{"id":16794,"date":"2013-10-28T11:36:15","date_gmt":"2013-10-28T11:36:15","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101463"},"modified":"2013-10-28T11:36:15","modified_gmt":"2013-10-28T11:36:15","slug":"quando-o-trabalho-sexual-e-uma-boa-opcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/quando-o-trabalho-sexual-e-uma-boa-opcao\/","title":{"rendered":"Quando o trabalho sexual \u00e9 \u201cuma boa op\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101464\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Cambodia2-629x437.jpg\"><img class=\" wp-image-101464 \" alt=\"Cambodia2 629x437 Quando o trabalho sexual \u00e9 \u201cuma boa op\u00e7\u00e3o\u201d\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Cambodia2-629x437.jpg\" width=\"529\" height=\"337\" title=\"Quando o trabalho sexual \u00e9 \u201cuma boa op\u00e7\u00e3o\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Muitas prostitutas de Phnom Penh se converteram em \u201ctrabalhadoras do entretenimento\u201d. Foto: Michelle Tolson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Phnom Penh, Camboja, 28\/10\/2013 \u2013 \u201cN\u00e3o digo que todo mundo deve ser trabalhador sexual, mas ganha-se mais dinheiro\u201d do que em outros setores, disse \u00e0 IPS o cambojano Virak Horn, de 32 anos, que realiza essa atividade de modo independente em Phnom Penh. Sua renda lhe permite manter sua fam\u00edlia e pagar seus estudos universit\u00e1rios. Melissa Hope Ditmore, consultora sobre g\u00eanero, desenvolvimento, trabalho sexual e HIV, radicada em Nova York, disse \u00e0 IPS que \u201ca maioria das trabalhadoras e dos trabalhadores sexuais com os quais conversei no Camboja, nos Estados Unidos e em outras partes descreveram sua tarefa como o mal menor entre op\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o precisamente grandiosas. Inclusive alguns a definiram como uma boa op\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ditmore realizou uma investiga\u00e7\u00e3o exaustiva para um informe que elaborou para a organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos Sex Workers Project em 2009. Reagem de modo exagerado organiza\u00e7\u00f5es, como Igualdade J\u00e1, que protestam contra a recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) de despenalizar o com\u00e9rcio sexual, alertando que isso por\u00e1 em perigo os esfor\u00e7os para impedir o tr\u00e1fico de pessoas? Ag\u00eancias da ONU publicaram em 2012 dois informes que se centram na preven\u00e7\u00e3o do HIV.<\/p>\n<p>Um deles, <i>O Trabalho Sexual e a Lei na \u00c1sia Pac\u00edfico<\/i>, foi elaborado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) e Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids (Onusida). O segundo, <i>O HIV e a Lei: Riscos, Direitos e Sa\u00fade<\/i>, foi publicado pela Comiss\u00e3o Global sobre HIV e Direito, do Pnud. Em ambos a ilegalidade do trabalho sexual \u00e9 mencionada como um dos principais fatores que dificultam as respostas ao HIV.<\/p>\n<p>No entanto, a Igualdade J\u00e1 questionou essa conclus\u00e3o, pedindo urg\u00eancia \u00e0 ONU para \u201couvir as sobreviventes\u201d da explora\u00e7\u00e3o sexual e reconsiderar seus informes. \u201cA Igualdade J\u00e1 tenta dizer que a prostitui\u00e7\u00e3o em si mesma \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos\u201d, disse \u00e0 IPS Andrew Hunter, presidente da Global Network of Sex Work Projects e gerente de programas e pol\u00edticas na Asia Pacific Network of Sex Workers.<\/p>\n<p>No entanto, Hunter reiterou que a ONU Mulheres assinalou este m\u00eas em um comunicado que o trabalho sexual n\u00e3o pode ser considerado do mesmo modo que o tr\u00e1fico de pessoas ou a explora\u00e7\u00e3o sexual. A Igualdade J\u00e1 se negou a fazer declara\u00e7\u00f5es a respeito. Pesquisadores e trabalhadores sexuais tamb\u00e9m disseram que a Igualdade J\u00e1 \u00e9 injusta ao afirmar que os informes da ONU n\u00e3o inclu\u00edram o ponto de vista de quem exerce a prostitui\u00e7\u00e3o. A Comiss\u00e3o Global sobre HIV e Direito, disseram, recebeu 680 contribui\u00e7\u00f5es de 140 pa\u00edses para elaborar seu estudo.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Purple Sky Network, rede de organiza\u00e7\u00f5es contra o HIV da grande regi\u00e3o do Mekong, que inclui Camboja, Tail\u00e2ndia, Vietn\u00e3 e Birm\u00e2nia, afirmou que seus esfor\u00e7os para proteger a sa\u00fade dos trabalhadores sexuais masculinos e transg\u00eaneros foram interrompidos depois que a pol\u00edcia come\u00e7ou a considerar os preservativos como evid\u00eancia de prostitui\u00e7\u00e3o e fechar locais. Do mesmo modo, a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Action for Health Initiatives, disse que a pol\u00edcia assedia pessoas que trabalham na preven\u00e7\u00e3o do HIV e at\u00e9 as prende se descobre que antes exerceram a prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hunter acredita que organiza\u00e7\u00f5es contra o tr\u00e1fico de pessoas, como a Igualdade J\u00e1, t\u00eam enorme influ\u00eancia nas pol\u00edticas dos pa\u00edses menos adiantados, como o Camboja. Em vez de se limitar ao especificado no protocolo contra o tr\u00e1fico de pessoas, da ONU, \u201co Camboja foi al\u00e9m e adotou uma defini\u00e7\u00e3o que coincidia com a dos grupos norte-americanos\u201d que associam o fen\u00f4meno com o trabalho sexual, detalhou.