{"id":16782,"date":"2013-10-23T12:10:51","date_gmt":"2013-10-23T12:10:51","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101213"},"modified":"2013-10-23T12:10:51","modified_gmt":"2013-10-23T12:10:51","slug":"manguezais-cubanos-gritam-de-sede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/manguezais-cubanos-gritam-de-sede\/","title":{"rendered":"Manguezais cubanos gritam de sede"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101214\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/MG_7298-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-101214 \" alt=\"MG 7298 629x419 Manguezais cubanos gritam de sede\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/MG_7298-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Manguezais cubanos gritam de sede\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mangues moribundos em Cayo Jut\u00eda, prov\u00edncia de P\u00ednar del Rio. Foto: Jorge Luis Ba\u00f1os\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Surgidero de Bataban\u00f3, Cuba, 23\/10\/2013 \u2013 Na d\u00e9cada de 1960 o governo de Cuba considerou que o armazenamento de \u00e1gua doce para enfrentar secas e furac\u00f5es era um assunto de seguran\u00e7a nacional, e come\u00e7ou a represar rios. Essa pol\u00edtica tem hoje uma v\u00edtima impensada: os manguezais, que j\u00e1 n\u00e3o conseguem barrar o avan\u00e7o das ondas. O mar engoliu o velho caminho que ligava as praias de Bataban\u00f3 e Mayabaque, no sudoeste de Cuba. Nos \u00faltimos 50 anos, foram perdidos mais de cem metros de terra. O debilitado mangue, que recebe \u00e1gua doce a conta-gotas, n\u00e3o conseguiu evitar essa perda.<\/p>\n<p>\u201cOs mangues se deterioraram tanto que, em 2008, o furac\u00e3o Ike empurrou o mar um metro e meio costa adentro, que n\u00e3o retrocedeu. Continuou avan\u00e7ando\u201d, disse \u00e0 IPS Flora Yau, moradora de Surgidero de Bataban\u00f3. Esse povoado do munic\u00edpio de Bataban\u00f3, na prov\u00edncia de Mayabeque, cerca 70 quil\u00f4metros ao sul de Havana, est\u00e1 cansado de ser alagado com cada vento que sopra do sul. O mais brutal aqui \u00e9 a perda de terreno pela eros\u00e3o. Em alguns lugares o retrocesso \u00e9 de quase dois metros por ano, e h\u00e1 locais j\u00e1 submersos, como Punta Bujamey.<\/p>\n<p>A debilidade dos mangues se deve, em primeiro lugar, ao fato de n\u00e3o receberem como antes a \u00e1gua doce, represada terra adentro, explicou \u00e0 IPS a pesquisadora e bi\u00f3loga Leda Men\u00e9ndez. \u201cAs represas cortam a circula\u00e7\u00e3o natural da \u00e1gua\u201d. O mangue, que representa 20% das florestas dessa ilha caribenha, precisa da uni\u00e3o e do movimento constante de \u00e1gua doce e salgada para se desenvolver, destacou.<\/p>\n<p>A maioria dos rios cubanos est\u00e1 represada. No total h\u00e1 969 represas, segundo o Instituto Nacional de Recursos H\u00eddricos. Essa vasta armazenagem de \u00e1gua doce se deve a uma pol\u00edtica dos anos 1960, quando o governo considerou que se tratava de um assunto de seguran\u00e7a nacional que permitiria enfrentar secas e furac\u00f5es. \u201cEm alguns locais, se queremos que o mangue prospere \u00e9 preciso lhe dar um pouco de \u00e1gua das represas\u201d, afirmou Men\u00e9ndez.<\/p>\n<p>\u00c9 um passo inquestion\u00e1vel para fortalecer as florestas costeiras, que funcionam como escudo protetor da vida na terra firme diante de desastres naturais e outros fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos vinculados \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, acrescentou a bi\u00f3loga. Al\u00e9m da falta de \u00e1gua doce, esses ecossistemas, que s\u00e3o 4,8% do territ\u00f3rio cubano, est\u00e3o se transformando por causa da constru\u00e7\u00e3o de canais e diques, pelo desmatamento, pelo solo salgado e pela contamina\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>Quatro esp\u00e9cies, o