{"id":16798,"date":"2013-10-29T12:44:04","date_gmt":"2013-10-29T12:44:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101602"},"modified":"2013-10-29T12:44:04","modified_gmt":"2013-10-29T12:44:04","slug":"refugiados-climaticos-de-bangladesh-sem-solucoes-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/refugiados-climaticos-de-bangladesh-sem-solucoes-reais\/","title":{"rendered":"Refugiados clim\u00e1ticos de Bangladesh sem solu\u00e7\u00f5es reais"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101604\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bangladesh-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-101604 \" alt=\"bangladesh 629x472 Refugiados clim\u00e1ticos de Bangladesh sem solu\u00e7\u00f5es reais\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/bangladesh-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Refugiados clim\u00e1ticos de Bangladesh sem solu\u00e7\u00f5es reais\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>A fam\u00edlia de Abusattar Jaman (segurando um guarda-chuva) agora sem terra. Foto: Robert Stefanicki\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Julna, Bangladesh, 29\/10\/2013 \u2013 H\u00e1 quatro anos o ciclone Aila atingiu Bangladesh, causando grandes inunda\u00e7\u00f5es e semeando destrui\u00e7\u00e3o em sua passagem. A popula\u00e7\u00e3o de Koira, sul do pa\u00eds, \u00e9 uma das mais prejudicadas dos 11 distritos afetados, e ainda n\u00e3o se recupera do impacto. A fam\u00edlia Jaman foi uma das 41.043 que sofreram as consequ\u00eancias do fen\u00f4meno natural. Como a maioria de seus vizinhos, ficaram oito meses sem teto e sobreviveram gra\u00e7as \u00e0 ajuda de organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Cerca de 23.820 moradias ficaram totalmente danificadas em Koira. Quando a \u00e1gua retrocedeu, o governo entregou a cada uma 20 mil takas (US$ 260) para constru\u00edrem uma nova casa. Os Jaman constru\u00edram tr\u00eas cho\u00e7as de barro, madeira e papel\u00e3o ondulado. Contudo, n\u00e3o t\u00eam grandes expectativas para o futuro, e sabem que o pr\u00f3ximo ciclone, que cedo ou tarde chegar\u00e1 \u00e0 ba\u00eda de Bengala, que fica a 20 quil\u00f4metros, arrasar\u00e1 tudo. Somente resistir\u00e3o as casas dos mais ricos, feitas com materiais mais s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>Por outro lado, essa n\u00e3o \u00e9 sua principal preocupa\u00e7\u00e3o. Mais angustiante \u00e9 a falta de renda est\u00e1vel. A fam\u00edlia Jaman paz parte dos 40% dos 155 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds que s\u00e3o pobres. Antes, sua condi\u00e7\u00e3o era prec\u00e1ria, mas nunca passavam fome. Como Koira fica em uma regi\u00e3o agr\u00edcola, as pessoas podiam sobreviver de seus cultivos. Os que n\u00e3o tinham terras trabalhavam para os agricultores. Em tempos de crise, sempre havia um vizinho em melhor situa\u00e7\u00e3o que dava alguma ajuda.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o ciclone Aila mudou tudo. Al\u00e9m de destruir 203 hectares de cultivos em Koira, segundo estimativas do escrit\u00f3rio local da organiza\u00e7\u00e3o UNO, deixou terras alagadas por tr\u00eas anos. Agora que a \u00e1gua retrocedeu, o solo est\u00e1 salino e totalmente est\u00e9ril. Os que antes eram ricos e podiam ajudar, agora j\u00e1 n\u00e3o podem faz\u00ea-lo nem oferecer emprego. \u201cAntes do Aila, eu tinha uma horta t\u00e3o densa em meu terreno que o Sol n\u00e3o entrava\u201d, contou Shafiqul Islam \u00e0 IPS. Mas diminuiu devido ao ciclone e \u00e0 salinidade do solo.<\/p>\n<p>Islam, representante local da governante Liga Awami, \u00e9 rico segundo os par\u00e2metros locais, porque tem uma casa de material melhor. No entanto, suas tr\u00eas cho\u00e7as cobertas por chapas de metal oxidado e bambu n\u00e3o t\u00eam nada de especial. Cerca de 40 mil pessoas, das 193 mil que viviam em Koira, emigraram depois do ciclone, e aproximadamente um quarto delas regressou, segundo Islam. Entre os que partiram, est\u00e3o os tr\u00eas irm\u00e3os de seu vizinho, Robiul Islam, que ficou com sua m\u00e3e e um filho de cinco anos.<\/p>\n<p>Robiul Islam conduz um riquix\u00e1 (carro puxado por uma pessoa) de aluguel que lhe rende cerca de 80 takas (US$ 1) por dia. Seu objetivo \u00e9 chegar a 200 takas (US$ 2,5). Isso \u00e9 o que custa um saco de arroz de cinco quilos, que a fam\u00edlia consome em dois dias. Tamb\u00e9m \u00e9 o que ganham diariamente seus irm\u00e3os, tamb\u00e9m condutores de riquix\u00e1 na cidade. Depois do ciclone, se mudaram para Julna, a tr\u00eas horas de carro de Koira. A IPS se reuniu com alguns refugiados de Koira ali. Vivem nos arredores da cidade, em cho\u00e7as como as que tinham em suas comunidades, onde cabem quatro pessoas, e pagam 200 takas por m\u00eas.