{"id":16901,"date":"2013-11-21T11:35:28","date_gmt":"2013-11-21T11:35:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=103265"},"modified":"2013-11-21T11:35:28","modified_gmt":"2013-11-21T11:35:28","slug":"hidreletrica-etiope-arrasa-meios-de-vida-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/hidreletrica-etiope-arrasa-meios-de-vida-indigenas\/","title":{"rendered":"Hidrel\u00e9trica et\u00edope arrasa meios de vida ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_103266\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/indigenas1.jpg\"><img class=\" wp-image-103266 \" alt=\"indigenas1 Hidrel\u00e9trica et\u00edope arrasa meios de vida ind\u00edgenas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/indigenas1.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Hidrel\u00e9trica et\u00edope arrasa meios de vida ind\u00edgenas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As comunidades ind\u00edgenas que vivem junto ao rio Omo, na Eti\u00f3pia, dependem das inunda\u00e7\u00f5es anuais para seus cultivos. Foto: Ed McKenna\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vale do Omo, Eti\u00f3pia, 21\/11\/2013 \u2013 A constru\u00e7\u00e3o de uma grande linha de transmiss\u00e3o que exportar\u00e1 eletricidade gerada por um dos grandes projetos hidrel\u00e9tricos da Eti\u00f3pia, Gibe III, \u00e9 uma amea\u00e7a para centenas de milhares de pastores que vivem na \u00e1rea. A represa Gibe III, que gerar\u00e1 1.800 megawatts (MW), est\u00e1 sendo constru\u00edda no sudoeste do pa\u00eds, no rio Omo, ao custo de US$ 1,7 bilh\u00e3o. O Estado estima que entraram mais de US$ 400 milh\u00f5es anuais com a exporta\u00e7\u00e3o de sua energia. Quando conclu\u00edda, a hidrel\u00e9trica ser\u00e1 a quarta do mundo em tamanho.<\/p>\n<p>No entanto, a central tamb\u00e9m afetar\u00e1 a exist\u00eancia e os meios de vida de centenas de milhares de ind\u00edgenas no trecho inferior do Vale do Omo, e de habitantes pr\u00f3ximos ao Lago Turkana, no Qu\u00eania, que tamb\u00e9m dependem do Omo. As comunidades \u00e9tnicas bodi, daasanach, kara, mursi, kwegu e nyangatom, que vivem junto ao rio, dependem de suas inunda\u00e7\u00f5es anuais para plantar os cultivos com que se alimentam. A comunidade semin\u00f4made dos mursis est\u00e1 sendo reassentada como parte de um plano do governo et\u00edope para construir novas aldeias e iniciar uma grande planta\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar, transformando os pastores n\u00f4mades em agricultores sedent\u00e1rios.<\/p>\n<p>As centenas de quil\u00f4metros de canais de irriga\u00e7\u00e3o que est\u00e3o sendo escavados para desviar as \u00e1guas do rio para regar essas grandes planta\u00e7\u00f5es impedir\u00e3o que as comunidades ind\u00edgenas continuem vivendo como sempre o fizeram. \u201cFalam que nossa terra \u00e9 propriedade privada. Estamos muito preocupados com nossa sobreviv\u00eancia, j\u00e1 que nos obrigam a mudar para onde n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua, grama nem cultivos\u201d, protestou um mursi \u00e0 IPS. Segundo o plano governamental, o Vale do Omo ser\u00e1 um centro nevr\u00e1lgico da agricultura comercial em grande escala, irrigada por \u00e1guas da represa Gibe III.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, 445 mil hectares foram destinados a empresas estrangeiras da Mal\u00e1sia, \u00cdndia e de outros pa\u00edses para produzir a\u00e7\u00facar, agrocombust\u00edveis, cereais e outros cultivos. \u201cGibe III agravar\u00e1 a pobreza dos mais vulner\u00e1veis. O governo j\u00e1 tem problemas para enfrentar a fome de seus cidad\u00e3os. Ao se apropriar das terras e da \u00e1gua do Vale do Omo, est\u00e1 criando uma nova classe de refugiados internos, que j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e3o autossuficientes\u201d, disse \u00e0 IPS Lori Pottingher, da organiza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica International Rivers.