<\/p>\n<p>A prostitui\u00e7\u00e3o foi legalizada no Camboja quando este pa\u00eds do sudeste asi\u00e1tico implantou a Lei para a Elimina\u00e7\u00e3o do Tr\u00e1fico de Pessoas e da Explora\u00e7\u00e3o Sexual, em 2008. Na \u00e9poca, a pol\u00edcia lan\u00e7ou uma vasta opera\u00e7\u00e3o em que foram fechados 381 bord\u00e9is, o que obrigou as prostitutas a trabalharem em outros lugares, como bares de karaok\u00ea e casas de massagem.<\/p>\n<p>Cheryl Overs, do grupo t\u00e9cnico assessor da Comiss\u00e3o Global sobre HIV e Direito, documentou essa mudan\u00e7a no informe <i>Sexualidade, Pobreza e Direito no Camboja<\/i>, divulgado em setembro. Entre 2008 e in\u00edcio de 2009, surgiram 21.463 novas \u201ctrabalhadoras do entretenimento\u201d, contou \u00e0 IPS. Costumam receber entre US$ 50 e US$ 110 por m\u00eas, mas precisam, em m\u00e9dia, de US$ 117 para sobreviverem, acrescentou Overs. Isso obrigou muitas a retomarem a prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Phal Sophea, que trabalhou dez anos vendendo cerveja em Siem Reap, no noroeste do Camboja, recordou sua experi\u00eancia. Recebia m\u00edseros US$ 50 por m\u00eas e corria perigo de ficar viciada em \u00e1lcool, pois a obrigavam a beber at\u00e9 12 cervejas por noite em companhia de clientes que a bolinavam e \u00e0s vezes a queimavam com seus cigarros. Quando a violentaram, nem seu chefe nem a pol\u00edcia a ajudaram. \u201cEsse trabalho era o inferno, mas eu precisava dele\u201d, disse \u00e0 IPS. Atualmente, Sophea \u00e9 representante de Siem Reap na Federa\u00e7\u00e3o Cambojana de Trabalhadores dos Alimentos e Servi\u00e7os, entidade que ganhou v\u00e1rios processos contra firmas cervejeiras.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das prostitutas que trabalham na rua era pior. Eram as mais afetadas pela brutalidade policial, disse Horn, que tamb\u00e9m coordena o projeto de homens que fazem sexo com homens para o servi\u00e7o sobre HIV\/aids da rede Pessoas Cambojanas que Vivem com HIV (CPN+) e integrante da The Women\u2019s Network for Unity, organiza\u00e7\u00e3o liderada por prostitutas que tamb\u00e9m apoia trabalhadores sexuais masculinos e transg\u00eanero.<\/p>\n<p>Cerca de 440 trabalhadoras sexuais foram presas nas ruas de Phnom Penh como parte de uma campanha destinada a preparar a cidade para a reuni\u00e3o de c\u00fapula da Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico (Asean) em 2012, segundo Overs. \u201c\u00c9 hora de se levar a s\u00e9rio a despenaliza\u00e7\u00e3o\u201d, opinou Susan L\u00f3pez, cofundadora da Desiree Alliance, uma organiza\u00e7\u00e3o que defende os direitos das trabalhadoras da ind\u00fastria do sexo.<\/p>\n<p>Sebastian Kr\u00fcger, encarregado de comunica\u00e7\u00f5es do Programa de Sa\u00fade P\u00fablica da Open Society Foundations, esclareceu \u00e0 IPS que eles tamb\u00e9m s\u00e3o a favor da despenaliza\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o. \u201cApoiamos as organiza\u00e7\u00f5es lideradas por trabalhadoras sexuais e os ativistas que lutam para acabar com a viol\u00eancia e os abusos policiais, garantir o acesso a servi\u00e7os legais, desafiar e mudar leis e pol\u00edticas que prejudicam a sa\u00fade, e aumentar o acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade adequados\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Prev\u00ea-se que as organiza\u00e7\u00f5es lideradas por trabalhadoras sexuais ser\u00e3o s\u00f3cias cruciais na hora de reformar o enfoque sobre sa\u00fade sexual que impera no pa\u00eds. \u201cO sistema cambojano de preven\u00e7\u00e3o do HIV e de infec\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o sexual entrou em colapso quando foram fechados os bord\u00e9is. Mudou toda a situa\u00e7\u00e3o do financiamento\u201d, pontuou Hunter. Embora em 2011 tenha diminu\u00eddo a preval\u00eancia do v\u00edrus no pa\u00eds, o Centro Nacional de Dermatologia Vinculada ao HIV\/aids e \u00e0s Doen\u00e7as Sexualmente Transmiss\u00edveis informou que esta ainda \u00e9 alta entre as mulheres que se dedicam \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o (14%).<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) divulgou este m\u00eas um informe com pautas para implantar programas contra o HIV e as doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, apoiando os que exercem a prostitui\u00e7\u00e3o e adotando um enfoque liderado pela comunidade para \u201cpreparar, entregar e controlar o servi\u00e7o\u201d proporcionado \u00e0s trabalhadoras sexuais. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Phnom Penh, Camboja, 28\/10\/2013 &ndash; &ldquo;N&atilde;o digo que todo mundo deve ser trabalhador sexual, mas ganha-se mais dinheiro&rdquo; do que em outros setores, disse &agrave; IPS o cambojano Virak Horn, de 32 anos, que realiza essa atividade de modo independente em Phnom Penh. 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