{"id":16928,"date":"2013-11-29T12:00:38","date_gmt":"2013-11-29T12:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=103885"},"modified":"2013-11-29T12:00:38","modified_gmt":"2013-11-29T12:00:38","slug":"quase-20-anos-depois-o-mundo-ainda-falha-com-ruanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/quase-20-anos-depois-o-mundo-ainda-falha-com-ruanda\/","title":{"rendered":"Quase 20 anos depois, o mundo ainda falha com Ruanda"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_103886\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/rwawnda-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-103886 \" alt=\"rwawnda 629x472 Quase 20 anos depois, o mundo ainda falha com Ruanda\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/rwawnda-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Quase 20 anos depois, o mundo ainda falha com Ruanda\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Restos de algumas das mais de 800 mil v\u00edtimas do genoc\u00eddio. Foto: Edwin Musoni\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kigali, Ruanda, 29\/11\/2013 \u2013 \u201cH\u00e1 um ditado no qual todos os ruandeses acreditam: \u2018se esquecer, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de perdoar, mas se lembrar ter\u00e1 presente quem te prejudicou e poder\u00e1 perdoar e seguir adiante\u2019\u201d, disse Honore Gatera \u00e0 IPS enquanto caminha pelo Centro Comemorativo de Kigali, capital de Ruanda. Esse museu foi criado em 2004, dez anos depois do genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Estima-se que 800 mil tutsis e hutus moderados perderam suas vidas no massacre ocorrido em 1994, depois que foi derrubado o avi\u00e3o que transportava o ent\u00e3o presidente Juvenal Habyarimana, de Ruanda, e seu colega de Burundi, Cyprien Ntaryamira. Naquele ano, a comunidade internacional foi incapaz de frear o genoc\u00eddio. Quase 20 anos depois, continua falhando, segundo muitos habitantes desse pa\u00eds africano, ao n\u00e3o garantir que seja feita justi\u00e7a com os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Angela Mbabaz \u00e9 uma tutsi de 27 anos. Passou toda sua inf\u00e2ncia em Uganda com seus dois irm\u00e3os e uma irm\u00e3 mais nova. Agora tem uma filha da mesma idade que tinha quando sua m\u00e3e foi assassinada junto a outros parentes dentro de um recinto da Igreja Cat\u00f3lica nos arredores de Kigali. \u201cMe inteirei da morte da minha m\u00e3e quando tinha sete anos. N\u00e3o gostaria que minha filha soubesse que os autores intelectuais do genoc\u00eddio n\u00e3o est\u00e3o todos presos, por isso nada lhe contei\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os tribunais comunit\u00e1rios em Ruanda, conhecidos como \u201cgacaca\u201d, foram criados em 2001 para fazer justi\u00e7a a v\u00edtimas como Mbabaz. Na l\u00edngua local kinyarwanda, gacaca significa sentar-se e discutir um assunto. Os gacacas deixaram de funcionar no ano passado. Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos criticaram o processo comunit\u00e1rio porque n\u00e3o seguia os padr\u00f5es legais internacionais. Segundo dados do governo, 65% dos dois milh\u00f5es de suspeitos de genoc\u00eddio foram considerados culpados no r\u00e1pido processo legal habilitado em Ruanda.<\/p>\n<p>Quase n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o local aos gacacas, nem mesmo de especialistas legais. Sabine Uwase, assessora jur\u00eddica da Avega Agahoso, associa\u00e7\u00e3o de mulheres que ficaram vi\u00favas por causa do genoc\u00eddio, considera que esses tribunais comunit\u00e1rios s\u00e3o efetivos. \u201cEsse pa\u00eds precisava de uma justi\u00e7a r\u00e1pida, pois muitas v\u00edtimas queriam avan\u00e7ar para a reconcilia\u00e7\u00e3o nacional\u201d, afirmou. O Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) \u201cdemora muito, acrescentou.