{"id":16805,"date":"2013-10-30T13:49:47","date_gmt":"2013-10-30T13:49:47","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101720"},"modified":"2013-10-30T13:49:47","modified_gmt":"2013-10-30T13:49:47","slug":"a-luta-para-salvar-o-asno-selvagem-na-mongolia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/a-luta-para-salvar-o-asno-selvagem-na-mongolia\/","title":{"rendered":"A luta para salvar o asno selvagem na Mong\u00f3lia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101721\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/julan640.jpg\"><img class=\" wp-image-101721 \" alt=\"julan640 A luta para salvar o asno selvagem na Mong\u00f3lia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/julan640.jpg\" width=\"529\" height=\"322\" title=\"A luta para salvar o asno selvagem na Mong\u00f3lia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Restos de um julan ca\u00e7ado ilegalmente. Fotio: Cortesia de Goviin Khulan<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Regi\u00e3o de Gobi do Sul, Mong\u00f3lia, 30\/10\/2013 \u2013 D\u00e9cadas de colabora\u00e7\u00e3o internacional e local conseguiram resgatar o tahki, ou cavalo selvagem asi\u00e1tico, da extin\u00e7\u00e3o, reintroduzindo suas manadas no deserto de Gobi e nas pradarias da Mong\u00f3lia. Por\u00e9m, o asno selvagem mongol, ou julan, est\u00e1 desaparecendo rapidamente. A Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN) o incluiu em sua Lista Vermelha de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas em 2008.<\/p>\n<p>\u201cO julan (<i>Equus hemionus<\/i>) atrai menos aten\u00e7\u00e3o do que o tahki, que \u00e9 apreciado nacionalmente\u201d, explicou a etologista (estudiosa do comportamento animal) francesa Anne-Camille Souris, radicada na Mong\u00f3lia e que desde 2003 trabalha em projetos sobre equinos selvagens, com o International Tahki Group. H\u00e1 pesquisas, mas pouca a\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS. Segundo Souris, em todo o mundo h\u00e1 dois mil exemplares de tahki e 14 mil de julan. Contudo, enquanto a popula\u00e7\u00e3o do primeiro aumenta, a desta subesp\u00e9cie do asno selvagem asi\u00e1tico segue em queda livre.<\/p>\n<p>Em 2007, Souris cofundou a organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos Goviin Khulan. \u201cCooperamos com cientistas e especialistas locais, com autoridades, guardas florestais, governadores de cada subdivis\u00e3o administrativa, escolas, monast\u00e9rios budistas e a popula\u00e7\u00e3o local em nossa \u00e1rea de estudo\u201d, afirmou. A zona de pesquisa da organiza\u00e7\u00e3o fica na Regi\u00e3o de Gobi do Sul, onde vive a maior popula\u00e7\u00e3o de julan. Duas popula\u00e7\u00f5es menores e mais isoladas existem mais para o ocidente, nas \u00e1reas Dzungariana e Transaltai do Gobi, mas est\u00e3o afastadas da de Gobi do Sul. A maior parte da minera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds acontece nessa \u00faltima, uma regi\u00e3o rica em recursos extrativos.<\/p>\n<p>Embora o governo mongol tenha designado \u00e1reas protegidas especiais nas prov\u00edncias de Dornogovi e Omnigobi, ao sul, o habitat do julan se estende muito al\u00e9m delas. Al\u00e9m disso, o julan tamb\u00e9m enfrenta a competi\u00e7\u00e3o dos animais dom\u00e9sticos, que est\u00e3o esgotando os recursos forrageiros e h\u00eddricos. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas a mudan\u00e7a clim\u00e1tica afetou significativamente o ecossistema do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estudo <i>Mong\u00f3lia: Informe de Avalia\u00e7\u00e3o Sobre a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica 2009<\/i> mostrou uma perda de \u00e1guas superficiais de 19%, bem como 7% de perda de pastagens e 26% de perda florestal. Al\u00e9m disso, as terras desertas triplicaram, passando de 52 mil para 149 mil quil\u00f4metros quadrados. Dos 1.800 po\u00e7os cavados na prov\u00edncia de Dornogovi, apenas cerca de mil ainda t\u00eam \u00e1gua. Assim, agora os pastores veem o julan como uma amea\u00e7a e com frequ\u00eancia ajudam os ca\u00e7adores ilegais a vender sua carne. Segundo um estudo nacional, a economia de mercado ati\u00e7ou a atividade desses \u00faltimos, que passaram de 25 mil durante a era socialista para 245 mil em 2008.<\/p>\n<p>Entretanto, Souris disse que o julan n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a, mas ben\u00e9fico para os animais dom\u00e9sticos, pois podem fazer po\u00e7os subterr\u00e2neos para encontrar \u00e1gua. Sua organiza\u00e7\u00e3o documentou que animais dom\u00e9sticos saciam sua sede em po\u00e7os de \u00e1gua criados pelo julan. A popula\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria na regi\u00e3o aumentou consideravelmente ap\u00f3s o colapso do socialismo, em 1990, de 762 mil para mais de cinco milh\u00f5es atualmente.