{"id":16815,"date":"2013-11-01T11:54:32","date_gmt":"2013-11-01T11:54:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101852"},"modified":"2013-11-01T11:54:32","modified_gmt":"2013-11-01T11:54:32","slug":"a-guerra-do-sri-lanka-nao-terminou-para-mulheres-tamis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/a-guerra-do-sri-lanka-nao-terminou-para-mulheres-tamis\/","title":{"rendered":"A guerra do Sri Lanka n\u00e3o terminou para mulheres tamis"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_101853\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/mulheres.jpg\"><img class=\" wp-image-101853 \" alt=\"mulheres A guerra do Sri Lanka n\u00e3o terminou para mulheres tamis\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/mulheres.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"A guerra do Sri Lanka n\u00e3o terminou para mulheres tamis\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres na aldeia de Allankulam cavam um po\u00e7o de \u00e1gua comunit\u00e1rio. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Batticaloa\/Killinochchi, Sri Lanka, 1\/11\/2013 \u2013 A guerra civil do Sri Lanka chegou ao fim h\u00e1 quatro anos, mas as mulheres ainda travam uma dura batalha nas \u00e1reas que viveram o conflito, no leste e norte deste pa\u00eds insular. Elas lutam por suas necessidades b\u00e1sicas e as de suas fam\u00edlias, mas tamb\u00e9m para salvar sua honra. O conflito entre o grupo separatista Tigres para a Liberta\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria Tamil-Eelam (LTTE) e o governo, de 1983 a 2009, deixou muitas mulheres na chefia de suas fam\u00edlias. Seus maridos morreram, desapareceram ou ficaram incapacitados.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica situa\u00e7\u00e3o financeira tamb\u00e9m fez aumentar a explora\u00e7\u00e3o de mulheres. As cingalesas que encabe\u00e7am suas fam\u00edlias \u201cest\u00e3o desesperadas pela falta de dinheiro, e algumas apelam para o trabalho sexual ou para oferecer servi\u00e7os sexuais em troca de favores\u201d, diz um informe da organiza\u00e7\u00e3o internacional Minority Rights Group (MRG), com sede em Londres.<\/p>\n<p>O Centro para a Cura Hol\u00edstica em Killinochchi, administrado pela Igreja Anglicana, informou que h\u00e1 cerca de quatro meses se desconhece o paradeiro de 15 mulheres que foram contatadas por agentes trabalhistas fora de sua prov\u00edncia. Teme-se que tenham ca\u00eddo em redes de prostitui\u00e7\u00e3o for\u00e7ada.<\/p>\n<p>As mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o as primeiras v\u00edtimas da frustra\u00e7\u00e3o masculina pela falta de trabalho, segundo pesquisa feita em junho pelo Escrit\u00f3rio de Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios (Ocha) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). \u201cH\u00e1 crescentes taxas de viola\u00e7\u00e3o sexual e de g\u00eanero, devido principalmente ao alcoolismo e \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o causada pelo desemprego\u201d, diz o relat\u00f3rio da visita do Ocha a sete distritos nas prov\u00edncias do norte e leste do Sri Lanka.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, acrescenta o documento, \u201ch\u00e1 cada vez mais casos de casamentos precoces e viola\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta o estudo, elaborado ap\u00f3s uma viagem de duas semanas de funcion\u00e1rios do Ocha por essas prov\u00edncias. Uma das preocupa\u00e7\u00f5es que constam do informe, de 19 p\u00e1ginas, diz respeito aos perigos enfrentados por comunidades vulner\u00e1veis, como meninos e meninas, deficientes, idosos e mulheres chefes de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Segundo a MRG, existem pelo menos 80 mil vi\u00favas nas prov\u00edncias do norte e leste, que t\u00eam uma popula\u00e7\u00e3o total de 2,5 milh\u00f5es de pessoas. Na Prov\u00edncia do Norte, palco dos piores confrontos nos \u00faltimos dias da guerra civil, h\u00e1 40 mil mulheres chefes de fam\u00edlia, segundo o Centro para as Mulheres