{"id":16919,"date":"2013-11-27T11:51:41","date_gmt":"2013-11-27T11:51:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=103660"},"modified":"2013-11-27T11:51:41","modified_gmt":"2013-11-27T11:51:41","slug":"para-o-bem-ou-para-o-mal-gas-de-xisto-na-africa-do-sul-rustica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/para-o-bem-ou-para-o-mal-gas-de-xisto-na-africa-do-sul-rustica\/","title":{"rendered":"Para o bem ou para o mal: g\u00e1s de xisto na \u00c1frica do Sul r\u00fastica"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_103661\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/KarooFarm-629x417.jpg\"><img class=\" wp-image-103661 \" alt=\"KarooFarm 629x417 Para o bem ou para o mal: g\u00e1s de xisto na \u00c1frica do Sul r\u00fastica\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/KarooFarm-629x417.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"Para o bem ou para o mal: g\u00e1s de xisto na \u00c1frica do Sul r\u00fastica\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os tranquilos povoados de Karoo poder\u00e3o mudar para sempre com a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto. Foto: Gavin du Venage\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Karoo, \u00c1frica do Sul, 27\/11\/2013 \u2013 Para um transeunte casual, Petrus Kabaliso e sua mulher Cynthia oferecem uma imagem pitoresca, sentados com desajeitado guarda-chuva sobre suas cabe\u00e7as e debaixo da sombra de uma palmeira no deserto de Karoo, na Prov\u00edncia Setentrional do Cabo, na \u00c1frica do Sul. \u201cEst\u00e1 muito dif\u00edcil viver aqui\u201d, disse \u00e0 IPS Petrus, de 59 anos. \u201cProcuramos metal velho, e \u00e0s vezes os caminh\u00f5es que param aqui deixam garrafas no lixo. Podemos trocar isso por dinheiro e comprar pap (mingau de milho) e a\u00e7\u00facar\u201d, contou.<\/p>\n<p>Colesburgo \u00e9 mais pr\u00f3spero do que muitos outros povoados da regi\u00e3o. Os caminh\u00f5es e autom\u00f3veis que v\u00e3o do campo para o litoral fazem escala nessa localidade. Os estabelecimentos que oferecem alojamento se multiplicam e anunciam vagas. Mas, como a maioria das localidades de Karoo, a mesma falta de perspectivas econ\u00f4micas a mant\u00e9m marginalizada dos projetos de desenvolvimento. Entretanto, tudo isso pode mudar. H\u00e1 planos para explorar as potencialmente vastas reservas de g\u00e1s de xisto mediante fratura hidr\u00e1ulica (<i>fracking<\/i>, em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Segundo um estudo financiado pela consultoria Econometrix, encomendado pela multinacional Shell, h\u00e1 dispon\u00edveis mais de 480 trilh\u00f5es de p\u00e9s c\u00fabicos de g\u00e1s. Para se ter uma ideia do que esse n\u00famero representa, basta lembrar que a Mossgas (refinaria de liquefa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s na costa sul do pa\u00eds) cobriu 5% das necessidades de combust\u00edveis do pa\u00eds nos \u00faltimos 20 anos usando apenas um bilh\u00e3o de p\u00e9s c\u00fabicos, segundo sua empresa operadora, a PetroSA. De acordo com a Econometrix, para explorar apenas 10% do g\u00e1s seriam criados 700 mil novos empregos.<\/p>\n<p>No entanto, esse plano desperta uma importante controv\u00e9rsia, e grande parte do debate se centra em como poderia alterar o meio ambiente de Karoo, cerca de 400 mil quil\u00f4metros quadrados no centro da \u00c1frica do Sul que muitos acreditam deveria ser mantido sem explorar.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 melhor para n\u00f3s\u201d, segundo Ricardo Josephs, operador de uma firma que vende combust\u00edvel na localidade de Graaf Reinette, a duas horas de Colesburgo. \u201cSe forem criados empregos, meus amigos e minha fam\u00edlia poder\u00e3o voltar. Todos aqui perdemos pessoas que mudaram para a Cidade do Cabo ou Johannesburgo para trabalhar. Nossa gente est\u00e1 dispersa e n\u00e3o regressa\u201d, argumentou \u00e0 IPS. Josephs admite que a industrializa\u00e7\u00e3o de Karoo poderia mudar sua natureza. \u201cSer\u00e1 um problema para os ricos, para os ricos agricultores. Eles n\u00e3o querem que isso mude. Mas, para mim, e para as pessoas das ruas, significar\u00e1 mais emprego e melhores rendas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Cerca de 63% dos habitantes de Karoo vivem na pobreza, segundo o professor Anthony Leiman, economista ambiental da Universidade da Cidade do Cabo. \u201cA descoberta de g\u00e1s \u00e9 como voltar a descobrir ouro. Mudar\u00e1 profundamente o futuro do pa\u00eds\u201d, declarou \u00e0 IPS, lembrando que esses grandes recursos inevitavelmente modificar\u00e3o a vida no Karoo.