{"id":16891,"date":"2013-11-19T08:20:07","date_gmt":"2013-11-19T08:20:07","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=103128"},"modified":"2013-11-19T08:20:07","modified_gmt":"2013-11-19T08:20:07","slug":"mineracao-mordisca-a-amazonia-da-guiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/mineracao-mordisca-a-amazonia-da-guiana\/","title":{"rendered":"Minera\u00e7\u00e3o mordisca a Amaz\u00f4nia da Guiana"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_103129\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/guyana640.jpg\"><img class=\" wp-image-103129 \" alt=\"guyana640 Minera\u00e7\u00e3o mordisca a Amaz\u00f4nia da Guiana\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/guyana640.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"Minera\u00e7\u00e3o mordisca a Amaz\u00f4nia da Guiana\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>A Guiana tem 12,2 milh\u00f5es de hectares de florestas estatais. Foto: Desmond Brown\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Georgetown, Guiana, 19\/11\/2013 \u2013 Mediante a\u00e7\u00f5es de compensa\u00e7\u00e3o, a Guiana se comprometeu a salvar sua floresta tropical, considerada um tesouro vivo, das atividades destrutivas de mineiros que buscam outro tipo de fortuna, enterrada sob esse fr\u00e1gil ecossistema. Contudo, o ministro de Recursos Naturais, Roberto Persaud, alertou que o pa\u00eds perder\u00e1 cerca de US$ 20 milh\u00f5es do fundo de conserva\u00e7\u00e3o florestal, porque destruiu mais por\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia do que a acordada, principalmente pelo avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o de ouro e diamante.<\/p>\n<p>Em novembro de 2010, Guiana e Noruega se associaram para criar o maior dos projetos de Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o de Florestas (REDD) no mundo. A Noruega se comprometeu a entregar \u00e0 Guiana at\u00e9 US$ 250 milh\u00f5es at\u00e9 2015 para evitar desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o. A Guiana cumpriu os requisitos de desempenho por dois anos seguidos, por isso a Noruega transferiu US$ 70 milh\u00f5es ao Fundo de Investimentos REDD+ da Guiana. Mas o terceiro informe nacional preliminar sobre desmatamento n\u00e3o traz boas not\u00edcias.<\/p>\n<p>\u201cTivemos uma mudan\u00e7a em termos da propor\u00e7\u00e3o desmatada, com um n\u00edvel de 0,079%, superior ao do ano passado, que foi de 0,054%\u201d, informou Persaud \u00e0 IPS. \u201cPor\u00e9m, se nos fixarmos na \u00e1rea total, trata-se de apenas 3.600 hectares em 12,2 milh\u00f5es de hectares da \u00e1rea florestal estatal\u201d, acrescentou. Em termos percentuais, a Guiana violou o acordo com a Noruega, porque no terceiro ano em vigor a avalia\u00e7\u00e3o mostrou crescimento do desmatamento e porque, ao situar-se no patamar de 0,079, superou o limite comprometido de 0,070. Auditores independentes da Universidade de Durham (local) e da Noruega finalizar\u00e3o o relat\u00f3rio at\u00e9 o dia 30 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Os fundos obtidos pela Guiana por meio do acordo se dirigem aos projetos de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento baixo em carbono (LCDS), que possuem um efeito transformador sobre a economia nacional e local. Tamb\u00e9m se destinam a apoiar os esfor\u00e7os do pa\u00eds caribenho para se adaptar \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e para aumentar a resili\u00eancia diante de futuros eventos vinculados \u00e0 mesma. Por\u00e9m, alguns guianenses origin\u00e1rios se sentem marginalizados pelo acordo.