{"id":16877,"date":"2013-11-12T12:42:59","date_gmt":"2013-11-12T12:42:59","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=102662"},"modified":"2013-11-12T12:42:59","modified_gmt":"2013-11-12T12:42:59","slug":"escolas-fantasmas-no-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/escolas-fantasmas-no-paquistao\/","title":{"rendered":"Escolas fantasmas no Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_102663\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/meninos.jpg\"><img class=\" wp-image-102663  \" alt=\"meninos Escolas fantasmas no Paquist\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/meninos.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Escolas fantasmas no Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Meninos que n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola em Ibrahim Hyderi, uma comunidade de pescadores perto de Carachi. Foto: Zofeen Ebrahim\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carachi, Paquist\u00e3o, 12\/11\/2013 \u2013 Rahmatullah Balal passou dez anos contando o que no Paquist\u00e3o todos chamam de \u201cescolas fantasmas\u201d. Trata-se de centros de ensino que s\u00f3 existem no papel, porque, na realidade, s\u00e3o usados para guardar animais ou como espa\u00e7os reservados para os poderosos locais. Balal, de 35 anos, preside a Sociedade de Desenvolvimento Rural da prov\u00edncia de Sindh, uma rede de 40 organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, e luta para mostrar as escolas que n\u00e3o existem para funcion\u00e1rios da Educa\u00e7\u00e3o, principalmente na cidade de Hala e seus arredores, nessa regi\u00e3o sudeste da qual Carachi \u00e9 a capital.<\/p>\n<p>O Departamento de Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deu aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas queixas, e h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos decidiu, com um grupo de amigos, ficar diante das casas dos pol\u00edticos, identificados com bra\u00e7adeiras negras, ou participar de acontecimentos onde os pol\u00edticos s\u00e3o convidados. \u201cEles ouviram mas n\u00e3o fizeram absolutamente nada, porque n\u00e3o havia nenhuma press\u00e3o dos pais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No ano passado, sua organiza\u00e7\u00e3o decidiu usar tecnologia digital. \u201cFizemos com que a comunidade se envolvesse, e cada vez que ouv\u00edamos sobre uma escola fantasma, ou que n\u00e3o funcionava, eram enviadas centenas de mensagens de texto de diferentes n\u00fameros aos parlamentares.\u201d Os jornais locais deram destaque quase di\u00e1rio ao assunto. Contudo, apesar disso, nada mudou. Como \u00faltimo recurso, em janeiro deste ano, Balal decidiu apelar para a Suprema Corte de Justi\u00e7a do Paquist\u00e3o pedindo ao seu presidente, Iftijar Mohammad Chaudhry, que considerasse a \u201clament\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o\u201d da educa\u00e7\u00e3o em Sindh, com particular refer\u00eancia \u00e0s escolas fantasmas.<\/p>\n<p>Por mensagens de texto, pediu a organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias locais e pessoas de cada lugar que enviassem detalhes sobre esses centros de estudo. \u201cEm dez dias fizemos uma lista de 1.300 dessas escolas em toda Sindh\u201d, contou. O Supremo Tribunal de Sindh fez um novo levantamento e informou \u00e0 Suprema Corte que havia 6.721 dessas escolas que eram propriedade do governo, e para as quais inclusive fornecia fundos.<\/p>\n<p>\u201cOs pr\u00e9dios escolares se converteram em est\u00e1bulos\u201d, declarou Chaudhry, m\u00e1xima autoridade judicial do Paquist\u00e3o, em 11 de fevereiro deste ano, ao atender a peti\u00e7\u00e3o de Balal. \u201cIsto \u00e9 o que estamos fazendo \u00e0s nossas crian\u00e7as, quando a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito constitucional\u201d, destacou. Balal ainda espera uma resolu\u00e7\u00e3o legal. \u201cGostaria que se levasse justi\u00e7a a todos os que estiveram roubando o governo\u201d, afirmou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Sadiqa Salahuddin, diretora do Centro de Recursos Hindus, disse preferir falar em escolas \u201cfechadas\u201d. Algumas das 130 administradas por sua entidade nos distritos de Jaipur, Sukkur, Dadu, Jamshoro e Carachi, na prov\u00edncia de Sindh, foram antes escolas que n\u00e3o funcionavam. \u201cAs escolas fantasmas est\u00e3o associadas \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, particularmente com o ausentismo dos professores, sendo que esse n\u00e3o \u00e9 sempre o caso\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cAlguns dos professores dessas mesmas escolas podem ainda estar ensinando e ganhando o sal\u00e1rio honestamente, mas seu supervisor pode t\u00ea-los destinado para outra parte sob press\u00e3o de um superior\u201d, ponderou a diretora. Salahuddin admitiu que pode ocorrer a transfer\u00eancia de professores para uma \u00e1rea mais conveniente.