{"id":16817,"date":"2013-11-01T12:09:57","date_gmt":"2013-11-01T12:09:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=101860"},"modified":"2013-11-01T12:09:57","modified_gmt":"2013-11-01T12:09:57","slug":"metodo-indolor-para-detectar-malaria-em-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/metodo-indolor-para-detectar-malaria-em-uganda\/","title":{"rendered":"M\u00e9todo indolor para detectar mal\u00e1ria em Uganda"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<div id=\"attachment_101861\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/uganda_ch.jpg\"><img class=\" wp-image-101861 \" alt=\"uganda ch M\u00e9todo indolor para detectar mal\u00e1ria em Uganda\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/uganda_ch.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"M\u00e9todo indolor para detectar mal\u00e1ria em Uganda\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Da esquerda para a direita: Josiah Kavuma, Simon Lubambo, Joshua Businge e Brian Gitta, conhecidos como Code 8, criaram um aplicativo m\u00f3vel para diagnosticar a mal\u00e1ria. Foto: Cortesia Microsoft.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 1\/11\/2013 \u2013 Aos 21 anos, Brian Gitta j\u00e1 teve mal\u00e1ria tantas vezes que perdeu a conta. De tantos exames de sangue que precisou fazer, pegou pavor das agulhas. Por isso n\u00e3o surpreende que, com tr\u00eas companheiros de inform\u00e1tica, tenha criado um aplicativo para telefones celulares que detecta o parasita que causa a doen\u00e7a sem necessidade de picadas.<\/p>\n<p>\u201cA primeira vez que fiquei doente tinha dois ou tr\u00eas anos\u201d, contou Gitta, estudante de inform\u00e1tica na Universidade Makerere, em Kampala. \u201c\u00c9 muito raro algu\u00e9m n\u00e3o ter tido mal\u00e1ria em Uganda. Se for a uma cl\u00ednica descobrir\u00e1 que 90% dos pacientes a contra\u00edram\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Estima-se que entre 70 mil e cem mil ugandenses morrem por ano devido a essa doen\u00e7a tropical causada por um parasita transmitido aos humanos por um mosquito. A mal\u00e1ria \u00e9 a principal causa de morte nesse pa\u00eds, segundo a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Malaria Consortium Uganda. Cerca de 42% de seus 34,5 milh\u00f5es de habitantes s\u00e3o portadores do parasita, embora n\u00e3o desenvolvam os sintomas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A \u00faltima reca\u00edda de Gitta, bem antes do Natal de 2012, foi grave. Ao mesmo tempo contraiu brucelose, doen\u00e7a bacteriana infecciosa provocada pelo consumo de carne ou leite contaminados, e febre tifoide, e precisou ficar um m\u00eas no hospital. \u201cTive que fazer muitos exames de sangue. Era muito dolorido e a fila de m\u00e9dicos era longa\u201d, recordou.<\/p>\n<p>Gitta permaneceu prostrado durante sua convalesc\u00eancia. Nesse estado, um dia teve a ideia: se imaginou em um \u201ccentro m\u00e9dico m\u00f3vel\u201d que realizasse exames r\u00e1pidos e sem dor e sem agulhas nem picadas. Pensou em usar um pequeno dispositivo. Foi um grande sonho. E, enquanto se recuperava, p\u00f4s m\u00e3os \u00e0 obra.<\/p>\n<p>Na cidade russa de S\u00e3o Petersburgo, Gitta, Joshua Businge, Simon Lubambo e Josiah Kavuma, chamados Code 8, souberam que eram os vencedores do Pr\u00eamio Empoderamento de Mulheres de Imagine Cup, um concurso estudantil de tecnologia organizado pela Microsoft. Assim o grupo de rapazes recebeu o reconhecimento por criar o aplicativo chamado Matibabu, centro m\u00e9dico em l\u00edngua swahili.<\/p>\n<p>Em Uganda, a mal\u00e1ria \u00e9 diagnosticada por meio de an\u00e1lise de sangue no microsc\u00f3pio ou mediante um exame r\u00e1pido. Demora 30 minutos ou mais e deve ser feito por um t\u00e9cnico. \u00c9 considerado um exame com \u201cpadr\u00e3o de excel\u00eancia\u201d porque \u00e9 o m\u00e9todo mais confi\u00e1vel. Revela a presen\u00e7a ou aus\u00eancia do parasita no sangue, a esp\u00e9cie e quanto se multiplicou.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, agora o Matibabu permite um diagn\u00f3stico mais r\u00e1pido em qualquer lugar e sem um especialista qualificado. O resultado \u00e9 obtido em cerca de 15 minutos, embora n\u00e3o mostre a quantidade de parasitas como o outro. O Matibabu utiliza um dispositivo port\u00e1til feito sob medida chamado matisc\u00f3pio, que \u00e9 conectado a um telefone celular para dar um resultado r\u00e1pido. O usu\u00e1rio introduz o dedo no matisc\u00f3pio e, mediante uma luz vermelha que penetra na pele, o aplicativo detecta os gl\u00f3bulos vermelhos.