{"id":16841,"date":"2013-11-06T11:40:04","date_gmt":"2013-11-06T11:40:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=102199"},"modified":"2013-11-06T11:40:04","modified_gmt":"2013-11-06T11:40:04","slug":"abyei-pressiona-os-dois-sudao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/abyei-pressiona-os-dois-sudao\/","title":{"rendered":"Abyei pressiona os dois Sud\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_102200\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 539px\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Sudao.jpg\"><img class=\" wp-image-102200 \" alt=\"Sudao Abyei pressiona os dois Sud\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Sudao.jpg\" width=\"529\" height=\"349\" title=\"Abyei pressiona os dois Sud\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Comemora\u00e7\u00e3o quando os l\u00edderes da etnia dinka ngok anunciaram que avan\u00e7ariam com o referendo unilateral em Abyei. Foto: Andrew Green\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Juba, Sud\u00e3o do Sul, 6\/11\/2013 \u2013 O referendo n\u00e3o vinculante do m\u00eas passado, sobre o <i>status<\/i> de Abyei, esmagadoramente a favor da uni\u00e3o com o Sud\u00e3o do Sul, e a comemora\u00e7\u00e3o que se seguiu n\u00e3o constituem nenhuma solu\u00e7\u00e3o imediata para essa cobi\u00e7ada regi\u00e3o. Por outro lado, avizinha-se um potencial conflito entre a etnia local dinka ngok e a tribo n\u00f4made misseriya, aliada do governo do Sud\u00e3o, que tamb\u00e9m reclama este territ\u00f3rio de dez mil quil\u00f4metros quadrados, rico em petr\u00f3leo e com vasta \u00e1rea de terra f\u00e9rtil.<\/p>\n<p>Os dinka ngok habitam Abyei, mas tamb\u00e9m o fazem os misseriyas uma vez ao ano, quando levam seu gado para pastar na regi\u00e3o. A temporada de pastoreio em Abyei come\u00e7a este m\u00eas, indica a Avalia\u00e7\u00e3o Base da Seguran\u00e7a Humana para o Sud\u00e3o e Sud\u00e3o do Sul (HSBA), que se dedica a investigar e disseminar informa\u00e7\u00e3o para reduzir a viol\u00eancia. Logo os misseriyas entrar\u00e3o em contato com dezenas de milhares de dinka ngok que voltaram \u00e0 regi\u00e3o para o referendo, um encontro que \u201capresentar\u00e1 grandes desafios para a For\u00e7a Provis\u00f3ria de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Abyei\u201d, segundo a HSBA.<\/p>\n<p>O porta-voz do Alto Comit\u00ea para o Referendo de Abyei, Luka Biong, reconheceu que a viol\u00eancia \u00e9 um resultado poss\u00edvel, embora improv\u00e1vel, da vota\u00e7\u00e3o. Um ataque dos misseriyas poderia \u201cdesatar uma guerra pequena ou uma maior se o Sul estiver preparado para lutar\u201d. Mas nenhum dos dois governos est\u00e1 interessado em mais batalhas, indicou \u00e0 IPS. Em sua opini\u00e3o, os l\u00edderes da comunidade dinka ngok n\u00e3o tinham nenhuma ilus\u00e3o de que o referendo resolveria de vez a quest\u00e3o de Abyei.<\/p>\n<p>Entretanto, esse n\u00e3o \u00e9 realmente o ponto. \u201cH\u00e1 uma possibilidade de que o referendo possa criar uma press\u00e3o real\u201d, afirmou Biong. Os governantes ter\u00e3o que \u201cobservar as consequ\u00eancias do que temos falado\u201d, acrescentou. E nisso t\u00eam sucesso. \u00c9 dif\u00edcil para os dois governos, especialmente para Juba, ignorar o movimento dos dinka ngok.<\/p>\n<p>O acordo de paz que p\u00f4s fim a d\u00e9cadas de guerra civil sudanesa prometeu \u00e0 comunidade de Abyei uma consulta popular coincidindo com o referendo de janeiro de 2011 sobre a independ\u00eancia do sul do Sud\u00e3o. Este foi realizado, e o sul se separou do norte. Mas para Abyei n\u00e3o houve referendo. Em setembro, um painel de especialistas da Uni\u00e3o Africana (UA) sugeriu que fossem consultados apenas os dinka ngok em outubro deste ano. Por\u00e9m, a UA retirou seu apoio \u00e0 proposta quando Cartum foi contra a exclus\u00e3o dos misseriyas.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes da etnia dinka ngok seguiram em frente com o referendo, apesar das advert\u00eancias feitas pela UA de que esse passo poderia amea\u00e7ar a paz na regi\u00e3o. Em 31 de outubro, funcion\u00e1rios do Alto Comit\u00ea do Referendo de Abyei anunciaram os resultados da consulta popular unilateral para determinar o futuro da disputada \u00e1rea. Foi convocada \u00e0s urnas apenas a comunidade dinka ngok e, tal como se antecipara, a decis\u00e3o foi praticamente un\u00e2nime. Mais de 63 mil pessoas votaram a favor da integra\u00e7\u00e3o com o Sud\u00e3o do Sul, e apenas 12 votaram para Abyei ser parte do Sud\u00e3o.