{"id":1679,"date":"2006-04-12T00:00:00","date_gmt":"2006-04-12T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1679"},"modified":"2006-04-12T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-12T00:00:00","slug":"estados-unidos-a-sacudida-dos-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/mundo\/estados-unidos-a-sacudida-dos-imigrantes\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: A sacudida dos imigrantes"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 12\/04\/2006 &ndash; Algo hist\u00f3rico est\u00e1 ocorrendo nos Estados Unidos: as ruas de v\u00e1rias cidades ficam inundadas de estrangeiros que vivem e trabalham nesse pa\u00eds em um prolongado sil\u00eancio sobre o regime migrat\u00f3rio. Agora, decidiram se fazer ouvir. <!--more--> Cerca de dois milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas, na segunda-feira, para exigir que as leis sobre imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o criminalizem os trabalhadores ilegais. &quot;Abram as fronteiras, acabem com a guerra&quot;, gritavam aproximadamente cem mil manifestantes enquanto caminhavam pelas ruas de Nova York, capital financeira e maior cidade do pa\u00eds. &quot;Somos os Estados Unidos&quot;, gritavam un\u00edssono, ao mesmo em que se ouvia centenas de tambores. &quot;Legalizar, n\u00e3o penalizar os imigrantes&quot;.            <\/p>\n<p>Maci\u00e7as manifesta\u00e7\u00f5es aconteceram em Chicago, Los Angeles, Miami, Phoenix e nas cem maiores unidades do pa\u00eds. No domingo, meio milh\u00e3o de pessoas se manifestaram na cidade de Dallas, no Texas. Os manifestantes de origem latino-americana eram maioria em Nova York, mas houve uma numerosa participa\u00e7\u00e3o de imigrantes do sudeste da \u00c1sia e da \u00c1frica. &quot;\u00c9 preciso participar. N\u00e3o se deve esperar que eles (os legisladores) decidam por n\u00f3s&quot;, disse Mohammed Savane, do Senegal. &quot;Temos que velar por uma lei que realmente ajude nossas fam\u00edlias&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Estes protestos em n\u00edvel nacional s\u00e3o uma resposta ao projeto de lei impulsionado pelo governante Partido Republicano e aprovado na C\u00e2mara de Representantes, segundo o qual entre dez e 12 milh\u00f5es de imigrantes ilegais seriam considerados criminosos, bem como os que os empregam ou d\u00e3o qualquer tipo de ajuda a eles. O Comit\u00ea de Assuntos Judiciais da C\u00e2mara de Representantes, presidido pelo republicano James Sensenbrenner (filho), conseguiu que o plen\u00e1rio aprovasse, em janeiro, esse projeto, que inclui completar um gigante muro ao longo da fronteira com o M\u00e9xico e aumentar as penas para crimes migrat\u00f3rios, com condena\u00e7\u00f5es m\u00ednimas obrigat\u00f3rias para quem fomentar a imigra\u00e7\u00e3o ilegal e para os imigrantes j\u00e1 deportados que reingressarem no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Enquanto isso, republicanos e o Partido Democrata estiveram prestes a acertar no Senado outro projeto estabelecendo uma via para legaliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores imigrantes que j\u00e1 residem no pa\u00eds. Os que vivem nos Estados Unidos por mais de cinco anos poderiam obter resid\u00eancia e o direito de postular a cidadania. Os que est\u00e3o entre dois e cinco anos poderiam aspirar um visto de trabalho tempor\u00e1rio, mas teriam de voltar ao seu pa\u00eds de origem e seguir o mesmo procedimento que qualquer um que busque entrar legalmente nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A proposta, que tomou por base um projeto aprovado em mar\u00e7o pelo Comit\u00ea de Assuntos Judiciais do Senado, inclui medidas para refor\u00e7ar a seguran\u00e7a fronteiri\u00e7a e um novo programa de trabalhadores convidados (com visto de trabalho tempor\u00e1rio sem direito de pedir resid\u00eancia). Na semana passada, republicanos e democratas avan\u00e7aram quase at\u00e9 um acordo sobre o assunto, mas o mesmo ficou truncado por discord\u00e2ncias de \u00faltima hora na reda\u00e7\u00e3o do projeto, conhecido como &quot;HR 4437&quot;. <\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es foram organizadas por uma coaliz\u00e3o de grupos defensores dos direitos dos imigrantes, organiza\u00e7\u00f5es estudantis e religiosas e sindicatos, e tamb\u00e9m contaram com a participa\u00e7\u00e3o de in\u00fameros legisladores e