<\/p>\n<p>A maioria dos homens puxa riquix\u00e1 e ganha o suficiente para mandar dinheiro para a fam\u00edlia. Um deles, Abdullah, disse \u00e0 IPS que envia 1.500 a dois mil por m\u00eas aos seus pais, que ficaram em Koira. Por sua vez, Hafeeza \u00e9 pobre entre os pobres. Cozinha para os condutores de riquix\u00e1s e, como eles, ganha 200 takas, mas por m\u00eas, e afirma ser suficiente para ela e seu filho de sete anos. \u201cPelo menos n\u00e3o tenho que pagar alojamento nem comida\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em Koira a popula\u00e7\u00e3o diz que nada sabe sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica nem que Bangladesh ocupa o primeiro lugar do mundo em termos de sua vulnerabilidade \u00e0s consequ\u00eancias desse fen\u00f4meno, segundo o \u00cdndice Global de Risco Clim\u00e1tico da Germanwatch. \u201cTemos todos os desastres naturais, menos, talvez, uma erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica: ciclones, inunda\u00e7\u00f5es, secas e at\u00e9 terremotos\u201d, afirmou \u00e0 IPS M. D. Shamsudoha, diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Participativo, com sede em Daca, capital do pa\u00eds. Depois de cada desastre natural, entre 50 mil e 60 mil pessoas emigram para as cidades, mas a migra\u00e7\u00e3o permanente n\u00e3o consta das estat\u00edsticas\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Os especialistas preveem que, em 2050, haver\u00e1 cerca de 250 milh\u00f5es de refugiados por culpa da mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Destes, entre 20 milh\u00f5es e 30 milh\u00f5es ser\u00e3o de Bangladesh. Dirigentes pol\u00edticos e especialistas em meio ambiente do governo afirmam que est\u00e3o preparados para lutar contra os efeitos do aquecimento global. Bangladesh esteve entre os primeiros pa\u00edses menos adiantados a adotar, em 2009, uma estrat\u00e9gia nacional para conter esse fen\u00f4meno, destacaram. Mas as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais locais s\u00e3o c\u00e9ticas. Segundo elas, o governo \u00e9 bom para planejar pol\u00edticas, mas n\u00e3o para implant\u00e1-las.<\/p>\n<p>Shamsudoha afirmou que o Estado destina fundos para projetos de grande escala, com constru\u00e7\u00e3o de barreiras costeiras e abrigos ou planos de reflorestamento, mas deveria priorizar iniciativas locais e de adapta\u00e7\u00e3o. Segundo as autoridades, h\u00e1 programas suficientes desse tipo em \u00e1reas de risco, mas n\u00e3o atendem o problema em toda sua dimens\u00e3o. Entre as inven\u00e7\u00f5es testadas por algumas ONGs locais e ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) est\u00e3o as \u201caldeias resistentes a desastres\u201d, as \u201cescolas flutuantes com energia solar\u201d e os \u201cabrigos para inunda\u00e7\u00f5es multiprop\u00f3sito\u201d.<\/p>\n<p>Cientistas bengalis tamb\u00e9m desenvolveram uma variedade de arroz resistente a um terreno com salinidade moderada. Entretanto, segundo as previs\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o de cereal cair\u00e1 32% at\u00e9 2050 e a popula\u00e7\u00e3o aumentar\u00e1 para 130 milh\u00f5es de pessoas. Em lugar de esperar que a \u00e1gua salgada retroceda, muitos agricultores se dedicaram a cultivar camar\u00e3o. Por\u00e9m, os mais pobres n\u00e3o t\u00eam os recursos necess\u00e1rios para investir nessa atividade que, por outro lado, representa novo desastre para eles: o l\u00edquido dos tanques vaza para os campos vizinhos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os camar\u00f5es n\u00e3o contribuem para a seguran\u00e7a alimentar em um pa\u00eds que consome principalmente uma comida preparada com base em pur\u00ea de lentilha, ervilha e feij\u00f5es combinados com arroz. Entretanto, cada vez mais agricultores vendem seus arrozais para produtores de camar\u00e3o ou de manga e partem para as cidades. N\u00e3o lhes resta outra op\u00e7\u00e3o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Julna, Bangladesh, 29\/10\/2013 &ndash; H&aacute; quatro anos o ciclone Aila atingiu Bangladesh, causando grandes inunda&ccedil;&otilde;es e semeando destrui&ccedil;&atilde;o em sua passagem. A popula&ccedil;&atilde;o de Koira, sul do pa&iacute;s, &eacute; uma das mais prejudicadas dos 11 distritos afetados, e ainda n&atilde;o se recupera do impacto. 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