<\/p>\n<p>Em Dakota do Norte, nos Estados Unidos, a descoberta de grandes reservas de g\u00e1s transtornou drasticamente a vida de muitos pequenos povoados. Alguns viram sua popula\u00e7\u00e3o aumentar dez vezes com a chegada de trabalhadores do g\u00e1s, o que tamb\u00e9m significou aumento de problemas sociais como abuso de drogas e prostitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, grande parte das cr\u00edticas se concentram na poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o ambiental, particularmente na escassa \u00e1gua subterr\u00e2nea de Karoo. A t\u00e9cnica de fratura hidr\u00e1ulica implica a inje\u00e7\u00e3o de milhares de litros de \u00e1gua e subst\u00e2ncias qu\u00edmicas sob grande press\u00e3o, atrav\u00e9s de fissuras de at\u00e9 v\u00e1rios quil\u00f4metros abaixo da terra. Isso quebra a rocha e permite que o g\u00e1s nela contido se precipite e seja levado para um po\u00e7o central e, em seguida, \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, incidentes com po\u00e7os mal preparados derivaram em contamina\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea. Leiman minimiza essa amea\u00e7a. \u201cA pobreza \u00e9 um risco muito maior para o meio ambiente do que a fratura hidr\u00e1ulica\u201d, opinou. Contudo, n\u00e3o \u00e9 bem assim, responde o Grupo de A\u00e7\u00e3o pelo Tesouro de Karoo (TKAG), principal organiza\u00e7\u00e3o de press\u00e3o contra a extra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto. Essa organiza\u00e7\u00e3o alerta que v\u00e1rios efeitos de longo prazo, particularmente a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, afetar\u00e3o duramente os mais pobres.<\/p>\n<p>S\u00e3o necess\u00e1rios mais de 20 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua para cada po\u00e7o de <i>fracking<\/i>, segundo a TKAG, o que levar\u00e1 as companhias de g\u00e1s a competirem com os moradores por esse recurso j\u00e1 escasso. Outro grande tema, segundo cr\u00edticos do projeto, \u00e9 a poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o da camada fre\u00e1tica. A \u00e1gua injetada nos po\u00e7os subterr\u00e2neos est\u00e1 misturada com produtos qu\u00edmicos que ajudam o processo. Isso, segundo os opositores do projeto, pode contaminar as reservas h\u00eddricas.<\/p>\n<p>Em outras partes do mundo a contamina\u00e7\u00e3o provocou doen\u00e7as nos humanos e no gado, sobretudo pelas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas BTEX, derivadas do petr\u00f3leo e conhecidas por causar altera\u00e7\u00f5es end\u00f3crinas e c\u00e2ncer, segundo a TKAG. Em setembro, a ministra de \u00c1gua e Assuntos Ambientais da \u00c1frica do Sul, Edna Molewa, disse que o <i>fracking<\/i> ser\u00e1 uma \u201catividade controlada\u201d, o que sugere que as empresas dever\u00e3o solicitar uma licen\u00e7a a esse Minist\u00e9rio que, assim, procura controlar o uso da \u00e1gua na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, para os cr\u00edticos isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. A TKAG tamb\u00e9m alerta que o <i>fracking<\/i> pode provocar grandes mudan\u00e7as sociais. Jeannie le Roux, diretora de opera\u00e7\u00f5es desse grupo de press\u00e3o, lembra os casos de severas perturba\u00e7\u00f5es sociais causadas por essa t\u00e9cnica em \u00e1reas dos Estados Unidos ricas em g\u00e1s de xisto. Com ela concorda Leiman. \u201cO impacto social do auge econ\u00f4mico em um povoado traz muitos problemas\u201d, pontuou Roux \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cE as vantagens que trazem n\u00e3o duram muito. A minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atividade de auge e queda. Quando termina o auge, a \u00e1rea fica com m\u00e3o de obra excedente\u201d, alertou Roux. Embora n\u00e3o haja d\u00favida de que ser\u00e3o gerados empregos, a ativista questiona os benef\u00edcios para as comunidades afetadas. \u201cA hist\u00f3ria mostra que as riquezas da minera\u00e7\u00e3o raramente chegam aos cidad\u00e3os, e, quando os recursos acabam, todos partem, deixando um ambiente degradado no qual as comunidades locais t\u00eam de viver\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o necessariamente teria que ser desta maneira, afirma Chris Nissen, presidente do F\u00f3rum Comunit\u00e1rio de Karoo para o G\u00e1s de Xisto, criado para representar os pobres da regi\u00e3o no debate. A organiza\u00e7\u00e3o foi criada h\u00e1 um ano para se contrapor \u00e0 \u201cvoz dos ricos\u201d que est\u00e3o combatendo o desenvolvimento da regi\u00e3o, explicou Nissen \u00e0 IPS. Ele acredita que uma r\u00edgida aplica\u00e7\u00e3o das leis ambientais pode proteger a \u00e1rea, e um adequado planejamento da chegada de trabalhadores poderia evitar muitos problemas. \u201cKaroo \u00e9 bonito, mas tamb\u00e9m \u00e9 um lugar muito triste. No inverno se v\u00ea as crian\u00e7as indo \u00e0 escola sem sapatos, pisando no gelo\u201d, destacou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Karoo, &Aacute;frica do Sul, 27\/11\/2013 &ndash; Para um transeunte casual, Petrus Kabaliso e sua mulher Cynthia oferecem uma imagem pitoresca, sentados com desajeitado guarda-chuva sobre suas cabe&ccedil;as e debaixo da sombra de uma palmeira no deserto de Karoo, na Prov&iacute;ncia Setentrional do Cabo, na &Aacute;frica do Sul. &ldquo;Est&aacute; muito dif&iacute;cil viver aqui&rdquo;, disse &agrave; [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/para-o-bem-ou-para-o-mal-gas-de-xisto-na-africa-do-sul-rustica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[28,1879,1405,989,3178],"class_list":["post-16919","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ultimas-noticias","tag-africa-do-sul","tag-deserto-de-karoo","tag-gas-de-xisto","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16919\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}