{"id":16874,"date":"2013-11-12T13:44:43","date_gmt":"2013-11-12T13:44:43","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=102619"},"modified":"2013-11-12T13:44:43","modified_gmt":"2013-11-12T13:44:43","slug":"para-a-nova-terra-onde-cresce-a-palma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/para-a-nova-terra-onde-cresce-a-palma\/","title":{"rendered":"Par\u00e1, a nova terra onde cresce a palma"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_102620\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/palmas.jpg\"><img class=\" wp-image-102620 \" alt=\"palmas Par\u00e1, a nova terra onde cresce a palma\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/palmas.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Par\u00e1, a nova terra onde cresce a palma\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Nessa \u00e1rea amaz\u00f4nica, as palmas africanas crescem misturadas com outra vegeta\u00e7\u00e3o. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Moju e Tom\u00e9-A\u00e7u, Brasil, 12\/11\/2013 \u2013 Os caminhos quase n\u00e3o t\u00eam horizontes. O verde das planta\u00e7\u00f5es de palma africana se sucede monoc\u00f3rdio sobre quil\u00f4metros e quil\u00f4metros de terra vermelha, devastada no passado por madeireiros e pecuaristas. Sinal de alerta para uns e de esperan\u00e7a para outros, o dendezeiro, nome que no Brasil se d\u00e1 \u00e0 palmeira africana <i>Elaeis guineensis<\/i>, chegou para ficar no Estado amaz\u00f4nico do Par\u00e1, extremo norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A estrada que parte de Bel\u00e9m, a capital do Estado, n\u00e3o tem profundidade nem a exuber\u00e2ncia da selva amaz\u00f4nica. Ao engarrafamento do tr\u00e2nsito da capital se sucedem mais de 150 quil\u00f4metros de estradas de asfalto e terra, definidos por uma linha de planta\u00e7\u00f5es de palma, apenas salpicados por pequenos povoados e cabe\u00e7as de gado. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amaz\u00f4nia brasileira perdeu 111.087 quil\u00f4metros quadrados de cobertura florestal entre 2004 e 2012. No mesmo per\u00edodo o desmatamento do Par\u00e1 foi de 44.361 quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>Nessa terra pelada pela pecu\u00e1ria, h\u00e1 27 anos se instalou a empresa Agropalma, que vende o \u00f3leo para ind\u00fastrias de alimentos, higiene e cosm\u00e9ticos, e que possui no Par\u00e1 mais de 39 mil hectares de dendezeiros. Ultimamente a seguiram outras, interessadas no biodiesel: a Bel\u00e9m Bioenergia (BB), empresa de risco compartilhado entre a Petrobras e a empresa privada portuguesa Galp Energia, e a Biopalma, unidade da corpora\u00e7\u00e3o mineradora brasileira Vale.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um projeto economicamente sustent\u00e1vel, ambientalmente correto e socialmente enriquecedor\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor agroindustrial da BB, Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Esmeraldo. Segundo o executivo, a BB escolhe suas terras com base em um mapeamento agroecol\u00f3gico da estatal Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecu\u00e1rias (Embrapa), que indica \u00e1reas desmatadas e degradadas pela pecu\u00e1ria. O cultivo de dendezeiro emprega 10.914 pessoas nesse Estado que tem quase oito milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Uma propriedade arrendada pela BB, com 8.500 hectares, que quando se dedicava \u00e0 pecu\u00e1ria empregava cinco pessoas, com o dendezeiro dar\u00e1 trabalho a cerca de 850 moradores do lugar, contou Esmeraldo. A empresa prev\u00ea cobrir 60 mil hectares at\u00e9 2015, dos quais j\u00e1 plantou metade; seis mil correspondem a 600 agricultores familiares que lhe vender\u00e3o sua produ\u00e7\u00e3o, e o restante \u00e9 de terras arrendadas de latifundi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Biopalma obter\u00e1 \u00f3leo de 60 mil hectares pr\u00f3prios e da colheita de outros 20 mil, a cargo de dois mil pequenos agricultores. O objetivo \u00e9 obter biodiesel para misturar em uma propor\u00e7\u00e3o de 20% com o diesel usado nas m\u00e1quinas de minera\u00e7\u00e3o e locomotivas da Vale, explicou \u00e0 IPS o diretor de bioenergia da companhia, C\u00e9sar Abreu. Segundo Melqu\u00edades Santos Filho, gerente de comunica\u00e7\u00e3o da Biopalma, o dendezeiro equilibra terras degradadas, ao se integrar \u00e0 flora nativa. A empresa assegura que nas planta\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a reaparecer esp\u00e9cies quase extintas, como o jaguar.<\/p>\n<p>Em 2012, a palma ocupava no Par\u00e1 140 mil hectares, e sua produ\u00e7\u00e3o se destinava em 67% para alimentos e cosm\u00e9ticos e em 33% para agrocombust\u00edveis, segundo estudo do engenheiro agr\u00f4nomo D\u2019Alembert Jaccoud. O setor privado projeta estender essa superf\u00edcie para 329 mil hectares at\u00e9 2015 e ampliar em at\u00e9 47% a parte destinada ao biodiesel, indicou \u00e0 IPS. E o governo do Par\u00e1 acredita que, at\u00e9 2022, as planta\u00e7\u00f5es de palmeira para biodiesel ocupar\u00e3o 700 mil hectares.