{"id":16834,"date":"2013-11-05T12:14:07","date_gmt":"2013-11-05T12:14:07","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=102125"},"modified":"2013-11-05T12:14:07","modified_gmt":"2013-11-05T12:14:07","slug":"mineracao-do-zimbabue-piora-com-a-nacionalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/mineracao-do-zimbabue-piora-com-a-nacionalizacao\/","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o do Zimb\u00e1bue piora com a nacionaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_102126\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/mineracao.jpg\"><img class=\" wp-image-102126 \" alt=\"mineracao Minera\u00e7\u00e3o do Zimb\u00e1bue piora com a nacionaliza\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/mineracao.jpg\" width=\"529\" height=\"293\" title=\"Minera\u00e7\u00e3o do Zimb\u00e1bue piora com a nacionaliza\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ativistas e economistas acusam as empresas mineradoras nacionais de piorarem a vida das comunidades. Foto: 2E0MCA\/CC By 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mutoko, Zimb\u00e1bue, 5\/10\/2013 \u2013 Ranganai Zimbeva, da aldeia de Mutoko, 200 quil\u00f4metros a nordeste de Harare, tapa os ouvidos e sacode a cabe\u00e7a quando os mineiros que trabalham pr\u00f3ximo provocam uma explos\u00e3o para extrair granito negro de um penhasco. Profundos e amplos barrancos substitu\u00edram as pastagens que cercavam a aldeia de Zimbeva, na prov\u00edncia de Mashonalandia Oriental, onde antes podia apascentar livremente o gado. Agora \u00e9 dif\u00edcil at\u00e9 mesmo ver o c\u00e9u, j\u00e1 que as explos\u00f5es lan\u00e7am espessas nuvens de p\u00f3 que cobrem tudo.<\/p>\n<p>\u201cPara algumas pessoas com problemas respirat\u00f3rios, foi dito na cl\u00ednica que a causa \u00e9 inalar p\u00f3 e fuma\u00e7a. Essas companhias de minera\u00e7\u00e3o devem criar um fundo para garantir que os habitantes do lugar recebam tratamento adequado\u201d, disse Zimbeva \u00e0 IPS. \u201c\u00c0s vezes o gado morre por beber \u00e1gua dos barrancos. Pode estar contaminada com produtos qu\u00edmicos e ningu\u00e9m parece se importar. Tudo o que querem \u00e9 dinheiro\u201d, opinou essa mulher de 70 anos.<\/p>\n<p>Mas as mortes de animais n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o frequentes, e Zimbeva e os demais habitantes de Mutoko n\u00e3o t\u00eam provas de que a causa seja a atividade mineradora. Muitos moradores n\u00e3o t\u00eam dinheiro para cuidados veterin\u00e1rios. As pessoas aqui s\u00e3o pobres e passam fome devido \u00e0s secas recorrentes. \u201cTemos menos gado agora porque a extra\u00e7\u00e3o desse granito negro acabou com as pastagens. E, pior, as mineradoras ignoram nossos pedidos de emprego para nossos filhos. Preferem gente de outras \u00e1reas\u201d, se queixou.<\/p>\n<p>Cerca de dez companhias nacionais e estrangeiras extraem granito nesse distrito rural. Agem com certo hermetismo e s\u00e3o dif\u00edceis de contatar. A IPS conseguiu localizar o representante de uma delas, mas ele se negou a fazer coment\u00e1rios. O Zimb\u00e1bue tem alguns dos recursos minerais mais ricos da \u00c1frica, que incluem platina, diamantes, asbesto, grafite e ouro. Contudo, ativistas e economistas acusam as mineradoras nacionais de piorarem a vida das comunidades.<\/p>\n<p>O economista independente John Robertson afirma que, ao contr\u00e1rio das empresas emergentes locais, que contam com grande apoio do governo, as transnacionais parecem considerar as necessidades da popula\u00e7\u00e3o local. \u201cAlgumas dessas multinacionais t\u00eam equipamentos de administra\u00e7\u00e3o que assumem tarefas equivalentes \u00e0s das municipalidades, com programas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e moradia. Nisso diferem das novas empresas extrativas nacionais, nas quais predomina a cobi\u00e7a\u201d, detalhou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para as fam\u00edlias desalojadas que viviam na zona diamant\u00edfera de Marange, na prov\u00edncia de Manicalandia, as mineradoras ofereceram uma compensa\u00e7\u00e3o insuficiente. Estima-se que essa \u00e1rea, de 71 mil hectares, abriga um quarto das reservas de diamantes do mundo. Quase 700 fam\u00edlias, que moraram ali por d\u00e9cadas, foram levadas para a fazenda abandonada de Arda Transau, nas proximidades de Mutare, principal cidade de Manicalandia. Os desalojados receberam casas nesse lugar e uma indeniza\u00e7\u00e3o, mas se queixam que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 pior. No total \u00e9 preciso desalojar 4.300 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u201cA