradicionais dos Estados Unidos. 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