{"id":16771,"date":"2013-10-21T13:10:44","date_gmt":"2013-10-21T13:10:44","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101014"},"modified":"2013-10-21T13:10:44","modified_gmt":"2013-10-21T13:10:44","slug":"terramerica-lixo-a-caminho-da-privatizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/terramerica-lixo-a-caminho-da-privatizacao\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 Lixo a caminho da privatiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101015\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/CubaCooperativaReciclagem.jpg\"><img class=\" wp-image-101015 \" alt=\"CubaCooperativaReciclagem TERRAM\u00c9RICA   Lixo a caminho da privatiza\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/CubaCooperativaReciclagem.jpg\" width=\"340\" height=\"227\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   Lixo a caminho da privatiza\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um homem descarrega latas vazias de refrigerante na cooperativa San Jos\u00e9 de las Lajas, na prov\u00edncia de Mayabeque. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p><em>O eterno of\u00edcio de encontrar no lixo algo que sirva para ganhar alguns pesos adquire em Cuba uma nova dimens\u00e3o para aut\u00f4nomos e cooperativas.<\/em><\/p>\n<p>Havana, Cuba, 21 de outubro de 2013 (Terram\u00e9rica) \u2013 A iniciativa privada na Cuba socialista e de economia centralizada est\u00e1 encontrado um lugar em um setor impensado: coleta e reciclagem de lixo. Para muitos \u00e9 um meio de subsist\u00eancia, outros encontraram uma mina de ouro. Para Pitusa, os dejetos dos habitantes de Havana s\u00e3o fonte inesgot\u00e1vel de recursos \u00fateis. \u201cN\u00e3o desperdi\u00e7o nada, recolho, seleciono, limpo e guardo para quando me faltar algo\u201d, disse esse homem que recomp\u00f5e uma janela e fabrica um m\u00f3vel \u201cmultifuncional\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTenho 43, anos e desde os 19 trabalho na reciclagem\u201d, disse ao Terram\u00e9rica, pedindo para ser identificado como Pitusa, porque n\u00e3o tem licen\u00e7a de aut\u00f4nomo. \u201cFa\u00e7o tantas coisas que n\u00e3o saberia como me registrar e pagar impostos\u201d, justificou. No lixo h\u00e1 m\u00f3veis quebrados, garrafas, vidros, tubos pl\u00e1sticos ou de ferro, carretilha de pesca, cadeiras, portas ou janelas velhas. \u201cNada \u00e9 irrevers\u00edvel, embora fazer um m\u00f3vel novo de um tareco (utens\u00edlio em desuso de pouco valor) n\u00e3o seja f\u00e1cil. Para mim \u00e9 algo art\u00edstico dar um uso a alguma coisa que foi abandonada e ningu\u00e9m se importa\u201d, afirmou com certo orgulho.<\/p>\n<p>Pituza \u00e9 um \u201cbuzo\u201d, nome local do eterno of\u00edcio de encontrar no lixo algo que sirva para ganhar alguns pesos. \u201cNeste momento, h\u00e1 5.800 coletores com licen\u00e7a de aut\u00f4nomos, mas sabemos que s\u00e3o muitos mais os que n\u00e3o se registraram\u201d, informou Marilyn Ramos, vice-diretora geral da Uni\u00e3o de Empresas de Recupera\u00e7\u00e3o e mat\u00e9rias-primas, a entidade estatal que cuida da reciclagem do lixo. Odilia Ferro se dedica \u201clegalmente\u201d a recolher e vender lixo recicl\u00e1vel h\u00e1 cerca de dez anos, em San Jos\u00e9 de las Lajas, capital de Mayabeque, prov\u00edncia vizinha a Havana.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes vou \u00e0 rua buscar eu mesma, mas, como as pessoas sabem que trabalho nisso, v\u00eam \u00e0 minha casa para vender\u201d, contou Ferro ao Terram\u00e9rica. Ela compra alum\u00ednio, bronze, a\u00e7o, pl\u00e1stico e garrafas de rum e cerveja. At\u00e9 julho vendia esse material para a empresa estatal de recupera\u00e7\u00e3o de Mayabeque, ent\u00e3o convertida em cooperativa de nove integrantes, quatro delas mulheres. \u201cO bom \u00e9 que agora sempre h\u00e1 dinheiro para comprar o que trazem, e \u00e0 vista\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Nesse pa\u00eds de regime socialista, as cooperativas estiveram restritas por muitos anos \u00e0 agropecu\u00e1ria. Em meados do ano, o governo de Ra\u00fal Castro lhes abriu outros espa\u00e7os como parte das reformas para criar um \u201csocialismo pr\u00f3spero e sustent\u00e1vel\u201d. Nas primeiras 124 criadas, h\u00e1 duas dedicadas a recuperar lixo. A inten\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 que cada um dos 168 munic\u00edpios cubanos tenha uma cooperativa de recupera\u00e7\u00e3o de dejetos.