<\/p>\n<p>O TPIR foi criado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em 1994, com sede em Arusha, na Tanz\u00e2nia, para julgar os principais respons\u00e1veis. Contudo, deixar\u00e1 de funcionar em 2014, uma vez conclu\u00eddas as apela\u00e7\u00f5es pendentes. O porta-voz do tribunal, Rolland Amoussouga, acredita que as cr\u00edticas ao TPIR s\u00e3o infundadas. \u201cDesde que come\u00e7ou, em 2003, o TPIR apresentou acusa\u00e7\u00f5es contra 93 pessoas, prendeu 83 e emitiu 75 senten\u00e7as, com 12 absolvi\u00e7\u00f5es e 63 condena\u00e7\u00f5es \u00e0 pris\u00e3o\u201d, detalhou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O tribunal assentou jurisprud\u00eancia no direito internacional, ao ter conduzido o primeiro processo pelo crime de genoc\u00eddio. No ano passado, a ONU adotou um Mecanismo Residual Internacional dos Tribunais Penais para concluir os casos que ficarem pendentes uma vez o TPIR conclua seu mandato. \u201c\u00c9 um sentimento normal de sobreviventes e v\u00edtimas do genoc\u00eddio criticar o TPIR de uma forma ou outra. N\u00e3o se pode esperar uma justi\u00e7a perfeita\u201d, pontuou Amoussouga<\/p>\n<p>Dez acusados do genoc\u00eddio continuam foragidos. Naphtal Ahishakiye \u00e9 secret\u00e1rio-executivo da Ibuka (\u201crecorda\u201d, em kinyarwanda), organiza\u00e7\u00e3o nacional que representa sobreviventes do genoc\u00eddio e o grupo da sociedade civil mais poderoso de Ruanda. \u201cEsses respons\u00e1veis devem ser detidos e levados \u00e0 justi\u00e7a aqui em Ruanda, n\u00e3o ao TPIR nem em Haia\u201d, afirmou. \u201cOs gacacas representavam justi\u00e7a participativa. Todos em Ruanda vinham se inteirar de como foi planejado e executado o genoc\u00eddio\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Mbabaz quer que Ruanda supere o genoc\u00eddio, como ela fez. Ela acredita que a comunidade internacional deter\u00e1 os foragidos e garantir\u00e1 que sejam julgados. \u201cJ\u00e1 se passaram 20 anos e as coisas mudaram. J\u00e1 n\u00e3o falamos de hutus e tutsis, somos todos ruandeses. Quero que minha filha entenda o que aconteceu e estou disposta a perdoar o que fizeram com a minha fam\u00edlia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O dia de recorda\u00e7\u00e3o nacional do genoc\u00eddio \u00e9 4 de abril. No pr\u00f3ximo ano completar\u00e3o duas d\u00e9cadas do massacre. Os esfor\u00e7os de reconcilia\u00e7\u00e3o se concentram em diluir as fidelidades tribais e substitu\u00ed-las por um sentimento de identidade ruandesa moderna. Gatera concluiu sua visita ao Centro Comemorativo e expressou seu desejo de p\u00f4r fim a esse terr\u00edvel cap\u00edtulo da hist\u00f3ria de seu pa\u00eds. \u201cPassou muito tempo. O TPIR concluir\u00e1 seu mandato no ano que vem e ainda h\u00e1 muitos casos abertos e muitos outros respons\u00e1veis fugindo pelo mundo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cUma vez capturados, devem ser trazidos para Ruanda, pois j\u00e1 demonstramos \u00e0 comunidade internacional que podemos tratar todos de forma justa\u201d, ressaltou Gatera. No entanto, mesmo se esses fugitivos forem presos e levados a um tribunal, n\u00e3o h\u00e1 garantias de que o processo siga os padr\u00f5es internacionais. De todo modo, muitos ruandeses est\u00e3o convencidos de que eles podem demonstrar \u00e0 comunidade internacional que n\u00e3o precisam de ajuda externa para fazer justi\u00e7a. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kigali, Ruanda, 29\/11\/2013 &ndash; &ldquo;H&aacute; um ditado no qual todos os ruandeses acreditam: &lsquo;se esquecer, n&atilde;o ser&aacute; capaz de perdoar, mas se lembrar ter&aacute; presente quem te prejudicou e poder&aacute; perdoar e seguir adiante&rsquo;&rdquo;, disse Honore Gatera &agrave; IPS enquanto caminha pelo Centro Comemorativo de Kigali, capital de Ruanda. 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