{"id":16905,"date":"2013-11-22T11:19:06","date_gmt":"2013-11-22T11:19:06","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=103397"},"modified":"2013-11-22T11:19:06","modified_gmt":"2013-11-22T11:19:06","slug":"como-evitar-que-as-filipinas-se-convertam-em-outro-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/como-evitar-que-as-filipinas-se-convertam-em-outro-haiti\/","title":{"rendered":"Como evitar que as Filipinas se convertam em outro Haiti?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_103398\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/destruicao.jpg\"><img class=\" wp-image-103398 \" alt=\"destruicao Como evitar que as Filipinas se convertam em outro Haiti?\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/destruicao.jpg\" width=\"529\" height=\"318\" title=\"Como evitar que as Filipinas se convertam em outro Haiti?\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma mulher volta para casa com um pacote de ajuda de emerg\u00eancia. Embora a destrui\u00e7\u00e3o seja generalizada, a reconstru\u00e7\u00e3o est\u00e1 em andamento. Foto: Simon Davis\/DFID\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 22\/11\/2013 \u2013 A reconstru\u00e7\u00e3o da zona central das Filipinas, arrasada pelo tuf\u00e3o Haiyan, deve evitar erros cometidos depois de cat\u00e1strofes anteriores. Quase duas semanas depois da passagem do tuf\u00e3o, acad\u00eamicos e especialistas da sociedade civil pedem que a comunidade internacional aprenda com os erros cometidos nas respostas a desastres desde o terremoto de 2010 no Haiti.<\/p>\n<p>\u201cO grande mito \u00e9 acreditar que o socorro se divide em diferentes etapas, primeiro a ajuda de emerg\u00eancia e depois a reconstru\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS Jake Johnston, pesquisador associado do Centre for Economic and Policy Research (CEPR), um centro de estudos com sede em Washington. \u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma vis\u00e3o mais integral desde o come\u00e7o\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Johnston acompanhou de perto as gest\u00f5es para reconstru\u00e7\u00e3o do Haiti ap\u00f3s o terremoto que deixou 316 mil mortos e 300 mil feridos, e quase 1,5 milh\u00e3o de desabrigados. V\u00e1rias li\u00e7\u00f5es aprendidas na cat\u00e1strofe haitiana podem ser aplicadas na atual crise nas Filipinas, afirmou. \u201cAlgo que n\u00e3o foi bem no Haiti foi que as organiza\u00e7\u00f5es estrangeiras deixaram de lado, em grande medida, o governo e a sociedade civil desse pa\u00eds\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Por exemplo, a Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) \u201cdestinou quase US$ 1,3 bilh\u00e3o a empresas e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, a imensa maioria norte-americana ou radicada nesse pa\u00eds, e menos de 1% desse dinheiro foi dirigido a entidades haitianas\u201d, detalhou Johnston. Nas Filipinas, a ajuda internacional deve garantir que o governo do pa\u00eds encabece as opera\u00e7\u00f5es e tenha um papel destacado na coordena\u00e7\u00e3o da reconstru\u00e7\u00e3o, apontou. A transpar\u00eancia e a presta\u00e7\u00e3o de contas tamb\u00e9m precisam melhorar muito. Desse modo se garantir\u00e1 que as organiza\u00e7\u00f5es que trabalham no terreno respondam \u00e0s necessidades locais com efic\u00e1cia, acrescentou.<\/p>\n<p>\u201cAs organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e as empresas s\u00e3o intermedi\u00e1rias na maioria desses fundos\u201d, afirmaram Vijaya Ramachandran e Owen Barder, dois pesquisadores do Center for Global Development (CGD), um grupo de pesquisa de Washington. Apesar de \u201cessas organiza\u00e7\u00f5es serem benefici\u00e1rias de fundos p\u00fablicos, h\u00e1 pouqu\u00edssimas avalia\u00e7\u00f5es publicadas sobre os servi\u00e7os que prestaram, as vidas que salvaram e os erros que cometeram\u201d, acrescentaram.<\/p>\n<p>Essa falta de transpar\u00eancia e presta\u00e7\u00e3o de contas gerou um des\u00e2nimo crescente na popula\u00e7\u00e3o haitiana. \u201cNo Haiti vimos que os grupos que trabalhavam ali n\u00e3o se comunicavam entre si, o que levou a a\u00e7\u00f5es duplicadas\u201d, pontuou Johnston. \u201c\u00c9 um claro ind\u00edcio da opacidade da ajuda\u201d, acrescentou. Para ele, maior comunica\u00e7\u00e3o entre as organiza\u00e7\u00f5es permitiria que fossem mais eficazes em seu trabalho e prestassem contas da melhor forma aos contribuintes e doadores.