{"id":16800,"date":"2013-10-29T13:21:32","date_gmt":"2013-10-29T13:21:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101614"},"modified":"2013-10-29T13:21:32","modified_gmt":"2013-10-29T13:21:32","slug":"sirios-desesperados-tambem-no-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/sirios-desesperados-tambem-no-egito\/","title":{"rendered":"S\u00edrios desesperados tamb\u00e9m no Egito"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101615\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Siria1.jpg\"><img class=\" wp-image-101615 \" alt=\"Siria1 S\u00edrios desesperados tamb\u00e9m no Egito\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/Siria1.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"S\u00edrios desesperados tamb\u00e9m no Egito\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>Uma refugiada s\u00edria no Cairo. Foto: Hisham Allam\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cairo, Egito, 29\/10\/2013 \u2013 Mahmoud Abu Yousef, de 28 anos, vende meias em uma das esta\u00e7\u00f5es do metr\u00f4 da capital eg\u00edpcia. Esse jovem fugiu em fevereiro da S\u00edria com sua mulher e o filho de um ano, depois que seus pais e tr\u00eas irm\u00e3os morreram na guerra civil que a\u00e7oita esse pa\u00eds desde 2011. Yousef agora vive no 6 de Outubro, um centro para refugiados localizado 32 quil\u00f4metros ao sul do Cairo. \u201cPasso todo o dia no metr\u00f4, e trabalho como guarda de seguran\u00e7a \u00e0 noite para poder cobrir meus gastos\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>As 150 mil libras s\u00edrias (US$ 1 mil) que tinha com ele quando fugiu de seu pa\u00eds acabaram nos bolsos dos traficantes de pessoas que os levaram para o Egito. Mas esse dinheiro n\u00e3o comprou a felicidade que sonhava. No dia 15 de junho, a noite anterior \u00e0 sua derrubada, o presidente eg\u00edpcio Mohammad Morsi suspendeu todas as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a S\u00edria. Tr\u00eas meses depois, o novo governo militar imp\u00f4s regras mais r\u00edgidas contra os s\u00edrios que chegam ao Egito em busca de ref\u00fagio, como a exig\u00eancia de visto e de uma autoriza\u00e7\u00e3o oficial para permanecer no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cDesde que foram cortadas as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, obter um visto \u00e9 imposs\u00edvel. Agora entendemos que n\u00f3s s\u00edrios n\u00e3o somos bem-vindos\u201d, lamentou Yousef. Estima-se que h\u00e1 cerca de 300 mil s\u00edrios refugiados no Egito. Mas muitos s\u00f3 abandonaram o inferno, em que seu converteu seu pa\u00eds por causa dos enfrentamentos entre os rebeldes e as for\u00e7as do regime de Bashar al Assad, para descobrir que o mundo exterior n\u00e3o \u00e9 mais am\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cPreferiria ter morrido na S\u00edria em lugar de levar essa vida humilhante no Egito\u201d, afirmou categoricamente Amer Feras, que chegou ao Cairo depois de perder sua mulher e a filha mais nova no ataque a\u00e9reo lan\u00e7ado em janeiro pelas for\u00e7as de Assad contra a cidade de Homs, 161 quil\u00f4metros ao norte de Damasco. Agora Feras vive em um pequeno quarto de um pr\u00e9dio para refugiados na cidade eg\u00edpcia de Shebin el Koum, na prov\u00edncia de Monufia. O propriet\u00e1rio do pr\u00e9dio, Tarek Marzouk, administra uma tinturaria e d\u00e1 ajuda a fam\u00edlias s\u00edrias.