{"id":16881,"date":"2013-11-13T12:48:56","date_gmt":"2013-11-13T12:48:56","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=102730"},"modified":"2013-11-13T12:48:56","modified_gmt":"2013-11-13T12:48:56","slug":"na-costa-do-marfim-faltam-antirretrovirais-e-sobra-estigma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/na-costa-do-marfim-faltam-antirretrovirais-e-sobra-estigma\/","title":{"rendered":"Na Costa do Marfim faltam antirretrovirais e sobra estigma"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_102731\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/marfil640.jpg\"><img class=\" wp-image-102731 \" alt=\"marfil640 Na Costa do Marfim faltam antirretrovirais e sobra estigma\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/marfil640.jpg\" width=\"529\" height=\"252\" title=\"Na Costa do Marfim faltam antirretrovirais e sobra estigma\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma trabalhadora da sa\u00fade explica a transmiss\u00e3o sexual de infec\u00e7\u00f5es na cl\u00ednica de planejamento familiar de Yopougon, na Costa do Marfim. Foto: Kristin Palitza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Abidjan, Costa do Marfim, 13\/11\/2013 \u2013 No centro de sa\u00fade da comunidade de Cocody-Anono, no sudeste da capital econ\u00f4mica da Costa do Marfim, Abidjan, Bertine Bahi* assiste a um curso sobre preven\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o do v\u00edrus HIV de m\u00e3e para filho. Um exame de HIV (v\u00edrus causador da aids) deu positivo quando Bahi estava gr\u00e1vida de tr\u00eas meses. Em outubro, essa mulher de 32 anos j\u00e1 estava no quinto m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o e ainda n\u00e3o havia contado sua situa\u00e7\u00e3o ao marido.<\/p>\n<p>\u201cApesar dos conselhos da parteira, \u00e9 dif\u00edcil dizer contar para meu marido. Se o fizer, me por\u00e1 para fora de casa. Agora, quando consigo medicamentos antirretrovirais tomo escondida\u201d, afirmou Bahi. Para Suzanne Asseman*, trabalhadora do lar de 37 anos que vive em Agboville, sul do pa\u00eds, disseram que tinha HIV em junho de 2012. Ela precisa viajar 80 quil\u00f4metros para chegar a Abidjan, onde recebe os rem\u00e9dios que a mant\u00eam saud\u00e1vel. Isto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque Asseman est\u00e1 gr\u00e1vida de sete meses.<\/p>\n<p>Quando obteve os comprimidos antirretrovirais em outubro, havia perdido cinco semanas de tratamento. Esses rem\u00e9dios devem ser tomados diariamente, pois do contr\u00e1rio n\u00e3o s\u00e3o efetivos. Asseman sempre teve que esperar uma ou duas semanas para receber sua medica\u00e7\u00e3o, mas dessa vez a espera foi mais longa. Agora tem d\u00favidas sobre o tratamento. \u201cEu era reticente em receber antirretrovirais. Como vivo longe, o rem\u00e9dio acaba quando chega ali. Penso que \u00e9 melhor deixar de tomar do que dar todas essas voltas\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Rolande Yao, trabalhador social no Centro de Preven\u00e7\u00e3o de Transmiss\u00e3o M\u00e3e-Filho, da localidade de Att\u00e9coub\u00e9, acredita que o estigma est\u00e1 aumentando e que as frequentes altera\u00e7\u00f5es no fornecimento de antirretrovirais criam ainda mais dificuldades para as pacientes. Tr\u00eas em cada dez gr\u00e1vidas que vivem com o v\u00edrus na Costa do Marfim n\u00e3o fazem o curso preventivo, informa o Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids (Onusida) em seu Informe de Progresso Global sobre a Aids 2013.<\/p>\n<p>Os exames de HIV em gr\u00e1vidas t\u00eam repercuss\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es do casal. \u201cQuando um homem sabe que sua mulher \u00e9 HIV positiva, costuma suspeitar que \u00e9 infiel. Pode se negar a se submeter ao exame ou rejeitar a mulher\u201d, contou Yao. Sete em cada dez mulheres s\u00e3o rejeitadas, estima. Apesar da interven\u00e7\u00e3o do pessoal m\u00e9dico, h\u00e1 muitos maridos que se negam a que elas regressem.