{"id":16803,"date":"2013-10-29T13:46:46","date_gmt":"2013-10-29T13:46:46","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101642"},"modified":"2013-10-29T13:46:46","modified_gmt":"2013-10-29T13:46:46","slug":"curdas-fazem-uma-dupla-revolucao-na-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/curdas-fazem-uma-dupla-revolucao-na-siria\/","title":{"rendered":"Curdas fazem uma dupla revolu\u00e7\u00e3o na S\u00edria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101643\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/mulheres2.jpg\"><img class=\" wp-image-101643 \" alt=\"mulheres2 Curdas fazem uma dupla revolu\u00e7\u00e3o na S\u00edria\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/mulheres2.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Curdas fazem uma dupla revolu\u00e7\u00e3o na S\u00edria\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>Mulheres trabalhando para mulheres em Qamishli, nordeste da S\u00edria. Atr\u00e1s, o rosto de Abdulah Ocalan. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Qamishli, S\u00edria, 29\/10\/2013 \u2013 \u201cCasei aos 14 anos e com 20 j\u00e1 tinha quatro filhos\u201d, recorda Nafia Brahim. Aos 50 anos, essa curda da S\u00edria trabalha para que nenhuma outra mulher deixe de ser dona de seu pr\u00f3prio destino. Brahim \u00e9 uma das 12 integrantes da assembleia que gerencia o Centro para a Forma\u00e7\u00e3o e Emancipa\u00e7\u00e3o da Mulher de Qamishli, cidade que fica 680 quil\u00f4metros a nordeste de Damasco. Sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 multidisciplinar. \u201cOrganizamos oficinas de alfabetiza\u00e7\u00e3o em l\u00edngua curda, de costura, inform\u00e1tica, gin\u00e1stica para gr\u00e1vidas, tudo dirigido por e para mulheres\u201d, detalhou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Brahim acrescentou que o curso mais procurado \u00e9 \u201cmulher e direitos\u201d. A \u201cemancipa\u00e7\u00e3o da mulher come\u00e7a por ela compreender que tem direito de se emancipar, ser um indiv\u00edduo capaz de dirigir sua pr\u00f3pria vida\u201d, assegurou a ativista, com o entusiasmo de quem passou por esse processo h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Ap\u00f3s a rebeli\u00e3o de 2011 contra o governo da S\u00edria, os curdos que vivem nesse pa\u00eds apostaram em uma neutralidade que os leva a enfrentar tanto o regime quanto a oposi\u00e7\u00e3o. Desde julho de 2012, controlam as regi\u00f5es em que s\u00e3o maioria, no norte, onde desfrutam de n\u00edveis de autogoverno que lhes permitem desenvolver iniciativas como esse centro para a mulher. No momento, o papel feminino nessa regi\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel a partir da lideran\u00e7a do Partido da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica (PYD), majorit\u00e1rio entre os curdos da S\u00edria.<\/p>\n<p>\u201cTodas nossas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o divididas em cotas de 40% para mulheres, 40% para homens e 20% para indiv\u00edduos, independente de seu sexo\u201d, disse \u00e0 IPS a copresidente do PYD, Asia Abdala. As raz\u00f5es devem ser buscadas na dupla revolu\u00e7\u00e3o curda na S\u00edria, afirmou. \u201cDe um lado est\u00e3o nossas reivindica\u00e7\u00f5es como povo, selvagemente reprimido por Damasco durante d\u00e9cadas. De outro, as das mulheres em seu conjunto. E n\u00e3o vamos cair no erro de esperar a guerra acabar para recuperar nossos direitos\u201d, destacou. H\u00e1 16 centros de assist\u00eancia \u00e0 mulher distribu\u00eddos pelo Curdist\u00e3o da S\u00edria, pontuou.<\/p>\n<p>As mulheres aqui s\u00e3o muito mais vis\u00edveis do que em qualquer outro ponto do Oriente M\u00e9dio. Elas vestem o uniforme verde da rec\u00e9m-criada pol\u00edcia curda, o azul do servi\u00e7o de coleta de lixo e o de camuflagem das Unidades de Prote\u00e7\u00e3o Popular, uma mil\u00edcia j\u00e1 convertida em aut\u00eantico ex\u00e9rcito. S\u00e3o jornalistas em forma\u00e7\u00e3o ao ritmo que marca a guerra, professoras de idiomas, ativistas, como Ilham Ahmet, porta-voz do Movimento da Sociedade Democr\u00e1tica (TEV-DEM), que re\u00fane partidos pol\u00edticos como o PYD e um grande n\u00famero de coletivos sociais, inclusive os que defendem os direitos da mulher.