<\/p>\n<p>\u201cA terra, nossos recursos e manter o ambiente saud\u00e1vel para nosso povo e nossos filhos s\u00e3o assuntos fundamentais para n\u00f3s\u201d, afirmou \u00e0 IPS Laura George, representante da Associa\u00e7\u00e3o de Povos Amer\u00edndios. \u201cUma das coisas que dizemos \u00e9 que se deve consultar as comunidades. O governo n\u00e3o deveria pressionar nossos toshaos (l\u00edderes de aldeias amer\u00edndias) para que aprovem projetos que n\u00e3o entendemos plenamente\u201d, argumentou a prop\u00f3sito do acordo com a Noruega.<\/p>\n<p>John Alfred, ex-toshao da Regi\u00e3o 9, disse \u00e0 IPS que por muitos anos foram violados seus direitos com a destrui\u00e7\u00e3o da floresta. \u201cEm nossas aldeias e regi\u00f5es h\u00e1 muitos problemas. Estamos lutando por nosso direito \u00e0 terra, por nossos direitos ind\u00edgenas, por respeito\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Apesar do \u00faltimo relat\u00f3rio, Persaud disse \u00e0 IPS que a Guiana \u201ccontinua sendo o pa\u00eds com uma das menores propor\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de desmatamento dentro da Am\u00e9rica do Sul\u201d. Tamb\u00e9m admitiu que 94% dos problemas t\u00eam origem na atividade mineradora. Mas, ressaltou, esta acontece \u201ccom o conhecimento da Comiss\u00e3o de Geologia e Minas da Guiana, trabalhando com mineiros leg\u00edtimos, que cumprem sua atividade econ\u00f4mica enquanto seguem as diretrizes ou leis nacionais, bem como nossas regulamenta\u00e7\u00f5es a respeito\u201d.<\/p>\n<p>Patrick Harding, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Mineiros de Ouro e Diamante da Guiana (GGDMA), disse \u00e0 IPS: \u201cPodemos perder cerca de 40% dos fundos da Noruega. Isso representa aproximadamente US$ 25 milh\u00f5es. A ind\u00fastria mineradora, inclu\u00edda a de bauxita, dar\u00e1 ao governo divisas em torno de US$ 1 bilh\u00e3o. Temos uma ind\u00fastria que gera emprego para dezenas de milhares de guianenses\u201d. Harding tamb\u00e9m insistiu que a GGDMA est\u00e1 preocupada com o desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cNosso lema \u00e9 praticar a minera\u00e7\u00e3o considerando o meio ambiente, e somos muito cuidadosos nesse sentido. Incentivamos nossos membros a seguirem a Lei Ambiental e as Regulamenta\u00e7\u00f5es Mineiras\u201d, ressaltou Harding. Em 2012, a ind\u00fastria mineradora declarou produ\u00e7\u00e3o de 413,6 mil on\u00e7as (quase 12 toneladas) de ouro, e este ano se comprometeu a aumentar para 461 on\u00e7as (13 toneladas). \u201cNaturalmente, nos preocupa o meio ambiente, mas n\u00e3o se pode ter desenvolvimento sem alguma altera\u00e7\u00e3o adicional\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>O ex-presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo (1999-2011), defende a causa dos pa\u00edses em desenvolvimento na luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, destacando o papel que t\u00eam as florestas do pa\u00eds na absor\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono. Em 2009, sob sua lideran\u00e7a, o pa\u00eds desenvolveu seu programa de LCDS. Por este programa o pa\u00eds cobra por servi\u00e7os do ecossistema florestal. Esses fundos s\u00e3o usados para atividades econ\u00f4micas para que o crescimento e o desenvolvimento sejam amig\u00e1veis com o meio ambiente e, por fim, baixo em carbono. A LCDS recebeu apoio internacional generalizado e elogios internacionais. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Georgetown, Guiana, 19\/11\/2013 &ndash; Mediante a&ccedil;&otilde;es de compensa&ccedil;&atilde;o, a Guiana se comprometeu a salvar sua floresta tropical, considerada um tesouro vivo, das atividades destrutivas de mineiros que buscam outro tipo de fortuna, enterrada sob esse fr&aacute;gil ecossistema. 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