{"id":1685,"date":"2006-04-17T00:00:00","date_gmt":"2006-04-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1685"},"modified":"2006-04-17T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-17T00:00:00","slug":"biodiversidade-o-paraiso-invadido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/mundo\/biodiversidade-o-paraiso-invadido\/","title":{"rendered":"Biodiversidade: O para\u00edso invadido"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 17\/04\/2006 &ndash; O maior problema \u00e9 ignorar o problema. Em muitos pa\u00edses, o Brasil entre eles, s\u00f3 agora se come\u00e7a a reconhecer a amea\u00e7a das esp\u00e9cies invasoras nas ilhas, ainda considerada unicamente para\u00edsos naturais e tur\u00edsticos. <!--more--> Um invent\u00e1rio oficial brasileiro da fauna em ilhas oce\u00e2nicas, divulgado recentemente, incluiu esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras sem identific\u00e1-las como tal, disse como exemplo Silvia Ziller, diretora-executiva do Instituto Horus e coordenadora do programa sul-americano para esse tema da internacional The Nature Conservancy.            <\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade nas ilhas \u00e9 uma das prioridades do Conv\u00eanio sobre a Diversidade Biol\u00f3gica, cuja oitava Confer\u00eancia das Partes (COP-8) foi encerrada h\u00e1 duas semanas na cidade brasileira de Curitiba. S\u00e3o reposit\u00f3rios de variados recursos biol\u00f3gicos, \u00fanicos em muitos casos, e extremamente vulner\u00e1veis. A invas\u00e3o de esp\u00e9cies estrangeiras \u00e9 a principal perda de biodiversidade e danos ao ecossistema em muitas ilhas do mundo, segundo Alan Saunders, especialista da Universidade de Auckland, na Nova Zel\u00e2ndia. Saunders \u00e9 diretor da Iniciativa Cooperativa das Ilhas que, come\u00e7ando por um programa no Oceano Pac\u00edfico, busca coordenar esfor\u00e7os e ampliar a consci\u00eancia sobre o problema.<\/p>\n<p>Estima-se que as esp\u00e9cies invasoras s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 55% das de p\u00e1ssaros extintas nas ilhas e grande parte do desaparecimento ou redu\u00e7\u00e3o populacional de r\u00e9pteis, mam\u00edferos e plantas. As ilhas, por sua \u00e1rea limitada e isolada, apresentam grande vulnerabilidade \u00e0s esp\u00e9cies invasoras, mas \u00e0s vezes apresenta certas vantagens para sua preven\u00e7\u00e3o, erradica\u00e7\u00e3o ou controle, inclusive porque, em geral, suas popula\u00e7\u00f5es se mobilizam em defesa dos recursos naturais de que s\u00e3o muito dependentes, destacou Saunders, em suas exposi\u00e7\u00f5es em Curitiba.<\/p>\n<p>As mais de cem mil ilhas existentes no mundo correspondem a apenas 5% do territ\u00f3rio terrestre, mas acolhem 500 milh\u00f5es de habitantes, quase a metade das \u00e1reas vitais para aves e para cerca de um ter\u00e7o dos mam\u00edferos, p\u00e1ssaros e anf\u00edbios criticamente amea\u00e7ados. No entanto, existe pouca consci\u00eancia dos riscos na Am\u00e9rica do Sul, onde novas a\u00e7\u00f5es contra esp\u00e9cies invasoras ainda se limitam a uma vis\u00e3o econ\u00f4mica de curto prazo, respondendo a perdas agr\u00edcolas, por exemplo, lamentou Ziller \u00e0 IPS. Por\u00e9m, est\u00e3o surgindo programas nacionais e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais que procuram criar uma rede latino-americana de informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto, acrescentou.<\/p>\n<p>Na Argentina, a Universidade do Sul desenvolve um banco de dados sobre essas esp\u00e9cies e &quot;produz muita informa\u00e7\u00e3o&quot;, disse Ziller, advertindo que sem a participa\u00e7\u00e3o do &quot;governo n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel combat\u00ea-las&quot;, pois s\u00e3o necess\u00e1rias regulamenta\u00e7\u00f5es, an\u00e1lises de risco, controle de fronteiras, servi\u00e7os que somente o Estado pode fornecer, lembrou a especialista. O arquip\u00e9lago de Gal\u00e1pagos, no Equador, \u00e9 um exemplo do sucesso no combate ao problema antes da ocorr\u00eancia de danos irrevers\u00edveis \u00e0 biota, reconheceu.