<\/p>\n<p>Algumas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que trabalham nas Filipinas destacaram que a transpar\u00eancia e a comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o parte central de seu trabalho. \u201cTentamos ser muito transparentes sobre nossas finan\u00e7as e nos asseguramos de que todos vejam para onde vai nosso dinheiro\u201d, disse \u00e0 IPS a integrante da equipe de comunica\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina Hands Volunteers, Rachel Sawyer.<\/p>\n<p>\u201cNos comunicamos constantemente com outras organiza\u00e7\u00f5es\u201d, garantiu Sawyer, cuja organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos trabalha em \u00e1reas de desastre em todo o mundo. \u201cAs \u2018opera\u00e7\u00f5es de socorro\u2019 s\u00e3o, evidentemente, uma express\u00e3o muito ampla\u201d, acrescentou. Outra quest\u00e3o importante \u00e9 garantir que a inje\u00e7\u00e3o de fundos arrecadados logo que ocorre um desastre se sustente no tempo, que \u00e9 o que a reconstru\u00e7\u00e3o exige no longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o, os patrocinadores e os socorristas dedicam pouco tempo \u00e0s necessidades imediatas, o que n\u00e3o gera a infraestrutura para mitigar riscos futuros e deixam sem resolver nem financiar necessidades de longo prazo, como o reassentamento, a sa\u00fade p\u00fablica e a viabilidade fiscal\u201d, escreveu em um artigo Lori Bertman, presidente da organiza\u00e7\u00e3o norte-americana Pennington Family Foundation, que outorga doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem afirme que essa aten\u00e7\u00e3o de curto prazo se deve \u00e0 natureza c\u00edclica da cobertura jornal\u00edstica, que tende a desviar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico rapidamente. \u201cO ciclo de not\u00edcias \u00e9 um, e tentar que as pessoas continuem prestando aten\u00e7\u00e3o a um tema n\u00e3o funciona\u201d, opinou o professor de economia do desenvolvimento Jesse Anttila Hughes, da Universidade de S\u00e3o Francisco. Contudo, acrescentou, as atuais estrat\u00e9gias podem ser melhoradas.<\/p>\n<p>\u201cO financiamento nessas situa\u00e7\u00f5es se centra, em grande parte, em abrigo e alimentos. E, quando os fundos acabam, a reconstru\u00e7\u00e3o ainda exige aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio garantir que os pedidos de fundos sejam explicitamente vinculados \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o\u201d, enfatizou Hughes. A \u00faltima informa\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Redu\u00e7\u00e3o de Riscos de Desastres das Filipinas indica que, at\u00e9 hoje, o tuf\u00e3o Haiyan provocou a morte de mais de quatro mil pessoas e deixou quase 4,5 milh\u00f5es de desabrigados.<\/p>\n<p>Esta semana o Banco Mundial anunciou que vai liberar US$ 500 milh\u00f5es para recupera\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o das Filipinas, em resposta a uma solicita\u00e7\u00e3o do governo. Funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 analisam como empregar esse dinheiro no longo prazo, e tamb\u00e9m evitar alguns dos problemas que afetaram reconstru\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>\u201cDevido \u00e0 magnitude desse desastre, o pa\u00eds vai precisar de um plano de reconstru\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou, no dia 18, Axel van Trotsenburg, vice-presidente do Banco Mundial para \u00c1sia Oriental. \u201cPodemos aproveitar as li\u00e7\u00f5es aprendidas em nosso trabalho ap\u00f3s os desastres de Aceh, Haiti e outras \u00e1reas, que poder\u00e3o ser \u00fateis nas Filipinas\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 22\/11\/2013 &ndash; A reconstru&ccedil;&atilde;o da zona central das Filipinas, arrasada pelo tuf&atilde;o Haiyan, deve evitar erros cometidos depois de cat&aacute;strofes anteriores. 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