{"id":169,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=169"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"mulher-entra-em-vigor-lei-contra-violncia-domstica-na-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mulher-entra-em-vigor-lei-contra-violncia-domstica-na-espanha\/","title":{"rendered":"Mulher: Entra em vigor lei contra viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica na Espanha"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 23\/01\/2005 &ndash; A primeira lei europ&eacute;ia contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero foi aprovada por unanimidade pelo parlamento espanhol, aplaudida por todos os setores sociais, mas tamb&eacute;m criticada. O texto estabelece a cria&ccedil;&atilde;o de juizados especializados, melhoria na assist&ecirc;ncia &agrave;s v&iacute;timas e cria&ccedil;&atilde;o de centros de reabilita&ccedil;&atilde;o integral, al&eacute;m de uma s&eacute;rie de procedimentos de prote&ccedil;&atilde;o das mulheres amea&ccedil;adas. As representantes de associa&ccedil;&otilde;es de mulheres, que ouviram elogios dos deputados por seu trabalho e viram como faziam com as m&atilde;os, dirigidas a elas, o tri&acirc;ngulo que simboliza o feminismo, foram testemunhas dessa jornada, ao ocuparem um lugar reservado no plen&aacute;rio do Congresso.<br \/> <!--more--> <br \/> Enriqueta Chicano, presidente da Federa&ccedil;&atilde;o de Mulheres Progressistas e uma das que mais luta contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, disse &agrave; IPS que a nova lei &quot;&eacute; francamente positiva e representa uma aposta pol&iacute;tica na sociedade&quot;. Por&eacute;m, advertiu que ser&aacute; preciso ter paci&ecirc;ncia para conseguir sua implementa&ccedil;&atilde;o, pois &quot;n&atilde;o se trata de um milagre, mas de um instrumento que se deve saber e querer utilizar para que seja efetivo&quot;. A lei &eacute; resultado do primeiro projeto enviado ao parlamento pelo governo do socialista Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero ap&oacute;s ter assumido o cargo de primeiro-ministro no dia 17 de abril, cumprindo, assim, sua promessa eleitoral de combater a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica como uma prioridade de seu governo.<\/p>\n<p> Depois da vota&ccedil;&atilde;o, Zapatero disse que a lei ser&aacute; &quot;um poderoso instrumento para que a domina&ccedil;&atilde;o que sofrem tantas mulheres seja erradicada de forma definitiva&quot;. Esta &eacute; &quot;uma lei das mulheres que lutam e defendem tantas mulheres&quot;. Neste ano, 72 mulheres foram assassinadas na Espanha, 69 delas por seus companheiros ou ex-companheiros. Os &uacute;ltimos dados dispon&iacute;veis mostram que no primeiro semestre de 2004 houve 47 mil den&uacute;ncias de maus-tratos e que apenas 2% delas foram apresentadas por homens, segundo o Observat&oacute;rio contra a Viol&ecirc;ncia Dom&eacute;stica e de G&ecirc;nero. <\/p>\n<p> O projeto de lei obteve em novembro meia san&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados, posteriormente foi modificado pelo Senado e depois foi ratificado pela c&acirc;mara baixa. Entre as reformas incorporadas destacam-se as que garantem igualdade de direitos de todas as v&iacute;timas, incluindo ajuda econ&ocirc;mica independente da idade e a cria&ccedil;&atilde;o de um fundo para enfrentar o impacto das pens&otilde;es alimentares por separa&ccedil;&otilde;es ou div&oacute;rcios. O direitista Partido Popular (PP), a maior for&ccedil;a da oposi&ccedil;&atilde;o, votou a favor da lei, embora deixando expressa sua cr&iacute;tica, pois considera que a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero deve ser aplicada a todas as v&iacute;timas e n&atilde;o apenas &agrave;s mulheres.<\/p>\n<p> Essa postura provocou uma discuss&atilde;o desde que o projeto foi apresentado, em maio, pois tanto o PP quanto o Conselho Geral do Poder Judicial consideraram que n&atilde;o se deveria legislar sobre discrimina&ccedil;&atilde;o positiva. A lei n&atilde;o deveria centrar-se na viol&ecirc;ncia contra as mulheres, mas ser geral, sem considerar o sexo das v&iacute;timas, argumentavam, posi&ccedil;&atilde;o que foi recha&ccedil;ada pelas duas Casas do Parlamento. Um dos sete redatores da Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola e presidente do Congresso que a aprovou, Greg&oacute;rio Peces-Barba, criticou a posi&ccedil;&atilde;o do Conselho Geral, dizendo que se deveria manter a discrimina&ccedil;&atilde;o positiva porque, dessa maneira, &quot;se presta aten&ccedil;&atilde;o &agrave; vulnerabilidade social das v&iacute;timas&quot;.<\/p>\n<p> Por outro lado, o catedr&aacute;tico de sociologia Amando de Miguel, se pronunciou contr&aacute;rio &agrave; lei, afirmando que servir&aacute; para aumentar a viol&ecirc;ncia e a fraude. &quot;As den&uacute;ncias de maus-tratos ser&atilde;o usadas para conseguir vantagens em casos de divorcio ou separa&ccedil;&atilde;o&quot;, argumentou. Em uma das interven&ccedil;&otilde;es anteriores &agrave; vota&ccedil;&atilde;o de quarta-feira, a porta-voz parlamentar da coaliz&atilde;o nacionalista catal&atilde; Converg&ecirc;ncia e Uni&atilde;o, Merc&ecirc; Pigem, anunciou seu voto a favor, embora esclarecendo que a viol&ecirc;ncia n&atilde;o ser&aacute; superada com uma lei, mas apenas &quot;quando a igualdade for uma realidade interiorizada por todos e n&atilde;o seja, como agora, um ideal de justi&ccedil;a&quot;.