{"id":16898,"date":"2013-11-20T12:48:11","date_gmt":"2013-11-20T12:48:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=103205"},"modified":"2013-11-20T12:48:11","modified_gmt":"2013-11-20T12:48:11","slug":"cop19-marcando-o-vinculo-entre-genero-e-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/cop19-marcando-o-vinculo-entre-genero-e-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"COP19: Marcando o v\u00ednculo entre g\u00eanero e mudan\u00e7a clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_103206\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Gender-small-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-103206 \" alt=\"Gender small 629x419 COP19: Marcando o v\u00ednculo entre g\u00eanero e mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/Gender-small-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"COP19: Marcando o v\u00ednculo entre g\u00eanero e mudan\u00e7a clim\u00e1tica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Oradores do Painel sobre G\u00eanero e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, realizado em Vars\u00f3via no dia 12. Foto: Silvia Giannelli\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vars\u00f3via, Pol\u00f4nia, 20\/11\/2013 \u2013 Ontem foi comemorado o Dia do G\u00eanero na 19\u00aa Confer\u00eancia das Partes (COP 19) da Conven\u00e7\u00e3o Marco das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e muitas atividades realizadas na capital polonesa se concentraram nesse tema transversal e sua rela\u00e7\u00e3o com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. A jornada come\u00e7ou com a apresenta\u00e7\u00e3o do \u00cdndice de G\u00eanero e Meio Ambiente (EGI), elaborado pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN).<\/p>\n<p>Lorena Aguilar, alta assessora para assuntos de g\u00eanero para a UICN, explicou \u00e0 IPS a import\u00e2ncia do estudo. \u201cO EGI \u00e9 o primeiro \u00edndice de sua classe, reunindo medi\u00e7\u00f5es sobre governan\u00e7a em temas de g\u00eanero e meio ambiente. Foram avaliados 72 pa\u00edses, segundo seis vari\u00e1veis diferentes, com cada um de seus indicadores\u201d, afirmou Aguilar na COP 19, que acontece em Vars\u00f3via, entre 11 e 22 deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Os 72 pa\u00edses foram classificados segundo seu desempenho em formas de sustento, direitos de g\u00eanero e participa\u00e7\u00e3o da mulher, governan\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o em temas de g\u00eanero, ecossistemas e atividades registradas nos informes nacionais. Cada vari\u00e1vel cont\u00e9m uma s\u00e9rie de indicadores para definir seu alcance. Por exemplo, a vari\u00e1vel de \u201cdireitos de g\u00eanero e participa\u00e7\u00e3o\u201d avalia se as mulheres gozam de direitos iguais (como o de propriedade) e de uma representa\u00e7\u00e3o equitativa nos processos de tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O primeiro resultado que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que muitos pa\u00edses com alta renda (alguns dos 34 membros da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4micos \u2013 OCDE) tiveram mau desempenho em temas de g\u00eanero, meio ambiente e desenvolvimento sustent\u00e1vel. Isso pode ter ocorrido pela \u201cideia (err\u00f4nea) de que a igualdade de g\u00eanero j\u00e1 est\u00e1 alcan\u00e7ada em todas as esferas do pa\u00eds, inclusive no setor do meio ambiente\u201d, mas tamb\u00e9m h\u00e1 falta de vontade pol\u00edtica, diz o estudo.