{"id":16845,"date":"2013-11-07T12:13:08","date_gmt":"2013-11-07T12:13:08","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=102280"},"modified":"2013-11-07T12:13:08","modified_gmt":"2013-11-07T12:13:08","slug":"bereberes-libios-fecham-a-torneira-do-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/bereberes-libios-fecham-a-torneira-do-petroleo\/","title":{"rendered":"Bereberes l\u00edbios fecham a torneira do petr\u00f3leo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_102281\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/rebelde.jpg\"><img class=\" wp-image-102281 \" alt=\"rebelde Bereberes l\u00edbios fecham a torneira do petr\u00f3leo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/rebelde.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Bereberes l\u00edbios fecham a torneira do petr\u00f3leo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um rebelde berebere controla o porto de Mellitah, no noroeste da L\u00edbia. Foto: Karlos Zurutuza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Zuara, L\u00edbia, 7\/11\/2013 \u2013 \u201cNenhum petroleiro atracar\u00e1 neste porto enquanto Tr\u00edpoli n\u00e3o atender nossas demandas\u201d. S\u00e3o as palavras de Younis, um dos rebeldes que bloqueiam uma das maiores refinarias de g\u00e1s e petr\u00f3leo da L\u00edbia. Dirigida pela empresa italiana ENI e pelo governo l\u00edbio, a unidade de g\u00e1s e petr\u00f3leo de Mellitah, cem quil\u00f4metros a oeste de Tr\u00edpoli, est\u00e1 bloqueada desde 26 de outubro, quando um grupo de homens armados tomou seu porto de atraca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPartimos da cidade vizinha, Zuara, de noite, por mar\u201d, contou Younis \u00e0 IPS. \u201cEstamos aqui desde ent\u00e3o, nos organizamos em turnos de 30 homens\u201d, explicou na tenda que serve de centro de comando desse estrat\u00e9gico lugar. \u201cEm 2011, n\u00f3s, amazighs da L\u00edbia nos levantamos em massa contra um regime que nos tratara como c\u00e3es durante d\u00e9cadas. Dois anos depois, continuamos sem ter reconhecimento do novo governo l\u00edbio\u201d, ressaltou Younis antes de ajudar a descarregar um barco com suprimentos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chamados bereberes, os amazighs s\u00e3o habitantes nativos do norte da \u00c1frica. Sua popula\u00e7\u00e3o se estende desde a costa atl\u00e2ntica do Marrocos at\u00e9 a margem oeste do Nilo, no Egito, e compartilham uma l\u00edngua comum com as tribos tuaregues do interior do Deserto do Saara. A chegada dos \u00e1rabes \u00e0 regi\u00e3o no s\u00e9culo 7 foi o in\u00edcio de um lento mas progressivo processo de \u201carabiza\u00e7\u00e3o\u201d, que foi bruscamente acelerado durante as quatro d\u00e9cadas nas quais Muammar Gadafi (1969-2011) permaneceu no poder na L\u00edbia.<\/p>\n<p>Calcula-se que a quantidade de amazighs gire em torno dos 600 mil nesse pa\u00eds, cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o. \u201cO governo n\u00e3o nos reconhece e n\u00f3s tampouco reconhecemos o governo\u201d, se l\u00ea em um dos m\u00faltiplos cartazes colocados na instala\u00e7\u00e3o. Muitos s\u00e3o tril\u00edngues: \u00e1rabe, ingl\u00eas e tamazight, uma l\u00edngua que tem seu pr\u00f3prio alfabeto.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo principal de nosso protesto \u00e9 modificar o funcionamento do comit\u00ea encarregado de redigir a Constitui\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o temos nenhuma oportunidade de conseguir nossos direitos como povo por interm\u00e9dio do mesmo\u201d, afirmou o rebelde Ayub Sufian. O jovem se refere ao chamado Comit\u00ea dos 60, pela quantidade de integrantes, que contempla seis membros das minorias. \u201cDois para os amazighs, dois para os tuaregues e outros dois para os tubus (grupo do sul do pa\u00eds)\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Segundo Sufian, o problema \u201c\u00e9 que se trata de um sistema baseado na maioria de dois ter\u00e7os mais um, isto \u00e9 41. Que op\u00e7\u00e3o nos resta j\u00e1 que n\u00e3o somos considerados \u00e1rabes?