<\/p>\n<p>Ramos admite que a empresa estatal n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de chegar \u00e0 porta de cada casa que gera esse lixo. Isso fica para o incipiente setor privado, enquanto ao Estado s\u00e3o reservadas as grandes fontes de lixo recuper\u00e1vel, declarou em entrevista ao Terram\u00e9rica. Superando os preconceitos, a contadora Eida P\u00e9rez, de 39 anos, encontrou um fil\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o de lixo. A cooperativa que dirige conseguiu em dois meses lucro equivalente a US$ 14.750. Em Cuba o sal\u00e1rio m\u00e9dio gira em torno dos US$ 19. \u201cH\u00e1 tr\u00eas anos n\u00e3o imagin\u00e1vamos que isso poderia acontecer\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Dessa forma, P\u00e9rez se encaminha para a autonomia trabalhista, superando medos e conceitos de um passado recente, no qual s\u00f3 se fazia o que era orientado \u201cde acima\u201d. \u201cAumentamos os produtos recuperados. Agora nos consideramos mais eficientes e em vantagem com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas estatais, porque n\u00e3o estou de m\u00e3os amarradas. Operamos com dinheiro, podemos pagar mais se o servi\u00e7o merecer, arrendar nossos caminh\u00f5es e contratar os servi\u00e7os de aut\u00f4nomos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cDe todos os produtos que compramos retiramos 50%\u201d de diferen\u00e7a, contou P\u00e9rez. Suas s\u00f3cias e seus s\u00f3cios, que a elegeram presidente, esperam chegar ao final do ano com uma boa margem de lucro. Nesses dois meses, j\u00e1 ter\u00e3o pago o empr\u00e9stimo inicial, sem juros, equivalente a US$ 5.400. No come\u00e7o, a maioria dessas novas cooperativas foi criada por iniciativa estatal, entregando aos empregados a opera\u00e7\u00e3o de uma atividade que o Estafo fazia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um mau come\u00e7o, porque um princ\u00edpio b\u00e1sico dessas formas de gest\u00e3o empresarial \u00e9 a vontade individual\u201d, observou ao Terram\u00e9rica um economista que pediu para n\u00e3o ser identificado. Contudo, para Ramos, \u201co benef\u00edcio \u00e9 duplo. Aumentamos a recupera\u00e7\u00e3o de lixo recicl\u00e1vel e evitamos que sigam para o lix\u00e3o, ou seja, que tamb\u00e9m haja um impacto ambiental\u201d. Nesse pa\u00eds funcionam 986 lix\u00f5es que, em 2012, receberam pouco mais de 5,33 milh\u00f5es de toneladas de lixo, segundo o Escrit\u00f3rio Nacional de Estat\u00edstica e Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado, foram recuperadas aproximadamente 420 mil toneladas de lixo: a\u00e7o, ferro fundido, chumbo, bronze, alum\u00ednio, papel, papel\u00e3o, pl\u00e1sticos, t\u00eaxteis, lixo eletr\u00f4nico e vasilhames de vidro. Esses produtos foram exportados ou vendidos para ind\u00fastrias nacionais: sider\u00fargicas, f\u00e1brica de cabos e empresas de papel e papel\u00e3o. Se essas ind\u00fastrias tivessem que importar esses insumos, o pa\u00eds teria pago US$ 120 milh\u00f5es, segundo Ramos. \u201cQueremos industrializar cada vez mais esse trabalho e aumentar o valor agregado dos produtos reciclados\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o estatal que dirige a reciclagem quer propiciar cooperativas provinciais que cuidam de processar ,\u201cainda que de forma simples\u201d, o lixo que obtiver. Hoje funcionam apenas duas unidades separadoras de lixo. O ideal, admite Ramos, seria que as fam\u00edlias classificassem o lixo. Mas esse sonho, que exige fortes investimentos, est\u00e1 longe para Cuba. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LINKS<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2011\/11\/cooperativas-cuba-opciones-en-espera-de-una-ley\/\" >Cooperativas-Cuba: Op\u00e7\u00f5es \u00e0 espera de uma lei, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2011\/09\/cuba-raul-castro-defiende-ritmo-de-reformas\/\" >Ra\u00fal Castro defende ritmo das reformas, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2011\/04\/cuba-raul-castro-apuntala-cambios-dentro-del-socialismo\/\" >Ra\u00fal Castro destaca mudan\u00e7as dentro do socialismo<\/a><\/p>\n<p><a style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\" href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2011\/06\/politica-cuba-reformas-a-contrarreloj\/\" >Reformas contra o rel\u00f3gio, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O eterno of&iacute;cio de encontrar no lixo algo que sirva para ganhar alguns pesos adquire em Cuba uma nova dimens&atilde;o para aut&ocirc;nomos e cooperativas. 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