{"id":16889,"date":"2013-11-18T12:32:42","date_gmt":"2013-11-18T12:32:42","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=102984"},"modified":"2013-11-18T12:32:42","modified_gmt":"2013-11-18T12:32:42","slug":"mulheres-colocam-nos-trilhos-os-homens-no-cairo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/mulheres-colocam-nos-trilhos-os-homens-no-cairo\/","title":{"rendered":"Mulheres colocam nos trilhos os homens no Cairo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_102985\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/egipcias640.jpg\"><img class=\" wp-image-102985 \" alt=\"egipcias640 Mulheres colocam nos trilhos os homens no Cairo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/egipcias640.jpg\" width=\"529\" height=\"318\" title=\"Mulheres colocam nos trilhos os homens no Cairo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Nihal Saad Zaghloul, cofundadora de Basma, na esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 no Cairo, onde fez as primeiras campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o. Foto: Cortesia de Magali Corouge\/Documentography<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cairo, Egito, 18\/11\/2013 \u2013 A eg\u00edpcia Nihal Saad Zaghloul, de quase 30 anos, enfrenta como outras jovens o risco cotidiano de ser assediada sexualmente nas ruas do Cairo. Mas a revolu\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds a levou a perceber que as pessoas podem se unir e que ela mesma pode fazer a diferen\u00e7a. No Egito aumentam as viola\u00e7\u00f5es cometidas por gangues, no contexto da instabilidade pol\u00edtica e da perda de seguran\u00e7a desde a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Junto com uma amiga, Zaghloul fundou a organiza\u00e7\u00e3o Basma, para conscientizar sobre o ass\u00e9dio sexual nas ruas desta metr\u00f3pole de 30 milh\u00f5es de habitantes. Ap\u00f3s reunir dezenas de volunt\u00e1rios, no ano passado se mobilizaram pela primeira vez nas ruas pr\u00f3ximas \u00e0 Pra\u00e7a Tahrir e dentro das esta\u00e7\u00f5es centrais do metr\u00f4. Zaghloul acredita firmemente que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio de tudo, e a isso se dedica.<\/p>\n<p>\u201cNosso sistema educacional est\u00e1 falhando. As escolas do governo funcionam mal e as particulares s\u00e3o muito caras. E isto faz com que a maioria dos jovens eg\u00edpcios n\u00e3o se eduque. E \u00e9 exatamente esse grupo que encontramos nas ruas. Est\u00e3o aborrecidos com a vida, maltratando as mulheres\u201d, pontuou a jovem.<\/p>\n<p>O ass\u00e9dio contra mulheres \u00e9 bastante normal e at\u00e9 aceito no Egito. Segundo um estudo feito em abril pela ONU Mulheres, 99,3% das eg\u00edpcias consultadas disseram que foram assediadas sexualmente. Contudo, com a Basma, Zaghloul come\u00e7ou a lutar contra isto. Cada vez que chega uma menina v\u00edtima de ass\u00e9dio, ela e sua equipe de volunt\u00e1rios se aproximam dos rapazes ou meninos para sensibiliz\u00e1-los.<\/p>\n<p>Os primeiros meses foram uma verdadeira luta para a organiza\u00e7\u00e3o. A pol\u00edcia, que tem entre seus efetivos alguns que costumam participar ativamente do ass\u00e9dio, n\u00e3o levou a s\u00e9rio a iniciativa e causou mais problema, em lugar de oferecer apoio. Apesar disso, Zaghloul observou uma mudan\u00e7a nos \u00faltimos meses. Pela primeira vez a pol\u00edcia est\u00e1 apoiando a iniciativa e participa ativamente da preven\u00e7\u00e3o. Outro fen\u00f4meno importante \u00e9 o aumento de mulheres policiais que patrulham o metr\u00f4. A coronel Manal e suas nove colegas mulheres est\u00e3o especialmente ansiosas em promover a seguran\u00e7a nas esta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ass\u00e9dio \u00e9 um problema cotidiano, mas com a El Eid, uma das principais festividades mu\u00e7ulmanas, realizada na semana passada, estiveram em pleno funcionamento iniciativas p\u00fablicas e privadas de preven\u00e7\u00e3o. O centro do Cairo sempre foi um lugar onde o fen\u00f4meno alcan\u00e7ou n\u00edveis m\u00e1ximos. E, ao lembrar a grande quantidade de ataques sexuais que aconteceram durante o mesmo per\u00edodo do ano passado, muitas mulheres t\u00eam medo de andar pelas ruas de sua cidade.<\/p>\n<p>Houve uma pausa no ass\u00e9dio durante os primeiros dias da revolu\u00e7\u00e3o de 2011, quando a Pra\u00e7a Tahrir estava repleta de fam\u00edlias e o clima era jovial. Mas, quando Hosni Mubarak (1981-2011) foi derrubado, o ass\u00e9dio voltou ao seu ponto m\u00e1ximo. O problema n\u00e3o se relaciona diretamente com nenhuma corrente pol\u00edtica ou religiosa espec\u00edfica, sendo mais uma caracter\u00edstica da cultura eg\u00edpcia ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas semanas, Manal patrulha o metr\u00f4 do Egito para conscientizar sobre essa situa\u00e7\u00e3o. Muito influenciada pela iniciativa Basma, disse que agora a pol\u00edcia tem mais autoridade e pode prender os respons\u00e1veis. Em contraste com os primeiros dias da Basma, atualmente essa for\u00e7a est\u00e1 disposta a cooperar. Na semana passada, Zaghloul e Manal trabalharam lado a lado.