mangue-vermelho (<i>Rhizophora mangle<\/i>), o sere\u00edba (<i>Avicennia germinans<\/i>), o mangue-branco (<i>Laguncularia racemosa<\/i>) e o pseudomangue yana (<i>Conocarpus erectus<\/i>) s\u00e3o exploradas em Cuba para fazer carv\u00e3o, dormentes para ferrovias ou tanino para curtir couro. Em todas as zonas tropicais da Am\u00e9rica, os mangues s\u00e3o cruciais. As 11 esp\u00e9cies existentes nessa regi\u00e3o est\u00e3o amea\u00e7adas pelo turismo e pela ind\u00fastria do camar\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Cuba, o Minist\u00e9rio da Agricultura proibiu, em dezembro de 2012, a explora\u00e7\u00e3o dos mangues, como medida de adapta\u00e7\u00e3o ao aquecimento global. \u201cA mudan\u00e7a clim\u00e1tica foi o disparador do interesse em conservar os mangues\u201d, pontuou Men\u00e9ndez. \u201cOs seres humanos necessitam deles para salvaguardar os lugares onde se desenvolve a vida e a economia\u201d, quando aumentam o n\u00edvel do mar, a salinidade e a ocorr\u00eancia de eventos extremos.<\/p>\n<p>No contexto do aquecimento, os servi\u00e7os ambientais do mangue se tornam cruciais: evitam a eros\u00e3o das costas, permitem o desenvolvimento da fauna marinha e, portanto, da pesca, impedem a entrada de \u00e1gua salgada em terrenos agr\u00edcolas e fontes de \u00e1gua, det\u00eam o avan\u00e7o das inunda\u00e7\u00f5es e conserva a biodiversidade. \u201cSe desmatarmos os mangues, o mar avan\u00e7ar\u00e1 com maior intensidade\u201d, explica aos seus alunos de Bataban\u00f3 o professor de geografia Miguel D\u00edaz. Esse problema \u00e9 tema de ensino nas aulas da regi\u00e3o, onde comunidades como Surgidero de Bataban\u00f3 sofrem suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da perda de terras, os solos agr\u00edcolas pr\u00f3ximos da costa est\u00e3o cada vez mais salinos, e as inunda\u00e7\u00f5es se transformam no p\u00e3o de cada dia. \u201cQuando vamos recolher lixo, vemos que a areia est\u00e1 afetada porque \u00e9 retirada para construir, h\u00e1 \u00e1rvores cortadas e mais coisas danificadas\u201d, lamenta a aluna Roxana Vitres, uma dos 32 estudantes da escola Bac-Ly de Surgidero, integrados a um programa de forma\u00e7\u00e3o escolar em deveres e direitos ambientais. \u201cN\u00f3s fazemos inspe\u00e7\u00f5es e alertamos as autoridades dos problemas\u201d, explicou Daniel Cruz, de 15 anos.<\/p>\n<p>Essas crian\u00e7as e adolescentes aprendem ecologia, controlam e fazem saneamento ambiental da regi\u00e3o mediante o programa SOS Manguezais, coordenado pelo Museu de Hist\u00f3ria de Bataban\u00f3, o centro local da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Pronatureza e autoridades da educa\u00e7\u00e3o. Efra\u00edn Arrazcaeta, coordenador do programa e ativista da Pronatureza, afirmou \u00e0 IPS que \u201cprecisamos de uma equipe forte de guardas florestais para reduzir as incid\u00eancias e que sejam mantidos limpos os canais do Dique Sul\u201d.<\/p>\n<p>Essa obra, iniciada nos anos 1980, provocou a morte das florestas maiores e produtivas da faixa costeira de 129 quil\u00f4metros ao sul de Havana, que inclui Surgidero, segundo um estudo do estatal Instituto de Ecologia e Sistem\u00e1tica. Desde o ano passado, boa parte dos mangues dessa localidade est\u00e1 protegida porque faz parte da \u00c1rea de Ref\u00fagio Animal Sul Bataban\u00f3. Por\u00e9m, continua havendo viola\u00e7\u00f5es, porque em toda Cuba os sistemas de vigil\u00e2ncia ambiental s\u00e3o fr\u00e1geis e o valor das multas para esses crimes muito baixos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Surgidero de Bataban&oacute;, Cuba, 23\/10\/2013 &ndash; Na d&eacute;cada de 1960 o governo de Cuba considerou que o armazenamento de &aacute;gua doce para enfrentar secas e furac&otilde;es era um assunto de seguran&ccedil;a nacional, e come&ccedil;ou a represar rios. 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