e o Desenvolvimento, com sede em Jaffna. \u201c\u00c9 uma vida muito dura a dessas mulheres\u201d, disse \u00e0 IPS a diretora do Centro, Saroja Sivachandran. \u201cPrecisam alimentar suas fam\u00edlias em uma regi\u00e3o onde inclusive os homens aptos t\u00eam dificuldades para encontrar trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Um estudo realizado em julho pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur) concluiu que apenas 9% das 138.651 fam\u00edlias reassentadas na Prov\u00edncia Norte ap\u00f3s o conflito tinham um integrante com emprego permanente. \u201cA renda mensal m\u00e9dia por pessoa \u00e9 equivalente a US$ 17. A linha de pobreza em abril deste ano era de US$ 28, diz o informe. \u201cPode-se imaginar a dificuldade que deve ser para uma mulher com mais de 30 anos, que nunca trabalhou, procurar emprego aqui\u201d, pontuou Sivachandran.<\/p>\n<p>Segundo Farah Mihlar, autora do informe da MRG, n\u00e3o h\u00e1 investimentos importantes para que as chefes de fam\u00edlia gerem renda na regi\u00e3o. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma avalia\u00e7\u00e3o adequada das necessidades das fam\u00edlias encabe\u00e7adas por mulheres, para ent\u00e3o criar oportunidades de emprego. Al\u00e9m disso, as pr\u00f3prias mulheres devem ser parte dessas decis\u00f5es\u201d, opinou.<\/p>\n<p>Sivachandran apontou outro aspecto do problema: as cingalesas que ficaram sem companheiro suportam as condi\u00e7\u00f5es de uma sociedade tamil patriarcal, que n\u00e3o muda apesar do papel destacado que muitas delas desempenharam nas fileiras do Tigres.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m melhor do que Kaleiwani (nome fict\u00edcio), uma tamil na faixa dos 30 anos que integrou a ala feminina do LTTE, para explicar o que isso significa. \u201cQuando tinha uma arma, todos me respeitavam. Hoje n\u00e3o sou ningu\u00e9m, sou pior do que um c\u00e3o perdido\u201d, afirmou. Ela integrou o grupo rebelde entre 2008 e 2009, quando as for\u00e7as do governo lan\u00e7aram a \u00faltima a\u00e7\u00e3o concertada, que acabou derrotando os rebeldes.<\/p>\n<p>Kaleiwani sobreviveu a uma batalha com um ferimento grave na m\u00e3o. Passou algum tempo em centros de reabilita\u00e7\u00e3o antes de voltar para sua casa, em uma aldeia do distrito de Batticaloa, na Prov\u00edncia Leste. Mas, ao chegar, descobriu que ningu\u00e9m mais a queria, nem mesmo sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. Sua irm\u00e3, casada com um funcion\u00e1rio do governo, lhe pediu para que n\u00e3o se encontrassem mais, para evitar poss\u00edveis suspeitas das autoridades.<\/p>\n<p>Kaleiwani tamb\u00e9m sofreu ass\u00e9dio. Em um tr\u00e2mite para obter seus documentos, um funcion\u00e1rio p\u00fablico \u201cn\u00e3o deixava de falar como meu corpo era bonito e que poder\u00edamos chegar a um acordo se eu estivesse disposta a fazer certos favores\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Outra mulher de Allankulam, aldeia do distrito de Mullaitivu, na Prov\u00edncia Norte, contou uma experi\u00eancia semelhante. Essa vi\u00fava com tr\u00eas filhos, que n\u00e3o quis se identificar, come\u00e7ou a construir uma nova casa depois de regressar \u00e0 sua aldeia, e precisava de um t\u00edtulo de propriedade.<\/p>\n<p>\u201cO escrit\u00f3rio de terras do governo me ajudou muito\u201d, afirmou, \u201cmas quando fui \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do distrito o oficial, fui acusada de ter deitado com um funcion\u00e1rio para conseguir minha documenta\u00e7\u00e3o\u201d. Ela n\u00e3o respondeu nada porque estava com seus filhos. Se estivesse sozinha \u201cteria esbofeteado o oficial\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Batticaloa\/Killinochchi, Sri Lanka, 1\/11\/2013 &ndash; A guerra civil do Sri Lanka chegou ao fim h&aacute; quatro anos, mas as mulheres ainda travam uma dura batalha nas &aacute;reas que viveram o conflito, no leste e norte deste pa&iacute;s insular. 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