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas pa\u00edses que se destacaram em temas de g\u00eanero em seus informes nacionais apresentados nas Conven\u00e7\u00f5es do Rio sobre biodiversidade, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e diversifica\u00e7\u00e3o, e perante a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Elimina\u00e7\u00e3o de Todas as Formas de Discrimina\u00e7\u00e3o Contra a Mulher (Cedaw), foram \u00cdndia, Qu\u00eania e Gana, nessa ordem. Enquanto Ge\u00f3rgia, Uzbequist\u00e3o e It\u00e1lia n\u00e3o inclu\u00edram assuntos de g\u00eanero em seus tr\u00eas \u00faltimos informes nacionais \u00e0s Conven\u00e7\u00f5es do Rio, diz o estudo da UICN.<\/p>\n<p>Assim como a pobreza segue junto com a desigualdade de g\u00eanero, o mesmo ocorre com os temas ambientais. Isso se traduz em um \u00edndice que tem seus tr\u00eas primeiros postos ocupados por Isl\u00e2ndia, Holanda e Noruega, pa\u00edses da OCDE. As na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina e do Caribe aparecem na metade do <i>ranking<\/i>, com exce\u00e7\u00e3o do Panam\u00e1, que esteve entre os pa\u00edses de melhor desempenho, logo ap\u00f3s a It\u00e1lia (no 16\u00ba lugar) e seguido da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses da Eur\u00e1sia tamb\u00e9m tiveram um desempenho moderado. O melhor colocado foi a Rom\u00eania, no 22\u00ba lugar, e o pior foi o Uzbequist\u00e3o, em 39\u00ba. As na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica, \u00c1sia e do Oriente M\u00e9dio tiveram, em geral, mau desempenho: I\u00eamen ficou no pen\u00faltimo lugar da lista de 72 pa\u00edses, \u00cdndia em 46\u00ba e Paquist\u00e3o em 67\u00ba. Enquanto a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo ficou em \u00faltimo lugar.<\/p>\n<p>Ativistas de g\u00eanero na COP 19 parecem confirmar o que mostra o <i>ranking<\/i>: \u00e9 nos pa\u00edses mais pobres onde a mudan\u00e7a clim\u00e1tica tem impacto mais desigual entre homens e mulheres. Por exemplo, \u201cdevido aos pap\u00e9is socialmente constru\u00eddos, exige-se das mulheres de Uganda que cultivem a comida, preparem e sirvam \u00e0s suas fam\u00edlias\u201d, disse Gertrude Kenyangi, da organiza\u00e7\u00e3o ugandense Apoio \u00e0s Mulheres em Agricultura e Meio Ambiente (Swagen).<\/p>\n<p>\u201cOs alimentos, a energia e a \u00e1gua est\u00e3o interligados, e se voc\u00ea n\u00e3o tem essas tr\u00eas coisas, que ficam mais escassas pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, ent\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 cumprir seu papel e, provavelmente, seu marido tirar\u00e1 seus filhos, e isso afetar\u00e1 toda sua forma de vida\u201d, destacou Kenyangi. Ela pr\u00f3pria escapou desse destino gra\u00e7as a um programa educativo.<\/p>\n<p>\u201cVenho de uma comunidade dependente das florestas, mas rompi com esse ciclo. Me liguei a algumas organiza\u00e7\u00f5es religiosas que pagaram minha educa\u00e7\u00e3o\u201d, contou Kenyangi. E assim, depois de seus estudos, fundou a Swagen, uma rede de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres. Os movimentos de base s\u00e3o fundamentais para conectar os governos com as popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, mas, al\u00e9m disso, \u201c\u00e9 preciso um esfor\u00e7o deliberado para alcan\u00e7\u00e1-las\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, a Mulheres na Europa Para Um Futuro Comum (WECF) \u00e9 uma plataforma que me trouxe a esse debate, e por isso posso apresentar a postura dos grupos de base. Sem seu apoio n\u00e3o teria o dinheiro para viajar, n\u00e3o poderia pagar passagem, estadia, nem mesmo a inscri\u00e7\u00e3o\u201d na COP 19, acrescentou Kenyangi. \u201c\u00c9 isso que muda o c\u00edrculo vicioso, se algu\u00e9m interv\u00e9m de fora\u201d, ressaltou. Apesar do nome, a WECF n\u00e3o se limita \u00e0 Europa e conecta a mais de 150 organiza\u00e7\u00f5es e comunidades em todo o mundo, para impulsionar pol\u00edticas ambientais com sensibilidade de g\u00eanero em n\u00edvel internacional.