pol\u00edticos democratas. &quot;As pessoas em Washington devem saber que os Estados Unidos n\u00e3o podem viver sem voc\u00eas&quot;, disse aos manifestantes o representante democrata Charles Ragnel. &quot;Eles t\u00eam de saber que toda as pessoas t\u00eam direito a viver dignamente neste pa\u00eds. T\u00eam de recordar que seus pais e suas m\u00e3es tamb\u00e9m foram imigrantes&quot;, disse a legisladora Nina Lowey, se referindo aos imigrantes do partido governante em Washington. &quot;Est\u00e3o equivocados e, ainda por cima, s\u00e3o imorais&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Outros que discursaram pediram mudan\u00e7as radicais na pol\u00edtica migrat\u00f3ria, incluindo a possibilidade de obter a cidadania em lugar do limitado programa tempor\u00e1rio do trabalhador convidado proposto pelo governo de George W. Bush, bem como contemplar a reunifica\u00e7\u00e3o familiar e o direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o. Segundo estimativas oficiais, h\u00e1 mais de 11 milh\u00f5es de imigrantes ilegais trabalhando atualmente nos Estados Unidos. A imensa maioria \u00e9 obrigada a trabalhar mais de 12 horas por dia por sal\u00e1rios de US$ 5 a hora, e vivem no medo permanente de serem presos e deportados.<\/p>\n<p>Os defensores dos direitos dos imigrantes acreditam que se o projeto da c\u00e2mara baixa se impuser no Senado, se estaria legalizando a economia informal e expandindo uma subclasse trabalhadora. Tamb\u00e9m consideram que a proposta do trabalhador convidado n\u00e3o \u00e9 mais que uma extens\u00e3o da lei de imigra\u00e7\u00e3o de 1986, que ataca os trabalhadores de forma indireta castigando quem os contrata sabendo que n\u00e3o t\u00eam documentos legais. &quot;Agora, \u00e9 pior&quot;, disse a respeito uma sindicalista norte-americana de origem asi\u00e1tica, Jei Fong. &quot;Esta lei n\u00e3o ataca a raiz do problema. N\u00e3o se pode criminalizar os trabalhadores. Eles v\u00eam para c\u00e1 por que s\u00e3o obrigados&quot; acrescentou. <\/p>\n<p>Maxine Wolfe, procedente de uma fam\u00edlia de imigrantes poloneses em Nova York, concorda com Fong. &quot;Somos todos ilegais nos Estados Unidos, menos os ind\u00edgenas&quot;, podia-se ler no cartaz carregado por Wolfe. &quot;\u00c9 horr\u00edvel. Este pa\u00eds foi constru\u00eddo por imigrantes. Dever\u00edamos abrir os bra\u00e7os para estas pessoas&quot;, ressaltou Wolfe. Alguns participantes das manifesta\u00e7\u00f5es disseram apoiar o projeto acordado no Comit\u00ea de Assuntos Judiciais do Senado no m\u00eas passado. &quot;Come\u00e7a-se a centrar em nosso falido sistema de imigra\u00e7\u00e3o&quot;, disse Joan Maruskin, da Church World Service, ag\u00eancia ecum\u00eanica de ajuda humanit\u00e1ria e para o desenvolvimento, com sede em Washington. &quot;Ocupa-se da atrasada quest\u00e3o familiar, de modo que as fam\u00edlias de imigrantes possam se reunificar&quot;, disse. Outros organizadores das concentra\u00e7\u00f5es n\u00e3o concordam.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas externa e interna do governo Bush t\u00eam muito em comum, afirmou Hany Khalil, do grupo contra a guerra Unidos pela Paz e a Justi\u00e7a, organizador de v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es, especialmente contra a guerra no Iraque. &quot;Ambas t\u00eam como premissas a agress\u00e3o, a intoler\u00e2ncia e a manipula\u00e7\u00e3o do medo das pessoas&quot;, afirmou. &quot;Somos plenamente conscientes de que este \u00e9 um importante ano eleitoral&quot;, acrescentou Leslei Cagan, coordenadora do grupo, se referindo \u00e0s elei\u00e7\u00f5es legislativas de novembro. &quot;Nenhum candidato poder\u00e1 deixar de lado estes assuntos. Faremos todo o poss\u00edvel para acabar com a guerra no Iraque, conseguir a volta de nossos soldados e defender os direitos dos imigrantes&quot;. Esta organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 planeja, junto com outras, uma manifesta\u00e7\u00e3o em defesa dos direitos dos imigrantes e pela paz no pr\u00f3ximo dia 27. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 12\/04\/2006 &ndash; Algo hist\u00f3rico est\u00e1 ocorrendo nos Estados Unidos: as ruas de v\u00e1rias cidades ficam inundadas de estrangeiros que vivem e trabalham nesse pa\u00eds em um prolongado sil\u00eancio sobre o regime migrat\u00f3rio. 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