{"id":16779,"date":"2013-10-23T12:05:53","date_gmt":"2013-10-23T12:05:53","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101210"},"modified":"2013-10-23T12:05:53","modified_gmt":"2013-10-23T12:05:53","slug":"guerra-entre-vacas-ovelhas-e-cultivos-na-tanzania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/guerra-entre-vacas-ovelhas-e-cultivos-na-tanzania\/","title":{"rendered":"Guerra entre vacas, ovelhas e cultivos na Tanz\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101211\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/1018-Tanzania640.jpg\"><img class=\" wp-image-101211 \" alt=\"1018 Tanzania640 Guerra entre vacas, ovelhas e cultivos na Tanz\u00e2nia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/1018-Tanzania640.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Guerra entre vacas, ovelhas e cultivos na Tanz\u00e2nia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Da esquerda para a direita: Jumanne Kikumbi, chefe da aldeia Langoni, Hamza Sakiki, funcion\u00e1rio do Conselho da \u00c1gua da Bacia do Pangani, e Joseph Mwaimu afundam os p\u00e9s no barro do leito do rio. Foto: Kizito Makoye\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pangani, Tanz\u00e2nia, 23\/10\/2013 \u2013 Os enfrentamentos entre agricultores e pecuaristas pela \u00e1gua minguante da bacia do rio Pangani, nordeste da Tanz\u00e2nia, s\u00e3o cada vez mais frequentes. Na \u00faltima d\u00e9cada, comunidades de pastores massai das \u00e1reas de Moshi e Arusha, no norte, se assentaram na bacia em busca de \u00e1gua e pastagem para suas dezenas de milhares de cabe\u00e7as de gado. Segundo Hafsa Mtasiwa, comiss\u00e1ria do distrito de Pangani, os territ\u00f3rios tradicionais dos massais est\u00e3o esgotados pelo excessivo pastoreio e uso dos recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tr\u00eas anos se mudaram para a bacia 2.987 pastores, com 87.132 vacas e 98.341 cabras, destruindo terras cultiv\u00e1veis, contou Mtasiwa \u00e0 IPS. Embora o governo desse pa\u00eds do leste africano tente controlar a aflu\u00eancia de popula\u00e7\u00e3o \u00e0 bacia, falta coordena\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre as autoridades regionais para consegui-lo. \u201c\u00c9 um assunto muito complexo, cuja solu\u00e7\u00e3o exige consenso geral entre os grupos em luta. N\u00e3o se pode simplesmente afugentar os criadores de gado. Devemos educ\u00e1-los sobre a necessidade de respeitar os direitos dos demais\u201d, disse Mtasiwa.<\/p>\n<p>A bacia do rio Pangani, de 44 mil quil\u00f4metros quadrados, j\u00e1 \u00e9 exigida ao m\u00e1ximo, pois suas \u00e1guas e seus ecossistemas s\u00e3o objeto de cont\u00ednua demanda. Segundo a Iniciativa da \u00c1gua e da Natureza, da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, a bacia tem 3,4 milh\u00f5es de habitantes, e \u201c80% dependem da pequena agricultura. Os ecossistemas est\u00e3o em decl\u00ednio e, como os recursos aqu\u00e1ticos propiciam at\u00e9 25% da renda das fam\u00edlias em parte da bacia, os mais pobres s\u00e3o os mais afetados pela escassez de \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>Estat\u00edsticas da Ag\u00eancia Meteorol\u00f3gica da Tanz\u00e2nia (TMA) indicam que, nos \u00faltimos dez anos, as precipita\u00e7\u00f5es diminu\u00edram drasticamente em muitas partes da bacia do Pangani. Algumas \u00e1reas, que h\u00e1 uma d\u00e9cada registravam 990 mil\u00edmetros de chuva, agora recebem quase a metade. \u201cOs impactos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica s\u00e3o muito dif\u00edceis de prever, continuam mudando de tempos em tempos. Podem come\u00e7ar com uma seca e depois repentinamente virar para inunda\u00e7\u00f5es. O importante \u00e9 que as pessoas se adaptem\u201d, disse por telefone \u00e0 IPS a diretora-geral da TMA, Agnes Kijazi.