{"id":16786,"date":"2013-10-24T11:20:41","date_gmt":"2013-10-24T11:20:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101280"},"modified":"2013-10-24T11:20:41","modified_gmt":"2013-10-24T11:20:41","slug":"estoura-a-guerra-interna-na-al-shabab","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/estoura-a-guerra-interna-na-al-shabab\/","title":{"rendered":"Estoura a guerra interna na Al Shabab"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101281\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/alshabab-1.jpg\"><img class=\" wp-image-101281 \" alt=\"alshabab 1 Estoura a guerra interna na Al Shabab\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/alshabab-1.jpg\" width=\"529\" height=\"315\" title=\"Estoura a guerra interna na Al Shabab\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ex-combatentes da Al Shabab que se entregaram \u00e0s autoridades somalianas. Foto: Abdurrahman Warsameh\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nair\u00f3bi, Qu\u00eania, 24\/10\/2013 \u2013 A organiza\u00e7\u00e3o radical isl\u00e2mica Al Shabab foi considerada durante anos a for\u00e7a mais unida e poderosa na falida Som\u00e1lia, mas agora desmorona como um castelo de cartas por profundas divis\u00f5es internas. Esse \u00e9 o diagn\u00f3stico de Abdiwahab Sheikh Abdisamad, professor de hist\u00f3ria e ci\u00eancia pol\u00edtica na Universidade Queniana, em Nair\u00f3bi. A Al Shabab est\u00e1 se dividindo em \u201cpequenos minigrupos que lutam entre si por diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas e est\u00e1 \u00e0 beira de uma guerra civil interna\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em setembro a organiza\u00e7\u00e3o reivindicou a ocupa\u00e7\u00e3o por quatro dias do centro comercial de Westgate no Qu\u00eania, que terminou com mais de 70 mortos. Tamb\u00e9m assumiu um atentado com bomba, na semana passada, em Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia, no qual morreram dois somalianos, que, se acredita, seriam os pr\u00f3prios respons\u00e1veis pela explos\u00e3o. Contudo, o grupo, formalmente vinculado \u00e0 Al Qaeda a partir de 2012, se encontra dividido em duas fac\u00e7\u00f5es que disputam entre si a lideran\u00e7a: os jihadistas (combatentes isl\u00e2micos) estrangeiros e os somalianos nacionalistas.<\/p>\n<p>Abdisamad afirma que essas divis\u00f5es s\u00e3o uma oportunidade de ouro para que o governo federal somaliano se aproxime dos elementos menos extremistas da organiza\u00e7\u00e3o. Se Mogad\u00edsico n\u00e3o capitalizar a situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se aproximar da fac\u00e7\u00e3o nacionalista, os jihadistas ganhar\u00e3o a luta interna e ficar\u00e3o mais fortes, alertou. \u201cEnt\u00e3o, o futuro da Som\u00e1lia ser\u00e1 incerto, a estabilidade da regi\u00e3o estar\u00e1 em risco e tamb\u00e9m a do resto do mundo\u201d, ressaltou o professor.<\/p>\n<p>Segundo Abdisamad, essa guerra interna ficou evidente quando dois cofundadores e l\u00edderes do grupo, Ibrahim Haji Jama e Moalim Burhan, foram assassinados em junho, ao que parece por seus pr\u00f3prios companheiros. Contra Jama, mais conhecido como Al-Afghani (O Afeg\u00e3o) por ter sido treinado pela Al Qaeda no Afeganist\u00e3o, havia um pedido de captura com recompensa de US$ 5 milh\u00f5es, mas o xeque Abdiaziz Abu Musab, porta-voz da Al Shabab, negou as divis\u00f5es e disse que Jama e Burhan morreram em um tiroteio originado quando resistiram \u00e0 pris\u00e3o determinada por um tribunal somaliano.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, foram assassinados por membros da Al Shabab dois jihadistas estrangeiros: o norte-americano Omar Hammami, conhecido como Abu Mansoor al Amriki, um dos mais procurados pelo Escrit\u00f3rio Federal de Investiga\u00e7\u00f5es (FBI) dos Estados Unidos e por quem tamb\u00e9m era oferecida recompensa de US$ 5 milh\u00f5es, e o brit\u00e2nico de origem paquistanesa Osama al Britani.<\/p>\n<p>Al Amriki talvez tenha sido quem mais fez propaganda da Al Shabab gra\u00e7as aos seus v\u00eddeos de rap em ingl\u00eas. Em 2012, foi o primeiro membro a revelar por meio da internet que se afastava do grupo porque sua vida estava em perigo. Al Amriki escapou e sobreviveu a v\u00e1rias tentativas de assassinato por parte da unidade Amniyat, divis\u00e3o de intelig\u00eancia da Al Shabab encabe\u00e7ada pelo l\u00edder supremo do grupo, Ahmed Abdi Godane, tamb\u00e9m conhecido como xeque Mujtar Abu Zubeyr. Por fim, Al Amriki foi assassinado em setembro.