<\/p>\n<p> O projeto, financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e executado por institui\u00e7\u00f5es equatorianas, come\u00e7ou em 2001 e j\u00e1 conseguiu erradicar as cabras em toda a \u00e1rea programada, que \u00e9 a Ilha Santiago e o norte da Ilha Isabela, e a amora silvestre na Ilha Santa Cruz. Neste arquip\u00e9lago h\u00e1 cerca de cem esp\u00e9cies de plantas introduzidas cujos riscos est\u00e3o sendo avaliados e est\u00e3o em marcha planos de erradica\u00e7\u00e3o de uma dezena, informou Anita Sancho, coordenadora do projeto Esp\u00e9cies Invasoras das Gal\u00e1pagos.<\/p>\n<p>Um invent\u00e1rio das plantas introduzidas identificou 80 novas esp\u00e9cies somente nos tr\u00eas \u00faltimos anos. Diante do intenso turismo nas ilhas, a preven\u00e7\u00e3o exige um controle maior dos equipamentos de m\u00e3o, tanto em Gal\u00e1pagos quanto nos aeroportos de origem, em Quito e Guayaquil. O projeto deve prosseguir at\u00e9 2007, mas j\u00e1 deram resultados experi\u00eancias como o fato de a participa\u00e7\u00e3o da cidadania ser &quot;imprescind\u00edvel&quot;, tornando necess\u00e1ria a identifica\u00e7\u00e3o popular com os objetivos.<\/p>\n<p>Como se trata de um projeto pioneiro no mundo em sua amplitude, n\u00e3o houve refer\u00eancias para seu planejamento inicial, dificultando a implementa\u00e7\u00e3o, destacou Sancho. As esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras &quot;afetam n\u00e3o s\u00f3 a biodiversidade, como tamb\u00e9m provocam altos custos sociais, tanto em sa\u00fade, pela introdu\u00e7\u00e3o de enfermidades, quanto na economia&quot;, ressaltou \u00e0 IPS. H\u00e1 insetos que levaram a dengue e a mal\u00e1ria para Gal\u00e1pagos e as amoras silvestres tiraram terras e forragem do gado, explicou.<\/p>\n<p>No Brasil, as pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta de que um s\u00edmbolo de para\u00edso natural, o arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha, no nordeste do pa\u00eds, \u00e9 amea\u00e7o por invasores como cabras, ratos, outros roedores, tei\u00fa (uma esp\u00e9cie de lagarto), gatos, plantas trepadoras e forrageiras, disse Ziller. Muitas s\u00e3o esp\u00e9cies introduzidas h\u00e1 s\u00e9culos, como os ratos que deixavam os navios, navegantes que deixavam cabras nas ilhas para garantir alimento no futuro, apostando exatamente na capacidade de sobreviv\u00eancia e multiplica\u00e7\u00e3o. Outras s\u00e3o mais novas, como a leucena&cedil; uma leguminosa origin\u00e1ria da Am\u00e9rica Central usada para alimentar cabras.<\/p>\n<p>A erradica\u00e7\u00e3o e o controle muitas vezes requerem a\u00e7\u00f5es rejeitadas por ambientalistas, como o uso de herbicidas no caso do arquip\u00e9lago norte-americano do Hava\u00ed, em luta contra plantas invasoras em suas montanhas de dif\u00edcil acesso, ou a libera\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a de animais que destr\u00f3em sementes ou afetam a biodiversidade, recordou Ziller. H\u00e1 tamb\u00e9m \u00e1reas continentais que enfrentam riscos semelhantes aos das ilhas oce\u00e2nicas. \u00c9 o caso do Parque Nacional de Igua\u00e7u, no Brasil, na fronteira com Argentina e Paraguai, cercado de soja e terras totalmente alteradas pelo ser humano, e de pequenas \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o isoladas e amea\u00e7adas por esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, concluiu. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 17\/04\/2006 &ndash; O maior problema \u00e9 ignorar o problema. 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