<\/p>\n<p>\u201cA liberta\u00e7\u00e3o da sociedade em seu conjunto come\u00e7a pela mulher. \u00c9 nossa primeira oportunidade de conseguirmos nossos direitos e n\u00e3o vamos desperdi\u00e7\u00e1-la\u201d, afirmou Ahmet. Embora os avan\u00e7os tenham sido substanciais, todas no centro de Qamishli sabem que a sua ser\u00e1 uma corrida de fundo. \u201cDesde que abrimos esse centro, h\u00e1 quase dois anos, ajudamos mais de 150 mulheres. A maioria fugindo de um casamento n\u00e3o desejado, muitas delas meninas\u201d, recordou Faiza Mahmud, de 55 anos.<\/p>\n<p>\u201cN. Z., casada aos 15 anos com um homem de 37 que bateu nela e levou o filho do casal\u201d, l\u00ea Mahmud no livro de registros. \u201cR. T., de 16, violada e abandonada na Turquia pelo marido de 43&#8230; S\u00e3o dezenas de casos como esses\u201d, descreve. \u201cOferecemos apoio legal e econ\u00f4mico e mediamos com as fam\u00edlias para que se integrem em uma sociedade que as rejeitou\u201d, contou a mais veterana do grupo, junto ao enorme mural com o rosto de Abdulah Ocalan, l\u00edder do Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o (PKK) e preso na Turquia.<\/p>\n<p>\u201cOcalan foi o \u00fanico l\u00edder do Oriente M\u00e9dio que defendeu os direitos da mulher\u201d, afirmou energicamente Mahmud, transmitindo uma simpatia, compartilhada por todo o TEV-DEM, em rela\u00e7\u00e3o a esse movimento guerrilheiro, fundado na Turquia em 1978. Nuha Mahmud assegurou que as mulheres \u00e1rabes e crist\u00e3s tamb\u00e9m se aproximam do Centro em busca de ajuda. \u201cFrequentemente temos que mediar com a diocese local para que facilite o div\u00f3rcio, j\u00e1 que para os crist\u00e3os \u00e9 muito mais complicado do que para os mu\u00e7ulmanos\u201d, explicou essa volunt\u00e1ria de 35 anos, \u201cfelizmente casada\u201d.<\/p>\n<p>Nos sete meses em que trabalha aqui, disse ter ajudado um grande n\u00famero de v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual. \u201cS\u00e3o casos terr\u00edveis porque a mulher violada, frequentemente menor de idade, \u00e9 repudiada inclusive por sua fam\u00edlia\u201d, e muitas das v\u00edtimas n\u00e3o reconhecem ter sofrido um ataque sexual, acrescentou Nuha Mahmud.<\/p>\n<p>Seu testemunho \u00e9 corroborado pelo informe divulgado em maio pela Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Direitos Humanos, denunciando o elevado n\u00famero de viola\u00e7\u00f5es sexuais cometidas na S\u00edria, tanto por agentes do governo quanto da oposi\u00e7\u00e3o. O \u201cestigma social das v\u00edtimas continua sendo muito forte na sociedade s\u00edria\u201d, afirma o documento.<\/p>\n<p>Aos 16 anos, Aitan Hussein conhece essa realidade bem de perto. A mais jovem do grupo \u00e9, segundo suas companheiras, \u201cpe\u00e7a fundamental\u201d para ajudar jovens de sua idade. \u201cO trabalho conjunto entre mulheres de diferentes idades me permite ter uma vis\u00e3o muito ajustada do sofrimento de cada gera\u00e7\u00e3o\u201d, disse Hussein, que divide seu trabalho no centro com os estudos secund\u00e1rios.<\/p>\n<p>Essa jovem ativista disse se sentir afortunada, j\u00e1 que sua fam\u00edlia \u201cn\u00e3o impor\u00e1 nem casamento nem carga extra de nenhum tipo\u201d. Por\u00e9m, n\u00e3o parece ser suficiente para ela. \u201cN\u00e3o podemos ficar de bra\u00e7os cruzados enquanto os abusos contra a mulher continuam. Temos que seguir lutando para que nada disso volte a ocorrer, nem aqui nem em nenhuma parte\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Qamishli, S&iacute;ria, 29\/10\/2013 &ndash; &ldquo;Casei aos 14 anos e com 20 j&aacute; tinha quatro filhos&rdquo;, recorda Nafia Brahim. Aos 50 anos, essa curda da S&iacute;ria trabalha para que nenhuma outra mulher deixe de ser dona de seu pr&oacute;prio destino. 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