<\/p>\n<div id=\"attachment_102621\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/processamento.jpg\"><img class=\" wp-image-102621 \" alt=\"processamento Par\u00e1, a nova terra onde cresce a palma\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/processamento.jpg\" width=\"540\" height=\"380\" title=\"Par\u00e1, a nova terra onde cresce a palma\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Primeira parte do processamento do fruto da palma, na Biopalma, no munic\u00edpio de Moju, no Par\u00e1. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Programa de Produ\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel de \u00d3leo de Palma determina quais \u00e1reas degradadas s\u00e3o aptas para esse cultivo. Segundo a Embrapa, h\u00e1 dispon\u00edveis cerca de 10,4 milh\u00f5es de hectares. Com essa expans\u00e3o, o Brasil passaria a terceiro produtor mundial de \u00f3leo de palma, atr\u00e1s de Indon\u00e9sia e Mal\u00e1sia, segundo o governo paraense. Mas o temor \u00e9 que o pa\u00eds siga o mesmo rumo desses dois produtores, que hoje abastecem 86% do mercado mundial gra\u00e7as a uma intensa destrui\u00e7\u00e3o florestal e a inc\u00eandios e nuvens de fuma\u00e7a que afetam inclusive o resto do sudeste asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Depois da \u00c1frica, onde \u201ca inseguran\u00e7a jur\u00eddica\u201d d\u00e1 lugar \u00e0 posse de terras por empresas chinesas e europeias, \u201ca outra grande fronteira \u00e9 a Amaz\u00f4nia sul-americana\u201d, e nela o Brasil tem \u201co maior estoque de terras\u201d, explicou Jaccoud. O Programa Nacional de Produ\u00e7\u00e3o de Biodiesel incentiva essa planta\u00e7\u00e3o. Por lei, os ve\u00edculos a diesel devem empregar uma mistura de 5% de biodiesel e a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 chegar a 7%. Ser\u00e1 um \u201cmercado cativo obrigat\u00f3rio\u201d, pontuou Jaccoud.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Agr\u00e1rio aposta neste combust\u00edvel obtido de dend\u00ea, soja, girassol, r\u00edcino e canola, entre outras esp\u00e9cies vegetais. O biodiesel libera menos gases-estufa do que os combust\u00edveis f\u00f3sseis e sua produ\u00e7\u00e3o ajuda na diversifica\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica. O governo tamb\u00e9m espera reduzir a importa\u00e7\u00e3o de diesel e, promovendo a produ\u00e7\u00e3o de palma pela pequena agricultura, gerar renda, emprego e est\u00edmulo \u00e0s economias locais.<\/p>\n<p>Para Jaccoud, os programas oficiais t\u00eam boas inten\u00e7\u00f5es, mas ainda n\u00e3o existe um controle adequado. H\u00e1 perigo de a propriedade da terra se concentrar mais, aumentar o consumo de pesticidas e, pela migra\u00e7\u00e3o de trabalhadores rurais, as \u00e1reas urbanas ficarem mais prec\u00e1rias e violentas.<\/p>\n<p>Para Guilherme Carvalho, educador do programa n\u00e3o governamental Fase Amaz\u00f4nia, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que as empresas estejam tentando \u201cfor\u00e7ar a agricultura familiar a investir nessa monocultura\u201d e abandonar os alimentos, o que criaria \u201cinseguran\u00e7a alimentar, perda de autonomia de suas terras e depend\u00eancia dos pre\u00e7os de mercado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Nos contratos que Biopalma e BB assinam com os pequenos agricultores se estabelece que s\u00f3 utilizem dez hectares de suas terras para o dendezeiro, e o restante fica livre para alimentos e esp\u00e9cies tradicionais. Mas a agricultura familiar agora representa uma parte pequena das planta\u00e7\u00f5es de palma.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Meirelles, diretor do Instituto Peabiru, resgata a palma como \u201cuma tentativa de regresso \u00e0 selva\u201d em \u00e1reas tropicais, prefer\u00edvel \u00e0 soja e ao gado. Contudo, apela \u00e0 \u201cresponsabilidade social\u201d das empresas para que n\u00e3o recriem \u201cos mesmos v\u00edcios\u201d da cana-de-a\u00e7\u00facar, concentrada em poucas m\u00e3os e com uma cultura prec\u00e1ria de trabalhadores rurais migrantes.<\/p>\n<p>O diretor da Biopalma, M\u00e1rcio Maia, desconsidera a concentra\u00e7\u00e3o da propriedade. Na regi\u00e3o amaz\u00f4nica h\u00e1 grandes irregularidades na titula\u00e7\u00e3o de terras e isso \u201cleva ao afastamento de importantes atores que t\u00eam interesse em investir neste cultivo\u201d, assegurou.<\/p>\n<p><b>Raticidas em planta\u00e7\u00f5es de dend\u00ea<\/b><\/p>\n<p>A IPS teve acesso a den\u00fancias investigadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Par\u00e1 sobre o suposto uso de raticidas proibidos em planta\u00e7\u00f5es de dend\u00ea. Os plantadores empregariam Klerat \u2013 autorizado apenas para empresas acreditadas e em ambientes urbanos \u2013 para combater roedores silvestres. O Klerat \u00e9 um potente anticoagulante que causa hemorragias internas. Se uma pessoa se alimenta desses animais que s\u00e3o ca\u00e7ados na Amaz\u00f4nia, tamb\u00e9m poder\u00e1 sofrer seus efeitos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Moju e Tom&eacute;-A&ccedil;u, Brasil, 12\/11\/2013 &ndash; Os caminhos quase n&atilde;o t&ecirc;m horizontes. O verde das planta&ccedil;&otilde;es de palma africana se sucede monoc&oacute;rdio sobre quil&ocirc;metros e quil&ocirc;metros de terra vermelha, devastada no passado por madeireiros e pecuaristas. 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