<\/p>\n<p>O medo da rejei\u00e7\u00e3o empurra as gr\u00e1vidas soropositivas a mudar de centro de sa\u00fade ou manter sil\u00eancio. Outras s\u00e3o perdidas pelo sistema m\u00e9dico, simplesmente ignorando os cuidados pr\u00e9-natais, se arriscando a transmitir o v\u00edrus para seus beb\u00eas. Segundo Cyriaque Ako, coordenador do projeto M2C (siglas que se referem \u00e0 express\u00e3o \u201cm\u00e3e e filho\u201d, em ingl\u00eas), em muitos desses casos as mulheres procuram curandeiros tradicionais.<\/p>\n<p>A M2C trabalha em Yopougon, a comunidade mais povoada do pa\u00eds, perto de Abidjan, onde as mulheres preferem os curandeiros e muitas n\u00e3o ouviram falar dos programas de preven\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o m\u00e3e-filho, disse Ako. O projeto, que vai para seu segundo ano, pretende vincular as mulheres de 15 mil lares pobres a centros de sa\u00fade e de exames de HIV.<\/p>\n<p>A preval\u00eancia desse v\u00edrus \u00e9 de 3,2% nesse pa\u00eds da \u00c1frica ocidental de 20 milh\u00f5es de habitantes, que se esfor\u00e7a para conter a epidemia e dar assist\u00eancia \u00e0s 450 mil pessoas que, segundo a Onusida, vivem com HIV. J\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis alguns avan\u00e7os modestos. A Onusida destaca uma redu\u00e7\u00e3o na quantidade de crian\u00e7as que se infectam a cada ano: eram 6.700 em 2009 e cinco mil em 2012. \u201cEst\u00e1 baixando, mas n\u00e3o com a velocidade necess\u00e1ria\u201d, afirma o Informe de Progresso Global.<\/p>\n<p>Entretanto, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que se dedicam a combater a aids se queixam de que, desde o fim da crise p\u00f3s-eleitoral entre 2011 e 2012, as pessoas com HIV parecem ter sido abandonadas, o que se nota nas reiteradas altera\u00e7\u00f5es no fornecimento de antirretrovirais. Uma das principais causas da escassez \u00e9 o colapso sofrido pelo sistema de sa\u00fade durante a crise pol\u00edtica que durou uma d\u00e9cada, come\u00e7ando com uma rebeli\u00e3o armada no norte e oeste do pa\u00eds e que derivou no conflito p\u00f3s-eleitoral.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, a comunidade internacional imp\u00f4s embargos de armas e ao com\u00e9rcio em portos marfinenses (Abidjan e San Pedro), para obrigar o ent\u00e3o presidente Laurent Gbagbo a abandonar o poder ap\u00f3s sua derrota nas urnas. N\u00e3o foi poss\u00edvel entregar os medicamentos importados da Europa, al\u00e9m disso, muitos centros de sa\u00fade foram saqueados e fechados durante os combates, segundo organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais.<\/p>\n<p>Yaya Coulibaly, presidente da Rede Marfinense de Pessoas que Vivem com HIV (RIP+, sigla em franc\u00eas), disse que \u201cos conselheiros comunit\u00e1rios e os m\u00e9dicos t\u00eam que mentir para os pacientes porque n\u00e3o h\u00e1 antirretrovirais suficientes nas farm\u00e1cias do governo. Falta inclusive o nevirapine, receitado para prevenir a transmiss\u00e3o m\u00e3e-filho, acrescentou.<\/p>\n<p>Coulibaly disse que \u00e0s vezes os antirretrovirais sobram em certos centros de sa\u00fade, mas escasseiam em outros, o que indica um problema de distribui\u00e7\u00e3o. No Minist\u00e9rio da Sa\u00fade est\u00e1 em andamento uma moderniza\u00e7\u00e3o da farm\u00e1cia, para melhorar o sistema de entrega desses medicamentos, afirmou. Isto ajudar\u00e1 m\u00e3es como Asseman e Bahi a continuarem com o tratamento e se manterem saud\u00e1veis. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Nomes fict\u00edcios para proteger as identidades das entrevistadas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Abidjan, Costa do Marfim, 13\/11\/2013 &ndash; No centro de sa&uacute;de da comunidade de Cocody-Anono, no sudeste da capital econ&ocirc;mica da Costa do Marfim, Abidjan, Bertine Bahi* assiste a um curso sobre preven&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o do v&iacute;rus HIV de m&atilde;e para filho. 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