{"id":16772,"date":"2013-10-21T13:28:10","date_gmt":"2013-10-21T13:28:10","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101032"},"modified":"2013-10-21T13:28:10","modified_gmt":"2013-10-21T13:28:10","slug":"o-longo-e-tortuoso-adeus-aos-desaparecidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/o-longo-e-tortuoso-adeus-aos-desaparecidos\/","title":{"rendered":"O longo e tortuoso adeus aos desaparecidos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101034\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/srilanka640.jpg\"><img class=\" wp-image-101034 \" alt=\"srilanka640 O longo e tortuoso adeus aos desaparecidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/srilanka640.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"O longo e tortuoso adeus aos desaparecidos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Adhri Rajbanshi, de 70 anos, vive no distrito nepal\u00eas de Jhapa e busca seu filho desaparecido desde 2003. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Colombo, Sri Lanka e Katmandu, Nepal, 21\/10\/2013 \u2013 Alguns o chamam de \u201cluto congelado\u201d. \u00c9 o ponto em que para as fam\u00edlias \u00e9 imposs\u00edvel elaborar a perda, mesmo anos depois do desaparecimento de seus entes queridos. \u201cAs fam\u00edlias dos desaparecidos entram em uma vis\u00e3o de t\u00fanel\u201d, afirmou Bhava Poudyal, delegado de sa\u00fade mental no Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha no Azerbaij\u00e3o. Ele se refere a milhares de fam\u00edlias que ainda procuram seus entes queridos desaparecidos em seu Nepal natal, ou no Sri Lanka, Azerbaij\u00e3o e em dezenas de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cSuas vidas est\u00e3o dominadas pela aus\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 liberta\u00e7\u00e3o. Vivem com a ambival\u00eancia da esperan\u00e7a e o desespero dia ap\u00f3s dia\u201d, explicou Poudyal \u00e0 IPS. Isso soa familiar para Santhikumar, mec\u00e2nico de bicicleta de aproximadamente 40 anos, que vive em Oddusudan, na Prov\u00edncia do Norte de Sri Lanka. Seu cunhado desapareceu em abril de 2009, nas fases finais da guerra que as for\u00e7as armadas travaram contra os rebeldes Tigres para a Liberta\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria Tamil.<\/p>\n<p>Santhikumar ajuda sua irm\u00e3 e suas duas sobrinhas a chegaram ao fim do m\u00eas, enquanto continua procurando seu cunhado, que tamb\u00e9m era o sustento econ\u00f4mico da fam\u00edlia. Visitou cada centro de deten\u00e7\u00e3o policial no norte e em \u00e1reas pr\u00f3ximas, sem \u00eaxito. \u201cAs pessoas chegam e nos dizem que o viram tal dia em tal lugar. E vamos procur\u00e1-lo, mas n\u00e3o encontramos nada concreto\u201d, contou. A fam\u00edlia se acostumou \u00e0 busca sem fim, disse Santhikumar.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 dias bons e dias maus. Em geral, estamos bem, mas alguns dias minha irm\u00e3 simplesmente fica com o olhar perdido durante horas, e outras vezes suas filhas explodem em choro. Os anivers\u00e1rios s\u00e3o as datas mais dif\u00edceis; as meninas t\u00eam muitas lembran\u00e7as do pai\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A cerca de 2.300 quil\u00f4metros dali, Rena Mecha compartilha o mesmo desespero na aldeia de Jalthal, distrito de Jhapa, no leste do Nepal. Com 36 anos, m\u00e3e de um rapaz de 16 e uma garota de 14, busca seu marido, desaparecido durante o Movimento pela Democracia de 2006, como \u00e9 conhecido o per\u00edodo de protestos contra o regime do rei Gyanendra. \u201cQuando desapareceu, perdi tudo. Nada pode devolver essa vida\u201d, lamentou Rena \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Registros da Cruz Vermelha mostram que no Nepal houve cerca de 1.400 desaparecidos desde o acordo de paz de 2006. Nas \u00e1reas rurais, as esposas se negam a ser chamadas de \u201cvi\u00favas\u201d, porque isso significaria toda uma nova s\u00e9rie de complica\u00e7\u00f5es sociais, como ter que se vestir de branco e que os demais as considerem uma \u201cpresen\u00e7a ruim\u201d. No