<\/p>\n<p>O projeto Clim-A-Net, para desenvolver conhecimentos cient\u00edficos sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, afirma em seu site que \u201cquase 90% do fluxo superficial da bacia do Pangani \u00e9 usado para irriga\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica\u201d. O jovem massai Vincent Ole Saidim, morador de Pangani, disse que \u201cpassamos noites sem dormir apenas para encontrar \u00e1gua. A pouca que conseguimos damos ao gado. Perdemos muitas vacas. A popula\u00e7\u00e3o daqui tamb\u00e9m deveria entender nossa situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os agricultores se queixam porque os animais entram em suas terras e destroem suas planta\u00e7\u00f5es e instala\u00e7\u00f5es de irriga\u00e7\u00e3o. \u201cEsses massais s\u00e3o muito ego\u00edstas, pensam que sempre t\u00eam raz\u00e3o, at\u00e9 quando destroem as vidas de outras pessoas. N\u00e3o os suporto; deveriam voltar para o lugar ao qual pertencem\u201d, protestou \u00e0 IPS o agricultor Mwasiti Isinika.<\/p>\n<p>Outros moradores da regi\u00e3o contam que nos \u00faltimos seis meses aumentaram as tens\u00f5es entre agricultores e criadores, e muitos temem que o conflito se prolongue. O \u00faltimo incidente foi em agosto na aldeia de Makenya, comunidade de 600 habitantes a 19 quil\u00f4metros da cidade de Pangani. A viol\u00eancia come\u00e7ou quando 24 pastores tentaram tomar a fonte central de \u00e1gua da aldeia para dar de beber aos seus animais. Os habitantes, agricultores, conseguiram expuls\u00e1-los, e n\u00e3o houve mortos.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, na aldeia de Mbuguni, a 18 quil\u00f4metros de Pangani, guerreiros massai indignados mataram com fac\u00f5es quatro agricultores que tentavam impedir que uma manada pisoteasse suas planta\u00e7\u00f5es de milho. Omar Kibwana, funcion\u00e1rio do governo local em Mbuguni, disse \u00e0 IPS que o conflito se estendeu porque as autoridades s\u00e3o reticentes em estabelecer limites entre agricultores e pastores. \u201cEssa quest\u00e3o estaria resolvida h\u00e1 muito tempo se tivesse sido feita uma demarca\u00e7\u00e3o clara\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O Conselho da \u00c1gua da Bacia do Pangani assegura estar sabendo desses desafios. O engenheiro Arafa Maggidi, da Autoridade H\u00eddrica da Bacia do Pangani, explicou \u00e0 IPS que, embora a mudan\u00e7a clim\u00e1tica seja o principal motivo do menor fornecimento de \u00e1gua, tamb\u00e9m contribu\u00edram outros fatores, como desmatamento, maior quantidade de animais e expans\u00e3o da agricultura.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se deve exagerar a amea\u00e7a da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a necessidade de se adaptar. Estamos fazendo tudo que podemos para ensinar as pessoas a mudarem seus estilos de vida. Devem entender que destruindo o meio ambiente preparam seu pr\u00f3prio sofrimento\u201d, pontuou Maggidi. \u201cAcreditamos fielmente que um manejo correto dos recursos h\u00eddricos deve integrar todas as demandas ambientais, econ\u00f4micas e sociais\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para o futuro, os cientistas preveem temperaturas mais altas, menos chuvas e, definitivamente, menos \u00e1gua. Para Pius Yanda, professor da Universidade de Dar es Salaam e membro do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica (IPCC), deve-se esperar que a temperatura aumente entre 1,8 e 3,6 graus, que haja precipita\u00e7\u00f5es e maior evapora\u00e7\u00e3o na bacia do rio ainda neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Diante desse futuro incerto, a popula\u00e7\u00e3o local evoca \u00e9pocas melhores, quando o Pangani era caudaloso o ano todo. \u201cO rio perdeu sua antiga gl\u00f3ria. Algumas esp\u00e9cies de peixes tamb\u00e9m desapareceram. \u00c9 vergonhoso\u201d, lamentou \u00e0 IPS Fundi Mhegema, morador do povoado de Buyuni. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Este artigo \u00e9 o primeiro de uma s\u00e9rie de tr\u00eas sobre a bacia do rio Pangani, na Tanz\u00e2nia.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Pangani, Tanz&acirc;nia, 23\/10\/2013 &ndash; Os enfrentamentos entre agricultores e pecuaristas pela &aacute;gua minguante da bacia do rio Pangani, nordeste da Tanz&acirc;nia, s&atilde;o cada vez mais frequentes. 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