\u201d, perguntou. \u201cQueremos que o tamazight seja l\u00edngua oficial, bem como poder participar de decis\u00f5es importantes em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds\u201d, acrescentou. A alternativa seria \u201cum acordo baseado no consenso, e n\u00e3o na maioria\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Embora Sufian use uniforme camuflado e tenha uma pistola na cintura, \u00e9 um dos integrantes do Conselho Supremo Amazigh, que engloba todas as localidades bereberes da L\u00edbia. A maioria est\u00e1 na Cordilheira de Nafusa, no noroeste, enquanto Zuara constitui um inesperado mas compacto enclave costeiro desta minoria, em uma regi\u00e3o plana e des\u00e9rtica na fronteira com a Tun\u00edsia.<\/p>\n<p>A falta de um governo central efetivo levou a uma atomiza\u00e7\u00e3o do poder nos \u00e2mbitos regional e tribal, sobre os quais Tr\u00edpoli exerce pouca influ\u00eancia. Os rebeldes do regime de Gadafi se reconverteram em mil\u00edcias que dirigem postos de controle em suas zonas de origem e cuja lealdade recai nos conselhos locais. Os amazighs que bloqueiam a refinaria n\u00e3o s\u00e3o uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNossas armas e nossos uniformes, bem como o resto dos suprimentos, chegam do conselho local de Zuara. Toda a cidade est\u00e1 conosco\u201d, garantiu um orgulhoso Sufian. Os motivos desse apoio s\u00e3o revelados por Fathi Buzajar, reconhecido ativista amazigh que trabalha no Centro L\u00edbio de Estudos Estrat\u00e9gicos e do Futuro. \u201cProtestamos pacificamente, nos reunimos infinitas vezes com representantes das Na\u00e7\u00f5es Unidas, mas n\u00e3o serviu para nada. A ocupa\u00e7\u00e3o de Mellitah \u00e9 um passo adiante\u201d, disse Buzajar \u00e0 IPS de sua resid\u00eancia em Tr\u00edpoli.<\/p>\n<p>\u201cNossa regi\u00e3o nas montanhas de Nafusa foi determinante para tomar Tr\u00edpoli (durante a rebeli\u00e3o contra Gadafi). Fomos usados para isso e agora nos marginalizam sob o pretexto de que seguimos uma agenda estrangeira\u201d, denunciou Buzajar, que recentemente visitou o oleoduto de Jwidia, 250 quil\u00f4metros a sudoeste de Tr\u00edpoli, tamb\u00e9m bloqueado pelos amazighs desde 29 de setembro.<\/p>\n<p>Em sua \u00faltima sess\u00e3o, no dia 5, o parlamento l\u00edbio decidiu n\u00e3o abordar o tema, mas o certo \u00e9 que bloquear o g\u00e1s e o petr\u00f3leo em Tr\u00edpoli parece ter se transformado em uma pr\u00e1tica habitual para pressionar o governo, desde Bengasi, no extremo nordeste, at\u00e9 Ubari, no sudoeste, onde os tuaregues realizam um protesto semelhante. No momento, as tripula\u00e7\u00f5es dos rebocadores que facilitam a atraca\u00e7\u00e3o e carga dos navios em Mellitah matam o tempo pescando no porto. No entanto, protestos semelhantes por todo o pa\u00eds reduziram a exporta\u00e7\u00e3o total de petr\u00f3leo em 90%.<\/p>\n<p>Trabalhadores da unidade de Mellitah garantiram \u00e0 IPS que, embora permane\u00e7a interrompido o fornecimento de 160 mil barris di\u00e1rios de petr\u00f3leo, a refinaria n\u00e3o sofreu nenhum problema em suas m\u00e1quinas nem houve amea\u00e7a por parte dos ocupantes. Por\u00e9m, os rebeldes afirmam que est\u00e3o dispostos a dar novos passos em seu protesto.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 agora s\u00f3 cortamos o fornecimento de petr\u00f3leo, mas, se n\u00e3o forem atendidas nossas demandas, estamos dispostos a fazer o mesmo com o g\u00e1s\u201d, declarou \u00e0 IPS um rebelde de nome Anwar. Se isso ocorrer, as poss\u00edveis v\u00edtimas colaterais do contencioso entre Tr\u00edpoli e os amazighs poderiam ser os italianos, que veriam reduzidas suas exist\u00eancias de g\u00e1s bem perto da chegada do inverno. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Zuara, L&iacute;bia, 7\/11\/2013 &ndash; &ldquo;Nenhum petroleiro atracar&aacute; neste porto enquanto Tr&iacute;poli n&atilde;o atender nossas demandas&rdquo;. S&atilde;o as palavras de Younis, um dos rebeldes que bloqueiam uma das maiores refinarias de g&aacute;s e petr&oacute;leo da L&iacute;bia. 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