sul do Sri Lanka as comunidades tamb\u00e9m isolam as mulheres que aceitam que seus maridos desaparecidos estejam mortos, acusando-as de tra\u00ed-los, explicou Ananda Galappatti, m\u00e9dico antrop\u00f3logo que trabalha com fam\u00edlias afetadas por essas trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>No Azerbaij\u00e3o, afirma Poudyal, muitas fam\u00edlias continuam colocando um prato na mesa para o ausente, inclusive muito depois de seu desaparecimento. Durante o conflito de Nagorno-Karabaj, entre as rep\u00fablicas do Azerbaij\u00e3o e da Arm\u00eania, e ap\u00f3s o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em 1991, desapareceram cerca de 4.600 pessoas. O que torna \u201cmuito dif\u00edcil, ou mesmo imposs\u00edvel\u201d elaborar o luto \u201c\u00e9 o constante estado de espera\u201d, observou \u00e0 IPS o delegado da Cruz Vermelha no Sri Lanka, Zurab Burduli.<\/p>\n<p>Galppatti explicou que os familiares experimentam uma crise de identidade que pode exacerbar-se pelo entorno social. \u201cSou casada ou vi\u00fava? Sou um filho sem pai? Sou pai de uma filha morta? Planejar o futuro se torna extremamente dif\u00edcil nessa situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>No Sri Lanka, o n\u00famero de desaparecidos \u00e9 motivo de pol\u00eamica. Um grupo de trabalho presidencial criado para investigar a insurrei\u00e7\u00e3o que a organiza\u00e7\u00e3o marxista Janata Vimukhti Peramuna iniciou no sul do pa\u00eds no final da d\u00e9cada de 1980, registrou pelo menos 30 mil desaparecimentos em 1995. A Cruz Vermelha tem em suas m\u00e3os 16.090 casos de desaparecidos no Sri Lanka desde 1990.<\/p>\n<p>Segundo Burduli, o primeiro passo para ajudar essas fam\u00edlias \u00e9 reconhecer sua complexa situa\u00e7\u00e3o e organizar planos de assist\u00eancia especiais. \u201cA experi\u00eancia da Cruz Vermelha em todo o mundo mostra que, devido \u00e0 complexidade das necessidades e de sua natureza multifacet\u00e1ria, os mecanismos de coordena\u00e7\u00e3o nacional est\u00e3o melhor adaptados para abord\u00e1-las\u201d, destacou.<\/p>\n<p>No Nepal, as fam\u00edlias admitem que, desde que foi lan\u00e7ado o programa de busca nacional, ap\u00f3s o acordo de paz de 2006, sua situa\u00e7\u00e3o melhorou um pouco. \u201cEu era a \u00fanica da minha aldeia com algu\u00e9m desaparecido. Me sentia t\u00e3o sozinha&#8230; Agora pelo menos h\u00e1 pessoas que entendem minha situa\u00e7\u00e3o\u201d, disse Mecha. Organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil d\u00e3o apoio psicossocial a fam\u00edlias do Nepal, mas esse servi\u00e7o ainda n\u00e3o est\u00e1 consolidado no Sri Lanka.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imperativo que qualquer processo p\u00fablico inclua tamb\u00e9m o acompanhamento psicossocial, com profissionais sens\u00edveis e qualificados que estejam perto das fam\u00edlias, enquanto se preparam ou passam por essas experi\u00eancias\u201d, ressaltou Galappatti. Ao mesmo tempo, funcion\u00e1rios da Cruz Vermelha do Nepal que trabalham na busca de pessoas, alertam que tratar com as fam\u00edlias leva tempo. \u201cTodos buscam respostas o tempo todo. O estado de perda amb\u00edgua \u00e9 uma tortura\u201d, enfatizou Shubadhra Devkota, dessa organiza\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Colombo, Sri Lanka e Katmandu, Nepal, 21\/10\/2013 &ndash; Alguns o chamam de &ldquo;luto congelado&rdquo;. &Eacute; o ponto em que para as fam&iacute;lias &eacute; imposs&iacute;vel elaborar a perda, mesmo anos depois do desaparecimento de seus entes queridos. &ldquo;As fam&iacute;lias dos desaparecidos entram em uma vis&atilde;o de t&uacute;nel&rdquo;, afirmou Bhava Poudyal, delegado de sa&uacute;de mental no [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/o-longo-e-tortuoso-adeus-aos-desaparecidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[989,3178],"class_list":["post-16772","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16772"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16772\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}