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo o resultado foi divulgado, os chefes de nove reinos dinka ngok assinaram compromissos de se unirem ao Sud\u00e3o do Sul. A autoridades desse pa\u00eds, que n\u00e3o est\u00e3o dispostas a complicar sua delicada rela\u00e7\u00e3o com Cartum, mantiveram sil\u00eancio sobre o referendo. Mas Biong espera que o pronunciamento da etnia dinka ngok leve a UA a reiniciar as negocia\u00e7\u00f5es entre Cartum e Juba. E h\u00e1 evid\u00eancias que apoiam essa presun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma miss\u00e3o da UA chegou ontem a Abyei, onde permanecer\u00e1 por dois dias. Com vistas a essa visita, o grupo solicitou ao Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) apoio \u00e0 proposta de setembro de 2012, que estabelece que os habitantes de Abyei devem determinar \u201cseu futuro pol\u00edtico e se deve assegurar o direito de acesso permanente para as popula\u00e7\u00f5es migrat\u00f3rias\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, ser\u00e1 dif\u00edcil conseguir que os dois governos se sentem para negociar, embora a rela\u00e7\u00e3o notoriamente fria esteja melhorando, o que ficou claro em outubro com a visita do presidente do Sud\u00e3o, Omar al Bashir, a Juba. Os dois pa\u00edses est\u00e3o se beneficiando da distens\u00e3o. Quando se separou, o Sud\u00e3o do Sul, pa\u00eds sem sa\u00edda para o mar, levou consigo tr\u00eas quartos das reservas de petr\u00f3leo do Sud\u00e3o, que, por sua vez, manteve o \u00fanico oleoduto para exportar o petr\u00f3leo sul-sudan\u00eas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano passado, Juba interrompeu sua produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em protesto pelas elevadas taxas cobradas por Cartum pelo uso do oleoduto. O problema foi resolvido mais de um ano depois, e a produ\u00e7\u00e3o foi reiniciada em mar\u00e7o. Desde ent\u00e3o, o Sud\u00e3o do Sul recebeu US$ 1,3 bilh\u00e3o com a venda de petr\u00f3leo, e pagou US$ 329 milh\u00f5es ao Sud\u00e3o, segundo o Minist\u00e9rio de Petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u00c0 luz dessa situa\u00e7\u00e3o, as duas partes ter\u00e3o cuidado em evitar uma escalada pelo <i>status<\/i> de Abyei, pontuou \u00e0 IPS o professor de paz e desenvolvimento rural na Universidade de Juba, Alfred Lokuji. Os governantes dos dois pa\u00edses evitam o assunto. Coincidem em propor uma for\u00e7a policial e uma administra\u00e7\u00e3o conjuntas para a regi\u00e3o, mas n\u00e3o fixam prazos e nem mesmo mencionam o referendo, embora Juba tenha manifestado anteriormente seu apoio \u00e0 proposta da UA.<\/p>\n<p>O porta-voz do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Sud\u00e3o do Sul, Mawien Makol Arik, disse \u00e0 IPS que seu governo n\u00e3o permitiria que os dinka ngok votassem para alterar as rela\u00e7\u00f5es com o vizinho do norte, que estavam melhorando. \u201cOs dois presidentes divulgaram um comunicado para acelerar a instaura\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o de Abyei. Nenhum dos dois governos \u00e9 parte do referendo, por isso n\u00e3o haver\u00e1 nenhuma altera\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Embora Cartum possa evitar o tratamento imediato desse problema, Juba n\u00e3o pode se dar esse luxo. Entre Abyei e o Sud\u00e3o do Sul h\u00e1 v\u00ednculos profundos, e muitos membros da comunidade dinka ngok ocupam altos cargos a partir dos quais exercem press\u00e3o sobre o governo. Os rivais pol\u00edticos do presidente sul-sudan\u00eas, Salva Kiir, j\u00e1 disseram que est\u00e3o preparados para agitar o assunto se o Sud\u00e3o do Sul decidir manter sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o a Abyei.<\/p>\n<p>William Rial Liah, secret\u00e1rio-geral do opositor Partido Democr\u00e1tico Unionista, viajou at\u00e9 Abyei nos dias anteriores ao referendo para mostrar seu apoio. \u201cPermitamos ao povo de Abyei tomar esta decis\u00e3o e o apoiaremos at\u00e9 o final\u201d, disse \u00e0 IPS. Apesar da possibilidade de o resultado da consulta nunca ser reconhecido, os l\u00edderes da etnia dinka ngok podem ter obtido exatamente o que queriam: gerar press\u00e3o diplom\u00e1tica e pol\u00edtica para conseguir, no fim, o referendo vinculante que lhes fora prometido. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Juba, Sud&atilde;o do Sul, 6\/11\/2013 &ndash; O referendo n&atilde;o vinculante do m&ecirc;s passado, sobre o status de Abyei, esmagadoramente a favor da uni&atilde;o com o Sud&atilde;o do Sul, e a comemora&ccedil;&atilde;o que se seguiu n&atilde;o constituem nenhuma solu&ccedil;&atilde;o imediata para essa cobi&ccedil;ada regi&atilde;o. 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