<\/p>\n<p>O que a organiza\u00e7\u00e3o quer recordar aos pol\u00edticos, e \u00e0s pol\u00edticas, \u00e9 que o aquecimento global \u00e9 causado por decis\u00f5es di\u00e1rias e tem um impacto na vida de todas as pessoas. Contudo, como em muitos casos as mulheres e os homens realizam atividades diferentes, o impacto do fen\u00f4meno \u00e9 diferente. Embora no Ocidente isto seja dif\u00edcil de compreender, em muitas partes do Sul em desenvolvimento, onde a agricultura de subsist\u00eancia \u00e9 realizada principalmente por mulheres, essa rela\u00e7\u00e3o fica mais clara.<\/p>\n<p>A paquistanesa Maira Zahur participa da COP 19 como parte da delega\u00e7\u00e3o da rede de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres GenderCC, mas em seu pa\u00eds trabalha com o governo como especialista em redu\u00e7\u00e3o de riscos de desastres. \u201cFalando de modo simples, aconselho como aplicar certas pol\u00edticas no terreno, como podem beneficiar as mulheres, como devem revisar essas pol\u00edticas, modific\u00e1-las ou ampli\u00e1-las, e como podem ser levadas ao n\u00edvel de base, explicando \u00e0s pessoas quais coisas s\u00e3o para seu bem\u201d, detalhou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A ONU Mulheres acaba de realizar um estudo sobre sistemas de alerta de inunda\u00e7\u00f5es no Paquist\u00e3o, considerando in\u00fameras vari\u00e1veis. A pesquisa leva em conta se os homens trabalham em \u00e1reas de risco ou devem ir para outras regi\u00f5es para poderem manter suas fam\u00edlias, e se as mulheres que ficam sozinhas s\u00e3o capazes de tomar decis\u00f5es diante de um alerta de inunda\u00e7\u00e3o ou se dependem de outros homens. O estudo conclui que \u201co vacilo na hora de tirar mulheres e meninas do ambiente protegido de suas casas\u201d era uma das raz\u00f5es pelas quais muitas n\u00e3o eram retiradas, mesmo depois de dado o alerta de desastre iminente.<\/p>\n<p>O informe analisou tamb\u00e9m outros temas relacionados com g\u00eanero nos acampamentos para v\u00edtimas de inunda\u00e7\u00f5es, como o acesso igualit\u00e1rio aos servi\u00e7os de higiene e os problemas de seguran\u00e7a que as mulheres enfrentam. \u201cQuando se faz pol\u00edticas referentes a alertas, deve-se considerar assuntos de g\u00eanero\u201d, destacou Zahur.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das mulheres em todos os n\u00edveis da tomada de decis\u00f5es parece ser, se n\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o, ao menos um primeiro passo essencial para cobrir essas brechas. A aten\u00e7\u00e3o para esses temas no debate sobre o clima parece ir crescendo, como mostra a decis\u00e3o tomada na Confer\u00eancia do ano passado em Doha, de promover o equil\u00edbrio de g\u00eanero e a participa\u00e7\u00e3o da mulher nas negocia\u00e7\u00f5es, bem como a realiza\u00e7\u00e3o do Painel sobre G\u00eanero e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica em Vars\u00f3via, no dia 12.<\/p>\n<p>Entretanto, Zahur \u00e9 c\u00e9tica sobre poss\u00edveis avan\u00e7os nesta Confer\u00eancia. \u201cEstamos todos t\u00e3o envolvidos nos plen\u00e1rios, nos grupos de contato e nas atividades paralelas que o prop\u00f3sito b\u00e1sico de nossa presen\u00e7a aqui se perdeu um pouco. Temos que encontrar solu\u00e7\u00f5es para ajudar as pessoas no terreno. Essa deve ser a grande motiva\u00e7\u00e3o. Mas aqui se fala muito, e \u00e9 muito entediante\u201d, opinou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Vars&oacute;via, Pol&ocirc;nia, 20\/11\/2013 &ndash; Ontem foi comemorado o Dia do G&ecirc;nero na 19&ordf; Confer&ecirc;ncia das Partes (COP 19) da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica e muitas atividades realizadas na capital polonesa se concentraram nesse tema transversal e sua rela&ccedil;&atilde;o com a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. 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