<\/p>\n<p>Organismos financeiros internacionais, como Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento, comprometeram US$ 1,2 bilh\u00e3o para construir 1.070 quil\u00f4metros de linhas de alta tens\u00e3o desde a regi\u00e3o de Wolaita-Sodo, na Eti\u00f3pia, at\u00e9 Suswa, cem quil\u00f4metros a noroeste de Nair\u00f3bi, capital do Qu\u00eania. A linha que transportar\u00e1 a energia de Gibe III conectar\u00e1 a rede el\u00e9trica et\u00edope \u00e0 do Qu\u00eania, com capacidade de dois mil MW. De acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento, a represa promover\u00e1 a gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel e a coopera\u00e7\u00e3o regional, al\u00e9m de garantir eletricidade confi\u00e1vel e acess\u00edvel para cerca de 870 mil fam\u00edlias em 2018.<\/p>\n<p>No \u00faltimo Informe sobre Desenvolvimento Humano da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a Eti\u00f3pia ocupa o posto 173 entre 187 pa\u00edses. Contudo, o segundo pa\u00eds mais povoado da \u00c1frica tamb\u00e9m \u00e9 uma das economias de mais r\u00e1pido crescimento no continente. Segundo o primeiro-ministro Hailemariam Desalegn, o produto interno bruto crescer\u00e1 11% em 2014. Aproveitar seus enormes recursos h\u00eddricos para gerar at\u00e9 45 mil MW e vender o excedente para seus vizinhos \u00e9 um componente fundamental do quinquenal Plano de Crescimento e Transforma\u00e7\u00e3o da Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p>Esse pa\u00eds do Chifre da \u00c1frica gera atualmente dois mil MW em seis hidrel\u00e9tricas e investe nesse tipo de energia um ter\u00e7o de seu PIB total, pr\u00f3ximo dos US$ 77 bilh\u00f5es, mais do que qualquer outro pa\u00eds africano. Entretanto, segundo um informe do Banco Mundial divulgado em 2010, s\u00f3 17% dos 84,7 milh\u00f5es de habitantes da Eti\u00f3pia tinham eletricidade naquele momento. A estatal Ethiopina Electric Power Corporation (EEPCO) prev\u00ea cobertura de 100% em 2018.<\/p>\n<p>\u201cEstamos ajudando a mitigar o risco clim\u00e1tico que implica consumir combust\u00edveis f\u00f3sseis, e a reduzir a taxa de desmatamento, que \u00e9 elevada na Eti\u00f3pia. A energia hidrel\u00e9trica beneficiar\u00e1 nosso desenvolvimento\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor executivo da EEPCO, Miheret Debebe. O governo insiste em que o bem-estar das comunidades de pastores que est\u00e3o sendo reassentados \u00e9 uma prioridade e que se beneficiar\u00e3o dos progressos no Vale do Omo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos trabalhando muito para proteg\u00ea-los e ajud\u00e1-los a se adaptar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es mutantes\u201d, declarou \u00e0 IPS o porta-voz do governo, Shimeles Kemal. Mas grupos \u00e9tnicos como os mursis n\u00e3o s\u00e3o consultados sobre mudan\u00e7as impostas para seu futuro. \u201cSe resistirmos ao reassentamento, v\u00e3o nos prender\u201d, disse um anci\u00e3o mursi \u00e0 IPS. \u201cTemos medo do futuro. Nossa forma de vida est\u00e1 amea\u00e7ada. Nos dizem para deixar de andar com o gado, de usar nossa vestimenta tradicional e para vendermos nosso gado. O gado e o movimento s\u00e3o tudo para os mursis\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Assegurar que os projetos de desenvolvimento nacional n\u00e3o coloquem em perigo a vida de centenas de milhares de pastores \u00e9 fundamental, disse Ben Braga, presidente do Conselho Mundial da \u00c1gua. Ele denunciou os governos que n\u00e3o indenizam comunidades como os mursis, pois o reassentamento \u00e9 uma consequ\u00eancia inevit\u00e1vel das grandes represas, e exige um consciente planejamento pr\u00e9vio para evitar essas situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. \u201cComo podemos compensar essas popula\u00e7\u00f5es para que a maior parte do pa\u00eds se beneficie da eletricidade? Faltam melhores mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o para garantir que os benef\u00edcios sejam compartilhados e que todos os interessados sejam inclu\u00eddos nas consultas pr\u00e9vias \u00e0 constru\u00e7\u00e3o\u201d, enfatizou Braga \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Vale do Omo, Eti&oacute;pia, 21\/11\/2013 &ndash; A constru&ccedil;&atilde;o de uma grande linha de transmiss&atilde;o que exportar&aacute; eletricidade gerada por um dos grandes projetos hidrel&eacute;tricos da Eti&oacute;pia, Gibe III, &eacute; uma amea&ccedil;a para centenas de milhares de pastores que vivem na &aacute;rea. 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