<\/p>\n<p>Feras demorou 25 dias para fugir de seu pa\u00eds com suas tr\u00eas filhas. \u201cTive que cruzar algumas cidades a p\u00e9 para chegar \u00e0 fronteira turca\u201d, contou \u00e0 IPS. No entanto, seu pesadelo n\u00e3o terminou. \u201cMinhas filhas n\u00e3o podem ir para a escola p\u00fablica e n\u00e3o tenho dinheiro para lev\u00e1-las para col\u00e9gio particular. Perdemos nossas propriedades, nosso lar, nossa dignidade e nosso direito de viver como seres humanos, ou, pelo menos, como refugiados de guerra\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>O mesmo desespero vive Dana Gad, uma estudante s\u00edria de medicina de 18 anos, que agora mendiga nas portas das mesquitas do Cairo. \u201cAl\u00e9m de cancelar v\u00e1rios voos desde a S\u00edria e adotar novas restri\u00e7\u00f5es, agora rejeitam nossos pedidos de alojamento. Por isso, a maioria de n\u00f3s vive ilegalmente aqui\u201d, contou \u00e0 IPS. Gad viajou para o Egito com sua m\u00e3e, depois da morte de seu pai e de seu irm\u00e3o. \u201cMeu pai era um joalheiro que tinha uma loja no centro de Damasco. Morreu dentro dela durante um bombardeio das for\u00e7as de Assad\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cAgora mendigo diante das mesquitas do Egito para tentar ajudar minha fam\u00edlia. Tenho que carregar meu passaporte para provar minha identidade e \u00e0s vezes ganho a compaix\u00e3o dos eg\u00edpcios\u201d, acrescentou Gad. A jovem tamb\u00e9m disse que os refugiados s\u00edrios estavam melhor durante o governo de Morsi. \u201cA Irmandade Mu\u00e7ulmana nos tratava melhor, havia educa\u00e7\u00e3o e cuidados m\u00e9dicos. E, mesmo quando Morsi decidiu cortar as rela\u00e7\u00f5es com o regime de Assad, receb\u00edamos um tratamento adequado e solid\u00e1rio do governo\u201d, observou.<\/p>\n<p>Gad acusa a imprensa eg\u00edpcia de promover o \u00f3dio popular contra os s\u00edrios, apresentados como terroristas contratados pela Irmandade Mu\u00e7ulmana para reinstaurar Morsi no poder. \u201cDevido a isto, muitas fam\u00edlias e os indiv\u00edduos come\u00e7aram a pensar em emigrar ilegalmente para a Europa, mesmo que isso possa significar morrer afogado\u201d, acrescentou. No dia 12 de outubro, pelo menos 12 refugiados s\u00edrios e palestinos morreram quando seu barco afundou diante da cidade costeira eg\u00edpcia de Alexandria. Uma semana antes, 359 imigrantes se afogaram quando sua embarca\u00e7\u00e3o afundou, a 120 quil\u00f4metros da ilha italiana de Lampedusa.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o dos refugiados s\u00edrios no Egito atingiu uma fase cr\u00edtica desde a revolu\u00e7\u00e3o de 30 de junho\u201d, disse Abdel Karim Rehawi, presidente da Liga S\u00edria para a Defesa dos Direitos Humanos, se referindo aos protestos que levaram \u00e0 derrubada de Morsi. Rehawi tamb\u00e9m disse que o regime militar redobrou os controles sobre os s\u00edrios, depois que muitos destes foram acusados de colaborar com grupos isl\u00e2micos e conspirar contra o Estado.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 falta de apoio e ajuda, muitos s\u00edrios mendigam em lugares p\u00fablicos. \u201cRecebemos ajuda de algumas fam\u00edlias eg\u00edpcias e de uns poucos volunt\u00e1rios, mas n\u00e3o h\u00e1 apoio oficial do Estado eg\u00edpcio\u201d, apontou Rehawi. Diante do ass\u00e9dio das autoridades eg\u00edpcias, cerca de 150 mil s\u00edrios emigraram para Turquia, L\u00edbano e Jord\u00e2nia. \u201cAl\u00e9m disso, h\u00e1 60 s\u00edrios detidos atualmente em Alexandria, presos quando tentavam fugir para a It\u00e1lia\u201d, acrescentou. \u201cOs traficantes de pessoas se aproveitam dessa situa\u00e7\u00e3o e cobram mais de US$ 3 mil para lev\u00e1-los ilegalmente at\u00e9 a costa italiana, em barcos em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cairo, Egito, 29\/10\/2013 &ndash; Mahmoud Abu Yousef, de 28 anos, vende meias em uma das esta&ccedil;&otilde;es do metr&ocirc; da capital eg&iacute;pcia. Esse jovem fugiu em fevereiro da S&iacute;ria com sua mulher e o filho de um ano, depois que seus pais e tr&ecirc;s irm&atilde;os morreram na guerra civil que a&ccedil;oita esse pa&iacute;s desde 2011. 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