<\/p>\n<p>\u201cDestinar professoras para escolas de aldeias afastadas, quando n\u00e3o h\u00e1 transporte p\u00fablico, \u00e9 o primeiro passo para prejudicar a carreira at\u00e9 mesmo da mais dedicada e comprometida\u201d, disse a diretora \u00e0 IPS, culpando as pol\u00edticas centralizadas de recrutamento, pelas quais o pessoal docente que \u00e9 empregado do governo pode ser designado para qualquer parte.<\/p>\n<p>Segundo o Informe Global da Corrup\u00e7\u00e3o, da Transpar\u00eancia Internacional, apresentado em 1\u00ba de outubro no Paquist\u00e3o, alguns professores trabalham em coniv\u00eancia com as autoridades de ensino para \u201cfalsificar relat\u00f3rios sobre o funcionamento das escolas\u201d, enquanto, na realidade, trabalham em outros lugares. O problema dos professores que n\u00e3o se apresentam ao trabalho, ou de escolas transformadas em est\u00e1bulos, est\u00e1 na viciada pol\u00edtica educacional, ressaltou Salahuddin.<\/p>\n<p>O sistema usado pelo governo, de construir escolas em pr\u00e9dios doados pela comunidade, \u00e9 um dos motivos, afirmou Salahuddin. \u201cNo Sindh rural, que conhe\u00e7o bem, a terra pertence a um punhado de poderosos, que quando se desprendem dela sempre imp\u00f5em condi\u00e7\u00f5es e exercem influ\u00eancia e interfer\u00eancia\u201d, explicou. Como est\u00e3o as coisas, o Paquist\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 conseguir at\u00e9 2015 a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal, segundo os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio. A mesma meta est\u00e1 contida tamb\u00e9m na Declara\u00e7\u00e3o de Dacar de 2000, da qual este pa\u00eds tamb\u00e9m \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um estudo feito em 2010 pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) revelou que 25 milh\u00f5es de meninos e meninas entre cinco e 16 anos n\u00e3o iam \u00e0 escola no Paquist\u00e3o, que tem popula\u00e7\u00e3o total de 183,5 milh\u00f5es de pessoas. Por outro lado, na vizinha \u00cdndia, com 1,2 bilh\u00e3o de habitantes, estimava-se que eram oito milh\u00f5es entre seis e 14 anos que n\u00e3o iam \u00e0 escola em 2009, o que implicava uma redu\u00e7\u00e3o significativa em rela\u00e7\u00e3o aos 25 milh\u00f5es que eram em 2003.<\/p>\n<p>O informe, elaborado com apoio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) e a Universidade de Ci\u00eancias Administrativas de Lahore, n\u00e3o incluiu as \u00c1reas Tribais Administradas Federalmente (Fata), Gilgit-Baltist\u00e3o e a Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o. Este pa\u00eds gasta 1,9% de seu produto interno bruto com educa\u00e7\u00e3o, quando a m\u00e9dia mundial \u00e9 de 4%. Em contraste destina 54% do or\u00e7amento \u00e0 defesa e ao pagamento da d\u00edvida pela compra de armas.<\/p>\n<p>Entretanto, mesmo uma parte deste baixo or\u00e7amento educacional \u00e9 subutilizado. Entre 2012 e 2013, as quatro prov\u00edncias do pa\u00eds gastaram com ensino o equivalente a US$ 293 milh\u00f5es, menos da metade dos fundos destinados, segundo a Alif Ailaan, uma alian\u00e7a de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais dedicadas a promover a educa\u00e7\u00e3o. A entidade faz campanha para que o or\u00e7amento seja maior e melhor utilizado.<\/p>\n<p>\u201cNecessitamos das duas coisas, porque a escala da solu\u00e7\u00e3o tem de estar \u00e0 altura da escala do problema\u201d, afirmou \u00e0 IPS Mosharraf Zaidi, da Alif Ailaan. Zaidi acrescentou que os pr\u00e9dios escolares e a contrata\u00e7\u00e3o de professores se converteram em ferramentas de clientelismo pol\u00edtico. Enquanto, paralelamente, a seu ver, o problema da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem o protagonismo que deveria, porque os pol\u00edticos n\u00e3o est\u00e3o \u201cexpressando indigna\u00e7\u00e3o pelo resultado deste sistema educacional\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Carachi, Paquist&atilde;o, 12\/11\/2013 &ndash; Rahmatullah Balal passou dez anos contando o que no Paquist&atilde;o todos chamam de &ldquo;escolas fantasmas&rdquo;. Trata-se de centros de ensino que s&oacute; existem no papel, porque, na realidade, s&atilde;o usados para guardar animais ou como espa&ccedil;os reservados para os poderosos locais. 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