<\/p>\n<p>Abdisamad afirmou que Godane \u00e9 partid\u00e1rio de uma jihad (luta) mundial e acredita que a Som\u00e1lia pertence aos mu\u00e7ulmanos de todo o planeta. \u201cA fac\u00e7\u00e3o jihadista global tem uma agenda que vai al\u00e9m da Som\u00e1lia, e quer propagar o Isl\u00e3 da China ao Chile, da Cidade do Cabo ao Canad\u00e1\u201d, ressaltou. Outro membro do grupo vinculado \u00e0 fac\u00e7\u00e3o nacionalista, xeque Hassan Dahir Aweys, fugiu da maior base que ainda resta \u00e0 Al Shabab, em Barawe, 180 quil\u00f4metros ao sul de Mogad\u00edscio. Decidiu se render antes ao governo somaliano depois dos assassinatos de Jama e Burhan.<\/p>\n<p>Abdisamad afirma que os nacionalistas s\u00e3o menos extremistas, e sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 estabelecer um Estado isl\u00e2mico apenas na Som\u00e1lia, sem intervir em outros pa\u00edses. \u201cA fac\u00e7\u00e3o religiosa nacionalista \u00e9 contra globalizar o conflito somaliano, os assassinatos indiscriminados e matar cl\u00e9rigos, eruditos isl\u00e2micos e qualquer um que n\u00e3o esteja a favor dos combatentes. H\u00e1 anos est\u00e3o em campanha para substituir Godane, mas fracassando\u201d, detalhou o acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Acredita-se que as divis\u00f5es internas contribu\u00edram para que o grupo perdesse cidades e povoados estrat\u00e9gicos no sul e centro da Som\u00e1lia, incluindo a capital, Mogad\u00edscio, onde o mercado local de Bakara era uma importante fonte de financiamento. Os radicais extorquiam os empres\u00e1rios e obtinham grandes somas de dinheiro. As for\u00e7as somalianas e as tropas da Miss\u00e3o da Uni\u00e3o Africana na Som\u00e1lia (Amisom) expulsaram a Al Shabab de Mogad\u00edscio em 2011. Exatamente um ano depois, o grupo perdeu sua \u00faltima e mais importante fonte de renda: o porto de Kismayo, no sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a Al Shabab obtinha anualmente entre US$ 35 milh\u00f5es e US$ 50 milh\u00f5es dos portos de Kismayo e Marko, agora sob controle das for\u00e7as somalianas e da Amisom. \u201cA perda de fontes econ\u00f4micas e as divis\u00f5es internas levaram centenas de combatentes a desertarem da Al Shabab e se entregarem ao governo\u201d, explicou \u00e0 IPS o jornalista somaliano Mohammad Abdi. O grupo j\u00e1 n\u00e3o pode pagar regularmente seus combatentes \u201ccomo costumava fazer\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As limita\u00e7\u00f5es financeiras e as divis\u00f5es afetaram a moral dos combatentes. Centenas se entregaram ao governo ou fugiram para pa\u00edses vizinhos. Entreanto, o parlamentar somaliano Abdisamad Moalim Mohamud, ex-ministro do Interior e de Seguran\u00e7a Nacional, afirmou \u00e0 IPS que o grupo ainda \u00e9 amea\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 para seu pa\u00eds, como tamb\u00e9m para a regi\u00e3o e o mundo.<\/p>\n<p>\u201cPerderam muitos combatentes e j\u00e1 n\u00e3o podem enfrentar diretamente as for\u00e7as somalianas e da Amisom, mas s\u00e3o capazes de realizar uma guerra de guerrilha com atentados suicidas e ataques surpresa como o de Westgate, em Nair\u00f3bi, e no complexo da ONU em Mogad\u00edsicio\u201d, pontuou Mohamud. O legislador acredita que a regi\u00e3o deve trocar informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia e adotar estrat\u00e9gias antiterroristas comuns para prevenir essa amea\u00e7a. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 24\/10\/2013 &ndash; A organiza&ccedil;&atilde;o radical isl&acirc;mica Al Shabab foi considerada durante anos a for&ccedil;a mais unida e poderosa na falida Som&aacute;lia, mas agora desmorona como um castelo de cartas por profundas divis&otilde;es internas. Esse &eacute; o diagn&oacute;stico de Abdiwahab Sheikh Abdisamad, professor de hist&oacute;ria e ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica na Universidade Queniana, em Nair&oacute;bi. 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