{"id":16807,"date":"2013-10-30T14:22:04","date_gmt":"2013-10-30T14:22:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101730"},"modified":"2013-10-30T14:22:04","modified_gmt":"2013-10-30T14:22:04","slug":"integracao-energetica-carregada-de-curto-circuitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/10\/ultimas-noticias\/integracao-energetica-carregada-de-curto-circuitos\/","title":{"rendered":"Integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica carregada de curto circuitos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101731\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/itaipucita-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-101731 \" alt=\"itaipucita 629x472 Integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica carregada de curto circuitos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/itaipucita-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica carregada de curto circuitos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Complexo hidrel\u00e9trico de Itaipu, um exemplo de integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica bilateral que n\u00e3o pode transcender as fronteiras de Paraguai e Brasil. foto: Dar\u00edo Montero\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Santiago, Chile, 30\/10\/2013 \u2013 Os esfor\u00e7os de integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o descont\u00ednuos, apesar de muitos terem claro que n\u00e3o h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser com todos. E, para esse horizonte \u00e9 preciso avan\u00e7ar, segundo especialistas, para espantar o fantasma do d\u00e9ficit e dos altos custos, que afeta v\u00e1rios pa\u00edses. Especialistas consultados pela IPS coincidem quanto \u00e0s dificuldades para concretizar a sonhada integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica se centrarem, por exemplo, nas diferen\u00e7as entre os programas de fornecimento de energia.<\/p>\n<p>H\u00e1 pa\u00edses com manejo estatal centralizado, <i>versus<\/i> esquemas de participa\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privada. Tamb\u00e9m afetam a variabilidade dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, a incerteza na disponibilidade de g\u00e1s natural e os conflitos socioambientais no desenvolvimento de megaprojetos energ\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Os especialistas afirmam que para avan\u00e7ar \u00e9 preciso adotar as regulamenta\u00e7\u00f5es comerciais e t\u00e9cnicas necess\u00e1rias para viabilizar o mercado internacional da eletricidade, operar os sistemas de interliga\u00e7\u00e3o internacional, incluindo sua harmoniza\u00e7\u00e3o com as regulamenta\u00e7\u00f5es nacionais, e coordenar um planejamento indicativo dos sistemas conectados da regi\u00e3o que objetive o desenvolvimento do mercado regional dessa energia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m devem ser definidos crit\u00e9rios comuns de confiabilidade, prioridades em racionamentos e distribui\u00e7\u00e3o da renda da cogest\u00e3o. O primeiro estudo s\u00e9rio sobre integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e interliga\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina foi feito em 1964, quando foi criada a Comiss\u00e3o de Integra\u00e7\u00e3o El\u00e9trica Regional (Cier), que hoje \u00e9 formada por dez pa\u00edses, entre eles seus fundadores, Argentina, Bol\u00edvia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, al\u00e9m de sete empresas. At\u00e9 o momento, o Cier desenvolveu cerca de 20 estudos segundo os quais existem possibilidades concretas de uni\u00e3o entre os sistemas el\u00e9tricos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O uruguaio Oscar Ferre\u00f1o, coordenador internacional de gera\u00e7\u00e3o do Cier, se manifestou cauteloso \u00e0 IPS. Apesar dos estudos realizados, a Am\u00e9rica Latina ainda est\u00e1 longe de concretizar uma integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, assegurou. Entre os fatores que impedem avan\u00e7ar mais nessa integra\u00e7\u00e3o est\u00e3o a falta de vontade pol\u00edtica e as privatiza\u00e7\u00f5es de grandes empresas p\u00fablicas da \u00e1rea da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e companhias de petr\u00f3leo e g\u00e1s, que proliferaram na regi\u00e3o na d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Ferre\u00f1o afirmou que existe uma \u00e1rea interligada que agrupa os pa\u00edses fundadores do Mercado Comum do Sul (Mercosul), Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, mas alertou que \u201ch\u00e1 uma barreira natural dif\u00edcil de vencer, que \u00e9 a Cordilheira dos Andes\u201d. Contudo, destacou, de todo modo hoje existem v\u00e1rias iniciativas de interliga\u00e7\u00e3o bilateral ou multilateral em an\u00e1lise. V\u00e1rias delas podem ser concretizadas.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o projeto de interliga\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, impulsionado por Uruguai e Brasil, que contempla 500 quilovolts e uma esta\u00e7\u00e3o transformadora de alta tens\u00e3o de corrente cont\u00ednua. A obra, cuja extens\u00e3o \u00e9 de 420 quil\u00f4metros com capacidade de 500 megawatts, deve estar pronta este ano e se estima estar\u00e1 operacional em meados de 2014.