<\/p>\n<p>Gobi \u00e9 o centro da ind\u00fastria da Caxemira, que resultou em uma ben\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a virada para a economia de mercado. Em desvantagem com a Caxemira subsidiada da China, os pastores mong\u00f3is aumentaram a quantidade de cabras a fim de amortizar as perdas. Um informe do Banco Mundial de 2010 inclui estes fatores entre os que contribu\u00edram para a alarmante redu\u00e7\u00e3o dos exemplares de julan. Na d\u00e9cada de 1990, havia 40 mil e em 2009 eram 14 mil. Dados mais atuais sugerem que anualmente ocorre uma redu\u00e7\u00e3o de 10%.<\/p>\n<p>Outro informe, este do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da Conven\u00e7\u00e3o sobre as Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias e do Escrit\u00f3rio de programas do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) na Mong\u00f3lia, estudou o impacto das estradas e ferrovias sobre o julan e outras esp\u00e9cies migrat\u00f3rias no pa\u00eds. O relat\u00f3rio <i>Barreiras \u00e0s Migra\u00e7\u00f5es: Estudo de Caso na Mong\u00f3lia<\/i>, divulgado em 2011, explica como as ferrovias que v\u00e3o de norte a sul, desde a fronteira russa at\u00e9 a China, dividem Gobi em dois, reduzindo, assim, o habitat do julan.<\/p>\n<p>As manadas da parte oriental desapareceram depois de constru\u00eddas as estradas de ferro. Al\u00e9m disso, como na regi\u00e3o h\u00e1 oito grandes minas que produzem e transportam carv\u00e3o, uma \u00fanica rodovia que leva \u00e0 fronteira registrou um tr\u00e1fego di\u00e1rio de 50 caminh\u00f5es carregados desse produto. Segundo o informe, o julan precisaria de passagens inferiores para se movimentar de maneira segura.<\/p>\n<p>A mina de cobre de Oyu Tolgoi, um dos maiores projetos extrativistas do pa\u00eds, que \u00e9 administrada conjuntamente pelo governo e por interesses privados, pretende construir algumas dessas passagens inferiores. Contudo, seu principal assessor para assuntos h\u00eddricos, Mark Newby, afirmou que seu impacto atual \u00e9 pequeno em compara\u00e7\u00e3o com o transporte de carv\u00e3o. J\u00e1 o transporte de concentrado de cobre, disse Newby \u00e0 IPS, \u201c\u00e9 feito em comboios de 16 caminh\u00f5es, e atualmente h\u00e1 at\u00e9 tr\u00eas comboios que chegam diariamente \u00e0 fronteira\u201d. Isso representa cerca de 50 caminh\u00f5es, com aumento de \u201cat\u00e9 seis comboios\u201d no futuro.<\/p>\n<p>Newbi tamb\u00e9m disse que a pavimenta\u00e7\u00e3o do que costumava ser uma estrada suja n\u00e3o s\u00f3 melhorou a situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias dos pastores que viviam perto dela, como tamb\u00e9m permitiu que houvesse passagens de julanes. Em 20 exemplares desse equino foram colocados colares para que o projeto pudesse rastrear seus movimentos. A Oyu Tolgoi tamb\u00e9m realizou um levantamento a\u00e9reo entre maio e julho.<\/p>\n<p>\u201cEm 2008, acad\u00eamicos, pesquisadores e especialistas mundiais sobre esp\u00e9cies unguladas sugeriram\u201d faz\u00ea-lo, disse \u00e0 IPS Dennis Hosack, principal assessor sobre compensa\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de biodiversidade na gigante mineira anglo-australiano Rio Tinto. Atualmente em fase de an\u00e1lise de dados, seu avan\u00e7o pode ser acompanhado no blog <a href=\"http:\/\/southgobi2013.countingstuff.org\/census-zone\/\">http:\/\/southgobi2013.countingstuff.org\/census-zone\/<\/a>. Por outro lado, a mina de carv\u00e3o de Tavan Tolgoi, que em grande parte \u00e9 propriedade do governo, ainda n\u00e3o colabora com a preserva\u00e7\u00e3o do junal, embora Souris afirme que espera que o fa\u00e7a.<\/p>\n<p>Para conscientizar sobre as vulnerabilidades do julan, a associa\u00e7\u00e3o Goviin Khulan trabalha desde 2008 com os monges de Ulgii Hiid na prov\u00edncia de Dornovobi, bem como com os de Jamariin Jiid, perto da capital provincial, Sainshand, e o Fundo Tribut\u00e1rio e a Alian\u00e7a de Religi\u00f5es e Conserva\u00e7\u00e3o, usando princ\u00edpios budistas para preservar os recursos naturais. Al\u00e9m disso, dedicou o dia 18 de setembro para convocar artistas do pa\u00eds \u201ce a atuar como ponte para a cultura mongol e a prote\u00e7\u00e3o natural\u201d, ressaltou Souris. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Regi&atilde;o de Gobi do Sul, Mong&oacute;lia, 30\/10\/2013 &ndash; D&eacute;cadas de colabora&ccedil;&atilde;o internacional e local conseguiram resgatar o tahki, ou cavalo selvagem asi&aacute;tico, da extin&ccedil;&atilde;o, reintroduzindo suas manadas no deserto de Gobi e nas pradarias da Mong&oacute;lia. Por&eacute;m, o asno selvagem mongol, ou julan, est&aacute; desaparecendo rapidamente. 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