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1990, as mulheres podem viajar no metr\u00f4 pela cidade em vag\u00f5es a elas reservados. Mas essa norma \u00e9 violada com frequ\u00eancia. Os homens aproveitam a oportunidade logo antes de as portas do metr\u00f4 fecharem para saltarem dentro dos vag\u00f5es que s\u00e3o apenas para mulheres. Ocasionalmente, entram neles por acidente, mas a maioria o faz de prop\u00f3sito, sabendo que est\u00e3o cheios de mulheres.<\/p>\n<p>\u201cSe um homem entra no vag\u00e3o logo antes de fecharem as portas o que podemos fazer? \u00c0s vezes as mulheres se irritam, mas, principalmente, sentem medo e olham para o outro lado enquanto ele assedia uma de suas companheiras de viagem\u201d, contou Zaghloul. \u201cMas, quando uma delas se defende, todas as outras a seguem. \u00c9 por isso que criamos essa iniciativa, para fazer com que todas se defendam\u201d, destacou.<\/p>\n<p>H\u00e1 apenas um ano, e pela primeira vez na hist\u00f3ria recente do Egito, uma jovem chamada Samira apresentou queixa contra um dos v\u00e1rios homens que a atacaram durante um protesto contra o regime militar. E ganhou a causa. \u201cEssas hist\u00f3rias ainda s\u00e3o incomuns. Continuam mostrando as mulheres como as instigadoras e n\u00e3o como v\u00edtimas dessas a\u00e7\u00f5es. Assim, preferem manter em segredo o que sofreram\u201d, explicou Zaghloul.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, se uma mulher recorre \u00e0 pol\u00edcia, frequentemente \u00e9 assediada pelos pr\u00f3prios policiais. Por isso ter mulheres policiais cuidando desse problema \u00e9 um dever absoluto\u201d, acrescentou a jovem. At\u00e9 h\u00e1 pouco n\u00e3o se via mulheres policiais nas ruas do Cairo. Esse era um trabalho reservado exclusivamente para os homens. Por meses, Zaghloul e uma dezena de volunt\u00e1rios da Basma patrulharam o lotado metr\u00f4 e as movimentadas ruas da capital. Atualmente, a coronel Manal lhes d\u00e1 plena assist\u00eancia.<\/p>\n<p>Jornalistas s\u00e3o vistos com suspeita, em particular os estrangeiros. O regime interino que governou o pa\u00eds ap\u00f3s a derrubada do presidente Mohammad Morsi, em julho, lan\u00e7ou uma campanha contra a imprensa, apresentando-a como espi\u00e3 e colaboradora da Irmandade Mu\u00e7ulmana. Por isso, Manal tamb\u00e9m recebeu a IPS com receito. Contudo, uma refer\u00eancia \u00e0 Basma serviu para quebrar o gelo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 50 anos, havia tantas mulheres como homens na pol\u00edcia. Temos que voltar a esse equil\u00edbrio. S\u00f3 dessa forma as eg\u00edpcias se sentir\u00e3o seguras nas ruas do Cairo\u201d, declarou Manal. Como as leis n\u00e3o s\u00e3o claras, ainda \u00e9 dif\u00edcil combater o ass\u00e9dio sexual. Por\u00e9m, a policial pede que todas as v\u00edtimas apresentem queixa.<\/p>\n<p>Nem todas as mulheres acreditam que haver\u00e1 avan\u00e7os. Hend Elbalouty, de 25 anos, foi testemunha do ataque sexual que uma gangue cometeu, no come\u00e7o desse ano, contra sua irm\u00e3 na Pra\u00e7a Tahrir. As acusa\u00e7\u00f5es que apresentou contra os respons\u00e1veis nunca receberam o devido tratamento. \u201cEstamos de novo no ponto de partida\u201d, lamentou a jovem.\u00a0 \u201cTemos um Estado policial que n\u00e3o funciona. O fato de as mulheres terem mais poder agora n\u00e3o muda o caos que domina o sistema legal do Egito\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Mohammad Jamees, um passageiro que viaja no vag\u00e3o dos homens, n\u00e3o \u00e9 a favor dessa iniciativa. \u201cCombater a delinqu\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um trabalho de mulheres. Inclusive para seus colegas homens, essas situa\u00e7\u00f5es costumam ser incontrol\u00e1veis, assim, como podem as mulheres abord\u00e1-las?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>As leis e os valores tradicionais, bem como uma divis\u00e3o de tarefas para homens e mulheres, ainda est\u00e3o profundamente arraigados na sociedade eg\u00edpcia. Mas Zaghloul \u00e9 otimista. \u201cA pol\u00edcia, finalmente, est\u00e1 assumindo a responsabilidade. Levar\u00e1 um tempo para os homens aceitarem a autoridade das mulheres, mas isso \u00e9, definitivamente, um passo na dire\u00e7\u00e3o correta\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Cairo, Egito, 18\/11\/2013 &ndash; A eg&iacute;pcia Nihal Saad Zaghloul, de quase 30 anos, enfrenta como outras jovens o risco cotidiano de ser assediada sexualmente nas ruas do Cairo. Mas a revolu&ccedil;&atilde;o em seu pa&iacute;s a levou a perceber que as pessoas podem se unir e que ela mesma pode fazer a diferen&ccedil;a. 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