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia tamb\u00e9m discute com Buenos Aires e Assun\u00e7\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de uma linha de 500 quilovolts, de 321 quil\u00f4metros e capacidade de dois mil megawatts para interligar os complexos hidrel\u00e9tricos binacionais de Yacyret\u00e1, compartilhado por Argentina e Paraguai, e Itaipu, de Brasil e Paraguai. O problema \u00e9 que o contrato assinado por Itaipu pro\u00edbe a venda a um terceiro pa\u00eds.<\/p>\n<p>Enquanto isso, na zona andina, dois projetos permanecem nos pap\u00e9is. Um \u00e9 derivado do estudo realizado em 2007 pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que incentivou as complementaridades existentes nos recursos energ\u00e9ticos de Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Chile, Equador e Peru. O outro plano em estudo \u00e9 o de Interliga\u00e7\u00e3o El\u00e9trica Andina, do qual participam esses cinco pa\u00edses e conta com aval do Banco Interamericano de Desenvolvimento.<\/p>\n<p>Entretanto, a ideia de estabelecer uma rede energ\u00e9tica regional tem o objetivo de utilizar o petr\u00f3leo das enormes reservas de Argentina e Uruguai, o g\u00e1s de Peru e Bol\u00edvia, o sistema el\u00e9trico presente em Chile e Brasil e todo o potencial e\u00f3lico e solar da regi\u00e3o. Para Ferre\u00f1o, \u201ca integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 fundamental\u201d, principalmente pela varia\u00e7\u00e3o produzida pelas energias renov\u00e1veis n\u00e3o convencionais, cujo desenvolvimento tem um vasto potencial na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>\u201cO vento pode soprar no sul em um momento e n\u00e3o no norte, ou pode estar nublado, ent\u00e3o a integra\u00e7\u00e3o facilita a homogeneiza\u00e7\u00e3o de todas as produ\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas naturais. Isso \u00e9 fundamental\u201d, opinou Ferre\u00f1o. Por sua vez, o diretor da consultoria TNS Latam, Fernando Meiter, concorda que \u201choje estamos longe de uma integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica regional\u201d. \u00c9 que \u201cela n\u00e3o pode existir se n\u00e3o houver um marco para que, se um pa\u00eds tem excedente, possa fornec\u00ea-lo a um vizinho. Esse \u00e9 basicamente o problema\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Meiter assegurou que a interliga\u00e7\u00e3o existente entre os pa\u00edses est\u00e1 muito longe de se transformar em uma integra\u00e7\u00e3o concreta. \u201cA Argentina tem v\u00e1rios gasodutos para o Chile e um para o Uruguai, que atualmente n\u00e3o s\u00e3o usados. No curto prazo n\u00e3o vejo\u201d a concretiza\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o, indicou. Esse pa\u00eds exportou regularmente g\u00e1s natural para o Chile at\u00e9 2006, quando passou a vender poucas quantidades porque precisou atender suas pr\u00f3prias necessidades.<\/p>\n<p>O Chile, ainda sem resolver a diversifica\u00e7\u00e3o de sua matriz energ\u00e9tica, poderia recorrer \u00e0 Bol\u00edvia, outro grande produtor. Por\u00e9m, os dois pa\u00edses est\u00e3o em constantes tens\u00f5es diplom\u00e1ticas pelas demandas hist\u00f3ricas e sem sucesso de La Paz para obter uma sa\u00edda soberana para o Oceano Pac\u00edfico. Atualmente, a Bol\u00edvia exporta grandes volumes de g\u00e1s para a Argentina.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Energia, o consumo de eletricidade na regi\u00e3o alcan\u00e7ou, em 2010, 1.073 terawatts\/hora e altos pre\u00e7os, tanto no setor residencial quanto no industrial. Dados oficiais indicam que em 2011 o Chile se situou como o sexto pa\u00eds com pre\u00e7os mais altos para o setor industrial entre os membros da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4micos, com US$ 154 o megawatt\/hora.<\/p>\n<p>Meiter explicou que entre os benef\u00edcios da integra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 o de poder negociar pre\u00e7os em bloco. \u201cPor exemplo, se Argentina, Chile, Brasil e Uruguai pudessem comprar em conjunto o g\u00e1s natural de qualquer produtor \u00e1rabe, se fossem juntos negociar volumes, o pre\u00e7o baixaria\u201d, sugeriu. Para esse consultor, a Cordilheira dos Andes, apesar do que se diz, n\u00e3o \u00e9 uma dificuldade para a integra\u00e7\u00e3o \u201cporque a infraestrutura j\u00e1 est\u00e1 feita. Ent\u00e3o, trata-se de vontade pol\u00edtica\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Santiago, Chile, 30\/10\/2013 &ndash; Os esfor&ccedil;os de integra&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica na Am&eacute;rica Latina s&atilde;o descont&iacute;nuos, apesar de muitos terem claro que n&atilde;o h&aacute; salva&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ser com todos. E, para esse horizonte &eacute; preciso avan&ccedil;ar, segundo especialistas, para espantar o fantasma do d&eacute;ficit e dos altos custos, que afeta v&aacute;rios pa&iacute;ses. 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