<\/p>\n<p> Dois exemplos recentes mostram uma atitude social deficiente, destacou Chicano: a redu&ccedil;&atilde;o da pena imposta a um homem que abusou de uma menor deficiente e o levantamento da pena de pris&atilde;o contra um cl&eacute;rigo mu&ccedil;ulmano que escreveu um livro aconselhando a bater nas mulheres. O im&atilde; da mesquita de Fuengirola, na Catalunha, Mohamed Kamal Mostaf&aacute;, estava preso, condenado em primeira inst&acirc;ncia, por ser autor do livro &quot;A mulher no Isl&atilde;&quot;, no qual detalha as &quot;limita&ccedil;&otilde;es&quot; que o marido deve ter em mente quando castiga fisicamente a mulher.<\/p>\n<p> No livro, aconselha que &quot;os golpes devem ser desferidos em partes concretas do corpo, como p&eacute;s e m&atilde;os, devendo, para isso, utilizar uma vara fina e leve, que n&atilde;o deixa cicatriz ou hematoma&quot;. Al&eacute;m disso, prossegue, &quot;n&atilde;o se deve bater nas partes sens&iacute;veis do corpo, cabe&ccedil;a, peito, ventre etc&quot;. Se houvesse d&uacute;vida sobre a &eacute;tica dos &quot;conselhos&quot; do cl&eacute;rigo, Mostaf&aacute; tamb&eacute;m afirma que &quot;testemunho de um homem vale o de duas mulheres&quot;, e que &quot;em uma fam&iacute;lia, a autoridade &eacute; do homem&quot;.<\/p>\n<p> A Audi&ecirc;ncia (tribunal de segunda inst&acirc;ncia) de Barcelona, capital da Catalunha, determinou, na ter&ccedil;a-feira, a liberta&ccedil;&atilde;o de Mostaf&aacute;, argumentando que &quot;a periculosidade social&quot; do im&atilde; &quot;j&aacute; n&atilde;o tinha rem&eacute;dio&quot;, acrescentando que se o livro n&atilde;o tivesse sido divulgado, n&atilde;o teria havido delito. Segundo o tribunal, Mostaf&aacute; poder&aacute; consolidar sua liberdade se cumprir a ordem de fazer um curso constitucional e sobre direitos humanos. A senten&ccedil;a &quot;&eacute; um lament&aacute;vel e grav&iacute;ssimo passo para tr&aacute;s, pois sua atitude &eacute; vista como algo nomal, considera-se que um delito pode ser pago com um curso. Definitivamente, &eacute; um cinismo que deve ser repudiado&quot;, destacou Chicano.<\/p>\n<p> As cr&iacute;ticas aos ju&iacute;zes tamb&eacute;m partiram do governo. A vice-primeira-ministra, Mar&iacute;a Teresa Fern&aacute;ndez de la Vega, afirmou que a liberdade de Mostaf&aacute; &quot;&eacute; um mau exemplo, um disparate que n&atilde;o contribui em nada para refor&ccedil;ar a id&eacute;ia de toler&acirc;ncia zero adotada pela sociedade espanhola&quot;. A secret&aacute;ria de Igualdade do governante Partido Socialista Oper&aacute;rio Espanhol (PSOE), Mar&iacute;a Isabel Monta&ntilde;o, destacou, por sua vez, que a senten&ccedil;a causa alarme social na cidadania, j&aacute; que deixa &quot;a percep&ccedil;&atilde;o de que os crimes contra as mulheres podem ficar impunes&quot;.<\/p>\n<p> Por outro lado, o Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a reduziu de sete para dois anos e nove meses a pena de pris&atilde;o contra um homem que prensou contra a parede uma menina de 13 anos deficiente, &quot;dando-lhe beijos na boca, introduzindo sua l&iacute;ngua e tocando seus peitos e a vagina por cima da roupa&quot;, segundo a senten&ccedil;a. O ataque de 10 minutos incluiu a tentativa de penetra&ccedil;&atilde;o, at&eacute; que a menina, gritando, &quot;conseguiu se livrar e sair correndo, chorando&quot;, descreve a senten&ccedil;a. O Supremo Tribunal reduziu a pena por considera que n&atilde;o se tratou de agress&atilde;o sexual, mas de abuso, pois n&atilde;o houve viol&ecirc;ncia nem intimida&ccedil;&atilde;o, embora se considerasse provado o que constava da senten&ccedil;a condenat&oacute;ria. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 23\/01\/2005 &ndash; A primeira lei europ&eacute;ia contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero foi aprovada por unanimidade pelo parlamento espanhol, aplaudida por todos os setores sociais, mas tamb&eacute;m criticada. O texto estabelece a cria&ccedil;&atilde;o de juizados especializados, melhoria na assist&ecirc;ncia &agrave;s v&iacute;timas e cria&ccedil;&atilde;o de centros de reabilita&ccedil;&atilde;o integral, al&eacute;m de uma s&eacute;rie de procedimentos de prote&ccedil;&atilde;o das mulheres amea&ccedil;adas. As representantes de associa&ccedil;&otilde;es de mulheres, que ouviram elogios dos deputados por seu trabalho e viram como faziam com as m&atilde;os, dirigidas a elas, o tri&acirc;ngulo que simboliza o feminismo, foram testemunhas dessa jornada, ao ocuparem um lugar reservado no plen&aacute;rio do Congresso.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/mulher-entra-em-vigor-lei-contra-violncia-domstica-na-espanha\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}