atividade mineradora em Marange ficou com grande parte das terras que eram trabalhadas pelos habitantes para subsistirem, bem como com infraestrutura comunit\u00e1ria, como as represas com as quais administravam a \u00e1gua de irriga\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou \u00e0 IPS a diretora do Fundo de Desenvolvimento Comunit\u00e1rio de Chiadzwa, Melanie Chiponda. Essa organiza\u00e7\u00e3o defende os direitos das comunidades afetadas pela minera\u00e7\u00e3o. \u201cTiveram que fechar pequenos neg\u00f3cios, como pontos de venda e lojas\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Segundo Chiponda, \u201cas minas criaram uma s\u00edndrome de depend\u00eancia nas fam\u00edlias. As empresas n\u00e3o realizam atividades de responsabilidade social e as pessoas s\u00e3o secund\u00e1rias. Tudo se trata de ganhos e nunca da popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o est\u00e1 capacitada para negociar\u201d. Essa ativista afirma que agora os alde\u00f5es est\u00e3o pior do que antes, pois desde que foram reassentados dependem da ajuda alimentar de ag\u00eancias humanit\u00e1rias e de doa\u00e7\u00f5es das mineradoras. Muitas crian\u00e7as abandonaram a escola para ajudar suas fam\u00edlias vendendo lenha.<\/p>\n<p>Freeman Bhoso, diretor-executivo do F\u00f3rum de Di\u00e1logo sobre os Recursos Naturais do Zimb\u00e1bue, organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que promove a extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, critica que as licen\u00e7as para minera\u00e7\u00e3o sejam entregues a portas fechadas, sem conhecimento das comunidades. \u201cN\u00e3o \u00e9 correta a forma como s\u00e3o concedidas as concess\u00f5es, porque exclui as comunidades. N\u00e3o h\u00e1 transpar\u00eancia e parece que s\u00e3o distribu\u00eddas segundo interesses pol\u00edticos. Na maioria dos casos, os estudos de impacto ambiental s\u00e3o feitos muito depois de iniciada a atividade de minera\u00e7\u00e3o\u201d, denunciou.<\/p>\n<p>Um comit\u00ea parlamentar criticou, em um informe publicado em junho, o Minist\u00e9rio de Minas e Desenvolvimento Mineiro por conceder licen\u00e7as sem tornar p\u00fablico os detalhes. O informe diz que a paraestatal Corpora\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento Mineiro do Zimb\u00e1bue (ZMDC) tem a\u00e7\u00f5es em tr\u00eas companhias que operam em Marange. A ZMDC tamb\u00e9m possui 100% das a\u00e7\u00f5es de outra empresa mineira com projetos nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Gift Chimanikire, ex-vice-ministro de Minas e Desenvolvimento, do opositor Movimento para a Mudan\u00e7a Democr\u00e1tica, se negou a fazer coment\u00e1rios \u00e0 IPS sobre as licen\u00e7as e limita-se a indicar que o presidente do pa\u00eds, Robert Mugabe, o destituiu em julho. Enquanto isso, funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio derivam todas as perguntas ao atual chefe da pasta, Walter Chidhakwa, mas este n\u00e3o responde aos telefonemas.<\/p>\n<p>O informe do comit\u00ea parlamentar tamb\u00e9m diz que o governo n\u00e3o \u201cconcretizou nenhuma contribui\u00e7\u00e3o significativa \u00e0 economia do pa\u00eds com a minera\u00e7\u00e3o\u201d, apesar de \u201cos n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o e a renda gerada pelas exporta\u00e7\u00f5es estarem crescendo\u201d. Em 2011 e 2012, as mineradoras que operam no Zimb\u00e1bue exportaram diamantes no valor de US$ 797 milh\u00f5es. Desse total, apenas US$ 82 milh\u00f5es foram para os cofres do Estado. Bhoso assegura que as empresas n\u00e3o entregaram \u00e0s comunidades o dinheiro dos fundos de propriedade comunit\u00e1ria, que o governo havia anunciado.<\/p>\n<p>Segundo a Lei de Indigeniza\u00e7\u00e3o e Empoderamento Econ\u00f4mico, as mineradoras estrangeiras devem transferir 51% de suas a\u00e7\u00f5es para indiv\u00edduos ou entidades locais. Esses recursos deveriam ser depositados nos fundos comunit\u00e1rios e distribu\u00eddos entre as comunidades afetadas. \u201cO principal problema \u00e9 que o governo est\u00e1 muito envolvido nesses projetos de risco compartilhado, e as opera\u00e7\u00f5es ganham uma dimens\u00e3o pol\u00edtica\u201d, ressaltou Bhoso. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mutoko, Zimb&aacute;bue, 5\/10\/2013 &ndash; Ranganai Zimbeva, da aldeia de Mutoko, 200 quil&ocirc;metros a nordeste de Harare, tapa os ouvidos e sacode a cabe&ccedil;a quando os mineiros que trabalham pr&oacute;ximo provocam uma explos&atilde;o para extrair granito negro de um penhasco. 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