<\/p>\n<p>\u201cSabe-se que s\u00f3 gl\u00f3bulos vermelhos infectados t\u00eam uma estrutura bioqu\u00edmica, qu\u00edmica e f\u00edsica diferente dos normais; usamos uma tecnologia que dispersa a luz para determinar o padr\u00e3o de dispers\u00e3o de ambos os tipos de c\u00e9lula\u201d, explicou Kavuma \u00e0 IPS. \u201cPela diferen\u00e7a de padr\u00f5es, o aplicativo pode diagnosticar a mal\u00e1ria sem uma mostra de sangue\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O dispositivo tem um diodo emissor e um sensor de luz e transmite o resultado ao usu\u00e1rio do telefone para seu processamento. Depois, o Matibabu envia o resultado para o servi\u00e7o de armazenamento da Microsoft, Skydrive. Isso permite compartilh\u00e1-lo imediatamente com o m\u00e9dico do paciente, evitando demoras prolongadas. O Code 8 disse que o Matibabu, que atualmente s\u00f3 pode ser usado com telefones que tenham sistema operacional m\u00f3vel Windows, ajudar\u00e1, em particular, as mulheres gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, metade da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 suscet\u00edvel de contrair mal\u00e1ria. As gr\u00e1vidas, as meninas e os meninos pequenos e as pessoas com HIV\/aids s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis. \u201cQuando uma mulher gr\u00e1vida contrai mal\u00e1ria, contagia o beb\u00ea\u201d, explicou Lubambo \u00e0 IPS. \u201cMas, se for detectada rapidamente, pode-se evitar abortos espont\u00e2neos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A equipe espera contar com um aplicativo compat\u00edvel com outros sistemas operacionais como Android e OS em meados de 2014. Quando disporem de vers\u00f5es para outras plataformas, talvez comecem a utilizar outros servi\u00e7os de armazenamento online, como Dropbox, para guardar os resultados. O grupo espera que dentro de dois anos o dispositivo esteja no mercado; o aplicativo poder\u00e1 ser baixado de forma gratuita.<\/p>\n<p>O aparelho custar\u00e1 entre US$ 20 e US$ 35, o que \u00e9 muito dinheiro para os ugandenses, reconheceram os jovens. Atualmente, o custo do exame com microsc\u00f3pio ou o diagn\u00f3stico r\u00e1pido custam cerca de US$ 5 no setor privado em Uganda, disse \u00e0 IPS a m\u00e9dica Jane Achan, professora do departamento de pediatria e sa\u00fade infantil da faculdade de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Universidade Makerere.<\/p>\n<p>A mal\u00e1ria afeta principalmente a popula\u00e7\u00e3o rural, explicou Achan, acrescentando que no distrito de Apach, norte do pa\u00eds, um paciente sofre cerca de 1.500 picadas de mosquito por ano. Essa gente n\u00e3o necessariamente tem acesso a telefones inteligentes. \u201cAs popula\u00e7\u00f5es urbanas j\u00e1 t\u00eam mais vantagens pelo simples fato de contarem com centros de sa\u00fade mais acess\u00edveis, mais m\u00e9dicos e mais possibilidades de obter um diagn\u00f3stico\u201d, afirmou a m\u00e9dica. \u201cEm \u00faltima inst\u00e2ncia, deve-se comparar a aplicativo com o que existe e est\u00e1 dispon\u00edvel\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Moses Kizito, diretor da privada Cl\u00ednica SAS, em Kampala, disse que no momento o Matibabu parece \u201cbastante caro\u201d, mas com o tempo poder\u00e1 ser rent\u00e1vel. Sua cl\u00ednica realiza exames de mal\u00e1ria em, no m\u00ednimo, 50 pacientes por dia e os resultados de oito em cada dez s\u00e3o positivos. \u201cQuando as pessoas n\u00e3o t\u00eam alternativa a n\u00e3o ser ir a uma cl\u00ednica, o tratamento \u00e9 caro\u201d, pontuou \u00e0 IPS. \u201cCom esse exame a pessoa poder\u00e1 evitar consultar o m\u00e9dico e tratar a doen\u00e7a em suas primeiras etapas antes que lhe cause anemia e dano cerebral. Quando o aplicativo estiver dispon\u00edvel, ter\u00e1 um enorme impacto\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Por sua vez, Kavuma afirmou que a Microsoft lhes ofereceu orienta\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o empresarial, mas consideram outras op\u00e7\u00f5es para comercializar e fabricar o produto. \u201cPensamos em contatar empresas chinesas para isto\u201d, afirmou. Gitta espera que possam ser diagnosticadas outras doen\u00e7as da mesma forma. \u201cO futuro \u00e9 brilhante e tudo pode acontecer. Ser\u00e1 preciso estar atento \u00e0 pr\u00f3xima coisa maravilhosa que ocorrer\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<a id=\"watch-headline-show-title\" href=\"http:\/\/www.youtube.com\/artist\/casting-crowns?feature=watch_video_title\">\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kampala, Uganda, 1\/11\/2013 &ndash; Aos 21 anos, Brian Gitta j&aacute; teve mal&aacute;ria tantas vezes que perdeu a conta. De tantos exames de sangue que precisou fazer, pegou pavor das agulhas. 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